{"id":8986,"date":"2022-01-25T11:01:59","date_gmt":"2022-01-25T14:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=8986"},"modified":"2022-03-14T10:31:49","modified_gmt":"2022-03-14T13:31:49","slug":"jesus-e-a-resposta-qual-e-a-pergunta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2022\/01\/25\/jesus-e-a-resposta-qual-e-a-pergunta\/","title":{"rendered":"Jesus \u00e9 a resposta. Qual \u00e9 a pergunta?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-8987 size-full\" title=\"Matt Walsh | Unsplash.com\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/01\/photo-1595452767427-0905ad9b036d.jpg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/01\/photo-1595452767427-0905ad9b036d.jpg 387w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2022\/01\/photo-1595452767427-0905ad9b036d-282x300.jpg 282w\" sizes=\"auto, (max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/>H\u00e1 anos atr\u00e1s, muitos diziam que certos grupos implantaram uma l\u00f3gica dualista na mentalidade brasileira, a l\u00f3gica do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d. Se olharmos friamente, veremos que essa rivalidade entre \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d \u00e9 real, mas n\u00e3o \u00e9 exclusividade nossa. Ela surge com um evento descrito no G\u00eanesis da B\u00edblia judaico-crist\u00e3. Nesse evento, somos apresentados \u00e0 Queda da humanidade. A partir dela, o ser humano se tornou avesso ao seu pr\u00f3ximo quando este n\u00e3o o adorava acima de todas as coisas. Um dos pressupostos mais essenciais da antropologia b\u00edblica \u00e9 de que o homem, ao rejeitar Deus e passar a adorar a si mesmo, tornou-se um \u00eddolo. Essa auto-idolatria torna o homem como qualquer outro \u00eddolo: morto, avesso a outros \u00eddolos, avesso a Deus. Mais do que \u201cn\u00f3s contra eles\u201d, depois da Queda temos um \u201ceu contra o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, tivemos um pequeno exemplo pr\u00e1tico de como esse problema est\u00e1 atrelado n\u00e3o \u00e0 nossa cultura, mas \u00e0 nossa natureza corrompida. Vimos nosso pa\u00eds se dividir num embate b\u00e9lico entre \u201ccomunistas\u201d e \u201cconservadores\u201d, direita e esquerda, \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d. Presenciamos Igrejas se dividindo, estruturas familiares ruindo, amizades acabando. Em nome da pol\u00edtica, vimos um exemplo claro do que \u00e9 o fim da pol\u00edtica: quando tudo se torna pol\u00edtico, n\u00e3o h\u00e1 mais pol\u00edtica. Hoje, em pleno 2022, com as elei\u00e7\u00f5es presidenciais chegando e, com isso, a imin\u00eancia de uma nova variante de 2018 batendo \u00e0 porta, muitas pessoas t\u00eam entrado em estado de s\u00edtio, por medo de viver novamente aquele ambiente de brigas e divis\u00f5es. \u00c9 comum encontrarmos muitas pessoas buscando a resposta crist\u00e3 para diversos problemas da sociedade ou para quest\u00f5es existenciais e, tendo isso em mente, pretendo falar sobre aquela que entendo ser a \u00fanica resposta ao problema da divis\u00e3o que existe no seio de nossas Igrejas: a \u00e9tica crist\u00e3.