{"id":354,"date":"2015-09-16T08:48:21","date_gmt":"2015-09-16T11:48:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/?p=354"},"modified":"2015-09-16T08:51:30","modified_gmt":"2015-09-16T11:51:30","slug":"declaracao-de-lausanne-sobre-nossa-interacao-com-muculmanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2015\/09\/16\/declaracao-de-lausanne-sobre-nossa-interacao-com-muculmanos\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o de Lausanne sobre nossa Intera\u00e7\u00e3o com Mu\u00e7ulmanos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2015\/09\/Lausanne_logo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-357\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2015\/09\/Lausanne_logo.jpg\" alt=\"Lausanne_logo\" width=\"167\" height=\"84\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2015\/09\/Lausanne_logo.jpg 167w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2015\/09\/Lausanne_logo-150x75.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 167px) 100vw, 167px\" \/><\/a>A reuni\u00e3o de l\u00edderes crist\u00e3os de todo o mundo no 3\u00ba Congresso de Lausanne na Cidade do Cabo em dezembro de 2010 produziu o Compromisso da Cidade do Cabo. Como base para o envolvimento dos crist\u00e3os com o islamismo e os mu\u00e7ulmanos, o Movimento de Lausanne afirma a se\u00e7\u00e3o 2C em sua inteireza e chama a aten\u00e7\u00e3o para o seguinte na Se\u00e7\u00e3o 1:<\/p>\n<p>(a) N\u00f3s nos comprometemos a ser escrupulosamente \u00e9ticos em nossa evangeliza\u00e7\u00e3o. Nosso testemunho deve ser marcado por \u201cmansid\u00e3o e respeito, conservando boa consci\u00eancia\u201d (1Pe 3.15-16). Por isso, rejeitamos qualquer forma de testemunho que seja coercivo, anti\u00e9tico, enganoso ou desrespeitoso.<\/p>\n<p>(b) Em nome do Deus de amor, n\u00f3s nos arrependemos por n\u00e3o procurar criar la\u00e7os de amizade com pessoas de outras forma\u00e7\u00f5es religiosas. No esp\u00edrito de Jesus, tomaremos a iniciativa de demonstrar amor, boa vontade e hospitalidade para com eles.<\/p>\n<p>(c) Em nome do Deus da verdade, n\u00f3s (i) nos recusamos a promover mentiras e caricaturas de outras religi\u00f5es e (ii) denunciamos o preconceito, o \u00f3dio e o medo racista incitados na m\u00eddia popular e na ret\u00f3rica pol\u00edtica e resistimos a eles.<\/p>\n<p>(d) Em nome do Deus da paz, rejeitamos o caminho da viol\u00eancia e da vingan\u00e7a em todas as nossas rela\u00e7\u00f5es com pessoas de outras cren\u00e7as, mesmo quando atacados com viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c0 luz dos compromissos acima, o Movimento de Lausanne adota e recomenda o seguinte como DECLARA\u00c7\u00c3O DE LAUSANNE SOBRE NOSSA INTERA\u00c7\u00c3O COM MU\u00c7ULMANOS. Confiamos que, tendo uma vis\u00e3o mais clara do que envolve a miss\u00e3o crist\u00e3 no mundo do isl\u00e3 e respondendo a propostas realistas para concretizar essa vis\u00e3o, os crist\u00e3os ser\u00e3o desafiados e estimulados a desenvolverem um meio de promover esses pontos de a\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds e regi\u00e3o e serem enriquecidos e apoiados pelo trabalho com crist\u00e3os em outras partes do mundo.<!--more--><\/p>\n<p><strong>1. <b>FUNDAMENTOS B\u00cdBLICOS E TEOL\u00d3GICOS PARA O RELACIONAMENTO DE CRIST\u00c3OS COM OS MU\u00c7ULMANOS E O ISLAMISMO<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Os mu\u00e7ulmanos e o islamismo apresentam desafios para os crist\u00e3os e o cristianismo, e \u00e9 preciso refletir isso na maneira de articularmos nosso entendimento da miss\u00e3o crist\u00e3 hoje. Estamos lidando com uma religi\u00e3o que historicamente surgiu seis s\u00e9culos depois de Cristo e que absorveu muito tanto do juda\u00edsmo como do cristianismo e se define tanto em