{"id":6505,"date":"2017-12-22T04:00:33","date_gmt":"2017-12-22T07:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=6505"},"modified":"2017-12-21T15:42:29","modified_gmt":"2017-12-21T18:42:29","slug":"o-que-ha-de-bom-em-acreditar-em-papai-noel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2017\/12\/22\/o-que-ha-de-bom-em-acreditar-em-papai-noel\/","title":{"rendered":"O que h\u00e1 de bom em acreditar em Papai Noel?"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-6506\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_22_12_17_papai_noel-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_22_12_17_papai_noel-300x200.jpeg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/Ult_Jovem_22_12_17_papai_noel.jpeg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior<\/em><\/p>\n<p>Sempre ouvi que as est\u00e1tuas de santos eram \u00eddolos mortos, mas sempre as admirei. Algo que poucos entendem \u00e9 que n\u00e3o devemos olhar diretamente para os santos, e sim para o que os santos apontam. A ideia \u00e9 que santos foram espelhos que refletiam a Cristo. N\u00e3o \u00e9 a toa que o olhar das est\u00e1tuas nunca est\u00e1 direcionado a n\u00f3s, mas ao alto. Isso n\u00e3o \u00e9 diferente com S\u00e3o Nicolau, tamb\u00e9m conhecido como Papai Noel, embora como protestantes fa\u00e7amos um verdadeiro escarc\u00e9u em volta da imagem dele.<\/p>\n<p>Recentemente foi lan\u00e7ada no Brasil a tradu\u00e7\u00e3o de um livro do fil\u00f3sofo americano James K. A. Smith, <em>Voc\u00ea \u00e9 Aquilo que Ama<\/em>. Nele o autor defende a necessidade da liturgia, ou seja, da repeti\u00e7\u00e3o como forma de ensinar e aprender. Concordo com praticamente todo o argumento de Smith, mas aqui n\u00e3o falarei sobre o poder do h\u00e1bito \u2013 ou repeti\u00e7\u00e3o \u2013 com o mesmo foco lit\u00fargico, e sim do poder do h\u00e1bito na imagina\u00e7\u00e3o. Quando era pequeno, me fizeram acreditar que o Papai Noel era uma mentira completa, mas no final das contas isso n\u00e3o deu muito certo, para a tristeza de todos que tentaram me fazer desistir da fantasia.<\/p>\n<p>Os principais h\u00e1bitos que levamos para a vida adulta geralmente s\u00e3o aqueles que adquirimos quando crian\u00e7as. Ao falarmos que Papai Noel, Coelinho da P\u00e1scoa e tantas outras personagens fant\u00e1sticas n\u00e3o existem, tiramos a crian\u00e7a do mundo de fantasia no qual ela habita \u2013 que creio ser o verdadeiro mundo real \u2013, e a trazemos para o mundo acinzentado do materialismo \u2013 que, embora seja o mundo em que muitos de n\u00f3s vivamos, penso ser um mundo falso.<\/p>\n<p><strong>Por que devemos habituar as crian\u00e7as a acreditarem em fantasias?<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Como bom aluno do Professor Tolkien, acredito que n\u00e3o devemos crer somente em algo aqu\u00e9m da nossa exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m em algo que esteja enraizado nas profundezas da realidade e do tempo. Quando uma crian\u00e7a cr\u00ea na exist\u00eancia do Papai Noel, ela cr\u00ea, portanto, na exist\u00eancia de algu\u00e9m totalmente bom, de onde n\u00e3o pode vir o mal e que por gra\u00e7a, presenteia os necessitados. De quebra, esse algu\u00e9m \u00e9 esteticamente bastante acolhedor, tem poderes m\u00e1gicos e voa por todas as casas do mundo inteiro em uma \u00fanica noite. O h\u00e1bito de crer na fantasia faz com que a crian\u00e7a, desde muito cedo, compreenda que n\u00e3o existe apenas um mundo material, mas que estamos cercados de um mundo metaf\u00edsico. O h\u00e1bito da fantasia prepara a crian\u00e7a para o h\u00e1bito da comunh\u00e3o e da liturgia.