{"id":6690,"date":"2018-03-28T12:31:42","date_gmt":"2018-03-28T15:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=6690"},"modified":"2018-03-28T12:31:42","modified_gmt":"2018-03-28T15:31:42","slug":"o-problema-do-mal-explicacao-a-gente-tem-so-nao-temos-a-resposta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2018\/03\/28\/o-problema-do-mal-explicacao-a-gente-tem-so-nao-temos-a-resposta\/","title":{"rendered":"O problema do mal: explica\u00e7\u00e3o a gente tem, s\u00f3 n\u00e3o temos a resposta"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-6691\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_28_03_18_mal-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_28_03_18_mal-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_28_03_18_mal-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_28_03_18_mal-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_28_03_18_mal-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_28_03_18_mal-1140x760.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior<\/em><\/p>\n<p>Um dos problemas mais antigos da filosofia e da teologia \u00e9 conhecido como o problema do mal, ou como o problema do sofrimento. Sua proposta \u00e9 questionar e, por ventura, encontrar uma resposta para aquela cl\u00e1ssica d\u00favida: se Deus realmente existe e \u00e9 t\u00e3o bom quanto dizem, por que o mal existe?<\/p>\n<p>Bom, inicialmente eu gostaria de te dar um baita de um<em> spoiler<\/em> e dizer que n\u00e3o existe resposta exaustiva para esse problema, caso tivesse, ele n\u00e3o seria mais um problema.<\/p>\n<p>Mas por que o mal \u00e9 um problema? Ele s\u00f3 \u00e9 um problema porque nos afeta pessoalmente. Se afetasse apenas coisas que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o conosco, n\u00f3s nem ligar\u00edamos. \u00c9 engra\u00e7ado que uma das maiores afli\u00e7\u00f5es dos seres humanos, na realidade, n\u00e3o existe. Foi essa a conclus\u00e3o de Santo Agostinho ao refletir a respeito da defini\u00e7\u00e3o de mal.<\/p>\n<p>O mal \u00e9 como um parasita que depende de um hospedeiro para sobreviver. Da mesma forma, o mal s\u00f3 existe enquanto est\u00e1 agarrado ao bem e o corrompe. Deixe-me usar um exemplo: o dinheiro em si mesmo n\u00e3o \u00e9 ruim, mas utiliz\u00e1-lo de forma desenfreada \u00e9 um mal; o sexo n\u00e3o \u00e9 algo ruim, mas utiliz\u00e1-lo como um fim \u00e9 um mal. O mal \u00e9, por assim dizer, a inten\u00e7\u00e3o de um ato e n\u00e3o o ato em si. Ficou um pouco complicado, n\u00e9? Vou tentar usar um exemplo melhor.<\/p>\n<p>Lembra-se das rel\u00edquias da morte de Harry Potter? A varinha das varinhas, a capa da invisibilidade e a pedra da ressurrei\u00e7\u00e3o? Essas rel\u00edquias em si n\u00e3o eram m\u00e1s, pois era perfeitamente poss\u00edvel que algu\u00e9m as usasse de forma a beneficiar a todos em sua volta e n\u00e3o somente uma pessoa, contudo, o desejo corrupto do cora\u00e7\u00e3o humano fez com que aqueles que utilizaram essas rel\u00edquias se corrompessem. A varinha das varinhas, que elevava quem a possu\u00eda ao maior bruxo de todos, n\u00e3o era um objeto ruim, mas a corrup\u00e7\u00e3o humana fez com que aqueles que usassem essa varinha fizessem isso de forma ego\u00edsta. Entende o que quero dizer? O mal nunca \u00e9 uma coisa, mas o desejo de corrup\u00e7\u00e3o. Esse desejo, segundo Agostinho, Tom\u00e1s de Aquino, Calvino, Anselmo e tantos outros santos da hist\u00f3ria da Igreja, surge do t\u00e3o temido \u2013 e por vezes mal compreendido \u2013 livre arb\u00edtrio.<!--more--><\/p>\n<p>Embora a origem do mal e sua defini\u00e7\u00e3o estejam minimamente explicadas, nos resta a derradeira pergunta: se a liberdade moral \u00e9 a principal culpada pela exist\u00eancia do mal, por que ent\u00e3o Deus permitiu que o homem e os anjos tivessem essa liberdade? E a resposta mais sincera que podemos dar \u00e9: por que ele n\u00e3o daria?<\/p>\n<p>Segundo Santo Tom\u00e1s de Aquino, Deus s\u00f3 permite que o mal exista porque dele \u00e9 poss\u00edvel tirar um bem muito maior. Ou seja, o mal existe porque nos ensina que, no final das contas, tudo est\u00e1 sob o controle de um Deus soberano e que governa o universo com sua divina provid\u00eancia.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode se perguntar: Deus n\u00e3o poderia ter feito diferente? E te respondo que acredito que ele poderia, sim, ter criado um mundo no qual o mal n\u00e3o existiria e tudo seria perfeito, mas por algum motivo que apenas ele sabe, ele n\u00e3o criou nenhum universo poss\u00edvel no qual n\u00e3o exista o mal, mas criou o nosso, onde o mal existe. Por isso, s\u00f3 me resta acreditar que todo esse mal existe porque um dia resultar\u00e1 em um bem muito maior.