continuidade como em descontinuidade com essas religi\u00f5es. Nosso ponto de partida, por conseguinte, deve ser a aprecia\u00e7\u00e3o de todo o terreno comum entre as cren\u00e7as crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas e, ao mesmo tempo, compreender o significado das diferen\u00e7as em nossa maneira de pensar em Deus e procurar lhe prestar servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8211; Mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os acreditam na unicidade ou unidade de Deus, embora divirjam no entendimento do significado disso. Os crist\u00e3os afirmam a unicidade de Deus, j\u00e1 que \u201cO\u00a0Senhor, o nosso Deus, \u00e9 o \u00fanico Senhor\u201d (Dt 6.4), mas t\u00eam um entendimento trinit\u00e1rio da unicidade. \u00c9 isso que nos permite declarar que \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4.16); isso deve significar que ele \u00e9 amor em sua natureza eterna, sempre houve um relacionamento de amor entre Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo dentro da deidade. Por amor, ele criou a humanidade \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a (Gn 1.26-27) e, em resposta \u00e0 sua rebeli\u00e3o contra ele, deu andamento a seu plano de salva\u00e7\u00e3o para reconquistar seu amor: \u201cPorque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unig\u00eanito\u201d (Jo 3.16). Seguidores de Jesus consideram-se envolvidos nos prop\u00f3sitos do amor divino ao mundo porque, depois de ressuscitar, ele comissionou seus seguidores dizendo: \u201cAssim como o Pai me enviou, eu os envio\u201d (Jo 20.21). O que o crist\u00e3o entende por miss\u00e3o est\u00e1, portanto, profundamente arraigado em nosso entendimento do car\u00e1ter de Deus como um Deus de amor.<\/p>\n<p>&#8211; Como crist\u00e3os, vemos os mu\u00e7ulmanos como seres humanos como n\u00f3s, em meio a quem Jesus, a Palavra eterna, est\u00e1 agindo como \u201c\u00a0a verdadeira luz, que ilumina todos os homens\u201d (Jo 1.9). Tamb\u00e9m consideramos os mu\u00e7ulmanos nosso pr\u00f3ximo a quem somos chamados a amar, j\u00e1 que o segundo dos grandes mandamentos no ensino de Jesus nos diz: \u201cAme o seu pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d (Mt 22.39). Amar os mu\u00e7ulmanos como nosso pr\u00f3ximo deve incluir a constru\u00e7\u00e3o de relacionamentos genu\u00ednos baseados em respeito, compreens\u00e3o e abertura para com eles, bem como trabalhar por justi\u00e7a social e pelo bem comum em todas as diferentes sociedades em que vivemos ao lado deles como cidad\u00e3os. Ensinamos os crist\u00e3os a seguirem a Regra \u00c1urea (Mt 7.12), tratando os de outras comunidades como eles mesmos gostariam de ser tratados.<\/p>\n<p>&#8211; Temos muita consci\u00eancia das maneiras pelas quais os mu\u00e7ulmanos t\u00eam questionado as cren\u00e7as crist\u00e3s, muitas das quais giram em torno da autenticidade das Escrituras e de nosso entendimento da verdadeira pessoa de Jesus. Queremos responder as perguntas e obje\u00e7\u00f5es deles no esp\u00edrito do ap\u00f3stolo Pedro que escreveu: \u201cEstejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que pedir a raz\u00e3o da esperan\u00e7a que h\u00e1 em voc\u00eas. Contudo, fa\u00e7am isso com mansid\u00e3o e respeito\u201d (1Pe 3.15). Entendemos que as Escrituras s\u00e3o a Palavra de Deus inspirada que vem a n\u00f3s nos escritos e por meio dos escritos de seres humanos que foram guiados pelo Esp\u00edrito Santo: \u201c&#8230; pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens\u00a0falaram da parte de Deus, impelidos pelo Esp\u00edrito Santo\u201d (2Pe 1.21). N\u00f3s, assim como os mu\u00e7ulmanos, consideramos Jesus um profeta (Lc 24.19), mas muito mais que profeta \u2013 como a Palavra de Deus eterna que, tornando-se