{"id":330,"date":"2014-08-04T00:04:59","date_gmt":"2014-08-04T03:04:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/?p=330"},"modified":"2014-07-30T09:37:19","modified_gmt":"2014-07-30T12:37:19","slug":"um-cristocentrismo-funcional-e-proclamativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2014\/08\/04\/um-cristocentrismo-funcional-e-proclamativo\/","title":{"rendered":"Um cristocentrismo funcional e proclamativo"},"content":{"rendered":"<p>(Parte 3)<\/p>\n<p><i>Por Dr. Samuel Escobar<\/i><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2014\/07\/logo_lausanne_40anos_medio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-314 alignright\" alt=\"logo_lausanne_40anos_medio\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2014\/07\/logo_lausanne_40anos_medio-291x300.jpg\" width=\"204\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2014\/07\/logo_lausanne_40anos_medio-291x300.jpg 291w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2014\/07\/logo_lausanne_40anos_medio-145x150.jpg 145w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/files\/2014\/07\/logo_lausanne_40anos_medio.jpg 326w\" sizes=\"auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><\/a>Que Lausanne \u00e9 definido como movimento evang\u00e9lico est\u00e1 muito claro no Pacto, com as afirma\u00e7\u00f5es fundamentais dos par\u00e1grafos iniciais sobre o prop\u00f3sito de Deus e a autoridade da B\u00edblia. Podemos entender melhor o par\u00e1grafo 3 sobre a singularidade e a universalidade de Cristo prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica dos dirigentes de Lausanne. O Pacto diz: \u201cAfirmamos que h\u00e1 um s\u00f3 Salvador e um s\u00f3 evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0 N\u00e3o se pode negar a nota cristoc\u00eantrica na prega\u00e7\u00e3o de Graham e na doc\u00eancia de Stott. Como eles, os entusiastas de Lausanne podem dizer \u00e0 consci\u00eancia como o ap\u00f3stolo Paulo: &#8220;Pregamos ao Cristo crucificado\u201d.<\/p>\n<p>Quando eu estava terminando meus estudos universit\u00e1rios, o livro de Stott, <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/cristianismo-basico\">Cristianismo B\u00e1sico<\/a> (1958), me seduziu pela claridade e riqueza de sua apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. E acho que \u00e9 um sinal da capacidade deste autor para ir enriquecendo e aprofundando sua proclama\u00e7\u00e3o no fato de que, no ano 2000, nos oferecesse o seu livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-incomparavel-cristo\">O Incompar\u00e1vel Cristo<\/a>, em di\u00e1logo com a cultura do come\u00e7o do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Agora tamb\u00e9m posso pensar em apresenta\u00e7\u00f5es contextuais de Cristo (surgidas no \u00e2mbito de Lausanne, pelos meus amigos Vinoth Ramachandra, de Sri Lanka, Kwame Bediako, de Gana, e uma gera\u00e7\u00e3o de pregadores e te\u00f3logos latino-americanos que redescobrimos): a humanidade de Jesus como chave para entender o que significa o seguimento nesta segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p><b><\/b><b>Um redescobrimento da miss\u00e3o integral<br \/>\n<\/b>Como bem se sabe, em Lausanne 1974, a palestra de Ren\u00e9 Padilla e a deste servidor causaram muita pol\u00eamica. No caso de Ren\u00e9, porque partindo do pr\u00f3prio conte\u00fado do evangelho fazia uma cr\u00edtica severa \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o entre evangelho e cultura estadunidense ou \u201cAmerican way of life\u201d e propunha um regresso ao conte\u00fado b\u00edblico da boa nova do evangelho.