<\/p>\n<p>Pode parecer algo simplista, mas n\u00e3o \u00e9. A \u00e9tica crist\u00e3 \u00e9 uma \u00e9tica extremamente radical pois, ao mesmo tempo que abre espa\u00e7o para di\u00e1logo, n\u00e3o o faz com o intuito de fazer concess\u00f5es, mas de apresentar a \u00fanica verdade: Cristo. O cristianismo dialoga, mas n\u00e3o cede. N\u00e3o pode ceder. Nosso dever \u00e9 procurar a verdade que reside em todas as ideias e, a partir dessa verdade, expor a mentira. Entretanto, o trabalho mais dif\u00edcil \u00e9 o de dialogar. O te\u00f3logo alem\u00e3o Joseph Ratzinger disse certa vez que \u201ca verdade \u00e9 \u2018l\u00f3gos\u2019 que cria di\u00e1logos e, consequentemente, comunica\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o\u201d. Jesus \u00e9 a verdade e, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m a ponte que nos conecta com nosso pr\u00f3ximo. Ele \u00e9 a chave para quebrar a idolatria que a antropologia b\u00edblica aponta como surgida na Queda.<\/p>\n<p>A \u00e9tica crist\u00e3 \u00e9 <em>sub specie aeternitatis<\/em>, ou seja, \u201cdo ponto de vista da eternidade\u201d. Nossa \u00e9tica n\u00e3o trabalha com a realidade presente, mas com uma futura. Ela \u00e9 definida pela escatologia. Somos cidad\u00e3os da nova Jerusal\u00e9m e, portanto, agimos segundo as regras e preceitos da p\u00e1tria eterna, n\u00e3o da terrena. Quando Cristo nos libertou do reino das trevas, ele nos mostrou que todo ser humano \u00e9 pass\u00edvel de reden\u00e7\u00e3o. O discurso dualista, portanto, se torna invi\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 um \u201celes contra n\u00f3s\u201d. S\u00f3 h\u00e1 \u201cn\u00f3s\u201d. Todos est\u00e3o mortos, todos pecaram e todos precisam da miseric\u00f3rdia de Deus para voltar a viver. N\u00e3o foi apenas Ad\u00e3o ou Eva que pecaram. A culpa n\u00e3o \u00e9 deles, \u00e9 nossa. Os patriarcas da humanidade n\u00e3o s\u00e3o exemplos, s\u00e3o espelhos. Far\u00edamos a mesma coisa se fossemos n\u00f3s naquele jardim. Isso nos mostra que, de fato, n\u00e3o h\u00e1 um \u201celes\u201d. O problema somos n\u00f3s. Sempre foi. Entretanto, quando Cristo toma nosso lugar, quando nos tornamos pequenos Cristos, isso precisa mudar drasticamente.<\/p>\n<p>Quando Cristo passa a ser centralizado, passa tamb\u00e9m a existir unidade, a verdadeira. N\u00e3o um pensamento homog\u00eaneo em uma massa informe de pessoas iguais, mas uma conviv\u00eancia entre diferentes que clamam em un\u00edssono: Maranata! Diante das dificuldades da unidade n\u00f3s acabamos brigando e nos dividindo, n\u00f3s manifestamos publicamente, n\u00e3o que somos imagem de Cristo para o mundo, mas que somos imagem de esc\u00e2ndalo. Se n\u00e3o somos Cristo, somos pedra de trope\u00e7o. Esse ano, provavelmente, teremos algo pior daquilo que tivemos em 2018, mas n\u00e3o importa. O dever da Igreja permanece: amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo. Ver dignidade em todos os seres humanos assim como Cristo viu dignidade em n\u00f3s. Precisamos, diante das dificuldades impostas \u00e0 unidade, ser Cristo, n\u00e3o esc\u00e2ndalo. Lembrar que fomos todos criados \u00e0 Imagem e Semelhan\u00e7a do Deus sofredor \u00e9 lembrar que h\u00e1 possibilidade de reden\u00e7\u00e3o para todo e qualquer um que bater \u00e0 porta.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior<\/strong>, 26 anos. \u00c9 membro da Igreja Batista Lagoinha Mineir\u00e3o (BH). Marido da Amanda Almeida, te\u00f3logo formado, fil\u00f3sofo em forma\u00e7\u00e3o e literato de nascen\u00e7a; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro \u201cseja o que Deus quiser\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior H\u00e1 anos atr\u00e1s, muitos diziam que certos grupos implantaram uma l\u00f3gica dualista na mentalidade brasileira, a l\u00f3gica do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d. Se olharmos friamente, veremos que essa rivalidade entre \u201cn\u00f3s\u201d e \u201celes\u201d \u00e9 real, mas n\u00e3o \u00e9 exclusividade nossa. 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