homem, deu-nos a mais clara e completa revela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da natureza e do car\u00e1ter de Deus. \u201c\u2026 A Palavra \u2026 estava com Deus e era Deus \u2026 Aquele que \u00e9 a Palavra tornou-se carne e viveu entre n\u00f3s &#8230; Ningu\u00e9m jamais viu a Deus, mas o Deus Unig\u00eanito, que est\u00e1 junto do Pai, o tornou conhecido\u201d (Jo 1.1, 14, 18). \u201cO Filho \u00e9 o resplendor da gl\u00f3ria de Deus e a express\u00e3o exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purifica\u00e7\u00e3o dos pecados, ele se assentou \u00e0 direita da Majestade nas alturas\u201d (Hb 1.3).<\/p>\n<p>&#8211; Sendo isso o que cremos acerca de Jesus, queremos testificar dele. Assim como ouvimos os mu\u00e7ulmanos explicando suas cren\u00e7as acerca de Jesus, queremos apresent\u00e1-lo por meio de nossa vida e palavras, conforme as Escrituras o revelam e n\u00f3s experimentamos. Testificamos de Jesus em resposta \u00e0 sua ordem na Grande Comiss\u00e3o (\u201cV\u00e3o e fa\u00e7am disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es&#8230;\u201d Mt 28.19), mas tamb\u00e9m queremos compartilhar com os outros o que \u00e9 precioso para n\u00f3s. Nossa motiva\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 que \u201co amor de Cristo nos constrange&#8230;\u201d (2Co 5.14). Nas palavras dos primeiros ap\u00f3stolos, \u201cn\u00e3o podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos\u201d (At 4.20). Queremos que os mu\u00e7ulmanos tenham oportunidade de conhecer Deus conforme acreditamos que ele se revelou em Cristo.<\/p>\n<p>&#8211; Embora crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos concordem que Deus \u00e9 misericordioso e perdoador, diferimos em nosso entendimento de como o perd\u00e3o divino \u00e9 demonstrado e comunicado. Para os crist\u00e3os, a suprema demonstra\u00e7\u00e3o do amor e do perd\u00e3o de Deus \u00e9 vista na encarna\u00e7\u00e3o da Palavra eterna, Jesus, sua fidelidade e vida abnegada, sua morte na cruz e sua ressurrei\u00e7\u00e3o. \u201cDeus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, n\u00e3o levando em conta os pecados dos homens&#8230;\u201d (2Co 5.19). \u201cDeus demonstra seu amor por n\u00f3s: Cristo morreu em nosso favor quando ainda \u00e9ramos pecadores\u201d (Rm 5.8). \u00c9 por causa da singularidade de Jesus e daquilo que ele realizou que o ap\u00f3stolo Pedro pode afirmar: \u201cN\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o em nenhum outro, pois, debaixo do c\u00e9u n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos\u201d (At 4.12).<\/p>\n<p>&#8211; Nas rela\u00e7\u00f5es entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, boa parte costuma depender do equil\u00edbrio de poder em contextos espec\u00edficos. Embora cerca de um ter\u00e7o de todos os mu\u00e7ulmanos viva em situa\u00e7\u00f5es em que \u00e9 minoria, em muitos pa\u00edses de maioria mu\u00e7ulmana os crist\u00e3os formam uma comunidade minorit\u00e1ria. Se, em geral, os mu\u00e7ulmanos t\u00eam ideias variadas acerca do relacionamento ideal entre religi\u00e3o e Estado, os crist\u00e3os s\u00e3o mais cautelosos no que diz respeito a juntar a autoridade de Deus \u00e0 de C\u00e9sar. Apesar de n\u00e3o querermos recriar a cristandade, as Escrituras nos d\u00e3o uma vis\u00e3o de uma sociedade pac\u00edfica e justa em que os valores do reino de Deus s\u00e3o preservados e honrados para benef\u00edcio de todos.