{"id":9242,"date":"2022-11-14T10:00:41","date_gmt":"2022-11-14T13:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=9242"},"modified":"2022-11-11T16:33:40","modified_gmt":"2022-11-11T19:33:40","slug":"temos-nosso-proprio-tempo-sobrevivendo-no-ritmo-do-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2022\/11\/14\/temos-nosso-proprio-tempo-sobrevivendo-no-ritmo-do-progresso\/","title":{"rendered":"Temos nosso pr\u00f3prio tempo: (sobre)vivendo no ritmo do progresso"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Stela Portes Soares<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-9243\" title=\"Adam Thomas | Unsplash.com\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/11\/blog_jovem_stela_portes_sobrevivendo.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/11\/blog_jovem_stela_portes_sobrevivendo.jpg 687w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/11\/blog_jovem_stela_portes_sobrevivendo-200x300.jpg 200w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/11\/blog_jovem_stela_portes_sobrevivendo-682x1024.jpg 682w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/>\u201cSempre em frente. N\u00e3o temos tempo a perder.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Em 1986, Renato Russo j\u00e1 expressava, na letra da can\u00e7\u00e3o \u201cTempo perdido\u201d, a ang\u00fastia de um tempo que n\u00e3o para (nunca). Esse \u00e9 um dos maiores problemas que enfrentamos hoje. Simplesmente n\u00e3o temos tempo.<\/p>\n<p>Bob Goudzwaard, em sua obra <em>capitalismo e progresso: um diagn\u00f3stico da sociedade ocidental<\/em>, explica como uma f\u00e9 no progresso se tornou a base sobre a qual se deu a sociedade moderna. O autor traz a escassez do tempo como um dos resultados desse processo. Temos nosso pr\u00f3prio tempo? Ou o tempo nos tem?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>O ritmo do progresso<\/strong><\/h4>\n<p>Como um sapato apertado no p\u00e9, o ser humano tenta se encaixar no ritmo do progresso. Abre m\u00e3o do sono, da boa alimenta\u00e7\u00e3o, da fam\u00edlia e do que ele puder para se comprimir em uma agenda lotada. Se aperta por todos os lados, se equilibrando entre os muitos afazeres de um dia que parece n\u00e3o ter fim. E quase sempre se estende noite adentro. O homem se fez caber no molde estabelecido pelo progresso.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Submetemos o ritmo natural determinado pelo Criador \u00e0quele ditado pela busca de resultados.<\/p>\n<p>\u201cO homem ocidental aprendeu a aceitar essa obedi\u00eancia \u00e0 lei do progresso moderno como algo natural (&#8230;) Em vez de ser o criador do progresso, o homem est\u00e1 cada vez mais se tornando servo dele\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><sup>.<\/sup> O pr\u00f3prio Deus estabeleceu ritmos para vivermos. Ele separou dia e noite. Ele trabalhou e, por fim, descansou. Assim, temos em Deus e em sua cria\u00e7\u00e3o o par\u00e2metro normativo para o uso do tempo. Entretanto, o homem subverte tais par\u00e2metros em nome de uma vida produtiva, correndo atr\u00e1s do ter e se perdendo do ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Estamos sobre(vivendo)<\/strong><\/h4>\n<p>O ritmo apressado afeta diretamente nossas vidas. Somos (de)formados por essa nova cad\u00eancia que vai ditando n\u00e3o s\u00f3 o ritmo das tarefas, mas das rela\u00e7\u00f5es humanas. Os la\u00e7os duradouros s\u00e3o substitu\u00eddos por la\u00e7os ef\u00eameros e superficiais.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Rela\u00e7\u00f5es profundas precisam ser cultivadas, mas na l\u00f3gica do progresso n\u00e3o h\u00e1 tempo para florescer. Temos um paradoxo: os seres humanos est\u00e3o desconectados, vivendo a era da conectividade. Nesse sentido, o homem se desconectou n\u00e3o s\u00f3 dos outros, mas de si. N\u00e3o h\u00e1 tempo \u201ca perder\u201d. Desenvolvemos diversos artif\u00edcios para economizar tempo, mas ele nunca esteve t\u00e3o escasso. Numa busca constante por um futuro que nunca chega, perdemos o significado do presente. Nas palavras de Vanessa Belmonte,<\/p>\n<blockquote><p>Nos tornamos m\u00e1quinas de produ\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de pessoas vivas, cujas esta\u00e7\u00f5es nos moldam, nos formam. Somos zumbis. Pessoas que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais vivas e, por isso, s\u00e3o incapazes de viver o presente e de responder ao que cada esta\u00e7\u00e3o nos traz para ser vivido em liberdade. Ignoramos o processo lento (e doloroso) de transforma\u00e7\u00e3o pessoal, de crescimento, de santifica\u00e7\u00e3o. Desrespeitamos os ritmos necess\u00e1rios para esse processo acontecer. E estamos colhendo os resultados\u2026 imaturidade, esterilidade, falta de sentido, exaust\u00e3o.