{"id":6894,"date":"2018-07-10T11:30:30","date_gmt":"2018-07-10T14:30:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=6894"},"modified":"2018-07-11T12:34:42","modified_gmt":"2018-07-11T15:34:42","slug":"nao-me-arrependo-nem-por-um-segundo-de-andar-com-deus-e-viver-para-a-sua-gloria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2018\/07\/10\/nao-me-arrependo-nem-por-um-segundo-de-andar-com-deus-e-viver-para-a-sua-gloria\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o me arrependo nem por um segundo de andar com Deus e viver para a sua gl\u00f3ria\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Jean Francesco<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-6895 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean1-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean1.jpg 504w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Eu nasci numa fam\u00edlia que muitos brasileiros poderiam chamar de \u201cnormal\u201d, o que n\u00e3o esconde o fato de ser uma realidade triste. Minha m\u00e3e me teve aos trinta anos de idade e, meu pai biol\u00f3gico, at\u00e9 hoje n\u00e3o sei quem \u00e9. Aqui no Brasil existem mais de 22 milh\u00f5es de m\u00e3es solteiras. S\u00e3o fam\u00edlias constitu\u00eddas de m\u00e3e e filhos, pois muitos homens simplesmente abandonam suas parceiras ap\u00f3s a not\u00edcia da gravidez. Eu fui s\u00f3 mais um nas estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Entretanto, minha m\u00e3e me criou com muito zelo, disciplina e dedica\u00e7\u00e3o. Sozinha, trabalhava em dois e, \u00e0s vezes, tr\u00eas empregos para dar conta das necessidades do lar. Por causa disso, passei boa parte da minha inf\u00e2ncia sozinho trancafiado dentro de casa, sem irm\u00e3os, sem muitos amigos e sem um pai. Apenas ia \u00e0 escola, voltava pra casa e a rotina se repetia semanalmente. Acho que devido \u00e0 grande intensidade do trabalho, minha m\u00e3e era muito estressada, por isso brig\u00e1vamos muito. Eu n\u00e3o era um dos filhos mais legais de se ter, isso me fez apanhar bastante na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>As coisas mudaram quando minha m\u00e3e se casou. Aos nove anos de idade conheci meu novo pai, e esse realmente era um pai de verdade, pois n\u00e3o apenas ajudou a me criar, ele me amava e passava pelo menos os fins de semana ao meu lado. Quantos domingos \u00e0 tarde no parque brincando no carrinho de bate-bate, comendo doces e empinando pipas. Agora, pelo menos, eu tinha algu\u00e9m para me defender das cacetadas que minha m\u00e3e constantemente me dava, embora, pensando bem, eu n\u00e3o tire as raz\u00f5es dela para isso.<\/p>\n<p>Por outro lado, meu pai tamb\u00e9m era um homem dif\u00edcil. Infelizmente, mais uma vez, \u00e9ramos uma fam\u00edlia brasileira \u201cnormal\u201d, pois meu pai tinha problemas ser\u00edssimos com alcoolismo. Era, sem d\u00favidas, um homem muito trabalhador que acordava \u00e0s 5h da manh\u00e3 e chegava em casa ap\u00f3s \u00e0s 23h, mas lembro que, na maioria das vezes, chegava embriagado, \u201ctrocando as pernas\u201d.<\/p>\n<p><!--more-->Assim, o mau relacionamento com a minha m\u00e3e, as brigas, o v\u00edcio intenso do meu pai e o meu pr\u00f3prio g\u00eanio complicado fizeram com que eu me tornasse um menino rebelde. A desobedi\u00eancia, os palavr\u00f5es, a viol\u00eancia na escola, com os amigos e dentro de casa, me tornavam um rapaz perigoso \u2013 al\u00e9m do fato de j\u00e1 estar com 1,85m de altura apenas com doze anos de idade.