{"id":227,"date":"2013-11-10T17:32:24","date_gmt":"2013-11-10T20:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/?p=227"},"modified":"2013-10-27T17:36:05","modified_gmt":"2013-10-27T20:36:05","slug":"realidades-urbanas-qual-e-a-missao-urbana-global-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2013\/11\/10\/realidades-urbanas-qual-e-a-missao-urbana-global-de-deus\/","title":{"rendered":"Realidades Urbanas: Qual \u00e9 a Miss\u00e3o Urbana Global de Deus?"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li>Observa\u00e7\u00e3o do Editor:\u00a0Este documento Avan\u00e7ando <a title=\"Compromisso da Cidade do Cabo\" href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/lausanne\/2013\/08\/22\/compromisso-da-cidade-do-cabo\/\">Cape Town 2010<\/a> foi escrito por Tim Keller (18.05.2010) para dar um panorama geral do t\u00f3pico a ser discutido na sess\u00e3o Plen\u00e1ria de Noite sobre \u201cMegacidades\u201d e na Sess\u00e3o Multiplex sobre \u201cAbra\u00e7ando a Miss\u00e3o Urbana Global de Deus\u201d.\u00a0 <i><\/i><\/li>\n<\/ul>\n<p><i>\u00a0<\/i><i>\u00a0<\/i><b>O que \u00e9 uma cidade?<\/b><\/p>\n<p>Hoje, uma cidade \u00e9 definida, quase exclusivamente, em termos de tamanho da popula\u00e7\u00e3o. Grandes centros populacionais costumam ser chamados de \u201cmetr\u00f3poles\u201d; pequenos centros, de \u201ccidades\u201d; e os menores ainda, de \u201cvilas\u201d. Entretanto, n\u00e3o devemos impor nosso uso corrente para os termos b\u00edblicos. A principal palavra hebraica para \u201ccidade\u201d, \u201ciyr\u201d,<i>\u00a0<\/i>refere-se a qualquer assentamento humano dentro de alguma fortifica\u00e7\u00e3o ou entre muros. As popula\u00e7\u00f5es de algumas cidades antigas eram de aproximadamente 1000 a 3000 habitantes. \u201cCidade\u201d na B\u00edblia n\u00e3o se refere ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o, mas \u00e0\u00a0<b>densidade<i>.\u00a0<!--more--><\/i><\/b>O Salmo 122:3 refere-se a essa densidade: \u201cJerusal\u00e9m, que est\u00e1s constru\u00edda como cidade compacta\u201d(1). O significado da palavra traduzida para \u201ccompacta\u201d \u00e9 bem entrela\u00e7ada, unida. Numa cidade fortificada, as pessoas viviam perto umas das outras, bem pr\u00f3ximas, em casas e ruas compactas. Na verdade, na maioria das cidades antigas, havia cerca de cinco a dez acres, com 240 residentes por acre, comparando-se com as casas de Manhattan na cidade de Nova York, que tem 105 residentes por acre. (2)<\/p>\n<p>Nos tempos antigos, a cidade era o que hoje considerar\u00edamos \u201cassentamento humano vari\u00e1vel com v\u00e1rias misturas\u201d. Por causa da densidade populacional, havia lugares para viver e trabalhar, comprar e vender, produzir e apreciar arte, adorar e buscar justi\u00e7a, tudo a poucos passos de dist\u00e2ncia. Nos tempos antigos, as \u00e1reas rurais e as vilas talvez n\u00e3o tivessem todos estes elementos, e nos tempos modernos, os \u201csub\u00farbios\u201d, evitam este padr\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sito. Os sub\u00farbios s\u00e3o zonas com uso espec\u00edfico: moradia, trabalho, divers\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o separados um dos outros, e o acesso a eles \u00e9 de carro, geralmente, passando por zonas desfavor\u00e1veis para pedestres.<\/p>\n<p>O que caracteriza uma cidade \u00e9 a proximidade. Ela aproxima pessoas. Portanto, resid\u00eancias, locais de trabalho e institui\u00e7\u00f5es culturais ficam pr\u00f3ximos. Ela d\u00e1 vida \u00e0s ruas e locais de trabalho e traz mais intera\u00e7\u00e3o corpo a corpo do que outros lugares. Foi isso que os autores da B\u00edblia quiseram dizer quando usaram a palavra \u201ccidade\u201d.<\/p>\n<p><b>Miss\u00e3o Urbana na B\u00edblia<\/b><\/p>\n<p><b>Jerusal\u00e9m<\/b><\/p>\n<p>No in\u00edcio do Velho Testamento, a import\u00e2ncia redentora da cidade estava na pr\u00f3pria Jerusal\u00e9m como modelo de sociedade urbana: \u201ca alegria de toda a terra\u201d (Sl. 48:2), demonstrando ao mundo o que pode ser a vida humana sob seu senhorio. Muito j\u00e1 se falou sobre fluxo \u201ccentripetal\u201d de miss\u00f5es durante essa era. Deus chamou as na\u00e7\u00f5es para crer n\u2019Ele, aproximando-as para ver Sua gl\u00f3ria encorporada em Israel, a na\u00e7\u00e3o santa que Ele tinha criado, cuja vida corporativa mostrava ao mundo o car\u00e1ter de Deus (Deut 4:5-8). Entretanto, o livro de Jonas d\u00e1 um sinal chocante \u00e0 miss\u00e3o \u201ccentrifugal\u201ddo Novo Testamento, de mandar crentes\u00a0<i>ao<\/i>\u00a0mundo. Jonas foi o \u00fanico profeta do Velho Testamento enviado a uma cidade pag\u00e3 para que ela se arrependesse. A declara\u00e7\u00e3o final de Deus \u00e9 surpreendente: \u201co Senhor chama Jonas para amar a grande cidade pag\u00e3 de N\u00ednive por causa do grande n\u00famero de seus habitantes cegos espiritualmente\u201d (Jonas 4:10\u201311).