{"id":6657,"date":"2018-03-08T12:09:01","date_gmt":"2018-03-08T15:09:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=6657"},"modified":"2018-03-12T16:36:39","modified_gmt":"2018-03-12T19:36:39","slug":"medo-de-amar-na-vida-e-em-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2018\/03\/08\/medo-de-amar-na-vida-e-em-musica\/","title":{"rendered":"Medo de amar (na vida e na m\u00fasica)"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Amanda Almeida<\/em><\/p>\n<p>Posso come\u00e7ar dizendo o quanto amo quando temas s\u00e3o t\u00e3o bem trabalhados nas artes que n\u00e3o me deixam outra escapat\u00f3ria a n\u00e3o ser pensar sobre eles na minha realidade. Posso tamb\u00e9m dizer que gosto muito da Ti\u00ea, e que al\u00e9m dos seus bons cds, ela acerta ainda mais em cada cover que faz. E que a vers\u00e3o dela de\u00a0<em>Medo de Amar n\u00b0 3<\/em>\u00a0\u00e9 uma del\u00edcia, especialmente assistindo ao v\u00eddeo dela gravidinha cantando no est\u00fadio. Mas isso seria s\u00f3 para enrolar o in\u00edcio da divaga\u00e7\u00e3o impulsionada por essa m\u00fasica:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VzphRdPxgcI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u00c9 que no nosso modo crist\u00e3o contempor\u00e2neo de lidar com relacionamentos, com o mundo da conquista e com o amor rom\u00e2ntico, \u00e9 f\u00e1cil, f\u00e1cil condenar quem d\u00e1 a cara \u00e0 tapa e se prop\u00f5e a dar uma, duas, tr\u00eas, infinitas chances para que algo aconte\u00e7a. Uma atr\u00e1s da outra, com pessoas diferentes. Uma hora o tiro acerta algu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9? Mas n\u00e3o d\u00e1 para contar com balas perdidas, condenamos. \u201c<em>N\u00e3o\u00a0despertais\u00a0o amor at\u00e9 que ele venha<\/em>\u201c, justificamos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o seria o extremo oposto igualmente conden\u00e1vel?<\/p>\n<p>Expressar verdades um tanto cru\u00e9is com sutileza deve ser uma virtude. E P\u00e9ricles Cavalcanti, o compositor, faz isso bem demais em<em>\u00a0Medo de Amar n\u00b0 3<\/em>. O refr\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples que qualquer peso fica por nossa conta: \u201c<em>Voc\u00ea n\u00e3o tem medo de mim. Voc\u00ea n\u00e3o tem medo de mim. Voc\u00ea tem medo \u00e9 do amor que voc\u00ea guarda para mim<\/em>\u201c.<!--more--><\/p>\n<p>E quando escolhemos nos manter longe da possibilidade do amor? \u00c9 uma decis\u00e3o at\u00e9 bastante acertada quando se sabe que \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma reforma e uma faxina interna, para que a\u00ed seja poss\u00edvel se relacionar com outra pessoa de uma forma saud\u00e1vel. \u00c0s vezes sabemos que simplesmente ainda n\u00e3o estamos prontos.<\/p>\n<p>Mas outras vezes usamos isso como desculpa. O perigo \u00e9 que ela parece muito cristianicamente correta. Se alinha demais com o ideal de santidade que constru\u00edmos. E essa desculpa de n\u00e3o se envolver seria perfeita se n\u00e3o estivesse, entre outras coisas, baseada no medo.<\/p>\n<p>Vivo com medo de me machucar. De fazer aqueles machucados na alma, que custam a sarar. A\u00ed construo muros e coloco cercas de prote\u00e7\u00e3o ao redor do cora\u00e7\u00e3o. \u201cQue modo melhor de proteg\u00ea-lo?