{"id":8362,"date":"2020-10-30T00:00:17","date_gmt":"2020-10-30T03:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=8362"},"modified":"2020-11-05T12:26:45","modified_gmt":"2020-11-05T15:26:45","slug":"nao-me-livrei-do-inferno-gracas-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2020\/10\/30\/nao-me-livrei-do-inferno-gracas-a-deus\/","title":{"rendered":"N\u00e3o me livrei do inferno, gra\u00e7as a Deus"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Lucas Peterson<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-8378 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2020\/10\/hell-300x174.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2020\/10\/hell-300x174.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2020\/10\/hell-768x444.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2020\/10\/hell-732x423.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2020\/10\/hell.jpg 963w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>H\u00e1 alguns dias, fui obrigado a parar pra pensar sobre um tema que sempre que poss\u00edvel postergo pra depois: \u201ccomo pode um Deus de amor mandar algu\u00e9m para o inferno?\u201d<\/p>\n<p>Sem maiores pretens\u00f5es, comecei a preparar a aula para a&nbsp;EBD&nbsp;sobre o famigerado tema (EBD&nbsp;\u00e9 como os crentes costumam chamar os momentos em que&nbsp;Estudam a&nbsp;B\u00edblia no&nbsp;Domingo).<\/p>\n<p>Confesso, nunca foi um tema que me agradou. Nunca entendi direito a tara que alguns crist\u00e3os t\u00eam sobre o assunto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, penso que \u00e9 o tipo de indaga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se responde com algumas senten\u00e7as simples, mas que se carrega por toda a vida.<\/p>\n<p>Apesar disso, fiz um pequeno resumo das conclus\u00f5es que cheguei:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1) A B\u00edblia desde o Antigo Testamento aponta para esta ideia de julgamento final e de retribui\u00e7\u00e3o eterna (c\u00e9u ou inferno).<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rios textos do Antigo Testamento, especialmente os prof\u00e9ticos, parecem apontar para esta ideia de retribui\u00e7\u00e3o vindoura. Isa\u00edas 66.22\u201324 e Daniel 12.1\u20132 (reproduzido abaixo) s\u00e3o exemplos disso.<\/p>\n<p>\u201cMultid\u00f5es que dormem no p\u00f3 da terra acordar\u00e3o:&nbsp;uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno.\u201d (Daniel 12.2)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2) Jesus e o Novo Testamento confirmam esses apontamentos em muitos textos. Portanto, \u00e9 dif\u00edcil alegar que a ideia de c\u00e9u\/inferno n\u00e3o est\u00e1 na B\u00edblia.<\/strong><\/p>\n<p>Sempre que conversava com amigos sobre a quest\u00e3o do inferno eu recorria para Jesus, sobre o que ele falou a respeito, etc. Por vezes, aleguei que esse n\u00e3o era o foco de sua mensagem.<\/p>\n<p>Em que pese ainda pense desta forma, n\u00e3o d\u00e1 pra afirmar que Jesus n\u00e3o trata do tema, com bastante propriedade. Textos como Mateus 13.47\u201350; 25.31\u201346; e o pr\u00f3prio Serm\u00e3o do Monte comprovam que Jesus n\u00e3o deixou de lado as quest\u00f5es do julgamento e da vida eterna (vida\/alegria ou desprezo\/castigo eterno).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3) As conclus\u00f5es n\u00fameros 1 e 2 n\u00e3o deixam a quest\u00e3o do Inferno mais simples.<\/strong><\/p>\n<p>Os religiosos em geral t\u00eam muitos problemas em lidar com as suas d\u00favidas.<\/p>\n<p>Acontece que tomar para si uma verdade (mesmo que seja verdade) que n\u00e3o foi devidamente refletida e aterrizada, s\u00f3 piora as coisas.<\/p>\n<p>O conv\u00edvio com as d\u00favidas pode ser sadio se levado de forma a construir um pensamento mais consistente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4) O Ju\u00edzo \u00e9 feito por Deus.<\/strong><\/p>\n<p>Independentemente da leitura que se fa\u00e7a dos textos acima destacados e de outros que tratam do \u201cju\u00edzo final\u201d, \u00e9 bastante claro que a B\u00edblia retrata que esse ju\u00edzo ser\u00e1 realizado exclusivamente por Deus, que se apresenta na figura de um justo juiz.