\u00a0 No meu caso, porque propunha que no processo evangelizador se levasse a s\u00e9rio a busca humana de liberdade, justi\u00e7a e realiza\u00e7\u00e3o<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>No processo de congressos regionais que se seguiram Berlim 1966, na Europa, \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, come\u00e7ou-se a redescobrir a import\u00e2ncia da dimens\u00e3o social do evangelho, com ideia de urg\u00eancia. Isso explica a receptividade que nossas palestras encontraram. Houve press\u00f5es de setores muito conservadores, principalmente dos Estados Unidos, que queriam que a miss\u00e3o fosse definida principalmente como comunica\u00e7\u00e3o verbal do evangelho a fim de obter um r\u00e1pido crescimento num\u00e9rico. Mas prevaleceram as vozes que, nos pa\u00edses e ambientes mais variados, haviam visto a necessidade de praticar uma evangeliza\u00e7\u00e3o integral, do modo de Jesus, com uma presen\u00e7a transformadora da Igreja que respaldasse a comunica\u00e7\u00e3o verbal do evangelho.<\/p>\n<p>O consenso est\u00e1 muito bem expresso no par\u00e1grafo 5 do <i>Pacto<\/i> <i>de Lausanne<\/i> sobre a responsabilidade social, na qual se afirma, entre outras coisas:\u00a0 \u201cExpressamos, al\u00e9m do nosso arrependimento, tanto por nossa neglig\u00eancia, como por ter concebido, \u00e0s vezes, a evangeliza\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o social como coisas que se excluem mutuamente&#8230; Embora a reconcilia\u00e7\u00e3o com o homem n\u00e3o \u00e9 o mesmo que a reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, nem o compromisso social \u00e9 o mesmo que a evangeliza\u00e7\u00e3o, nem a libera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 o mesmo que a salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante, afirmamos que a evangeliza\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica s\u00e3o parte do nosso dever crist\u00e3o. Ambas s\u00e3o express\u00f5es necess\u00e1rias da nossa doutrina de Deus e do homem, do nosso amor ao pr\u00f3ximo e da nossa obedi\u00eancia a Jesus Cristo. A mensagem da salva\u00e7\u00e3o implica tamb\u00e9m uma mensagem de ju\u00edzo \u00e0 toda forma de aliena\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o devemos temer o denunciar o mal e a injusti\u00e7a onde quer que existam\u201d.<\/p>\n<p><b>Um renovado sentido de urg\u00eancia<br \/>\n<\/b>O par\u00e1grafo 9 do Pacto expressa bem a tomada de consci\u00eancia do desafio mission\u00e1rio que t\u00ednhamos pela frente, e que ia acompanhada de um reconhecimento de culpa: \u201cMais de 2,7 bilh\u00f5es de pessoas, ou seja, mais de dois ter\u00e7os da humanidade, n\u00e3o foram evangelizadas ainda. N\u00f3s temos vergonha de que tantas pessoas tenham sido ignoradas; isto \u00e9 uma cont\u00ednua repreens\u00e3o para n\u00f3s e para toda a igreja\u201d. Aqui, o olhar se dirigiu para o futuro com uma agenda ambiciosa: \u201cHoje, no entanto, h\u00e1 muitas partes do mundo em que h\u00e1 uma receptividade sem precedentes diante do Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que \u00e9 o momento em que as igrejas e as ag\u00eancias paraeclesi\u00e1sticas orem fervorosamente pela salva\u00e7\u00e3o dos inconversos, e iniciem novos esfor\u00e7os para realizar a evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo\u201d.<\/p>\n<p>A agenda inclu\u00eda a sugest\u00e3o de mudan\u00e7as de estrat\u00e9gia. Naquela d\u00e9cada de 1970, tinha surgido, especialmente na \u00c1frica, o pedido de uma \u201cmorat\u00f3ria\u201d no envio de mission\u00e1rios. O Pacto o reconhece desta maneira: \u201cA redu\u00e7\u00e3o de mission\u00e1rios estrangeiros e de dinheiro num pa\u00eds evangelizado algumas vezes talvez seja necess\u00e1ria para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para \u00e1reas ainda n\u00e3o evangelizadas\u201d. Depois, reconhecendo tamb\u00e9m a presen\u00e7a crescente de mission\u00e1rios das igrejas jovens da \u00c1sia, da \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina, o Pacto prop\u00f5e: \u201cDeve haver um fluxo cada vez mais livre de mission\u00e1rios entre os seis continentes num esp\u00edrito de abnega\u00e7\u00e3o e prontid\u00e3o em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios poss\u00edveis e no menor espa\u00e7o de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas\u201d.