\u201d, pensava eu. Mas um belo dia percebi, com ajuda do meu grande amigo Lewis, que ao me fechar para n\u00e3o ficar \u00e0 merc\u00ea das dores dos amores, eu mesma me machucava. Ia deixando meu cora\u00e7\u00e3o\u00a0<em>indestrut\u00edvel, impenetr\u00e1vel,\u00a0irredim\u00edvel<\/em>.<\/p>\n<p>Desde que li\u00a0<em>Os Quatro Amores<\/em>, tento manter em mente a no\u00e7\u00e3o de que amar \u00e9 sempre ser vulner\u00e1vel. E n\u00e3o s\u00f3 no aspecto rom\u00e2ntico da coisa. \u201c<em>Ame qualquer coisa e certamente seu cora\u00e7\u00e3o vai doer e talvez se partir.\u00a0(\u2026) O \u00fanico lugar al\u00e9m do c\u00e9u onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturba\u00e7\u00f5es do amor \u00e9 o inferno<\/em>\u201c.<\/p>\n<p>\u00c9 bem mais f\u00e1cil \u2013 e at\u00e9 c\u00f4modo \u2013 justificar a postura de n\u00e3o se abrir \u00e0 possibilidade do amor com \u201c<em>guardai vosso cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u201c. Talvez a gente at\u00e9 consiga fazer esse papo colar com quem est\u00e1 \u00e0 nossa volta, mas se o motivo de manter tudo e todos bem longe \u00e9 o medo, ah, Deus sabe. E uma hora nos tornamos conscientes de qu\u00e3o destrutivo isso \u00e9.<\/p>\n<p>\u201c<em>Voc\u00ea diz que eu te assusto, voc\u00ea diz que eu te desvio. Tamb\u00e9m diz que eu sou um bruto, e me chama de vadio<\/em>\u201c, canta Ti\u00ea. Se isso tudo for verdade, corra, que \u00e9 cilada, Bino. Se n\u00e3o for, \u00e9 s\u00f3 mais um monte de desculpas para a lista de motivos que criamos para n\u00e3o nos envolvermos, cada vez mais bem elaborada, e que seria louv\u00e1vel se na verdade n\u00e3o escondesse nossos receios e inseguran\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201c<em>Voc\u00ea diz que eu te envergonho, tamb\u00e9m diz que eu sou cruel. Que no teatro do teu sonho, para mim n\u00e3o tem papel<\/em>\u201c. Saber o que n\u00e3o se quer talvez seja t\u00e3o importante quanto saber o que queremos. Faz parte do processo de autoconhecimento. Mas saber o que se precisa \u00e9 extremamente mais dif\u00edcil. E talvez o que precisamos vai justamente no caminho oposto daquilo que queremos, do que idealizamos. \u00c9 totalmente justific\u00e1vel n\u00e3o corresponder \u00e0s investidas de algu\u00e9m, mas em que medida isso n\u00e3o indica estar t\u00e3o cheio de si, das nossas pr\u00f3prias verdades, que n\u00e3o nos abrimos ao que pode nos surpreender, sair do nosso controle?<\/p>\n<p>Ti\u00ea\u00a0completa o refr\u00e3o cantando \u201c<em>Voc\u00ea tem medo \u00e9 de voc\u00ea, voc\u00ea tem medo \u00e9 de querer<\/em>\u201c. Ai, ai.<\/p>\n<p>J\u00e1 percebeu o qu\u00e3o mais simples \u00e9 expor o que n\u00e3o gostamos do que elogiar e nos posicionar a favor do que apreciamos? Apontar os erros e defeitos funciona na base da exclus\u00e3o, do negativo, do que se pode descartar. Defender algo \u00e9 reafirmar, aprovar, tomar para si. Apreciar \u00e9 se comprometer com aquilo. E se j\u00e1 fizemos o maior compromisso que se pode fazer, da nova vida em Cristo, medo de se comprometer, quando \u00e9 algo agrad\u00e1vel \u00e0 vontade dEle, n\u00e3o faz mais sentido.<\/p>\n<p>Deus nos amou primeiro, e por isso agora podemos desfrutar do amor \u2013 seja ele na forma de afei\u00e7\u00e3o, amizade, caridade ou eros. Nosso relacionamento com o Senhor deve ditar todos os outros, e em Deus vamos nos amadurecendo em amor. \u201c<em>No amor n\u00e3o h\u00e1 medo, pelo contr\u00e1rio, o perfeito amor expulsa o medo<\/em>\u201c.