<\/p>\n<p>Durante essa rebeli\u00e3o e loucura da adolesc\u00eancia, encontrei alguns escapes que me ajudaram a entender a mim mesmo e a descarregar toda aquela ira. A primeira coisa foi a guitarra, a segunda foi o&nbsp;<em>heavy-metal,<\/em>&nbsp;a terceira foi o basquete. Muitos shows, muitas bandas, muitos amigos, muito barulho, muitas competi\u00e7\u00f5es e muito suor derramado em quadra.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus nunca me senti atra\u00eddo pelas drogas. Nunca gostei de beber, nem de ficar chapado \u2013 diferente da maioria das pessoas com quem eu andava. A \u00fanica coisa que experimentei por algum tempo foi o cigarro, escondido da minha m\u00e3e, mas nada que me deixasse t\u00e3o feliz assim.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca, por incr\u00edvel que possa parecer, que fiz minha Primeira Comunh\u00e3o, obviamente a contragosto. At\u00e9 aquele momento, assuntos religiosos nunca haviam me impressionado ou emocionado, mesmo assim decidi, como bom filho, obedecer minha m\u00e3e e participar da Eucaristia, mesmo que apenas uma \u00fanica vez.<\/p>\n<p>O t\u00e9rmino de minha breve rela\u00e7\u00e3o religiosa se deu no dia anterior \u00e0 Primeira Comunh\u00e3o, durante a confiss\u00e3o. O padre me perguntou quais eram os meus pecados e eu, honestamente, listei-os um a um. Ao final, de um jeito n\u00e3o muito simp\u00e1tico, ele disse as seguintes palavras: Treze \u2018Ave Marias\u2019 e dezessete \u2018Pai Nossos\u2019. Ajoelhei-me diante do altar e quando estava na d\u00e9cima Ave Maria fingi que havia terminado e demonstrei um sorriso no rosto. Depois daquele dia, havia me declarado oficialmente ateu, porque raciocinei que aquele tipo de experi\u00eancia religiosa mec\u00e2nica n\u00e3o fazia sentido para mim.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-6897\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/selo_encontroscomjesus_OK-e1530886138958.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"137\">As coisas pioraram bastante quando minha m\u00e3e virou crente. Era como se meu maior pesadelo tivesse se tornado realidade: o r\u00e1dio ligado no \u00faltimo volume todos os dias tocando m\u00fasicas evang\u00e9licas, com pastores gritando mais alto do que os cantores de metal que eu curtia, l\u00ednguas estranhas, peti\u00e7\u00e3o de dinheiro o tempo todo. Eu pirei. As brigas entre minha m\u00e3e e eu aumentaram consideravelmente. Minha m\u00e3e tentou levar meu pai e eu \u00e0 Igreja, mas sem sucesso.<\/p>\n<p>Com muita loucura na cabe\u00e7a e profunda infelicidade no cora\u00e7\u00e3o, passei a confrontar minha m\u00e3e mais diretamente e, em algumas vezes, usei de viol\u00eancia para com ela. Devido \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o dos embates, ficava chorando trancafiado dentro do meu quarto. Foi ent\u00e3o que comecei a pensar no suic\u00eddio como uma boa escolha. Sonhava com a minha morte quase que diariamente, mas n\u00e3o tive coragem de acabar com a minha vida.<\/p>\n<p>Para piorar as coisas, meu pai saiu de casa com a suspeita de ter cometido um crime hediondo. Sem entender direito as coisas, fui vivendo a vida normalmente. A saudade come\u00e7ou a apertar e o mais triste foi perceber os dias passando, meu anivers\u00e1rio chegar e n\u00e3o receber nenhuma liga\u00e7\u00e3o de \u201cfeliz anivers\u00e1rio\u201d dele. Foi ent\u00e3o que ficamos sabendo de algo tr\u00e1gico: meu pai havia morrido. Diante do tribunal foi considerado culpado e morreu de infarto ap\u00f3s o juiz bater o martelo. Imagina como o menino que tinha acabado de completar 14 anos ficou? Eu n\u00e3o sabia fazer outra coisa sen\u00e3o chorar.