{"id":8607,"date":"2021-05-27T09:07:01","date_gmt":"2021-05-27T12:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=8607"},"modified":"2021-05-27T09:18:33","modified_gmt":"2021-05-27T12:18:33","slug":"por-que-amamos-historias-comuns-this-is-us-e-o-nosso-apreco-por-espetaculos-cotidianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2021\/05\/27\/por-que-amamos-historias-comuns-this-is-us-e-o-nosso-apreco-por-espetaculos-cotidianos\/","title":{"rendered":"Por que amamos hist\u00f3rias comuns? This is Us e o nosso apre\u00e7o por espet\u00e1culos cotidianos"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Bruno Maroni<\/em><\/p>\n<blockquote><p><em>Eu n\u00e3o sei o que penso que somos. S\u00f3 sei que gosto do fato de haver um \u201cn\u00f3s\u201d para conversar.<\/em> \u2014 Kevin Pearson<\/p><\/blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-8611\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-300x150.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-300x150.jpeg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-768x384.jpeg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-732x366.jpeg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us.jpeg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>This Is Us \u00e9 uma s\u00e9rie original da emissora americana NBC (dramaticamente c\u00f4mica e comicamente dram\u00e1tica) criada por Dan Fogelman. Essa hist\u00f3ria extraordinariamente ordin\u00e1ria come\u00e7ou a ser narrada em 2016 e j\u00e1 tem conta com 4 temporadas, com a 5\u00aa para estrear neste ano e mais duas confirmadas.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">O elenco, escolhido precisamente, traz\u00a0Milo Ventimiglia\u00a0(Jack), Mandy Moore (Rebecca), Sterling K. Brown (Randall), Chrissy Metz (Kate), Justin Hartley (Kevin) e outros atores e atrizes respons\u00e1veis por pap\u00e9is consistentes, convincentes e, claro, cativantes. As atua\u00e7\u00f5es primorosas, o roteiro not\u00e1vel e seu entrela\u00e7amento narrativo (emocionante e inteligente), fotografia e cen\u00e1rios acolhedores, trilha cuidadosa e outras v\u00e1rias virtudes, fizeram (e t\u00eam feito) de This Is Us uma s\u00e9rie querida pelo p\u00fablico e estimada pela cr\u00edtica, tanto que j\u00e1 conquistou pr\u00eamios importantes, como Emmys e Globos de Ouro.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Este texto n\u00e3o \u00e9 bem uma cr\u00edtica ao programa ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o se deparar\u00e1 com an\u00e1lises detalhadas de aspectos t\u00e9cnicos da produ\u00e7\u00e3o. Na verdade, pretendo pensar sobre algo que motiva o sucesso de This Is Us, mas que, penso eu, trata-se de uma caracter\u00edstica muito mais nossa, dos espectadores, do que da s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Portanto, se voc\u00ea j\u00e1 a assistiu, talvez se identifique com os insights que encontrar por aqui. Caso ainda n\u00e3o tenha visto a s\u00e9rie, em primeiro lugar, COMECE. E, em segundo lugar, espero que esta reflex\u00e3o breve sirva para enriquecer sua experi\u00eancia com essa hist\u00f3ria t\u00e3o boa.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Falando em s\u00e9ries, experi\u00eancias e hist\u00f3rias, aparece a pergunta: por que n\u00f3s amamos This Is Us? Ou melhor: por que as narrativas comuns \u2014 os dramas familiares, hist\u00f3rias de amizade \u2014 capturam t\u00e3o veementemente nosso afeto e imagina\u00e7\u00e3o? Pense bem: boa parte dos TV shows de maior audi\u00eancia e import\u00e2ncia para a cultura popular nos \u00faltimos anos movem-se primordialmente por tramas corriqueiras: Wonder Years, Friends, Gilmore Girls\u2026 al\u00e9m dos dramas m\u00e9dicos e policiais, telenovelas e sitcoms animados.<\/p>\n<blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\"><em>A reconcilia\u00e7\u00e3o que acontece mais de vinte e dois minutos em uma com\u00e9dia, a cura que acontece em menos de uma hora em uma s\u00e9rie m\u00e9dica e a justi\u00e7a que \u00e9 promulgada antes do final do epis\u00f3dio em um drama policial (sem mencionar os arcos dos personagens. intr\u00ednsecos \u00e0 vida de uma s\u00e9rie) contribuem para as maneiras pelas quais a televis\u00e3o funciona significativamente no mundo contempor\u00e2neo. \u2014\u00a0<\/em><em>Kutter Callaway<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Claro, o apre\u00e7o humano por hist\u00f3rias \u00e9 certo. A gente sabe disso: somos seres narrativos, narrados e narradores. Mas\u2026 por que o apre\u00e7o especial por\u00a0<em>esse tipo\u00a0<\/em>de hist\u00f3ria?