<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><em><b>Babil\u00f4nia<\/b><\/em><\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a de centr\u00edpeto para centr\u00edfugo alcan\u00e7a outro est\u00e1gio, quando Israel \u00e9 levado para o ex\u00edlio. Os judeus s\u00e3o levados para viver no meio da \u00edmpia, pag\u00e3 e sanguin\u00e1ria Babil\u00f4nia. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos crentes com tal lugar? Jeremias 28\u201329 apresenta um extraordin\u00e1rio esbo\u00e7o da postura do crente\u00a0na cidade.\u00a0 Deus diz ao Seu povo para \u201cmultiplicar-se e n\u00e3o diminuir\u201d (Jer. 29:6), para manter sua identidade comunit\u00e1ria bem destacada e para crescer, mas Ele tamb\u00e9m manda se estabelecer e se envolver na vida da cidade grande. Eles deveriam construir casas e plantar jardins. O mais impressionante \u00e9 que Deus os chama para servir a cidade, para \u201cbuscar a prosperidade da cidade\u201d e para \u201corar ao Senhor em favor dela\u201d (Jer. 29:7). Eles devem aumentar suas tribos em n\u00famero em um gueto dentro da cidade, e tamb\u00e9m devem usar seus recursos para buscar o bem comum.<\/p>\n<p>Isto sim \u00e9 equil\u00edbrio! Os valores de uma cidade terrena contrastam grandemente com aqueles da cidade de Deus. Mesmo assim, os cidad\u00e3os da cidade de Deus devem ser os\u00a0<em><b>melhores<\/b><\/em>\u00a0cidad\u00e3os das cidades terrenas. Deus chama os exilados judeus para servir ao bem comum da cidade pag\u00e3. Ele tamb\u00e9m tem um objetivo bem pr\u00e1tico: servir ao bem da cidade pag\u00e3 \u00e9 a melhor maneira para o povo de Deus prosperar e florescer, \u201cporque a prosperidade de voc\u00eas depende da prosperidade dela\u201d (Jer. 29:7), diz o Senhor. Deus ainda se preocupa com Seu plano de salva\u00e7\u00e3o e com o estabelecimento do Seu povo. \u00c9 exatamente isso o que acontece. Como os judeus chegaram \u00e0 cidade e buscaram a paz da grande cidade pag\u00e3, eles conquistaram a influ\u00eancia e o impulso que precisavam para, depois, voltar e restaurar sua terra natal. Al\u00e9m disso, os judeus permaneceram, de certa forma, dispersos pelas cidades do mundo como um grupo cosmopolita, um grupo \u00e9tnico internacional que se tornou base crucial para a dissemina\u00e7\u00e3o da messagem crist\u00e3 depois de Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><b>Residentes Estrangeiros<\/b><\/em><i><\/i><\/p>\n<p>Existe alguma raz\u00e3o para crer que o modelo de Israel na Babil\u00f4nia deve servir como modelo para a igreja? Sim. No ex\u00edlio, Israel n\u00e3o existia mais como estado-na\u00e7\u00e3o, com governo e leis pr\u00f3prios. Em vez disso, Israel existiu como comunidade internacional e contracultura em outras na\u00e7\u00f5es. Agora, esta \u00e9 a forma da igreja que Pedro e Tiago reconhecem quando se dirigiram aos crentes como \u201cdispersos\u201d e \u201cexilados\u201d (1 Pedro 1:1). Por duas vezes Pedro usou o termo\u00a0\u201c<em>parapidemois<\/em><em>\u201d<\/em>\u00a0para exilados,<i>\u00a0<\/i>\u201cresidentes estrangeiros\u201d, pessoas que vivem num pa\u00eds de onde n\u00e3o s\u00e3o nativos nem turistas, mas est\u00e3o apenas de passagem. Pedro chama os crist\u00e3os para viverem no meio da sociedade pag\u00e3 de forma que os outros vejam suas \u201cboas obras e glorifiquem a Deus\u201d, mas os adverte para que contem com a persegui\u00e7\u00e3o (1 Pedro 2:11\u201312). Os ecos de Jeremias 29 s\u00e3o evidentes.\u00a0 Como os exilados judeus, os exilados crist\u00e3os devem se envolver em suas cidades, servindo o bem comum, em vez de dominar ou ignorar a comunidade. Eles devem esperar que a sociedade ao redor deles seja tanto hostil como atra\u00edda pela vida e pelo servi\u00e7o dos crentes na cidade. Pedro indica que as boas obras dos crentes levar\u00e3o, pelo menos, alguns pag\u00e3os a glorificarem a Deus.<\/p>\n<p>No seu artigo \u201cSoft Difference\u201d (Leve Diferen\u00e7a) sobre 1 Pedro, Miroslav Volf mostra como a tens\u00e3o que Pedro viu entre persegui\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o e entre evangelismo e servi\u00e7o n\u00e3o se encaixa nos modelos hist\u00f3ricos que relacionam Cristo com a cultura (3). \u00a0\u00a0Diferente dos modelos que chamam os crist\u00e3os para uma transforma\u00e7\u00e3o de cultura ou para uma alian\u00e7a crist\u00e3 da igreja com o estato, Pedro espera que o Evangelho seja sempre muito ofensivo, nunca totalmente aceito ou abra\u00e7ado pelo mundo. Isso \u00e9 um aviso para os evang\u00e9licos e crist\u00e3os que esperam estabelecer uma cultura essencialmente crist\u00e3; diferente de modelos que simplesmente chamam para o evangelismo, e s\u00e3o muito pessimista com rela\u00e7\u00e3o a influenciar a cultura. Tanto Pedro, em 1 Pedro 2:12, como Jesus, em Mateus 5:16, esperam que\u00a0\u201calguns\u201d\u00a0aspectos