<\/p>\n<p>&#8211; Em todas as nossas rela\u00e7\u00f5es com os mu\u00e7ulmanos, nossa responsabilidade \u00e9 am\u00e1-los como nosso pr\u00f3ximo e testificar de Jesus conforme o entendemos e experimentamos. Acreditamos que cabe ao Esp\u00edrito Santo agir no cora\u00e7\u00e3o das pessoas para que abram a vida, atendendo ao Deus que se revela e ao seu amor em Jesus (Mt 16.17; 1Co 12.3). Na pr\u00e1tica do testemunho crist\u00e3o n\u00e3o pode haver espa\u00e7o para nenhum tipo de indu\u00e7\u00e3o, press\u00e3o ou compuls\u00e3o para persuadir as pessoas a crerem. O resultado de nossa miss\u00e3o est\u00e1 inteiramente nas m\u00e3os de Deus. Ele conhece os segredos de todos os nossos cora\u00e7\u00f5es e de todos os povos \u2013 mu\u00e7ulmanos, crist\u00e3os e outros \u2013 que se colocar\u00e3o diante dele no Dia do Julgamento.<\/p>\n<p>&#8211; Conscientes do fato de que o testemunho crist\u00e3o \u00e9 realizado num mundo dividido e despeda\u00e7ado, somos chamados a assumir o minist\u00e9rio de reconcilia\u00e7\u00e3o como pilar chave de nosso testemunho. Nas palavras do ap\u00f3stolo Paulo, \u201cTudo isso prov\u00e9m de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d (2Co 5.18). O ensino de Paulo a respeito do mundo despeda\u00e7ado \u00e9 instrutivo: \u201cAlegrem-se na esperan\u00e7a, sejam pacientes na tribula\u00e7\u00e3o, perseverem na ora\u00e7\u00e3o &#8230; Aben\u00e7oem aqueles que os perseguem; aben\u00e7oem-nos, n\u00e3o os amaldi\u00e7oem &#8230; Fa\u00e7am todo o poss\u00edvel para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois est\u00e1 escrito: \u2018Minha \u00e9 a vingan\u00e7a; eu retribuirei\u2019 &#8230; N\u00e3o se deixem vencer pelo mal, mas ven\u00e7am o mal com o bem\u201d (Rm 12.9-21).<\/p>\n<p><strong><b>2. PRINCIPAIS PRIORIDADES PARA OS PR\u00d3XIMOS ANOS NO RELACIONAMENTO DOS CRIST\u00c3OS COM OS MU\u00c7ULMANOS E O ISLAMISMO<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Somos gratos a Deus pelo testemunho ininterrupto da Igreja por meio da vida e das palavras ao longo dos catorze s\u00e9culos desde o surgimento do Isl\u00e3. Dando prosseguimento a esse testemunho vivo, encorajamos toda a igreja, onde quer que ela esteja no mundo, a continuar se empenhando na miss\u00e3o crist\u00e3 aos mu\u00e7ulmanos. Cremos que essas s\u00e3o as principais prioridades em que precisamos nos concentrar no momento presente. Todas as nossas atividades nessas \u00e1reas precisam ser sustentadas por persistente ora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>\u00a0&#8211; <\/strong><strong><b>Motivar e mobilizar igrejas<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Cada igreja, seja uma comunidade, seja uma denomina\u00e7\u00e3o, em todo o mundo precisa encontrar meios para que os crist\u00e3os atentem para os desafios do Isl\u00e3 e para as oportunidades de testemunho aos mu\u00e7ulmanos. Em lugares em que s\u00e3o impedidos pelo medo, os crist\u00e3os precisam ser encorajados a construir relacionamentos genu\u00ednos e naturais com seus vizinhos mu\u00e7ulmanos, praticando a hospitalidade e assumindo iniciativas ousadas. Onde s\u00e3o impedidos pela ignor\u00e2ncia, precisam aprender mais acerca dos mu\u00e7ulmanos e do islamismo, para explorarem, sustentados por muita ora\u00e7\u00e3o, algumas das novas oportunidades que se t\u00eam aberto para comunica\u00e7\u00e3o do evangelho em anos recentes. Onde s\u00e3o impedidos por preconceitos, precisam ser lembrados de como Jesus capacitou seus disc\u00edpulos a vencer seus preconceitos raciais e religiosos.<\/p>\n<p>&#8211; <strong><b>Demonstrar pertencimento ao Corpo de Cristo<\/b><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois desafios espec\u00edficos apresentados pelo n\u00famero crescente de mu\u00e7ulmanos em muitas partes do mundo que se t\u00eam tornado seguidores de Jesus em anos recentes. Primeiro, os crist\u00e3os em igrejas j\u00e1 existentes precisam compreender as dificuldades enfrentadas por esses novos crentes e fazer de tudo para ajud\u00e1-los a descobrir a pr\u00f3pria identidade dentro do Corpo de Cristo. Segundo, \u00e9 importante apreciar a variedade e complexidade dos contextos em que os mu\u00e7ulmanos est\u00e3o se convertendo. \u00c9, portanto, vital que recebam liberdade e responsabilidade para encontrarem as maneiras mais adequadas de expressarem o compromisso com Jesus dentro do contexto deles.