<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">A ind\u00fastria do entretenimento poupa cada vez menos recursos para confeccionar e vender para o p\u00fablico universos (e multiversos) narrativos que prop\u00f5em mundos e vidas alternativos, cientificamente elaborados, onde as personagens se beneficiam ou s\u00e3o oprimidas pela tecnologia, interagem com outras dimens\u00f5es m\u00edsticas e realidades interplanet\u00e1rias. Megainvestimentos em filmes de super-her\u00f3is, distopias e \u00e9picos fant\u00e1sticos est\u00e3o a\u00ed para mostrar o quanto todo esse espet\u00e1culo \u00e9 valioso para os produtores e consumidores de cultura.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Nesses casos, n\u00f3s, espectadores, imergimos em contextos assustadoramente em contraste com os nossos pr\u00f3prios cen\u00e1rios: fatalmente bagun\u00e7ados, cansativos, decepcionantes, mon\u00f3tonos, previs\u00edveis e uniformes \u2014 com tudo do que n\u00e3o tem nada de impressionante.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">\u00c9 justamente por isso que amamos hist\u00f3rias comuns: porque \u00e9 o s\u00e3o as nossas hist\u00f3rias. Somos aficionados por s\u00e9ries, mas antes, nossa fixa\u00e7\u00e3o \u00e9 assistir nossa vida, alternadamente, na vida de outro(s) algu\u00e9m e bem de frente para n\u00f3s \u2014 a gente ama se ver na tela. Por qu\u00ea? Porque os dramas televisionados, extraordinariamente comuns como This Is Us, funcionam como di\u00e1rios para confiss\u00f5es, planos e descobertas.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Assistimos encena\u00e7\u00f5es que confessam nossos pr\u00f3prios problemas, v\u00edcios e derrotas. Acompanhamos arcos que interpretam e orientam nossa pr\u00f3pria caminhada. Descobrimos ali o que h\u00e1 de belo e feio, feliz e triste, n\u00e3o no que a s\u00e9rie narra, mas no que h\u00e1 em s\u00e9rie no dia a dia aqui. Fato \u00e9 que consumimos tantos espet\u00e1culos, e por eles somos t\u00e3o consumidos, que na ansiedade por coisas surpreendente, perdemos de vista a densidade que constitui nossas rela\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias, com as pessoas e com o mundo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-8610 size-medium\" title=\"Foto: Ron Batzdorff\/NBC\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-beth-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-beth-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2021\/05\/this-is-us-beth.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Vontade de ser fam\u00edlia, frustra\u00e7\u00e3o aguda, maternidade e paternidade, obesidade, crise profissional, nascimento, doen\u00e7a e morte. Ansiedade e depress\u00e3o. Desgaste relacional e emocional. Choro e riso. Complica\u00e7\u00f5es financeira, racismo e desigualdade. Alcoolismo e outros v\u00edcios. Inseguran\u00e7a e problemas de autoestima. Instabilidade amorosa. Encontros, partidas e saudade. This Is Us tem tudo isso e muitas outras sensa\u00e7\u00f5es, eventos e esta\u00e7\u00f5es que perpassam a experi\u00eancia humana ordin\u00e1ria. Quem nunca viu uma dessas coisas logo na casa ao lado ou vivenciou alguma delas dentro do pr\u00f3prio lar?<\/p>\n<blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\"><em>Os momentos mais felizes tamb\u00e9m ser\u00e3o um pouco tristes.<\/em> \u2014 Rebecca Pearson<\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">A vida comum \u00e9 repleta de alegrias e lamentos, que se atrevem na agenda e invadem nossas rotinas, sem licen\u00e7a alguma. Nesses ritmos que as hist\u00f3rias \u2013 os n\u00f3s entre n\u00f3s e os outros \u2013 acontecem e se entrela\u00e7am, sempre com a constante recorda\u00e7\u00e3o de que teremos gente ao lado \u2013 um \u201cn\u00f3s\u201d \u2013 para conversar, chorar e celebrar.<\/p>\n<p>Amamos This Is Us e todo espet\u00e1culo cotidiano porque \u00e9 o que encenamos todos os dias.<\/p>\n<blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\"><em>O cerne da nossa forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 na monotonia an\u00f4nima das nossas rotinas di\u00e1rias. \u2013\u00a0<\/em><em>Tish Harrison Warren<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-selectable-paragraph=\"\"><strong>\u2022 Bruno Maroni<\/strong>. Te\u00f3logo formado pela FTBSP, trabalha como editor no Minist\u00e9rio Raz\u00e3o Para Viver e serve na equipe pastoral da Comviver, igreja batista em Jundia\u00ed-SP. Autor do rec\u00e9m-publicado <em>Cristianismo &amp; Cultura Pop<\/em>, aluno do Invisible College e colaborador do Coletivo Tangente e IACA Brasil, onde escreve sobre cosmovis\u00e3o crist\u00e3, cultura e m\u00fasica popular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Maroni Eu n\u00e3o sei o que penso que somos. S\u00f3 sei que gosto do fato de haver um \u201cn\u00f3s\u201d para conversar. \u2014 Kevin Pearson This Is Us \u00e9 uma s\u00e9rie original da emissora americana NBC (dramaticamente c\u00f4mica e comicamente dram\u00e1tica) criada por Dan Fogelman. 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