da f\u00e9 e da pr\u00e1tica crist\u00e3 sejam atraentes em qualquer cultura pag\u00e3, influenciando pessoas para louvarem e glorificarem a Deus (4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Samaria e at\u00e9 os confins da terra<\/b><\/p>\n<p>Como Israel durante o ex\u00edlio, a igreja vive como uma congrega\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o internacional e dispersa. Em Atos 8 vemos Deus for\u00e7osamente dispersando os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m, e, assim, fortalecendo enormemente a miss\u00e3o crist\u00e3. Imediatamente, eles foram para Samaria, a cidade que o povo judeu tinha aprendido a desprezar, tanto quanto Jonas desprezou N\u00ednive e os judeus desprezaram Babil\u00f4nia. Mas, diferente dos relutantes profetas ou do ex\u00edlio, os crist\u00e3os transformados pelo Evangelho tornaram-se ativos na miss\u00e3o urbana em Samaria (Atos 8:1).<\/p>\n<p>Quando finalmente chegamos \u00e0 igreja do primeiro s\u00e9culo, vemos a miss\u00e3o redentora de Deus n\u00e3o mais em centros urbanos, como Jerusal\u00e9m ou Babil\u00f4nia. Todas as cidades do mundo se tornaram importantes. Em Atos 17, Paulo chega a Atenas, o centro\u00a0\u201cintelectual<i>\u201d<\/i>\u00a0do mundo greco-romano. Em Atos 18, ele viaja para Cor\u00ednto, um dos centros\u00a0\u201ccomerciais\u201d<i>\u00a0<\/i>do Imp\u00e9rio. Em Atos 19, ele chega a \u00c9feso, talvez o centro\u00a0\u201creligioso\u201d\u00a0do mundo romano, lugar de v\u00e1rios cultos pag\u00e3os e, particularmente, do culto imperial, com tr\u00eas templos para adora\u00e7\u00e3o ao imperador. No final do Livro de Atos, Paulo chega a Roma, a capital do\u00a0\u201cpoder\u201d\u00a0do imp\u00e9rio, o centro militar e pol\u00edtico do mundo. John Stott conclui: \u201cParece ter sido uma pol\u00edtica deliberada de Paulo de, propositalmente, mudar de um centro urbano estrat\u00e9gico para o seguinte\u201d.(5) Ao chegar \u00e0 cidade, Paulo atingia toda a sociedade, como \u00e9 evidente na Carta aos Colossenses. Nesta ep\u00edstola, Paulo acompanha disc\u00edpulos nas cidades junto ao Vale de Lico \u2014 Laodic\u00e9ia, Hier\u00e1polis, Colossos (Col. 4:13\u201316)\u2014mesmo nunca tendo visitado aqueles lugares pessoalmente. Provavelmente, eles se converteram atrav\u00e9s do minist\u00e9rio dos ef\u00e9sios. Se o Evangelho \u00e9 repartido em centros urbanos, voc\u00ea alcan\u00e7a a regi\u00e3o e a sociedade.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es pelas quais o minist\u00e9rio urbano era t\u00e3o eficaz podem ser resumidas como se segue:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cAs cidades s\u00e3o culturalmente cruciais.\u201d Na vila algu\u00e9m pode ganhar um, ou talvez dois, advogados amigos seus para Cristo, mas ganhar o grupo\u00a0\u201cprofissional\u201d<i>\u00a0<\/i>jur\u00eddico requer ir \u00e0 cidade, junto \u00e0s escolas de direito, aos editores dos jornais jur\u00eddicos e assim por diante.\u00a0<b>\u00a0<\/b><\/li>\n<li>\u201cAs cidades s\u00e3o globalmente cruciais.\u201d Na cidade pequena ou na vila, voc\u00ea pode alcan\u00e7ar um \u00fanico grupo que vive l\u00e1, mas anunciar o Evangelho para dez ou vinte novos grupos\/l\u00ednguas ao mesmo tempo exige ir \u00e0 cidade onde todos eles podem ser alcan\u00e7ados atrav\u00e9s da\u00a0\u201cl\u00edngua fluente\u201d<i>\u00a0<\/i>do lugar.<\/li>\n<li>\u201cAs cidades s\u00e3o pessoalmente cruciais.\u201d Com isso quero dizer que as cidades s\u00e3o lugares perturbadores<b>.\u00a0<\/b>As cidades do interior e as vilas s\u00e3o caracterizadas pela estabilidade, e os residentes s\u00e3o mais enraizados em seus costumes. Por causa da diversidade e da intensidade das grandes cidades, os moradores urbanos s\u00e3o mais abertos a novas id\u00e9ias, como por exemplo, ao Evangelho! Como est\u00e3o rodeados por tantas pessoas iguais a eles,\u00a0<b>e<\/b><i>\u00a0<\/i>diferentes deles, e t\u00eam mais mobilidade, os moradores urbanos s\u00e3o muito mais abertos a di\u00e1logos do que moradores de outros tipos de cidades<b>.\u00a0<\/b>Independentemente das raz\u00f5es porque se mudaram para a grande cidade, uma vez que se mudam, a press\u00e3o e a diversidade fazem do indiv\u00edduo mais tradicional e fechado uma pessoa aberta ao Evangelho.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira igreja foi, em grande parte, um movimento urbano que ganhou para Cristo indiv\u00edduos das cidades romanas, e a maioria das cidades interioranas se mantiveram pag\u00e3s. Como a f\u00e9 crist\u00e3 conquistou as cidades, acabou conquistando toda a sociedade, o que acontece na maioria dos casos. Rodney Stark desenvolve esta id\u00e9ia no livro\u00a0<i>\u201c<\/i><em>The Rise of Christianity\u201d (A Ascens\u00e3o do Cristianismo)<\/em><i>.