<\/p>\n<p>&#8211; <strong><b>Reconhecer a import\u00e2ncia das quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Desde 1974, o Pacto de Lausanne tem encorajado os crist\u00e3os a encararem com seriedade as quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas. Cremos que h\u00e1 raz\u00f5es especiais pelas quais precisamos levar isso a s\u00e9rio em nosso relacionamento com os mu\u00e7ulmanos. Na maior parte das situa\u00e7\u00f5es em que crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos vivem lado a lado, h\u00e1 quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas que afetam ambas as comunidades. Certas rea\u00e7\u00f5es crist\u00e3s a algumas delas t\u00eam criado uma grande pedra de trope\u00e7o na mente dos mu\u00e7ulmanos, tornando-os, com frequ\u00eancia, resistentes ao Evangelho. Os crist\u00e3os precisam estar dispostos a dar ouvidos \u00e0s percep\u00e7\u00f5es que os mu\u00e7ulmanos t\u00eam dessas quest\u00f5es e saber como tratar com os mu\u00e7ulmanos ao se relacionarem com eles. Uma dessas quest\u00f5es \u00e9 o conflito israelo-palestino. Convocamos a igreja global para devotar mais tempo e energia na busca de meios para resolver essa quest\u00e3o de tal maneira que se promovam a justi\u00e7a e a reconcilia\u00e7\u00e3o e discutam as quest\u00f5es b\u00edblicas e teol\u00f3gicas profundas.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Trabalhar por justi\u00e7a e reconcilia\u00e7\u00e3o<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia, os crist\u00e3os levantam a voz em quest\u00f5es de liberdade religiosa, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o que os crist\u00e3os sofrem em muitos pa\u00edses de maioria mu\u00e7ulmana. Eles tamb\u00e9m se preocupam profundamente com o tratamento rude que os mu\u00e7ulmanos recebem em muitas situa\u00e7\u00f5es quando querem mudar de religi\u00e3o. Esse tipo de advocacia deve ser exercido com vigor \u00e0 luz do Artigo 18 da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos da ONU, que afirma os direitos humanos fundamentais de \u201cpraticar, propagar e mudar de religi\u00e3o\u201d. Ao mesmo tempo, os crist\u00e3os precisam ser insistentes na defesa dos direitos dos mu\u00e7ulmanos e de quaisquer minorias que sofrem discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o, mesmo quando isso ocorre nas m\u00e3os de governos mu\u00e7ulmanos. H\u00e1 tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es em diferentes partes do mundo em que crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos podem trabalhar juntos por uma sociedade justa. Assuntos como meio ambiente e com\u00e9rcio internacional geram discuss\u00f5es acerca da justi\u00e7a que interessam a pessoas de todas as cren\u00e7as, inclusive crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Discernir quest\u00f5es \u00e9ticas na miss\u00e3o e no discipulado<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Como os crist\u00e3os podem desenvolver pr\u00e1ticas mission\u00e1rias hol\u00edsticas sem agendas ocultas? Como ajudar os interessados a refletir sobre problemas \u00e9ticos sens\u00edveis (e.g. fam\u00edlia e cultura) sem lhes impor valores culturais estrangeiros? Cr\u00edticas por parte dos mu\u00e7ulmanos e do mundo secular contra o modo de algumas obras humanit\u00e1rias serem usadas por crist\u00e3os para induzir \u00e0 convers\u00e3o devem ser examinadas com cuidado, tornando-nos muito mais atentos a quest\u00f5es morais envolvidas no nosso