<\/p>\n<p>Por que Deus permitiu que seus pais se separassem, que seu amigo morresse? Eu n\u00e3o sei&#8230; Por que Deus permitiu que voc\u00ea tivesse alguma doen\u00e7a terr\u00edvel, sem cura? Eu n\u00e3o sei&#8230; Por que Deus permitiu o holocausto? Eu n\u00e3o sei&#8230; O que sei \u00e9 que tudo isso n\u00e3o foi e nem est\u00e1 sendo em v\u00e3o, e que o Deus revelado nas Sagradas Escrituras n\u00e3o falha. A forma como ele dirige a hist\u00f3ria com sua provid\u00eancia n\u00e3o cabe a mim julgar. Mas ele nunca nos proibiu de fazer perguntas e creio que se abrir de forma sincera com Deus \u00e9 o rem\u00e9dio para todas as dores.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo terminar esse texto com palavras bonitas e nem com uma conclus\u00e3o filos\u00f3fica e teol\u00f3gica que far\u00e1 o seu nariz sangrar de t\u00e3o complexa. Quero \u00e9 finalizar esse texto da forma como todas as nossas d\u00favidas deveriam come\u00e7ar e terminar: diante de Deus.<\/p>\n<p>O Salmo 88, a meu ver, \u00e9 o melhor exemplo disso, pois \u00e9 o \u00fanico Salmo que come\u00e7a diante de Deus, o louvando, e termina de uma forma que hoje poder\u00edamos caracterizar como depressiva. Esse \u00e9 o \u00fanico salmo que n\u00e3o termina apresentando uma esperan\u00e7a, mas o salmista apresenta a esperan\u00e7a no come\u00e7o e em nenhum momento a abandona.<\/p>\n<p>O problema do mal ser\u00e1 um problema at\u00e9 o dia da volta do Nosso Senhor Jesus Cristo. At\u00e9 esse dia, vivamos em amor, com esperan\u00e7a e sustentados pela f\u00e9 na gra\u00e7a abundante de Deus, em nome de Jesus, am\u00e9m.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Salmo 88<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: left;\">\u00d3 Senhor, Deus de minha salva\u00e7\u00e3o, clamo a ti de dia, venho a ti de noite.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Agora, ouve minha ora\u00e7\u00e3o; escuta meu clamor.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Pois minha vida est\u00e1 cheia de problemas, e a morte se aproxima.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Fui considerado morto, algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o tem for\u00e7as.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Deixaram-me entre os mortos, estendido como um cad\u00e1ver no t\u00famulo. Ca\u00ed no esquecimento e estou separado do teu cuidado.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Tu me lan\u00e7aste na cova mais funda, nas profundezas mais escuras.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Tua ira pesa sobre mim; uma ap\u00f3s a outra, tuas ondas me encobrem. Interl\u00fadio<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Afastaste de mim os meus amigos e para eles me tornaste repulsivo; estou preso numa armadilha, e n\u00e3o h\u00e1 como escapar.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">As l\u00e1grimas de afli\u00e7\u00e3o me cegaram os olhos; todos os dias, clamo por ti, Senhor, e a ti levanto as m\u00e3os.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Ser\u00e1 que tuas maravilhas t\u00eam algum uso para os mortos? Acaso os mortos se levantam e te louvam? Interl\u00fadio<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Podem os que est\u00e3o no t\u00famulo anunciar teu amor? Podem proclamar tua fidelidade no lugar de destrui\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Acaso as trevas falam de tuas maravilhas? Pode algu\u00e9m na terra do esquecimento contar de tua justi\u00e7a?<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">A ti, Senhor, eu clamo; dia ap\u00f3s dia, continuarei a suplicar.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">\u00d3 Senhor, por que me rejeitas? Por que escondes de mim o rosto?<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Desde a juventude estive doente e \u00e0 beira da morte; teus terrores me deixaram indefeso e desesperado.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Sim, tua ira intensa me esmagou, teus terrores acabaram comigo.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">O dia todo, agitam-se ao meu redor como uma inunda\u00e7\u00e3o e me encobrem por completo.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Tiraste de mim meus companheiros e pessoas queridas; a escurid\u00e3o \u00e9 a minha amiga mais chegada.<\/li>\n<\/ol>\n<\/blockquote>\n<ul>\n<li><strong> Maur\u00edcio Avoletta Junior, 23 anos<\/strong>. Congrega na Igreja Batista Fonte de Sicar (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta pr\u00f3pria); apaixonado por livros, cinema e m\u00fasica; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro \u201cseja o que Deus quiser\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior Um dos problemas mais antigos da filosofia e da teologia \u00e9 conhecido como o problema do mal, ou como o problema do sofrimento. 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