{"id":721,"date":"2025-06-20T13:23:20","date_gmt":"2025-06-20T16:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/?p=721"},"modified":"2025-06-20T13:23:20","modified_gmt":"2025-06-20T16:23:20","slug":"refugio-e-um-direito-vozes-lutas-e-esperancas-no-dia-mundial-do-refugiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2025\/06\/20\/refugio-e-um-direito-vozes-lutas-e-esperancas-no-dia-mundial-do-refugiado\/","title":{"rendered":"Ref\u00fagio \u00e9 um Direito: Vozes, Lutas e Esperan\u00e7as no Dia Mundial do Refugiado"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\"><em>\u201cEles perderam o lar, mas n\u00e3o a esperan\u00e7a. E a esperan\u00e7a precisa de acolhimento.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Williton Itozamir Batista de Farias<\/em><\/p>\n<p><strong>Por que lembrar?<\/strong><\/p>\n<p>Imagine acordar um dia e descobrir que tudo ao seu redor desmoronou. Sua casa foi bombardeada. Sua escola fechada. Sua l\u00edngua, sua cultura, seu nome\u2026 passaram a ser alvos de desconfian\u00e7a. Essa \u00e9 a realidade de milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo que, for\u00e7adas por guerras, persegui\u00e7\u00f5es e desastres, deixam tudo para tr\u00e1s em busca de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Todo 20 de junho, o mundo se volta para essas hist\u00f3rias no <em>Dia Mundial do Refugiado<\/em>, uma data institu\u00edda pela ONU para lembrar que o direito ao ref\u00fagio \u00e9, antes de tudo, o direito \u00e0 vida, \u00e0 dignidade e \u00e0 esperan\u00e7a. Mas ser\u00e1 que estamos realmente ouvindo essas vozes?<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 ser refugiado?<\/strong><\/p>\n<p>Nem todo migrante \u00e9 refugiado. A Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 1951 define refugiado como algu\u00e9m que se v\u00ea for\u00e7ado a sair de seu pa\u00eds por fundado temor de persegui\u00e7\u00e3o \u2014 seja por motivos religiosos, pol\u00edticos, \u00e9tnicos ou de pertencimento a grupos sociais espec\u00edficos. Ao contr\u00e1rio dos migrantes volunt\u00e1rios, o refugiado n\u00e3o escolhe sair. Ele foge.<\/p>\n<p>O Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (ACNUR) coordena, desde 1950, as a\u00e7\u00f5es globais para prote\u00e7\u00e3o e reassentamento dessas pessoas. E foi justamente para ampliar essa visibilidade que, em 2001, a ONU instituiu o Dia Mundial do Refugiado.<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros que gritam<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o ACNUR, o mundo registrou mais de 120 milh\u00f5es de pessoas deslocadas \u00e0 for\u00e7a em 2024, sendo 43,3 milh\u00f5es de refugiados reconhecidos internacionalmente. A maioria vem de pa\u00edses como S\u00edria, Venezuela, Ucr\u00e2nia, Afeganist\u00e3o e Sud\u00e3o do Sul. As causas s\u00e3o m\u00faltiplas: conflitos armados, colapsos econ\u00f4micos, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e persegui\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No Brasil, mais de 65 mil pessoas t\u00eam status de refugiado reconhecido, segundo dados do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (CONARE). A maioria vem da Venezuela, mas tamb\u00e9m h\u00e1 fluxos significativos de haitianos, s\u00edrios, congoleses e afeg\u00e3os. S\u00e3o fam\u00edlias inteiras tentando reconstruir suas vidas em terras estranhas, muitas vezes sem sequer dominar o idioma local.<\/p>\n<p><strong>Os desafios do recome\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Refugiar-se n\u00e3o \u00e9 chegar ao fim da estrada. \u00c9, na verdade, come\u00e7ar outra \u2014 \u00edngreme e cheia de obst\u00e1culos. A burocracia para obten\u00e7\u00e3o de documentos, a dificuldade de acesso ao trabalho formal, o racismo, a xenofobia, o isolamento cultural e as barreiras lingu\u00edsticas formam um verdadeiro labirinto social.