{"id":7280,"date":"2019-03-08T11:29:14","date_gmt":"2019-03-08T14:29:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=7280"},"modified":"2019-03-15T08:30:31","modified_gmt":"2019-03-15T11:30:31","slug":"novos-caminhos-entrevista-com-a-indigena-keyla-thyxaya","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2019\/03\/08\/novos-caminhos-entrevista-com-a-indigena-keyla-thyxaya\/","title":{"rendered":"Novos caminhos &#8211; entrevista com a ind\u00edgena Keyla Thyxaya"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-7283\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Altos_papos_376_527859_338750052869866_1040854276_n-194x300.jpg\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Altos_papos_376_527859_338750052869866_1040854276_n-194x300.jpg 194w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Altos_papos_376_527859_338750052869866_1040854276_n.jpg 622w\" sizes=\"auto, (max-width: 194px) 100vw, 194px\" \/><\/strong>Keyla Thyxaya&nbsp;(sobrenome ind\u00edgena que vem da palavra txah\u00e1, que significa flor) tem 27 anos, \u00e9 uma ind\u00edgena da etnia Patax\u00f3 e faz doutorado em direito na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Com uma trajet\u00f3ria diferente da maioria dos jovens ind\u00edgenas, saiu de casa para cursar a faculdade de direito, tornou-se protestante e hoje trabalha com temas jur\u00eddicos relacionados ao seu povo.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea conheceu a Jesus?<br \/>\n<\/strong>Comecei a ter uma experi\u00eancia com Cristo aos 13 anos quando tive contato com a B\u00edblia por meio de irm\u00e3s de caridade da Igreja Cat\u00f3lica. Por\u00e9m, a minha decis\u00e3o de seguir a Jesus aconteceu quando eu tinha cerca de 19 ou 20 anos. Mudei-me para Belo Horizonte para iniciar meus estudos no curso de direito e, por ter ido morar com uma prima crist\u00e3, que frequentava uma igreja batista, comecei a acompanh\u00e1-la. Depois de um ano, participei de uma confer\u00eancia e tive uma experi\u00eancia verdadeira com Deus e a revela\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 Cristo. Lembro-me muito bem de que, desde aquele dia, eu afirmo que nada do que me disserem poder\u00e1 tirar a certeza da vinda, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Ap\u00f3s essa experi\u00eancia retornei para minha cidade natal, Carm\u00e9sia, MG, para ser batizada na rec\u00e9m-fundada Igreja Ind\u00edgena Patax\u00f3.<\/p>\n<p><strong>Quais dificuldades enfrentam os ind\u00edgenas crist\u00e3os?<br \/>\n<\/strong>Os ind\u00edgenas crist\u00e3os, especialmente os universit\u00e1rios, enfrentam dificuldades para lidar com sua f\u00e9, sua cultura e os conhecimentos acad\u00eamicos. Por outro lado, em alguns momentos parece que n\u00e3o somos \u201caceitos\u201d em nenhum dos lados: para alguns crist\u00e3os, n\u00e3o somos considerados crist\u00e3os por mantermos a nossa cultura e, para alguns ind\u00edgenas, estamos negando nossa identidade quando praticamos uma religi\u00e3o diferente da religi\u00e3o ind\u00edgena. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o complexa.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 alguma barreira para o cristianismo nas tribos?<br \/>\n<\/strong>As dificuldades de se evangelizar sempre existir\u00e3o e ser\u00e3o diferentes a depender do povo. Em alguns povos o medo de se perder a cultura \u00e9 muito grande, em outros a influ\u00eancia da religiosidade dificulta o conhecimento do evangelho, e em alguns casos a barreira poder\u00e1 vir de fora do povo ind\u00edgena.<\/p>\n<p><strong>O que a levou a cursar direito?<br \/>\n<\/strong>Ao presenciar as diversas reivindica\u00e7\u00f5es por direito do meu povo, percebi como era necess\u00e1rio ter pessoas entre n\u00f3s com conhecimento jur\u00eddico. Vi muitas vezes o povo ind\u00edgena ser enganado com falsas promessas devido \u00e0 pouca ou \u00e0 total aus\u00eancia do conhecimento de leitura e escrita de algumas lideran\u00e7as. Esse tipo de acontecimento fortaleceu o meu interesse pelo direito.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-7285\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Altos_papos_376_colagem.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Altos_papos_376_colagem.jpg 350w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Altos_papos_376_colagem-222x300.jpg 222w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Na sua comunidade, \u00e9 comum que os jovens saiam da aldeia para estudar?<br \/>\n<\/strong>Faz pouco tempo que os jovens come\u00e7aram a sair, e eu fui uma das primeiras a sair pra estudar. Posso dizer que a cada dia h\u00e1 mais jovens interessados em iniciar e concluir um curso superior.<\/p>\n<p><strong>Depois da forma\u00e7\u00e3o, os jovens retornam \u00e0 aldeia ou seguem a vida fora dela?<br \/>\n<\/strong>De modo geral os ind\u00edgenas se formam e voltam para a sua comunidade, mas a ideia da nossa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 para que tenhamos estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e que ocupemos cargos fora da aldeia, mantendo a liga\u00e7\u00e3o com ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Para voc\u00ea, quais s\u00e3o as causas jur\u00eddicas mais urgentes para os ind\u00edgenas no Brasil?<br \/>\n<\/strong>A demarca\u00e7\u00e3o de terras sempre ser\u00e1 uma causa urgente. Para que tenhamos acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e ao b\u00e1sico para o desenvolvimento, \u00e9 preciso haver demarca\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de supervaloriza\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 terra em detrimento de outros direitos, mas de uma realidade jur\u00eddica que ajudar\u00e1 na efetiva\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p><strong>Como a popula\u00e7\u00e3o brasileira pode contribuir para causas como essa?<br \/>\n<\/strong>Reconhecer a realidade ind\u00edgena no Brasil e a diversidade cultural como um ganho, e n\u00e3o como perda. Saber que os ind\u00edgenas s\u00e3o diferentes, n\u00e3o inferiores ou primitivos, e que querem ser respeitados em suas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p><em>Publicado originalmente da se\u00e7\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/artigos\/376\/novos-caminhos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Altos Papos<\/a>&nbsp;da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 376<\/a>&nbsp;da Revista Ultimato.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Keyla Thyxaya&nbsp;(sobrenome ind\u00edgena que vem da palavra txah\u00e1, que significa flor) tem 27 anos, \u00e9 uma ind\u00edgena da etnia Patax\u00f3 e faz doutorado em direito na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). 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