<\/p>\n<p>Assim, essa realidade de \u201c<em>Voc\u00ea tem medo \u00e9 do amor que voc\u00ea guarda para mim. Voc\u00ea tem medo \u00e9 de querer me amar<\/em>\u201d n\u00e3o tem que ser tamb\u00e9m conden\u00e1vel? Entre o extremo de andar por a\u00ed se machucando pelo desespero de amar e ser amado, e o oposto, de se fechar, arrumar desculpas infind\u00e1veis e se machucar pelo medo, que no final das contas tamb\u00e9m se traduz em desesperan\u00e7a, n\u00e3o precisamos escolher nenhum dos dois.<\/p>\n<p>Na caminhada crist\u00e3, n\u00e3o vale aquela l\u00f3gica de \u201cdos males, o menor\u201d. Vale \u00e9 a nossa reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, que vai nos forjando e nos preparando para Ele. Mesmo quando lidamos com problemas e nos encontramos em sinucas de bico, porque \u201c<em>tamb\u00e9m nos\u00a0gloriamos\u00a0nas tribula\u00e7\u00f5es; sabendo que a tribula\u00e7\u00e3o produz a paci\u00eancia, e a paci\u00eancia a experi\u00eancia, e a experi\u00eancia a esperan\u00e7a. E a esperan\u00e7a n\u00e3o traz confus\u00e3o, porquanto o amor de Deus est\u00e1 derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado<\/em>\u201c. Ent\u00e3o, que haja esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>E \u00e9 dif\u00edcil. Nossa, como \u00e9 dif\u00edcil. Acho que j\u00e1 melhorei um pouquinho no processo de me abrir e ser vulner\u00e1vel nas minhas rela\u00e7\u00f5es \u2013 qualquer uma delas -, mas ainda h\u00e1 muito pela frente. Quando escuto\u00a0<em>Medo de Amar n\u00b0 3<\/em>, sou lembrada do tanto que me falta. E isso me motiva a prosseguir na busca pela esperan\u00e7a, pela medida certa para o equil\u00edbrio, pelos amores em plenitude. Sem desculpas inventadas. Sem receio e sem medo.<\/p>\n<p>PS: Esse texto foi escrito em 2016. Desde esse passado n\u00e3o t\u00e3o distante, saiu <em>N\u00e3o \u00e9 Mais Segredo<\/em>, de autoria do Paulo Nazareth, que serve direitinho como resposta a <em>Medo de Amar n\u00b0 3<\/em><em>. Vale ouvir tamb\u00e9m:<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ypYl8lILio0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Amanda Almeida,<\/strong>\u00a0<strong>24 anos<\/strong>. \u00c9 formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social e faz mestrado em Estudos de Linguagem (o que deve ser tudo uma desculpa pra gostar de escrever).<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Almeida Posso come\u00e7ar dizendo o quanto amo quando temas s\u00e3o t\u00e3o bem trabalhados nas artes que n\u00e3o me deixam outra escapat\u00f3ria a n\u00e3o ser pensar sobre eles na minha realidade. Posso tamb\u00e9m dizer que gosto muito da Ti\u00ea, e que al\u00e9m dos seus bons cds, ela acerta ainda mais em cada cover que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[29818,5206,16537],"class_list":["post-6657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-amanda-almeida","tag-amor","tag-medo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6657"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6657\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6660,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6657\/revisions\/6660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}