{"id":7622,"date":"2019-08-21T21:31:30","date_gmt":"2019-08-22T00:31:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=7622"},"modified":"2021-10-26T11:50:07","modified_gmt":"2021-10-26T14:50:07","slug":"o-livro-dos-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2019\/08\/21\/o-livro-dos-livros\/","title":{"rendered":"O livro dos livros"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Gabriel Louback<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2019\/08\/UltJovem_21_08_19_livro.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-7622\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7624 alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2019\/08\/UltJovem_21_08_19_livro-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2019\/08\/UltJovem_21_08_19_livro-200x300.jpg 200w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2019\/08\/UltJovem_21_08_19_livro.jpg 447w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>O livro dos livros tinha esse nome por diversas raz\u00f5es. Uma delas \u00e9 que podia ser considerado uma refer\u00eancia de livro entre todos os outros livros j\u00e1 escritos; e o motivo para isso era que <strong>possu\u00eda a ess\u00eancia de todas as hist\u00f3rias j\u00e1 vistas e vividas<\/strong>, n\u00e3o necessariamente todas as hist\u00f3rias j\u00e1 contadas ou que ainda seriam contadas, mas com certeza a subst\u00e2ncia de tudo o que j\u00e1 t\u00ednhamos visto e vivido, e que ainda ver\u00edamos e viver\u00edamos.<\/p>\n<p>Era poss\u00edvel enxergar-se no livro dos livros, descobrir sentimentos que n\u00e3o consegu\u00edamos expressar, encontrar preces que busc\u00e1vamos clamar, palavras de j\u00fabilo que traduziam a nossa alegria, prantos que coincidiam com nossas l\u00e1grimas. Podia parecer que emprest\u00e1vamos as palavras do livro, mas a verdade \u00e9 que pareciam ter nascido de nossos pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es, embora n\u00e3o soub\u00e9ssemos nunca como express\u00e1-las antes de l\u00ea-las ali, escritas h\u00e1 milhares de anos. <strong>O livro dos livros falava sobre n\u00f3s, mas tamb\u00e9m podia falar dentro de n\u00f3s<\/strong>.<\/p>\n<p>Isso acontecia pois a natureza do livro dos livros possu\u00eda um sopro em si, um sopro vital; o livro dos livros era resultado da a\u00e7\u00e3o desse esp\u00edrito vivo, <strong>Palavra revelada em mentes e cora\u00e7\u00f5es<\/strong>, inalada e aspirada como perfume; expirada, exalada e manifestada em forma de hist\u00f3rias eternas, relatos de acontecimentos hist\u00f3ricos que, se lidos com o cora\u00e7\u00e3o e com a alma, tornavam-se um instrumento, fogo vivo em n\u00f3s.<!--more--><\/p>\n<p>Era poss\u00edvel, claro, ler o livro dos livros como informa\u00e7\u00e3o e conhecimento, e era riqu\u00edssimo nesse sentido; assim como era poss\u00edvel l\u00ea-lo para obter sabedoria &#8211; conselhos, pensamentos e reflex\u00f5es n\u00e3o faltavam -; por\u00e9m, acima de tudo, o que fazia o livro ser o livro dos livros era <strong>o poder que havia em suas palavras<\/strong>, quando lidas com o cora\u00e7\u00e3o aberto, \u00e0s vezes abatido ou extenuado, buscando com sede por renovo e vida.<\/p>\n<p>Quando <strong>encontrava disposi\u00e7\u00e3o na leitura das palavras<\/strong> do livro como algo vivo, como algo que de alguma forma tinha poder para agir em nossas mentes, cora\u00e7\u00f5es e almas, o livro dos livros tornava-se, assim, como o levedo que fermenta e transforma uma massa, que fermenta o mosto da uva transformando-o em vinho novo.<\/p>\n<p>Por isso, tantas e tantas vezes o livro dos livros <strong>foi banido e proibido<\/strong>, tendo suas p\u00e1ginas rasgadas e despeda\u00e7adas, servindo nesses casos como um peda\u00e7o precioso aos que conseguiam manter fragmentos dele, ou uma folha inteira que, a cada semana, ficava na casa de uma fam\u00edlia, sendo lida dia e noite, imprimindo suas palavras nos cora\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as e adultos, jovens e velhos; passando para uma nova fam\u00edlia e uma nova casa na semana seguinte.<\/p>\n<p>Mas <strong>era imposs\u00edvel conter a for\u00e7a e o fluxo do livro dos livros<\/strong>; ele era como um rio selvagem e de leito fundo, sempre caudaloso, como se tivesse acabado de chover em sua nascente, como se toneladas de neve continuassem a derreter continuamente, alimentando seu vigor, como uma fonte de \u00e1gua viva, que nunca seca; um rio, sim, indom\u00e1vel, mas que tamb\u00e9m servia para banhar- se, lavar-se, mergulhar nele, ir fundo e, ao tornar \u00e0 superf\u00edcie, inspirar o f\u00f4lego de ar como se fosse a primeira vez que respir\u00e1ssemos, como se nasc\u00eassemos de novo; um rio para tamb\u00e9m beber de sua \u00e1gua tranquila que formava lagos ao lado de campos verdes.<\/p>\n<p>O livro dos livros vivia h\u00e1 milhares de anos: viveria por outros tantos incont\u00e1veis e continuaria vivendo mesmo quando ele deixasse de existir, mesmo quando cessasse o tempo e o ser de tudo e da cria\u00e7\u00e3o, pois <strong>suas palavras eram vivas<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim, ele viveria, n\u00e3o como um objeto inanimado, mas como um organismo, uma voz ecoando, a palavra que permaneceria, ainda que terra e c\u00e9u passassem.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Gabriel Louback<\/strong> \u00e9 jornalista e storyteller, contando hist\u00f3rias por meio de textos ou roteiros de v\u00eddeo, trazendo esperan\u00e7a e apontando a presen\u00e7a do reino nos lugares mais inusitados e inesperados.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriel Louback O livro dos livros tinha esse nome por diversas raz\u00f5es. 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