<\/i><\/p>\n<p><em>\u201cEm cidades grandes, com muitos \u201csem-teto\u201d e grande pobreza, o cristianismo ofereceu ajuda assistencial e esperan\u00e7a. Para cidades com novos habitantes, o cristianismo ofereceu bases imediatas para novas conex\u00f5es. Para cidades com vi\u00favas e orf\u00e3os, o cristianismo ofereceu um sentido novo e ampliado de fam\u00edlia. Em cidades atingidas por lutas \u00e9tnicas violentas, o cristianismo ofereceu uma nova base para solidariedade social&#8230; Pessoas t\u00eam enfrentado cat\u00e1strofes h\u00e1 s\u00e9culos sem o cuidado de estruturas crist\u00e3s teol\u00f3gicas e sociais. Portanto, n\u00e3o estou sugerindo que a mis\u00e9ria do mundo antigo causou o advento do cristianismo. Vou argumentar que, quando o cristianismo apareceu, sua capacidade superior de atender estes problemas cr\u00f4nicos logo se tornou evidente e teve um papel importante no seu eventual triunfo&#8230; [Porque os crist\u00e3os] trouxeram um simples movimento urbano e tamb\u00e9m uma nova cultura.\u201d (6)<\/em><i><\/i><\/p>\n<p>A miss\u00e3o crist\u00e3 ganhou o antigo mundo greco-romano porque ganhou as cidades (7). As elites eram importantes, \u00e9 claro, mas a igreja crist\u00e3 n\u00e3o apenas as enfocou. Assim, como hoje, as cidades estavam cheias de pobres, e o compromisso crist\u00e3o com o pobre era vis\u00edvel e marcante. Atrav\u00e9s das cidades, os crist\u00e3os mudaram a hist\u00f3ria e a cultura, ganhando as elites e identificando-se profundamente com o pobre. Richard Fletcher, no texto\u00a0<i>\u201c<\/i><em>The Barbarian Conversion\u201d (A Convers\u00e3o dos B\u00e1rbaros)<\/em><i>,<\/i> mostra que a mesma coisa aconteceu durante a miss\u00e3o crist\u00e3 na Europa de 500-1500 a.C. (8)<\/p>\n<p><strong>Miss\u00e3o Urbana Hoje<\/strong><\/p>\n<p><em><b>A import\u00e2ncia crescente das cidades<\/b><\/em><i><\/i><\/p>\n<p>Em 1050, Nova York e Londres eram as \u00fanicas cidades do mundo com popula\u00e7\u00f5es acima de 10 milh\u00f5es de habitantes em \u00e1reas metropolitanas(9). Hoje, entretanto, h\u00e1 mais de vinte cidades assim, doze das quais atingiram esta marca nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas (10), e muitas outras est\u00e3o no mesmo caminho. As cidades mundiais est\u00e3o se tornando cada vez mais econ\u00f4mica e culturalmente poderosas; \u00e9 nas grandes cidades onde se instalam as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais, a economia internacional, e redes sociais e tecnol\u00f3gicas.\u00a0 A revolu\u00e7\u00e3o da telecnologia\/comunica\u00e7\u00e3o implica que a cultura e os valores das grandes cidades globais estejam sendo transmitidas para todo o globo, todas as l\u00ednguas, tribos, povos e na\u00e7\u00f5es.\u00a0 Crian\u00e7as em Iowa ou no M\u00e9xico est\u00e3o se tornando mais parecidas com os adultos de Los Angeles e Nova York do que com os adultos de suas pr\u00f3prias localidades. A ordem do novo mundo ser\u00e1 uma ordem urbana, multicultural e global. As cidades mundiais s\u00e3o cada vez mais cruciais no estabelecimento do curso da cultura e da vida como um todo, mesmo em \u00e1reas do mundo como Europa e Am\u00e9rica do Norte, onde as cidades n\u00e3o est\u00e3o literalmente crescendo em tamanho.(11)<\/p>\n<p>Existe uma segunda raz\u00e3o porque as cidades mundiais s\u00e3o t\u00e3o importantes para a miss\u00e3o do cristianismo. Os milh\u00f5es de rec\u00e9m-chegados \u00e0s cidades em crescimento t\u00eam caracter\u00edsticas que fazem deles muito mais abertos para a f\u00e9 crist\u00e3 do que eram antes de chegar a elas.\u00a0 Primeiramente, eles est\u00e3o mais abertos para novas id\u00e9ias e para mudan\u00e7as em geral, depois de serem desenraizados do seu cen\u00e1rio tradicional. Em segundo lugar, eles s\u00e3o muito carentes de ajuda e apoio para enfrentar as press\u00f5es morais, econ\u00f4micas, emocionais e espirituais da vida da cidade grande. A antiga rede de apoio dos parentes nas \u00e1reas rurais s\u00e3o fracas ou inexistentes, embora conte com \u201cquase nada dos servi\u00e7os governamentais&#8221; (12) no mundo em desenvolvimento.\u00a0 Por outro lado, as igrejas oferecem apoio comunit\u00e1rio, uma nova fam\u00edlia espiritual e uma mensagem libertadora do Evangelho. &#8220;Ricas colheitas est\u00e3o a espera \u00a0de grupos que possam atender a necessidades dos novos cidad\u00e3os urbanos, qualquer um que possa alimentar o corpo e nutrir a alma&#8221;. (13)<\/p>\n<p><em><b>A necessidade de igrejas contextuais.<\/b><\/em><i><\/i><\/p>\n<p>Entretanto, existe uma barreira muito grande para a miss\u00e3o urbana que n\u00e3o est\u00e1 na cidade, nem nos residentes da cidade, mas est\u00e1 na igreja. A sensibilidade da maioria das igrejas e dos l\u00edderes evang\u00e9licos n\u00e3o \u00e9 urbanas e, \u00e0s vezes, \u00e9 at\u00e9 antiurbana.