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o trauma do deslocamento for\u00e7ado deixa marcas profundas na sa\u00fade emocional dessas pessoas, especialmente entre crian\u00e7as e adolescentes que, muitas vezes, assistem \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de seus mundos sem compreender o porqu\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Acolher \u00e9 resistir<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos desafios, h\u00e1 hist\u00f3rias que brilham como far\u00f3is de esperan\u00e7a. Iniciativas como a Miss\u00e3o Paz (SP), a C\u00e1ritas Brasileira, a rede de apoio da Aldeias Infantis SOS e os projetos da Igreja Batista em Boa Viagem (PE) t\u00eam proporcionado abrigo, aulas de portugu\u00eas, encaminhamento ao trabalho e, principalmente, dignidade.<\/p>\n<p>Em Roraima, fronteira com a Venezuela, o projeto &#8220;Acolhida Solid\u00e1ria&#8221; da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida j\u00e1 ajudou mais de 100 mil pessoas no processo de interioriza\u00e7\u00e3o \u2014 uma chance de recome\u00e7ar em outras cidades brasileiras.<\/p>\n<p>E, em muitas comunidades de f\u00e9, o ato de acolher o estrangeiro tem sido redescoberto como express\u00e3o pr\u00e1tica do evangelho.<\/p>\n<p><strong>\u00c9tica, f\u00e9 e hospitalidade<\/strong><\/p>\n<p>A hospitalidade n\u00e3o \u00e9 apenas um valor humano \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m um princ\u00edpio \u00e9tico e espiritual. A B\u00edblia afirma: <em>&#8220;Quando um estrangeiro habitar convosco na vossa terra, n\u00e3o o oprimireis. Como o natural entre v\u00f3s ser\u00e1 o estrangeiro que peregrina convosco&#8221; (Lev\u00edtico 19.33-34)<\/em>.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Jesus se identifica com o forasteiro: <em>&#8220;Fui estrangeiro, e me acolhestes&#8221; (Mateus 25.35)<\/em>. Acolher o refugiado \u00e9, portanto, mais do que caridade. \u00c9 um ato de justi\u00e7a, uma resposta de f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p>O Dia Mundial do Refugiado n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma data no calend\u00e1rio: \u00e9 um espelho da nossa humanidade. Ele nos desafia a deixar de lado o conforto da indiferen\u00e7a e a assumir o compromisso com a empatia e a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ajudar? Informe-se. Doe para institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis. Voluntarie-se. Abra espa\u00e7os em sua igreja, escola, empresa ou fam\u00edlia. Compartilhe hist\u00f3rias. Quebrar o sil\u00eancio tamb\u00e9m \u00e9 forma de acolher.<\/p>\n<p><strong>Porque ningu\u00e9m escolhe ser refugiado. <\/strong>Mas todos n\u00f3s podemos escolher ser abrigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><em>Williton Farias \u00e9 professor de Missiologia com foco em estudos da Di\u00e1spora, \u00e1rea na qual desenvolve pesquisas e atua como mobilizador mission\u00e1rio. \u00c9 graduado em Geografia e Teologia, com especializa\u00e7\u00e3o em Miss\u00f5es Transculturais, e atualmente cursa mestrado em Minist\u00e9rio Pastoral. Pastor em Patos (PB), tamb\u00e9m dirige o polo local do Semin\u00e1rio Betel Brasileiro, contribuindo na forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes missionais. Participou do Lausanne 4 no grupo \u201cPeople on the Move\u201d e tem se dedicado \u00e0 reflex\u00e3o e pr\u00e1tica mission\u00e1ria entre migrantes, refugiados e povos transnacionais, unindo fundamentos b\u00edblicos aos desafios da mobilidade humana contempor\u00e2nea.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>Imagem: <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/pessoas-cerca-refugiados-globo-8389312\/\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEles perderam o lar, mas n\u00e3o a esperan\u00e7a. E a esperan\u00e7a precisa de acolhimento.\u201d &nbsp; Por Williton Itozamir Batista de Farias Por que lembrar? Imagine acordar um dia e descobrir que tudo ao seu redor desmoronou. Sua casa foi bombardeada. Sua escola fechada. Sua l\u00edngua, sua cultura, seu nome\u2026 passaram a ser alvos de desconfian\u00e7a. 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