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o cabe \u00e0s pessoas (especialmente os religiosos) determinarem&nbsp;julgamento antecipado&nbsp;e&nbsp;incompetente&nbsp;sobre os outros \u2014 gastei um pouco o juridiqu\u00eas aqui, foi mal.<\/p>\n<p>Aos seguidores de Jesus, cabe sempre um olhar de gra\u00e7a&nbsp;para todo mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5) C\u00e9u e inferno como consequ\u00eancia e n\u00e3o \u201cvontade de Deus\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Minha impress\u00e3o \u00e9 que a realidade eterna \u00e9 consequ\u00eancia da nossa vida finita.<\/p>\n<p>Pensar dessa forma ameniza um pouco a quest\u00e3o de que seria a \u201cvontade de Deus\u201d as pessoas irem para o inferno.<\/p>\n<p>Nesse modo de encarar o ju\u00edzo divino, Deus estaria apenas dando o que as pessoas em vida desejaram e buscaram. Assim, o inferno seria reservado aos que s\u00e3o orgulhosos e ego\u00edstas.<\/p>\n<p>Deus ao mand\u00e1-los para o inferno s\u00f3 estaria cumprindo a sua vontade, o seu verdadeiro desejo.<\/p>\n<p>Essa ideia \u00e9 apresentada por alguns estudiosos. Sobre o assunto, C. S. Lewis escreveu:<\/p>\n<p>\u201cExistem apenas dois tipos de indiv\u00edduos \u2014 os que dizem a Deus \u201cseja feita a sua vontade\u201d e aqueles a quem Deus diz no fim \u201cseja feita a sua vontade\u201d. Todos os que est\u00e3o no inferno escolherem estar l\u00e1. Sem esse livre arb\u00edtrio n\u00e3o haveria inferno. Uma alma que, com seriedade e const\u00e2ncia deseje a alegria jamais deixar\u00e1 de t\u00ea-la.\u201d (Lewis, C. S. <em>O problema do sofrimento<\/em>. Vida Nova. p. 69)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6) Os crist\u00e3os n\u00e3o devem estar focados no Inferno.<\/strong><\/p>\n<p>O meu sentimento de avers\u00e3o \u00e0 verdadeira obsess\u00e3o de alguns crist\u00e3os pelo inferno foi refor\u00e7ado nesse meu pequeno estudo sobre o assunto.<\/p>\n<p>O foco (inclusive da prega\u00e7\u00e3o) dos que seguem ao Deus da B\u00edblia n\u00e3o deve ser o inferno, mas o c\u00e9u. Trazer o c\u00e9u pra perto das pessoas na realidade de hoje e tamb\u00e9m na realidade futura e eterna.<\/p>\n<p>O medo do inferno n\u00e3o transforma ningu\u00e9m. Pelo menos n\u00e3o para melhor.<\/p>\n<p><strong>7) Implica\u00e7\u00f5es boas em acreditar na exist\u00eancia do Inferno.<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o compreender a ideia de inferno (castigo eterno) n\u00e3o significa que ele n\u00e3o exista.<\/p>\n<p>H\u00e1 inclusive boas implica\u00e7\u00f5es em crer em sua exist\u00eancia, como, por exemplo, a de que a injusti\u00e7a um dia ter\u00e1 fim.<\/p>\n<p>\u00c9 o que o pastor Tim Keller comenta, que a falta de f\u00e9 em um Deus que toma para si a vingan\u00e7a alimenta secretamente, em verdade, a viol\u00eancia:<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o acreditarmos que existe um Deus que no final vai reparar tudo, haveremos de desembainhar a espada e seremos sugados pelo redomoinho da retalia\u00e7\u00e3o. Apenas se tivermos certeza que existe um Deus que reparar\u00e1 todos os erros e acertar\u00e1 com perfei\u00e7\u00e3o todas as contas, seremos capazes de refrear esse impulso.\u201d (Keller, Timothy. <em>A f\u00e9 na era do ceticismo<\/em>. Vida Nova: 2015. p. 103)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>8) O Deus da B\u00edblia se revela como um Deus pessoal e que busca relacionamento.<\/strong><\/p>\n<p>O Deus da B\u00edblia se revela como um Deus pessoal e de relacionamento. Ele se mostra como um Deus que anseia por ouvir nossas d\u00favidas, bem como nossos anseios, medos, ang\u00fastias e alegrias.<\/p>\n<p>Nesse sentido, os seus seguidores tamb\u00e9m devem buscar agir da mesma forma.