{"id":6069,"date":"2017-06-23T15:32:45","date_gmt":"2017-06-23T18:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=6069"},"modified":"2017-06-23T15:32:45","modified_gmt":"2017-06-23T18:32:45","slug":"uma-ponte-entre-teologia-e-literatura-fantasia-e-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2017\/06\/23\/uma-ponte-entre-teologia-e-literatura-fantasia-e-realidade\/","title":{"rendered":"Uma ponte entre teologia e literatura, fantasia e realidade"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-6070\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/06\/Ult_Jovem_23_06_17_fantasia-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/06\/Ult_Jovem_23_06_17_fantasia-300x169.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/06\/Ult_Jovem_23_06_17_fantasia-732x412.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/06\/Ult_Jovem_23_06_17_fantasia.jpg 748w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por Maur\u00edcio Avoletta Junior<\/em><\/p>\n<p>O diretor de cinema Terrence Malick inicia seu (espetacular) <em>A \u00c1rvore da Vida<\/em> (2011) com a ideia de que existem dois caminhos na vida: o da natureza e o da gra\u00e7a. N\u00f3s devemos decidir em qual deles vamos andar, pois um nos faz viver para n\u00f3s mesmos e o outro nos faz viver para o pr\u00f3ximo. Concordo com Malick, por\u00e9m, acredito tamb\u00e9m que existam dois mundos. Sim, dois mundos!<\/p>\n<p>N\u00e3o, eu n\u00e3o estou louco, acredito que exista um mundo real: esse que conhecemos e que est\u00e1 cercado por uma realidade material e outra espiritual. Mas tamb\u00e9m acredito em um mundo imaginativo que seria um reflexo imperfeito de um mundo perfeito, e por vezes, talvez, um reflexo do nosso pr\u00f3prio mundo. Tolkien chamou de Fa\u00ebrie, Chesterton de Elfol\u00e2ndia, e voc\u00ea pode chamar do que quiser. Esse mundo imaginativo nada mais \u00e9 do que o ponto de encontro entre a realidade e o desejo, ou seja, a fantasia.<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9 a import\u00e2ncia da fantasia? Chesterton, em seu livro Ortodoxia, entende que a fantasia \u00e9 a respons\u00e1vel por impedir que o homem seja destru\u00eddo pela l\u00f3gica, e por fim, se afunde na loucura. Concordo com ele. A fantasia nos permite chegar a lugares imposs\u00edveis ou at\u00e9 mesmo inexistentes. Na verdade, ser\u00e1 que esses lugares s\u00e3o completamente inexistentes mesmo? Bom, acredito que n\u00e3o. Acredito que esses lugares, embora n\u00e3o totalmente reais, s\u00e3o completamente poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que acredito em fadas, gnomos e Papai Noel? Obviamente n\u00e3o. Mas n\u00e3o me surpreenderia se existissem, afinal, como sabiamente afirmou Santo Agostinho, de todos os absurdos, acreditei no maior de todos eles. Isso quer dizer que por acreditarmos no Cristianismo, logicamente estamos suscet\u00edveis a acreditar em toda e qualquer fantasia humana? Sim! E n\u00e3o\u2026 Calma, vou explicar.<!--more--><\/p>\n<p>Ao acreditarmos que o Cristianismo \u00e9 verdadeiro, acreditamos em um Deus atemporal que sustenta toda sua cria\u00e7\u00e3o. Acreditamos tamb\u00e9m que esse Deus, ao criar o ser humano, colocou nele sua pr\u00f3pria Imagem e Semelhan\u00e7a, o que significa que temos aspectos semelhantes aos do nosso criador e que apontam para ele.