{"id":9426,"date":"2023-07-11T07:20:16","date_gmt":"2023-07-11T10:20:16","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=9426"},"modified":"2023-07-11T07:18:17","modified_gmt":"2023-07-11T10:18:17","slug":"ide-e-fazeis-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2023\/07\/11\/ide-e-fazeis-amigos\/","title":{"rendered":"Ide e fazei amigos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>Por Layla Ficher<\/strong><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-9427\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2023\/07\/pexels-monstera-5384522.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2023\/07\/pexels-monstera-5384522.jpg 400w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2023\/07\/pexels-monstera-5384522-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Tem-se questionado muito por a\u00ed: quanto amigos voc\u00ea tem? Amigos mesmo. <em>Brothers<\/em>. Aqueles que voc\u00ea sabe que pode ligar ou mandar mensagem \u00e0s 6h da manh\u00e3 no meio de uma excurs\u00e3o no Egito.<\/p>\n<p>E a\u00ed se pensa um pouco. E a resposta surpreende: s\u00e3o poucos.<\/p>\n<p>Em tempos em que a superficialidade \u00e9 a linguagem do nosso tempo e as amizades parecem ter prazo de validade, tem sido cada vez mais dif\u00edcil existir ra\u00edzes relacionais fortes e que perduram.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que vemos e vivemos. Di\u00e1logos curtos, r\u00e1pidos. De prefer\u00eancia por mensagem.<\/p>\n<p>Isso pode ser verdade at\u00e9 mesmo entre n\u00f3s, crist\u00e3os, que criamos e mantemos v\u00ednculos constantes no seio da Igreja, mas por vezes n\u00e3o adentramos nas profundidades do outro.<\/p>\n<p>Agora imagine como \u00e9 a vida de quem n\u00e3o tem um lugar como esse. De quem talvez fez amigos na faculdade, mas perdeu o contato. Ou no trabalho, e mudou de emprego. Eu duvido que conversem todo dia no <em>WhatsApp<\/em>. No m\u00e1ximo trocam uma intera\u00e7\u00e3o nos <em>stories<\/em>.<\/p>\n<p>Mas a gente sabe a import\u00e2ncia da amizade na vida. Por\u00e9m, talvez n\u00e3o percebamos o seu valor como instrumento de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A b\u00edblia nos ensina acerca disso. Mas, particularmente, gosto de uma ilustra\u00e7\u00e3o da cultura: uma cena da s\u00e9rie americana <em>Stranger Things<\/em> (e aqui, talvez um <em>spoiler<\/em> da \u00faltima temporada).<\/p>\n<p>Ao som de <em>Running Up That Hill<\/em> (a m\u00fasica que ficou um tanto quanto famosa \u2013 \u201cif I only could, I&#8217;d make a deal with God&#8230;\u201d), Vecna, a grande amea\u00e7a que paralisa e deforma jovens no mundo real e, num universo paralelo, os sufoca at\u00e9 a morte, escolhe sua pr\u00f3xima v\u00edtima: Max, que faz parte do grupo insepar\u00e1vel de amigos \u2013 Eleven, Mike, Dustin, Lucas e Will. Por\u00e9m, a instantes de ser dizimada por Vecna, Max \u00e9 salva por seus amigos quando esses descobrem como salv\u00e1-la: reproduzindo sua m\u00fasica favorita.<\/p>\n<p>A cena \u00e9 incr\u00edvel e n\u00e3o cabe em palavras. Mas mostra que Max s\u00f3 foi salva (da morte!) por causa do esfor\u00e7o de seus amigos.<\/p>\n<p>Que verdade mais impactante.<\/p>\n<p>Por vezes reduzimos a atividade de evangelizar \u2013 que, como sabemos, \u00e9 o que oportuniza que a reden\u00e7\u00e3o alcance o outro &#8211; a um ato \u00e0 parte de todas as outras coisas. Uma mentalidade como: \u201cpera\u00ed, vou distribuir um folheto\u201d, \u201ccalma l\u00e1, vou postar um vers\u00edculo aqui\u201d.<\/p>\n<p>Mas o evangelho est\u00e1 no mesmo cora\u00e7\u00e3o que tem ansiedade, pregui\u00e7a, celebra\u00e7\u00f5es e ang\u00fastias, que s\u00e3o as realidades compartilhadas no espa\u00e7o da amizade.<\/p>\n<p>Se a amizade abriga todas essas realidades da vida, ela se torna o melhor terreno para compartilhar as verdades b\u00edblicas, pois elas tamb\u00e9m est\u00e3o ali. E assim testemunhamos a capacidade do Evangelho de transformar nossa exist\u00eancia, nos motivar e gerar esperan\u00e7a da eternidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 na amizade que o confronto se torna aceit\u00e1vel. Sem confronto, n\u00e3o h\u00e1 convic\u00e7\u00e3o de pecado. E sem convic\u00e7\u00e3o de pecado e da perdi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de nenhum salvador.