\u00a0 Muitos m\u00e9todos ministeriais foram forjados fora dos centros urbanos e importados para eles, com pouca aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s barreiras desnecess\u00e1rias que se erguem entre habitantes da cidade e o Evangelho. Quando tais minist\u00e9rios entram na cidade e se instalam, acham dif\u00edcil evangelizar e ganhar seus moradores. Eles tamb\u00e9m acham dif\u00edcil preparar os crist\u00e3os para a vida em um cen\u00e1rio pluralista, secular, culturalmente envolvente. Assim como a B\u00edblia precisa ser traduzida para o vocabul\u00e1rio dos leitores, o Evangelho precisa ser incorporado e comunicado de uma maneira compreens\u00edvel para os residentes da cidade. Quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas de uma igreja contextualizada e nativa para a cidade?<\/p>\n<p>Em um minist\u00e9rio urbano, as pessoas t\u00eam consci\u00eancia das diferen\u00e7as culturais entre grupos \u00e9tnicos\/raciais e classes socioecon\u00f4micas, embora quem viva em lugares mais homog\u00eaneos (qualquer lugar \u00e9 culturalmente mais homog\u00eaneo do que uma cidade grande), geralmente n\u00e3o enxerga como muitas das suas atitudes e de seus costumes s\u00e3o particulares \u00e0 sua ra\u00e7a ou classe. Em suma, l\u00edderes eficazes da igreja urbana s\u00e3o muito mais educados e conscientes das perspectivas e sensibilidades dos diferentes grupos \u00e9tnicos, religiosos, de classes e raciais. Moradores urbanos sabem como diferentes grupos podem usar palavras id\u00eanticas para falar algo de significado diferente. Consequentemente, eles s\u00e3o muito circunspectos e cuidadosos ao abordarem quest\u00f5es que grupos raciais veem diferentemente.<\/p>\n<p>Segundo, minist\u00e9rios evang\u00e9licos tradicionais tendem a ajudar pouco os crentes \u00a0no entendimento de como manter sua pr\u00e1tica crist\u00e3 do lado de fora das paredes da igreja, participando das artes e teatro, neg\u00f3cios e finan\u00e7as, escola e aprendizado, governo e pol\u00edtica. Longe dos grandes centros, pode ser mais pratic\u00e1vel uma vida em concomit\u00e2ncia com o discipulado crist\u00e3o, que consiste em grande parte de atividades \u00e0 noite ou nos finais de semana. Isso n\u00e3o funciona nas grandes cidades, onde as pessoas vivem a maior parte do tempo dedicadas \u00e0 carreira profissional ou \u00e0s longas horas de jornada de trabalho.<\/p>\n<p>Terceiro, a maioria dos membros das igrejas evang\u00e9licas s\u00e3o da classe m\u00e9dia em suas culturas corporativas. As pessoas valorizam privacidade, seguran\u00e7a, homogeneidade, sentimentos, espa\u00e7o, ordem e controle. Por outro lado, a cidade grande \u00e9 cheia de pessoas ir\u00f4nicas, irritadas, amantes da diversidade e que t\u00eam uma toler\u00e2ncia muito maior com ambiguidade e desordem. Se os ministros da igreja n\u00e3o conseguirem trabalhar dentro da cultura da grande cidade, e, em vez disso, criarem um tipo de \u201ccomplexo mission\u00e1rio\u201d n\u00e3o-urbano, v\u00e3o descobrir que n\u00e3o conseguem alcan\u00e7ar, converter, nem incorporar pessoas da sua vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Quarto, geralmente, a igreja n\u00e3o-urbana est\u00e1 situada em vizinhan\u00e7a razoavelmente funcional, onde os sistemas sociais s\u00e3o fortes ou, pelo menos, intactos. Os bairros das grandes cidades s\u00e3o muito mais complexos do que de outros lugares. Entretanto, ministros urbanos eficientes descobrem como interpretar sua vizinhan\u00e7a. Al\u00e9m disso, igrejas urbanas n\u00e3o interpretam suas vizinhan\u00e7as simplesmente para atingir grupos para evangelismo, apesar de este ser um dos seus objetivos. Eles buscam maneiras de fortalecer a sa\u00fade de suas vizinhan\u00e7as, tornando-as mais seguras e lugares mais humanos para se viver. Isso \u00e9 buscar o bem-estar da cidade, no esp\u00edrito de Jeremias 29.<\/p>\n<p>Com freq\u00fc\u00eancia, igrejas liberais tradicionais desenvolvem miss\u00f5es estritamente voltadas para a melhoria social. O objetivo delas \u00e9 fazer da cidade uma sociedade mais justa e humana por meio de justi\u00e7a econ\u00f4mica e social e do bem comum. Isto \u00e9 certo em parte. Freq\u00fcentemente, igrejas conservadoras tradicionais desenvolvem miss\u00f5es estritamente voltadas para o crescimento da igreja. O objetivo delas \u00e9 crescer e aumentar a igreja de Deus dentro da cidade grande, por meio do aumento de convers\u00f5es e do poder das igrejas. Em parte, isso \u00e9 correto. No entanto, estas duas coisas devem ser combinadas, porque sozinhas v\u00e3o fracassar. Voc\u00ea n\u00e3o pode servir a cidade sem um n\u00famero constante de novos convertidos, transformados e capacitados por uma experi\u00eancia de gra\u00e7a: o novo nascimento. Por outro lado, o crescimento da igreja sofrer\u00e1 uma interrup\u00e7\u00e3o se as igrejas forem cheias de pessoa que ignoram ou s\u00e3o hostis ao bem comum de seus vizinhos. A igreja que s\u00f3 \u201cfaz o bem\u201d para os da f\u00e9, e n\u00e3o para \u201ctodos\u201d (Gal 6:10) ser\u00e1 vista (Com raz\u00e3o!) como tribal e sect\u00e1ria. Se os pag\u00e3os n\u00e3o virem \u201csuas boas obras\u201dn\u00e3o \u201cglorificar\u00e3o a Deus\u201d, ou pelo menos n\u00e3o na mesma propor\u00e7\u00e3o. Ironicamente, se as igrejas urbanas colocam toda sua energia no evangelismo, e n\u00e3o atendem \u00e0s necessidades da cidade, seu evangelismo ser\u00e1 muito menos eficaz. Uma experi\u00eancia de gra\u00e7a leva a uma vida dedicada a obras de servi\u00e7o para o necessitado (Is 1:10-18; 58:1-10; Tiago 2:14-17). Deus disse aos israelitas que eles deveriam servir \u00e0s necessidades do pobre \u201cestrangeiro\u201d\u2014 pode ser incr\u00e9dulo \u2014 porque os pr\u00f3prios israelitas foram estrangeiros no Egito, mas Ele os libertou (Deut 10:19). Uma experi\u00eancia de gra\u00e7a deve sempre levar a amar, principalmente, o seu pr\u00f3ximo pobre e incr\u00e9dulo.<\/p>\n<p>Biblicamente, uma experi\u00eancia da gra\u00e7a salvadora atrav\u00e9s do evangelismo leva ao compartilhamento radical de riqueza e ajuda ao necessitado. E quando o mundo v\u00ea esse compartilhamento, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 pessoas necessitadas entre eles\u201d (Atos 4:34), o testemunho evangel\u00edstico se torna mais poderoso (Atos 4:33). Assim, praticar a justi\u00e7a e pregar a gra\u00e7a caminham de m\u00e3os dadas, n\u00e3o somente na experi\u00eancia individual crist\u00e3, mas tamb\u00e9m no minist\u00e9rio e na efic\u00e1cia da igreja urbana.<\/p>\n<p><b>\u00c9 necess\u00e1rio um movimento para alcan\u00e7ar uma cidade<\/b><\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar uma cidade inteira \u00e9 preciso que nela haja mais do que algumas igrejas eficazes ou at\u00e9 mesmo um reavivamento de energia e novos convertidos. Para mudar uma cidade com o Evangelho \u00e9 preciso um movimento autossustent\u00e1vel e naturalmente crescente de minist\u00e9rios e redes em torno de uma base de multiplica\u00e7\u00e3o de novas igrejas.<\/p>\n<p>O que \u00e9 isso? Crist\u00e3os vivem na cidade com uma postura de servi\u00e7o. Novos neg\u00f3cios e organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos renovam parte da cultura em pequenas e grandes propor\u00e7\u00f5es. Crentes\u00a0 integram sua f\u00e9 ao seu trabalho para que toda voca\u00e7\u00e3o se torne uma atividade no reino. Campus Ministries (Minist\u00e9rios de Campo) e outras ag\u00eancias evangel\u00edsticas produzem de forma organizada novos l\u00edderes crist\u00e3os que permanecem na cidade e se movem dentro das igrejas e networks (redes de contatos). As pessoas usam o seu poder, riqueza e influ\u00eancia para o bem de outras pessoas \u00e0 margem da sociedade, para avan\u00e7ar o minist\u00e9rio e para plantar novas igrejas. Igrejas e crist\u00e3os individualmente apoiam e comissionam as artes. Vamos entender isso.<\/p>\n<ol>\n<li><b>Novas igrejas<\/b>\u00a0formam o cora\u00e7\u00e3o destes ecossistemas do Evangelho. Eles fornecem o oxig\u00eanio espiritual para as comunidades e networks (redes de relacionamento) de crist\u00e3os que fazem o trabalho pesado h\u00e1 d\u00e9cadas, para renovar e redimir cidades. Estas igrejas s\u00e3o o principal lugar para discipulado e multiplica\u00e7\u00e3o de crentes, assim como o impulso financeiro para todas as iniciativas ministeriais. Este ecossistema \u00e9, portanto, uma massa important\u00edssima de novas igrejas. Elas devem ser centradas no Evangelho, urbanas, missionais\/evangel\u00edsticas, equilibradas, crescentes e com respostas de diversas formas, superando tradi\u00e7\u00f5es, integrando ra\u00e7as e classes. Esta \u00e9 a ess\u00eancia b\u00e1sica do ecossistema.<\/li>\n<li>O ecossistema tamb\u00e9m alimenta networks e sistemas de evangelismo<b>\u00a0<\/b>que alcan\u00e7am popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Al\u00e9m do campus ministries (minist\u00e9rios de campo), que s\u00e3o principalmente importantes como um novo impulso de desenvolvimento de lideran\u00e7a, outro, muito eficaz: ag\u00eancias evangel\u00edsticas especializadas, s\u00e3o necess\u00e1rias para alcan\u00e7ar as elites, alcan\u00e7ar o pobre, e alcan\u00e7ar mul\u00e7umano, o hindu, e outros grupos culturais\/religiosos espec\u00edficos<b>.<\/b><\/li>\n<li>Networks (redes de contato) e organiza\u00e7\u00f5es de l\u00edderes culturais dentro de campos profissionais, como neg\u00f3cios, ag\u00eancias governamentais, universidades, artes e m\u00eddia s\u00e3o partes deste ecossistema tamb\u00e9m. \u00c9 crucial que estes indiv\u00edduos sejam ativos nas igrejas, cuidadosamente discipulados e apoiados para a vida p\u00fablica. Estes l\u00edderes tamb\u00e9m devem apoiar uns aos outros com rede de contatos e apoio em seus pr\u00f3prios campos, gerando novas institui\u00e7\u00f5es culturais e escolas de pensamento.