<\/p>\n<p>No entanto, em meio ao caos, comecei a perceber que Deus era real. Lembro-me de ter chegado de um show durante a madrugada, deitado na cama, mas sem conseguir dormir. Levantei, assaltei a geladeira e comi um \u201cDanoninho\u201d enquanto admirava as estrelas pela janela. Ao voltar para o meu quarto, ouvi um barulho estranho: \u201cSziff, Sziff\u201d (acho que era assim). Logo pensei \u201ctem ratos aqui em casa\u201d. Voltei para a cozinha, peguei uma vassoura e fui atr\u00e1s dele. Para minha surpresa, o barulho vinha do quarto da minha m\u00e3e. Abri a porta bem devagar, esperando pegar o rato, mas o que vi foi uma mulher de joelhos chorando, balbuciando a seguinte frase: \u201cJesus, Jesus, salva meu filho\u201d.<\/p>\n<p>Voltei imediatamente para a cama, coloquei a cabe\u00e7a no travesseiro e, pela primeira vez falei com Deus: \u201cse \u00e9 verdade que Voc\u00ea existe, amanh\u00e3 no mesmo hor\u00e1rio irei ver se minha m\u00e3e continua orando pela minha salva\u00e7\u00e3o\u201d. Dias depois, e sem me recordar da breve ora\u00e7\u00e3o que havia feito, a ins\u00f4nia voltou. Levantei mais uma vez, fui at\u00e9 a geladeira e saquei mais um Danoninho. Ao retornar, o mesmo barulho estranho ressoava mais uma vez. O resto voc\u00ea j\u00e1 sabe\u2026 era novamente minha m\u00e3e ajoelhada na madrugada pedindo a Jesus repetidamente para que salvasse a minha vida. Dormi com este barulho na mente. Chorei amargamente. De um lado, quebrantado pelo amor da minha m\u00e3e, de outro, por me questionar se Deus realmente existia.<\/p>\n<p>Uma semana depois, ainda angustiado e triste pela morte do meu pai, recebi um convite de um amigo que, \u00e0quela altura, tinha se tornado um dos meus melhores amigos e fonte de \u00e2nimo para a minha vida. Ele disse: \u201cdomingo de manh\u00e3 tem culto na minha igreja, voc\u00ea n\u00e3o quer ir comigo?\u201d. Eu pensei, pensei, n\u00e3o sabia o que responder. Ele continuou: \u201cTem um jovem l\u00e1 que toca guitarra como voc\u00ea; fica tranquilo que meu av\u00f4 passa na sua casa e leva a gente at\u00e9 l\u00e1\u201d. Sem pensar duas vezes, aceitei o convite.<\/p>\n<p>Aos 14 anos de idade, pela primeira vez pisei numa igreja evang\u00e9lica, a Igreja Presbiteriana da Penha, na cidade de S\u00e3o Paulo. Sentei nos fundos, prestei aten\u00e7\u00e3o em tudo: nas m\u00fasicas, na prega\u00e7\u00e3o, na aula da Escola B\u00edblica. Foi uma experi\u00eancia bem diferente se comparada aos shows do Deep Purple, Iron Maiden, Korn e System of a Down, mas, sem d\u00favidas, aquilo alimentou a minha alma de alguma forma.<\/p>\n<p>Continuei indo aos cultos, ouvindo os louvores, prestando muita aten\u00e7\u00e3o nas prega\u00e7\u00f5es \u2013 e \u00e0s vezes eu n\u00e3o entendia absolutamente nada \u2013, e certo dia meu cora\u00e7\u00e3o foi \u201cpego pela jugular\u201d. N\u00e3o lembro direito quem ou quando, nem a data, mas uma voz passou a ecoar na minha mente incansavelmente: \u201centregue-se a mim\u201d. Mas eu ainda estava muito confuso para tomar qualquer decis\u00e3o.