<\/p>\n<p>Este renovado sentido de urg\u00eancia leva a propor um novo estilo de vida em umas linhas do Pacto que foram muito debatidas antes de chegar ao texto final.\u00a0 \u201cN\u00e3o podemos esperar atingir esse alvo sem sacrif\u00edcio. Todos n\u00f3s estamos chocados com a pobreza de milh\u00f5es de pessoas, e conturbados pelas injusti\u00e7as que a provocam\u201d. V\u00e1rios l\u00edderes que tinham acesso ao comit\u00ea de reda\u00e7\u00e3o do Pacto insistiam para que deix\u00e1ssemos de fora a express\u00e3o \u201cconturbados pelas injusti\u00e7as que a provocam\u201d. Para eles, era bom que se falasse da pobreza, mas n\u00e3o que fosse relacionada com a injusti\u00e7a. O par\u00e1grafo termina com uma proposta de mudan\u00e7a: \u201cAqueles dentre n\u00f3s que vivem em meio \u00e0 opul\u00eancia aceitam como obriga\u00e7\u00e3o sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangeliza\u00e7\u00e3o deles\u201d.<\/p>\n<p>A ideia de ado\u00e7\u00e3o de um estilo de vida simples foi tamb\u00e9m objeto de debate. Uma dama muito importante, de cujo nome n\u00e3o quero me lembrar, comentou que achava normal que um solteir\u00e3o como John Stott adotasse um estilo de vida simples, mas achava que era inadmiss\u00edvel que ele quisesse impor este mesmo estilo vida aos demais. S\u00e3o muitos aqueles dentre n\u00f3s que agradecem o exemplo de Stott que, de forma expl\u00edcita, adotou um estilo de vida simples. Assim, por exemplo, todos os direitos que recebia pelos seus livros foram destinados a um fundo para a produ\u00e7\u00e3o de literatura crist\u00e3 e para a forma\u00e7\u00e3o de evangelistas e pregadores em pa\u00edses pobres.<\/p>\n<p>Acho que, se o movimento de Lausanne mostrou a sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia nos tempos mut\u00e1veis em que vivemos, se permanece guiado e motivado por estes princ\u00edpios que destaquei, tem futuro no mundo e tamb\u00e9m na Espanha. Porque estamos em tempo de miss\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Notas<br \/>\n<\/b>1. Estudei este processo no meu livro <i>En busca de Cristo en Am\u00e9rica Latina<\/i> (Editorial Kair\u00f3s, 2012).<br \/>\n2. A palestra de Padilla pode ser lida no seu livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/missao-integral-3\">Miss\u00e3o Integral<\/a> (Editora Ultimato, 2014, 2 edi\u00e7\u00e3o) e a de Escobar em <i>Evangelio y realidad social<\/i> (Casa Bautista de Publicaciones, 1988).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Traduzido por Wagner Guimar\u00e3es<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u2022 Samuel Escobar<\/b>\u00a0trabalhou com estudantes universit\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina e Canad\u00e1 durante 26 anos. \u00c9 professor na Faculdade de Teologia Protestante de Madri e autor de\u00a0\u201cSantiago: La Fe Viva que Impulsa a La Misi\u00f3n\u201d (Tiago \u2014 a f\u00e9 que impulsiona a miss\u00e3o).<\/p>\n<p><b><br \/>\nLeia tamb\u00e9m<\/b><br \/>\n<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2014\/07\/22\/movimento-lausanne-quatro-decadas-em-missao\/\">Movimento Lausanne: quatro d\u00e9cadas em miss\u00e3o (parte 1)<\/a><b><br \/>\n<\/b><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2014\/07\/30\/inquietude-uma-leitura-atenta-dos-sinais-dos-tempos\/\">Inquietude: uma leitura atenta dos sinais dos tempos<b> <\/b>(parte 2)<\/a><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Parte 3) Por Dr. Samuel Escobar Que Lausanne \u00e9 definido como movimento evang\u00e9lico est\u00e1 muito claro no Pacto, com as afirma\u00e7\u00f5es fundamentais dos par\u00e1grafos iniciais sobre o prop\u00f3sito de Deus e a autoridade da B\u00edblia. 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