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/capitalismo-e-progresso\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9244 size-full\" title=\"Capitalismo e Progresso\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/11\/bannerB_cep.gif\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\" \/><\/a><\/p>\n<p>A fam\u00edlia ocidental mostra como em um espelho o reflexo das rela\u00e7\u00f5es individualistas em que cada crian\u00e7a tem seu quarto, seu dinheiro para realizar seus desejos.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Ela \u00e9 tratada como um mini adulto e n\u00e3o como crian\u00e7a. Um dia acreditamos que \u201cter\u201d iria satisfazer todas as nossas necessidades. No entanto, nos afogamos em uma busca desenfreada por bens materiais \u00e0 procura da felicidade que parece cada dia mais distante. Trocamos pessoas por coisas. Trocamos pacto por contrato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Dessa forma, observamos como a l\u00f3gica capitalista do progresso trouxe resultados \u00e0 vida dos indiv\u00edduos e \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que tomamos consci\u00eancia desse processo, \u00e9 preciso estarmos atentos para n\u00e3o sermos levados por ele. Buscar intencionalidade naquilo que fazemos e entender que o fazemos diante de Deus. N\u00e3o vivemos para n\u00f3s mesmos. Vivemos para aquele que nos criou.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 necess\u00e1rio escolher a dire\u00e7\u00e3o oposta e parar, descansar, reduzir, repensar, refletir. E como j\u00e1 mencionado, isso tamb\u00e9m leva tempo, mas \u00e9 um pequeno come\u00e7o.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>GOUDZWAARD, Bob. <strong>Capitalismo e progresso:<\/strong> Um diagn\u00f3stico da sociedade ocidental. Trad. Leonardo Ramos. 1.\u00aa ed. Vi\u00e7osa: Ultimato, 2019. N\u00famero de p\u00e1ginas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> RUSSO, Renato. <strong>Tempo Perdido<\/strong>. EMI. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.letras.mus.br\/legiao-urbana\/22489\/. Acesso em 1 out. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> GOUDZWAARD, Bob. <strong>Capitalismo e progresso:<\/strong> Um diagn\u00f3stico da sociedade ocidental. Trad. Leonardo Ramos. 1.\u00aa ed. Vi\u00e7osa: Ultimato, 2019. p. 183.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Ibid., p. 131 \u2013 139.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> \u00a0Ibid., p. 169.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> BELMONTE, Vanessa. Os Ritmos da Vida. In: Lecion\u00e1rio.\u00a0 27 nov.\u00a0 2017. Dispon\u00edvel em: <u><a href=\"https:\/\/lecionario.com\/os-ritmos-da-vida-79bb14ffccec\">https:\/\/lecionario.com\/os-ritmos-da-vida-79bb14ffccec<\/a><\/u>. Acesso em 1 out. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> \u00a0Ibid., p. 168<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Saiba mais:<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb <a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/comunidade-conteudo\/o-progresso-e-o-reino-de-deus-uma-avaliacao-da-teologia-da-crise-de-emil-brunner\">O progresso e o reino de Deus &#8211; uma avalia\u00e7\u00e3o da Teologia da Crise de Emil Brunner<\/a><br \/>\n\u00bb <a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/comunidade-conteudo\/calvinismo-e-capitalismo-analise-da-origem-do-capitalismo-e-sua-relacao-com-o-calvinismo-conforme-max-weber-e-h-r-trevor-roper\">Calvinismo e capitalismo: an\u00e1lise da origem do capitalismo e sua rela\u00e7\u00e3o com o calvinismo, conforme Max Weber e H.R. Trevor &#8211; Roper<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Stela Portes Soares \u201cSempre em frente. 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