jeito de cumprirmos nossa miss\u00e3o. Nesse minist\u00e9rio precisamos ouvir e compreender as perspectivas isl\u00e2micas, de modo que nossos relacionamentos com a comunidade mu\u00e7ulmana possam n\u00e3o s\u00f3 ser baseados em princ\u00edpios b\u00edblicos, como tamb\u00e9m ser culturalmente apropriados e contextualmente relevantes. Esperamos que os mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m estejam dispostos a tomar a mesma atitude autocr\u00edtica com respeito \u00e0 sua pr\u00e1tica de assist\u00eancia, desenvolvimento e <em><i>da\u2018wa<\/i><\/em>.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Encorajar reflex\u00e3o b\u00edblica e teol\u00f3gica mais profunda <\/b><\/strong><\/p>\n<p>Embora muitos dos dilemas que os crist\u00e3os enfrentam em miss\u00f5es n\u00e3o sejam diferentes dos que encontravam no passado, os contextos em que os enfrentamos hoje est\u00e3o em mudan\u00e7a constante. Muitos, por exemplo, est\u00e3o fazendo perguntas: Como os crist\u00e3os lidam com o sentimento de serem uma minoria impotente? Como fazer distin\u00e7\u00e3o entre persegui\u00e7\u00e3o por causa do evangelho e sofrimentos causados por uma variedade de fatores sem rela\u00e7\u00e3o alguma com o evangelho? Como a reflex\u00e3o crist\u00e3 sobre a teologia da cruz influencia sua teologia pol\u00edtica? E se os crist\u00e3os, depois de oferecerem a outra face, sentirem-se compelidos a recorrer \u00e0 viol\u00eancia para se defenderem? Como os crist\u00e3os podem superar a mentalidade de gueto e acreditar que podem desempenhar um papel positivo na constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o? H\u00e1 espa\u00e7o para pol\u00eamicas? E qual a diferen\u00e7a entre pol\u00eamica e apolog\u00e9tica? Como devemos compreender o lugar do islamismo nos prop\u00f3sitos de Deus na hist\u00f3ria? H\u00e1 necessidade de uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica cont\u00ednua e criativa sobre temas desse tipo.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Empenhar-se no di\u00e1logo com os mu\u00e7ulmanos<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Alguns crist\u00e3os podem precisar vencer seus temores e reservas associados com a palavra \u201cdi\u00e1logo\u201d, vendo que n\u00e3o \u00e9 preciso haver contradi\u00e7\u00e3o entre miss\u00e3o e di\u00e1logo. Se di\u00e1logo simplesmente significa uma conversa entre duas pessoas ou partidos, podendo levar a um encontro real de cora\u00e7\u00f5es e mentes, n\u00e3o h\u00e1 motivo para os crist\u00e3os n\u00e3o aproveitarem cada oportunidade para intera\u00e7\u00f5es desse tipo, em todos os n\u00edveis da sociedade. Di\u00e1logos s\u00e9rios precisam n\u00e3o s\u00f3 tratar de quest\u00f5es de cren\u00e7a e experi\u00eancia pessoal, como tamb\u00e9m de quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas. N\u00e3o \u00e9 preciso temer concess\u00f5es ou a simples busca de um denominador comum, uma vez que os dois lados poder\u00e3o apresentar todas as quest\u00f5es dif\u00edceis sobre as quais querem concordar ou discordar. \u00c9 especialmente necess\u00e1rio que l\u00edderes e estudiosos das duas comunidades se empenhem num di\u00e1logo honesto, aberto e cont\u00ednuo onde h\u00e1 um potencial de conflito entre as duas comunidades. A Rede Tem\u00e1tica de Lausanne sobre o Islamismo iniciar\u00e1 e facilitar\u00e1 essas conversas em n\u00edvel global e regional.