<\/p>\n<p>Mais uma vez: n\u00e3o faz sentido criar espa\u00e7os de conviv\u00eancia (comunidades de f\u00e9) que rejeitem a abertura para as d\u00favidas e para o debate de temas dif\u00edceis, s\u00f3 porque podem criar pol\u00eamica e \u201cabalar\u201d a f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>9) Uma postura de di\u00e1logo \u00e9 sempre melhor do que a arrog\u00e2ncia.<\/strong><\/p>\n<p>Como visto nos t\u00f3picos acima, a quest\u00e3o do inferno \u00e9 de dif\u00edcil trato.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo \u00e9 sempre a melhor sa\u00edda (ou in\u00edcio, nesse caso). Ele proporciona a constru\u00e7\u00e3o de ideias com muito mais sentido do que a mera apropria\u00e7\u00e3o de uma verdade de terceiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>10) \u201cAcredito em um Deus de amor\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Pensar que o inferno existe \u00e9 cruel, assustador, de dif\u00edcil compreens\u00e3o, por\u00e9m bem b\u00edblico.<\/p>\n<p>Imaginar que ele n\u00e3o exista pode ser ainda mais desolador!<\/p>\n<p>O maior ato de amor de Deus foi \u201cpagar o pre\u00e7o\u201d pelos pecados do mundo (por mundo, leia-se toda a humanidade).<\/p>\n<p>Um dos vers\u00edculos mais famosos da B\u00edblia retrata isso:<\/p>\n<p>\u201cPorque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unig\u00eanito, para que todo o que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna.\u201d (<a href=\"https:\/\/www.bibliaonline.com.br\/nvi\/jo\/3\/16\">Jo\u00e3o 3:16<\/a>)<\/p>\n<p>Apagar o inferno de nossa teologia pode ter como efeito fazer despropositado o sacrif\u00edcio na cruz de Jesus por todos os pecadores.<\/p>\n<p>Sem a consequ\u00eancia eterna, n\u00e3o haveria necessidade de sua vinda; encarna\u00e7\u00e3o como homem; sofrimento e morte.<\/p>\n<p>Acredito sim em um Deus de amor. Um Deus que escolhe morrer em vez de matar. Ao mesmo tempo em que acredito em um Deus de justi\u00e7a. Um justo juiz pautado igualmente por miseric\u00f3rdia e gra\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o me livrei da ideia de que o inferno existe e est\u00e1 reservado aos orgulhosos e ego\u00edstas.<br \/>\nN\u00e3o me livrei gra\u00e7as a Deus.<br \/>\nN\u00e3o me livrei gra\u00e7as ao que a pr\u00f3pria B\u00edblia ensina.<\/p>\n<p>Por outro lado, a realidade do inferno para os que consideram a B\u00edblia deve os levar a amar ainda mais a todos, sem distin\u00e7\u00e3o, e viver de forma sacrificial seguindo o modelo apresentado por Jesus.<\/p>\n<p>Assim,<br \/>\nLivrei-me do inferno que eu escolho mandar todo aquele que \u00e9 diferente de mim.<br \/>\nLivrei-me do inferno que \u00e9 impor as minhas verdades sobre os outros.<br \/>\nLivrei-me desse inferno que eu constru\u00ed, porque eu mesmo n\u00e3o quero ir pra l\u00e1.<br \/>\nPorque como crist\u00e3o n\u00e3o desejo que ningu\u00e9m v\u00e1 para o inferno.<\/p>\n<p>Que Deus nos livre desses infernos.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Lucas Peterson Magalh\u00e3es<\/strong>, 27 anos. Formado em Direito, participa da Comunidade Evang\u00e9lica em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP). Texto publicado originalmente em seu <a href=\"https:\/\/medium.com\/textando\/o-sil%C3%AAncio-dos-crentes-831a55627190\">Medium<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucas Peterson H\u00e1 alguns dias, fui obrigado a parar pra pensar sobre um tema que sempre que poss\u00edvel postergo pra depois: \u201ccomo pode um Deus de amor mandar algu\u00e9m para o inferno?\u201d Sem maiores pretens\u00f5es, comecei a preparar a aula para a&nbsp;EBD&nbsp;sobre o famigerado tema (EBD&nbsp;\u00e9 como os crentes costumam chamar os momentos em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[5343,42221,31885,6051],"class_list":["post-8362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-ceu","tag-inferno","tag-lucas-peterson-magalhaes","tag-teologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8362"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8380,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8362\/revisions\/8380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}