<\/li>\n<li>O ecossistema tamb\u00e9m \u00e9 marcado por ag\u00eancias e iniciativas criadas por crist\u00e3os para servirem \u00e0 paz da cidade e, principalmente, ao pobre. Centenas e milhares de novas empresas e organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos devem ser geradas para servir a todos os bairros e \u00e0s popula\u00e7\u00f5es necessitadas. Alian\u00e7as de igrejas e institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m servem \u00e0s fam\u00edlias e a indiv\u00edduos crist\u00e3os, e os ajudam por um longo per\u00edodo da vida da cidade (Ex: escolas, faculdades teol\u00f3gicas e outras insitui\u00e7\u00f5es que fazem a vida da cidade sustent\u00e1vel para crist\u00e3os durante gera\u00e7\u00f5es).<\/li>\n<li>Al\u00e9m disso, este ecossistema tem\u00a0<b>redes de contatos de l\u00edderes da cidade.\u00a0<\/b>L\u00edderes do movimento da igreja, te\u00f3logos\/professores, presidentes de institui\u00e7\u00f5es, l\u00edderes culturais e patrocinadores com influ\u00eancia e recursos conhecem uns aos outros e fornecem vis\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o para toda a cidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><em><b>Tipping points<\/b><\/em><i>\u00a0<\/i><i>(<\/i><em>Ponto da Virada<\/em>)<i><\/i><\/p>\n<p>Eventos isolados e entidades individuais cristalizam-se em um movimento autossustent\u00e1vel crescente quando alcan\u00e7am um \u201cponto da virada\u201d.<\/p>\n<p><em>\u201cO ponto da virada do Movimento do Evangelho<\/em><strong><i>.<\/i><\/strong><strong>\u201d<\/strong><b>\u00a0<\/b>Um projeto de plantio de igrejas se torna um movimento quando os elementos do ecossistema s\u00e3o aplicados, e a maioria das igrejas tem a vitalidade, a lideran\u00e7a e a concep\u00e7\u00e3o de plantar outra igreja em cinco ou seis anos depois da sua pr\u00f3pria inaugura\u00e7\u00e3o. Quando o\u00a0<i>\u201c<\/i><em>ponto da virada\u201d<\/em><i>\u00a0<\/i>\u00e9 alcan\u00e7ado, inicia-se um movimento autossustent\u00e1vel. Um n\u00famero suficiente de novos crentes, l\u00edderes, congrega\u00e7\u00f5es e ministros v\u00e3o sendo naturalmente produzidos para o movimento de crescimento sem nenhum centro de comando nem controle. Nos fundos da pr\u00f3pria cidade, o corpo de Cristo produz seus pr\u00f3prios l\u00edderes e conduz seu pr\u00f3prio treinamento. Um n\u00famero suficiente de l\u00edderes din\u00e2micos vai aparecendo. O n\u00famero de crist\u00e3os e igrejas dobra a cada sete ou dez anos. Quantas igrejas devem ser alcan\u00e7adas para que isso aconte\u00e7a? Embora seja imposs\u00edvel dar um n\u00famero preciso para todas as cidades e culturas, todos os elementos no ecossistema devem estar bem aplicados e muito fortes.<\/p>\n<p><em>\u201cO ponto da virada da cidade.\u201d<\/em><b><i>\u00a0<\/i><\/b>Um ponto da virada do movimento do Evangelho \u00e9 um importante objetivo. Mas existe outro. Quando o ponto da virada do movimento do Evangelho \u00e9 alcan\u00e7ado, pode ser que o ecossistema fa\u00e7a o Corpo de Cristo crescer at\u00e9 que o ponto da virada da cidade seja alcan\u00e7ado. Este \u00e9 o momento em que o n\u00famero de crist\u00e3os moldados pelo Evangelho em uma cidade se torna t\u00e3o grande, que a influ\u00eancia crist\u00e3 na vida social e c\u00edvica da cidade, e em toda cultura, torna-se reconhecida e reconfirmada.\u00a0 Por exemplo, vizinhan\u00e7as continuam as mesmas se novos tipos de moradores (ricos, mais pobres ou culturalmente diferentes) comp\u00f5em menos de 5 por cento da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0 Alguns ministros relatam que, se nas pris\u00f5es, mais de 10 por cento dos internos se tornar crist\u00e3o, a cultura corporativa da pris\u00e3o \u00e9 mudada. O relacionamento entre os prisioneiros, entre prisioneiros e guardas&#8230; Tudo muda. Da mesma forma, quando o n\u00famero de novos residentes alcan\u00e7a entre 5 e 20 por cento, dependendo da cultura, todo o\u00a0<i>\u201c<\/i><em>ethos\u201d<\/em>\u00a0da vizinhan\u00e7a muda. Na cidade de Nova York, alguns grupos t\u00eam um efeito not\u00e1vel no modo de vida quando estes n\u00fameros alcan\u00e7am, pelo menos, de 5 a 15 por cento\u00a0<em>e<\/em>quando os membros s\u00e3o ativos na vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a chance de um movimento do Evangelho urbano crescer a ponto de alcan\u00e7ar\u00a0 um \u2018ponto da virada\u2019 para a mudan\u00e7a da cidade cada vez que o Evangelho come\u00e7ar a ter um impacto vis\u00edvel na vida da cidade e na cultura nela produzida? Sabemos que isso pode acontecer atrav\u00e9s da gra\u00e7a de Deus. Os livros de hist\u00f3ria d\u00e3o os exemplos. Entretanto, em casos raros, l\u00edderes crist\u00e3os, como John Wesley, vivem para ver crescer o movimento que eles come\u00e7aram at\u00e9 o ponto da efic\u00e1cia.