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Ensino e treinamento de professores<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Para que os crist\u00e3os em nossas igrejas recebam o tipo de orienta\u00e7\u00e3o e encorajamento de que precisam para se relacionarem com os mu\u00e7ulmanos, \u00e9 vital que pastores e professores de todo os tipos sejam capacitados para saberem o que e como ensinar em cada n\u00edvel, de crian\u00e7as a adultos, para dissipar o medo e os estere\u00f3tipos e instilar confian\u00e7a. Todos os semin\u00e1rios, cursos superiores de B\u00edblia e miss\u00f5es precisam fazer uma provis\u00e3o adequada em seus curr\u00edculos para ensinarem sobre o islamismo e grupos de povos mu\u00e7ulmanos, de modo que todos os obreiros crist\u00e3os saibam o suficiente para ensinar e treinar toda a igreja para sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Buscar profici\u00eancia adequada em Islamismo<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Os crist\u00e3os n\u00e3o devem jamais se contentar com o conhecimento do passado, mas procurar construir sobre ele usando uma variedade de disciplinas para compreender o islamismo e todas as suas formas e manifesta\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do estudo das rela\u00e7\u00f5es crist\u00e3o-mu\u00e7ulmanas (inclusive a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es crist\u00e3o-mu\u00e7ulmanas e a hist\u00f3ria do minist\u00e9rio entre povos mu\u00e7ulmanos espec\u00edficos), do Cor\u00e3o e da Hadith, da lei e da teologia isl\u00e2mica, precisamos das informa\u00e7\u00f5es que podemos obter da antropologia, da sociologia e da ci\u00eancia pol\u00edtica. Em anos recentes, estudiosos e profissionais t\u00eam se empenhado em an\u00e1lises rigorosas de diferentes abordagens de miss\u00f5es e testemunho, refletindo, por exemplo, sobre quest\u00f5es a respeito de contextualiza\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia. Nosso conhecimento precisa ser escrupulosamente imparcial e lidar com toda a diversidade do islamismo e suas faces mutantes de hoje e, se for o caso, precisamos busc\u00e1-lo num di\u00e1logo aberto e franco com os mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p><strong><b>&#8211; Estabelecer redes<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Podemos ser gratos pelo fato de haver v\u00e1rios centros de estudos, redes e grupos de reflex\u00e3o crist\u00e3os que se t\u00eam estabelecido em diferentes partes do mundo, concentrados nas quest\u00f5es do relacionamento de crist\u00e3os com os mu\u00e7ulmanos e o islamismo. Onde existem, esses centros precisam ser apoiados para fornecerem aos crist\u00e3os estudos acad\u00eamicos da melhor qualidade poss\u00edvel sobre assuntos isl\u00e2micos e miss\u00e3o em contextos mu\u00e7ulmanos. Onde esses centros ainda n\u00e3o se comunicam entre si, pode haver necessidade de desenvolver uma rede de comunica\u00e7\u00e3o para facilitar maior fertiliza\u00e7\u00e3o cruzada e coopera\u00e7\u00e3o. Novos centros precisam ser estabelecidos para atender \u00e0s necessidades das igrejas especialmente em diferentes regi\u00f5es do Mundo dos Dois Ter\u00e7os e se tornarem parte dessa rede mais ampla de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reuni\u00e3o de l\u00edderes crist\u00e3os de todo o mundo no 3\u00ba Congresso de Lausanne na Cidade do Cabo em dezembro de 2010 produziu o Compromisso da Cidade do Cabo. Como base para o envolvimento dos crist\u00e3os com o islamismo e os mu\u00e7ulmanos, o Movimento de Lausanne afirma a se\u00e7\u00e3o 2C em sua inteireza e chama [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[114],"tags":[9530,27679,26188,27678,6392,26187],"class_list":["post-354","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-compromisso-da-cidade-do-cabo","tag-declaracoes","tag-dialogo-interreligioso","tag-documentos","tag-lausanne-3","tag-muculmanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=354"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":359,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354\/revisions\/359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}