<\/p>\n<p>As coisas mudaram num domingo, ap\u00f3s um dos cultos. Cheguei at\u00e9 a nossa casa e fui esquentar algo para comer. Durante o per\u00edodo de esquentar as panelas, ligar o micro-ondas e fritar um ovo, duas vozes falavam comigo claramente. A primeira dizia: \u201cJean, voc\u00ea \u00e9 um rapaz jovem, \u00e9 livre e tem a vida inteira pela frente. Que tal curtir a sua vida, as mulheres e a m\u00fasica e deixar Deus de lado por um instante? Depois, aos quarenta anos, voc\u00ea volta \u00e0 Igreja e vive uma vida certinha\u201d. A segunda voz, por outro lado, falava mais forte: \u201cFilho, eu te fiz para mim mesmo. Voc\u00ea nunca encontrar\u00e1 paz em lugar nenhum a n\u00e3o ser comigo. Deixe tudo para tr\u00e1s e comece uma nova vida agora. Eu irei te mostrar o que \u00e9 viver de verdade\u201d. N\u00e3o sei se foram exatamente estas palavras, mas com certeza elas traduzem a ideia: \u201centregue-se a mim e eu te ensino como viver\u201d.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o tomou conta de mim por algumas horas, at\u00e9 que deitei no sof\u00e1 e peguei no sono. Em sonho, passei a perceber que as duas vozes que falavam comigo representavam as vozes da minha consci\u00eancia. De repente, acordei e com o cora\u00e7\u00e3o queimando por dentro, ajoelhei-me ao p\u00e9 do sof\u00e1, entreguei minha vida a Jesus e tornei-me crist\u00e3o. Essa foi minha segunda ora\u00e7\u00e3o na vida: \u201cSenhor Jesus, a ti entrego a minha vida, cancela o meu passado, refaz a minha vida e me leve para onde o Senhor quiser\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-6896 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean2-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean2-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean2-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_10_07_18_-testemunhoJean2.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Aquilo foi s\u00f3 o in\u00edcio da minha entrada na f\u00e9 crist\u00e3. Tempos depois comecei a tocar guitarra na igreja, fui batizado e estive muito envolvido com o trabalho dos jovens. Aos 17 anos senti o chamado de Deus para ser pastor \u2013 tamb\u00e9m uma longa hist\u00f3ria. Estudei, fui ordenado, e hoje, enquanto escrevo esse relato, trabalho como um dos pastores da mesma igreja que me apresentou Jesus.<\/p>\n<p>Um pouco mais velho e com uma f\u00e9 mais madura, posso dizer que n\u00e3o me arrependo nem por um segundo de andar com Deus e viver para a sua gl\u00f3ria. Como disse um crist\u00e3o do passado, Matthew Henry, no seu leito de morte: \u201cuma vida investida em comunh\u00e3o com Deus \u00e9 a vida mais prazerosa do mundo inteiro\u201d. Essa \u00e9 minha hist\u00f3ria, e desse Caminho n\u00e3o quero sair nunca mais.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>&nbsp;Jean Francesco<\/strong>&nbsp;\u00e9 pastor da Igreja Presbiteriana da Penha (SP). \u00c9 autor do livro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/significado-do-namoro-Jean-Francesco-ebook\/dp\/B079QDMY5C\"><em>O Significado do Namoro<\/em><\/a>.&nbsp;Acompanhe&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCfm-LIpYnEGQOdsSskxbnFw\">seu canal no Youtube<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jean Francesco Eu nasci numa fam\u00edlia que muitos brasileiros poderiam chamar de \u201cnormal\u201d, o que n\u00e3o esconde o fato de ser uma realidade triste. Minha m\u00e3e me teve aos trinta anos de idade e, meu pai biol\u00f3gico, at\u00e9 hoje n\u00e3o sei quem \u00e9. Aqui no Brasil existem mais de 22 milh\u00f5es de m\u00e3es solteiras. 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