<\/p>\n<p>Os contos de fadas, como j\u00e1 disse Tolkien em <em>\u00c1rvore e Folha<\/em>, precisam estar minimamente com os p\u00e9s na realidade e com a cabe\u00e7a nas nuvens, pois s\u00e3o reflexos de uma verdade. Os elfos, os hobbits e os faunos &#8211; e at\u00e9 mesmo o papai noel &#8211; n\u00e3o existem e sabemos disso. Mas sabemos n\u00e3o porque n\u00e3o cremos no transcendente e no metaf\u00edsico, mas porque sabemos que eles s\u00e3o apenas contos. Contudo, entendemos que embora esses contos n\u00e3o sejam verdadeiros, existe muita verdade neles.<\/p>\n<p>Para uma crian\u00e7a, crer em Jesus e crer no Papai Noel \u00e9 a mesma coisa, pois para ela ambos s\u00e3o verdadeiros. Uma crian\u00e7a n\u00e3o elabora refuta\u00e7\u00f5es nem analisa argumentos a favor ou contra Deus. N\u00e3o est\u00e1 preocupada com as duas naturezas de Cristo, nem com o Cristo que andou sobre as \u00e1guas, que multiplicou os p\u00e3es e peixes, que fez o cego ver e que depois de morrer, ressuscitou. Diferente dos adultos, as crian\u00e7as querem saber da beleza e da verdade, e n\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica em torno delas\u2026<\/p>\n<p>Ao crescer, vamos aos poucos separando a verdade da mentira, o real das imagens do real. Como crist\u00e3os, vamos deixando Papai Noel de lado n\u00e3o por n\u00e3o acreditarmos mais no fant\u00e1stico, mas por termos conhecido o criador de toda fantasia, do belo e do sublime. Cristo redimiu consigo todas as coisas, inclusive nossa imagina\u00e7\u00e3o, por isso uma hora ou outra ela ir\u00e1 retornar para ele, como afirmou Tolkien.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o de um crist\u00e3o n\u00e3o deve se limitar \u00e0 teoria e \u00e0 literalidade, mas deve ser batizada pela fantasia. N\u00f3s dizemos acreditar que tudo aponta para Cristo, mas nos recusamos a admitir que lendas e mitos tamb\u00e9m possam apontar para Ele, pois preferimos neg\u00e1-las como simples mentiras. C.S. Lewis disse certa vez que o evangelho \u00e9 um mito que se tornou fato, ou seja, que saiu do plano dos mitos e veio at\u00e9 o plano da realidade: o Verbo que se fez carne. A figura de Papai Noel n\u00e3o precisa tirar o foco de Cristo, mas pode preparar caminho para ele, pois os mitos s\u00e3o uma verdadeira voz que clama no deserto. Eles n\u00e3o s\u00e3o a verdade, mas apontam para ela.<\/p>\n<p>Assim como deve ser com os santos, n\u00e3o devemos fixar nosso olhar diretamente nos mitos ou nos contos de fadas, mas no que apontam. Se contarmos a hist\u00f3ria com o foco certo, a crian\u00e7a que espera pelo Papai Noel na noite de Natal pode ser o adulto que, esperan\u00e7oso junto com a Igreja de todos os tempos, esperar\u00e1 pela volta de Cristo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso se apressar em dizer a seus filhos que o Papai Noel n\u00e3o existe. Deixem crian\u00e7as serem crian\u00e7as e terem a certeza de que existe algu\u00e9m mais poderoso que elas, que as conhece e que se importa com elas, que as presenteia com aquilo de que mais precisam sem pedir nada em troca. Deixem que acreditem em algu\u00e9m todo poderoso que n\u00e3o cria nem faz o mal. Deixem que acreditem no bom velhinho. Um dia elas ver\u00e3o que esse bom velhinho diz de algu\u00e9m que, na verdade, \u00e9 um grandioso e soberano Rei. Vamos parar de olhar diretamente para o Papai Noel e olhar para quem ele aponta. Vamos olhar pra Cristo.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Maur\u00edcio Avoletta Junior, 22 anos<\/strong>. \u00c9 membro da Igreja Presbiteriana do Tucuruvi (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta pr\u00f3pria); apaixonado por livros, cinema e m\u00fasica; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro \u201cseja o que Deus quiser\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maur\u00edcio Avoletta J\u00fanior Sempre ouvi que as est\u00e1tuas de santos eram \u00eddolos mortos, mas sempre as admirei. Algo que poucos entendem \u00e9 que n\u00e3o devemos olhar diretamente para os santos, e sim para o que os santos apontam. A ideia \u00e9 que santos foram espelhos que refletiam a Cristo. 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