<\/p>\n<p>O te\u00f3logo Alister McGrath, em seu livro \u201cApolog\u00e9tica pura e simples\u201d, convida o leitor a imaginar a seguinte cena: voc\u00ea convida uma amiga a subir uma montanha e conhecer uma paisagem imensa que voc\u00ea j\u00e1 conhece muito bem. Vilas, rios, campos, florestas. Voc\u00ea aponta as vilas e conta as hist\u00f3rias, mostra uma cachoeira escondida na vastid\u00e3o, a qual ela n\u00e3o tinha sequer notado. E ela se admira com tudo aquilo e fica encantada com a cena.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o McGrath conclui: \u201co que se deve ter em conta aqui \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o autor da beleza e da hist\u00f3ria do que se v\u00ea. Voc\u00ea simplesmente ajudou-a a admirar o que j\u00e1 estava l\u00e1 \u2013 que ela desconhecia ou n\u00e3o havia notado\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Mas como contaremos as belezas da f\u00e9 se n\u00e3o temos amigos para subir montanhas?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 intencionalidade, como apontaremos o sentido desconhecido da vida?<\/p>\n<p>Como chegaremos nesse assunto t\u00e3o particular \u2013 a nossa f\u00e9 \u2013 se sequer sabemos a m\u00fasica ou banda favorita do outro?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a maior necessidade do nosso tempo: amigos. Gente para conversar. E n\u00f3s precisamos ser os primeiros a estar presentes e abra\u00e7ar o outro com todas as suas diferen\u00e7as. Inclusive, porque tamb\u00e9m precisamos do outro e da gra\u00e7a comum que h\u00e1 nele.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea nunca tenha se deparado, mas pode ser que voc\u00ea seja o \u00fanico amigo de algu\u00e9m. Que pode at\u00e9 estar cercado de gente, mas de gente que n\u00e3o se importa.<\/p>\n<p>A lei de Deus est\u00e1 gravada no cora\u00e7\u00e3o de todos os homens. Dos colegas de trabalho e dos vizinhos. Do porteiro do pr\u00e9dio e do entregador de pizza. Nada nos impede de transpor a barreira da superficialidade e apresent\u00e1-los o \u201cMais que um Amigo\u201d. Nada.<\/p>\n<p>Precisamos ser mais gente boa.<\/p>\n<p>Um mission\u00e1rio gente boa \u00e9 assim: ele ama tanto o outro que se recusa a falar a linguagem da superficialidade. Mas \u00e9 porque sabe da realidade da morte eterna. E n\u00e3o quer ouvir o ranger de dentes dos seus <em>brothers<\/em>.<\/p>\n<p>Ele quer o bem dos seus amigos. Mas sabe que o melhor bem dessa vida \u00e9 conhecer e viver com o Senhor.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 desses que ouviu bem a conclama\u00e7\u00e3o: ide e fazei disc\u00edpulos. Mas ele vai e tamb\u00e9m faz amigos.<\/p>\n<p>E ele nem precisa sair do seu pa\u00eds ou da sua cidade. Ele apenas sai de dentro de si mesmo e vai em dire\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 ao seu lado.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> MCGRATH, Alister. Apolog\u00e9tica pura e simples: como levar os que buscam e os que duvidam a encontrar a f\u00e9. Tradu\u00e7\u00e3o: A. G. Mendes. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2013. P\u00e1g. 46 (kindle).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9399\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2023\/05\/fotoLaylaweb.jpg\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"142\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<ul>\n<li>Layla Fischer, 24 anos, \u00e9 assessora jur\u00eddica e pesquisadora. Congrega na Igreja Presbiteriana Central de Curitiba\/PR, e estuda teologia junto ao Invisible College.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Layla Ficher Tem-se questionado muito por a\u00ed: quanto amigos voc\u00ea tem? Amigos mesmo. Brothers. 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