{"id":750,"date":"2011-06-10T13:51:32","date_gmt":"2011-06-10T16:51:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=750"},"modified":"2011-06-10T13:53:43","modified_gmt":"2011-06-10T16:53:43","slug":"a-geracao-t-sabe-tudo-que-acontece-mas-permanece-incapaz-de-analisar-comparar-e-julgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2011\/06\/10\/a-geracao-t-sabe-tudo-que-acontece-mas-permanece-incapaz-de-analisar-comparar-e-julgar\/","title":{"rendered":"A &#8220;gera\u00e7\u00e3o T&#8221; sabe tudo que acontece, mas permanece incapaz de analisar, comparar e julgar"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #008080;\"><strong><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2011\/06\/fone.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-750\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" data-lightview-title=\"fone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-751\" title=\"fone\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2011\/06\/fone.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2011\/06\/fone.jpg 480w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2011\/06\/fone-300x191.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2011\/06\/fone-150x95.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a>Oi gente,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008080;\"><strong>Esse texto \u00e9 bem interessante. Mas diz a\u00ed&#8230; voc\u00ea concorda com o que o Luciano disse sobre a gera\u00e7\u00e3o T?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #008080;\"><strong>Aguardamos os coment\u00e1rios.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Meu amigo Patrick \u00e9 franc\u00eas e vive no Brasil h\u00e1 anos. Tem uma vis\u00e3o cr\u00edtica da forma de ser do brasileiro em compara\u00e7\u00e3o a outros povos, especialmente os europeus. E eu me divirto com ele. Recentemente, presente a um desses eventos badalados que tratam de redes sociais, ele me ligou para descrever o p\u00fablico. Jovens, muito jovens, com seus iPads e iPhones, tuitando furiosamente<!--more--> enquanto assistiam \u00e0s palestras de dezenas de especialistas. Ao final da palestra, invariavelmente o apresentador dizia:<\/p>\n<p>&#8211; Alguma pergunta?<\/p>\n<p>Sil\u00eancio. Ningu\u00e9m. Nada. E assim foi, de palestra em palestra. Ningu\u00e9m nunca perguntava nada. O Patrick ent\u00e3o disse que aquela era a gera\u00e7\u00e3o T. T\u00ea de testemunha: \u201cSou testemunha de tudo, mas n\u00e3o tenho opini\u00e3o sobre nada.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 isso mesmo que tenho visto por a\u00ed: a gera\u00e7\u00e3o T dominando os espa\u00e7os e dedicando-se \u00e0 \u00fanica coisa que consegue fazer: contar para os outros o que viu. Ou no m\u00e1ximo, repetir a opini\u00e3o de terceiros, enquanto permanece incapaz de analisar, comparar, julgar e de emitir opini\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas sabe o mais louco? A \u201cgera\u00e7\u00e3o T\u201d, diferente das outras gera\u00e7\u00f5es, parece n\u00e3o ter um per\u00edodo definido. N\u00e3o \u00e9 composta exclusivamente de gente que nasceu entre o ano x e o ano y&#8230; \u00c9 claro que a quantidade de jovens \u00e9 muito grande, mas ela generosamente engloba gente nascida desde 1950&#8230;<\/p>\n<p>Em minha palestra \u201cQuem n\u00e3o se comunica, se estrumbica\u201d falo de um estudo que mostra que nos 40 mil anos que se passaram desde o momento em que o homem desceu das \u00e1rvores at\u00e9 inventar a internet, a humanidade produziu 12 bilh\u00f5es de gigabytes de informa\u00e7\u00e3o, algo como 54 trilh\u00f5es de livros com 200 p\u00e1ginas cada. Agora veja esta: somente no ano de 2002 produzimos os mesmos 12 bilh\u00f5es de gigas! Geramos num ano o mesmo que em 40 mil anos&#8230; Em 2007 foram mais de 100 bilh\u00f5es de gigas! E em 2012 ser\u00e3o alguns trilh\u00f5es! Produzimos informa\u00e7\u00e3o numa velocidade cada vez maior enquanto inventamos traquitanas que tornam cada vez mais f\u00e1cil acessar essas informa\u00e7\u00f5es. Mas de que adianta ter acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es se n\u00e3o temos repert\u00f3rio para dar um sentido \u00e0 realidade?<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o T, que sabe tudo que acontece, mas n\u00e3o tem ideia do por que acontece. Entrega-se \u00e0 tecnologia de corpo e alma, como \u201cvending machines\u201d, aquelas m\u00e1quinas autom\u00e1ticas de vender refrigerantes em lata, sabe? Distribuidores de conte\u00fado de terceiros, focados no processo de distribui\u00e7\u00e3o, mas sem qualquer compromisso com o conte\u00fado distribu\u00eddo.<\/p>\n<p>Nada a estranhar, afinal. Querer que as gera\u00e7\u00f5es que saem de nosso sistema educacional falido conhe\u00e7am quest\u00f5es conceituais, paradoxos, tradi\u00e7\u00f5es, estilos de comunica\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito, encadeamento l\u00f3gico dos argumentos e significados para poder exercer o senso cr\u00edtico \u00e9 demais, n\u00e3o? \u00c9 mais f\u00e1cil e menos comprometedor simplesmente contar para os outros aquilo que ficamos sabendo.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o T n\u00e3o consegue praticar curiosidade intelectual, s\u00f3 a curiosidade social. Tentei achar um nome para esse fen\u00f4meno e acabei concluindo que s\u00f3 pode ser um: fofoca.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o T \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o dos fofoqueiros. E voc\u00ea \u00e9 testemunha.<\/p>\n<p>Luciano Pires \u00e9 palestrante, escritor, editor do site Caf\u00e9 Brasil &#8211; <a href=\"http:\/\/www.portalcafebrasil.com.br\" target=\"_blank\">www.portalcafebrasil.com.br<\/a><\/p>\n<p>Originalmente publicado no <a href=\"http:\/\/www.culturanews.com.br\/primeiraspalavrasdetalhe.aspx?entrevistaid=187\">Cultura News<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oi gente, Esse texto \u00e9 bem interessante. Mas diz a\u00ed&#8230; voc\u00ea concorda com o que o Luciano disse sobre a gera\u00e7\u00e3o T? Aguardamos os coment\u00e1rios. Meu amigo Patrick \u00e9 franc\u00eas e vive no Brasil h\u00e1 anos. Tem uma vis\u00e3o cr\u00edtica da forma de ser do brasileiro em compara\u00e7\u00e3o a outros povos, especialmente os europeus. 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