\u00a0 Por isso ministros urbanos devem estabelecer este objetivo e dar suas vidas a ele, mas n\u00e3o esperar ver o resultado em tempo aqui. Este \u00e9 o equil\u00edbrio entre expectativa e paci\u00eancia de que precisamos para vencer, se quisermos ver nossas cidades amadas e alcan\u00e7adas para Cristo.<\/p>\n<p>\u00a9 The Lausanne Movement 2010<\/p>\n<ol>\n<li>Cita\u00e7\u00f5es da B\u00edblia da Sociedade B\u00edblica Trinitariana do Brasil, \u00a9<\/li>\n<li>Frank Frick,\u00a0<i>The City in Ancient Israel (Tradu\u00e7\u00e3o livre: A Cidade no Israel Antigo),<\/i>\u00a0citado em Harvie M. Conn e Manuel Ortiz,\u00a0<i>Urban Ministry: The Kingdom, the City, and the People of God (Tradu\u00e7\u00e3o Livre: Minist\u00e9rio Urbano: O Reino, a Cidade e o Povo de Deus)<\/i>\u00a0(Downers Grove: Intervarsity Press, 2001), 83.<\/li>\n<li>Miroslav Volf, \u201cSoft Difference\u201d(Tradu\u00e7\u00e3o Livre: Leve Diferen\u00e7a)<a href=\"http:\/\/www.yale.edu\/faith\/resources\/x_volf_difference.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.yale.edu\/faith\/resources\/x_volf_difference.html<\/a><\/li>\n<li>Thomas Schreiner defende que no Novo Testamento as pessoas glorificavam a Deus tipicamente crendo nEle (cf. Atos 13:48; Rom 4:20; 15:7,9; 1 Cor 2:7; Ef. 1:6,12,14; 2 Tess 3:1.). O que se destaca aqui \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o de membros pag\u00e3os da cidade porque viram a vida e o servi\u00e7o dos crist\u00e3os. Ver Thomas Schreiner,\u00a0<i>1,2 Pedro, Judas\u00a0<\/i>(New American Commentary) Broadman, 2003, p.124. A refer\u00eancia de Pedro aos pag\u00e3os que glorificavam a Deus \u201cno dia da sua visita\u00e7\u00e3o\u201d significa que muitos, no dia do julgamento, ter\u00e3o vindo \u00e0 f\u00e9 por observar a vida de crist\u00e3os.<\/li>\n<li>John R. W. Stott,\u00a0<i>The Message of Actos: The Spirit, the Church, &amp; the World<\/i>\u00a0(Tradu\u00e7\u00e3o livre: A Mensagem de Atos: O Esp\u00edrito, a Igreja &amp; o Mundo) (s\u00e9rie Bible Speaks Today) (Downers Grove: InterVarsity Press, 1990), 293.<\/li>\n<li>Rodney Stark,\u00a0<i>The Rise of Christianity: How the Obscure, Marginal Jesus Movement Became the Dominant Religious Force in the Western World in a Few Centuries<\/i>, (tradu\u00e7\u00e3o livre: A Ascens\u00e3o do Cristianismo: Como o Movimento Obscuro e Marginal de Jesus se Tornou a For\u00e7a Religiosa Dominante no Mundo Ocidental em Poucos S\u00e9culos) (Harper San Francisco, 1997), 161\u2013162.<\/li>\n<li>Reconhe\u00e7o que fatores humanos foram usados por Deus para fazer acontecer o surpreendente crescimento da primeira igreja nos seus tr\u00eas primeiros s\u00e9culos. Houve uma crise cultural na vis\u00e3o global greco-romana. A adora\u00e7\u00e3o de antigos deuses pag\u00e3os foi morrendo. No entanto, historiadores reconhecem como foi crucial para a influ\u00eancia e a divulga\u00e7\u00e3o da igreja que ela tenha sido enraizada primeiramente em \u00e1reas urbanas.<\/li>\n<li>Richard Fletcher,\u00a0<i>The Barbarian Conversion: From Paganism to Christianity (Tradu\u00e7\u00e3o livre: A Convers\u00e3o dos B\u00e1rbaros: do Paganismo ao Cristianismo)\u00a0<\/i>(University of California, 1999.)<\/li>\n<li>Stott,\u00a0<i>The Message of Actos (Tradu\u00e7\u00e3o Livre: A Mensagem de Atos)<\/i>, 292,<\/li>\n<li>Isso \u00e9 verdade se for considerada uma vis\u00e3o restrita da popula\u00e7\u00e3o dentro dos \u2018limites urbanos\u2019 da cidade (ver www.worldatlas.com\/citypops.htm) ou \u00e1reas metropolitanas \u2018maiores\u2019 (ver www.citypopulation.de\/world\/Agglomerations.html).<\/li>\n<li>Harvie Conn,\u00a0<i>The American City and the Evangelical Church (Tradu\u00e7\u00e3o livre: A Cidade Americana e a Igreja Evang\u00e9lica)\u00a0<\/i>(Baker, 1994),181\u2013182.<\/li>\n<li>Jenkins,\u00a0<i>The Next Christendom (Tradu\u00e7\u00e3o livre: A Nova Cristandade)<\/i>, 93. Deve ser observado que as cidades s\u00e3o atrativos para o pobre e para as minorias porque: a) oferecem mais oportunidades de trabalho do que \u00e1reas rurais; b) oferecem \u2018pequenas cidades\u2019 de pessoas do mesmo grupo \u00e9tnico. Entretanto, as autoridades da cidade s\u00e3o geralmente hostis com os rec\u00e9m-chegados.<\/li>\n<li>Jenkins,\u00a0<i>The Next Christendom,<\/i>\u00a094.<\/li>\n<\/ol>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Portugu\u00eas Translation by:\u00a0<\/b><a href=\"http:\/\/conversation.lausanne.org\/en\/people\/profile\/LGC_Translation\"><b>LGC_Translation<\/b><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00e3o do Editor:\u00a0Este documento Avan\u00e7ando Cape Town 2010 foi escrito por Tim Keller (18.05.2010) para dar um panorama geral do t\u00f3pico a ser discutido na sess\u00e3o Plen\u00e1ria de Noite sobre \u201cMegacidades\u201d e na Sess\u00e3o Multiplex sobre \u201cAbra\u00e7ando a Miss\u00e3o Urbana Global de Deus\u201d.\u00a0 \u00a0\u00a0O que \u00e9 uma cidade? 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