<\/p>\n<p>Por exemplo: Ele \u00e9 o pr\u00f3prio amor, n\u00f3s amamos; Ele \u00e9 a pr\u00f3pria esperan\u00e7a e n\u00f3s temos esperan\u00e7a; Ele \u00e9 o pr\u00f3prio criador, e n\u00f3s, segundo Tolkien, somos Sub-criadores. Sendo assim, devemos entender que todas as nossas cria\u00e7\u00f5es, assim como Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, Campbell, Girard e muitos outros j\u00e1 disseram antes de mim, s\u00e3o reflexos dos nossos desejos e anseios. Olhando de um ponto de vista mais teol\u00f3gico, nossas cria\u00e7\u00f5es s\u00e3o reflexos de verdades.<\/p>\n<p>Os monstros n\u00e3o existem como nos contos de fadas ou hist\u00f3rias de terror, eles n\u00e3o s\u00e3o verdades, mas o que sentimos quando estes aparecem, isso \u00e9 verdadeiro. Assim como muitos dos personagens de fic\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o existem na vida real, mas apontam para verdades reais, como Aragorn, Frodo e Gandalf, da c\u00e9lebre trilogia de <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em>. Separados, cada um destes tr\u00eas personagens tem sua devida import\u00e2ncia para o desenrolar da hist\u00f3ria, mas juntos apontam para um personagem hist\u00f3rico, Cristo, que, segundo Lewis, foi o mito perfeito que se fez fato e interferiu na realidade, na pr\u00f3pria verdade.<\/p>\n<p>Cada uma das personagens de Tolkien representa um of\u00edcio real do Cristo que libertou a humanidade. Enquanto Aragorn \u00e9 a figura do Rei que guia seus s\u00faditos, Gandalf \u00e9 a figura do profeta que exorta o povo e Frodo o servo fiel que d\u00e1 a sua vida pelos seus amigos. Embora estas tr\u00eas personagens sejam fict\u00edcias, elas representam verdades, fazendo com que esse mundo n\u00e3o seja real, mas poss\u00edvel, pois dialoga com a realidade. A possibilidade destes mundos \u00e9 o que faz com que nos apaixonemos por eles.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que livros como Harry Potter, N\u00e1rnia, O Senhor dos An\u00e9is, A Hist\u00f3ria sem Fim e tantos outros fa\u00e7am tanto sucesso. Essas hist\u00f3rias mexem com os desejos mais \u00edntimos do ser humano. Como diria Tolkien, elas despertam a desejabilidade, e \u00e9 isso que as tornam reais. N\u00e3o uma realidade material, mas uma realidade metaf\u00edsica.<\/p>\n<p>Onde a verdade e a mentira se fundem? No desejo do ser humano. Desejamos conhecer o Totalmente Outro de Karl Barth, o Logos do Evangelho de Jo\u00e3o, o grande Eu Sou de Abra\u00e3o, Isaque e Jac\u00f3, o Deus da salva\u00e7\u00e3o de Davi e o Deus que virou a vida de J\u00f3 de cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n<p>Embora tenhamos as Escrituras Sagradas para nos guiar diante desta empreitada de conhecer o Deus que se revela, ainda temos a Imagem e Semelhan\u00e7a dele impressa em n\u00f3s \u2013 ainda que agora emba\u00e7ada devido \u00e0 nossa cat\u00e1strofe, a Queda \u2013, para nos auxiliar nesta busca. N\u00f3s fomos criados para buscar a esse Deus que \u00e9 ao mesmo tempo\u00a0Totalmente Outro, mas tamb\u00e9m \u00e9 totalmente o mesmo ontem, hoje e sempre. N\u00f3s buscamos constantemente conhecer o Deus desconhecido que se fez conhecer plenamente em Cristo, embora n\u00f3s n\u00e3o consigamos entende-lo de forma plena.<\/p>\n<p>A fantasia \u00e9 nossa v\u00e1lvula de escape. Somos exilados em uma terra desconhecida esperando o dia em que voltaremos para nosso lar. At\u00e9 l\u00e1, falaremos do que conhecemos e do que temos visto. Conhecemos o desconhecido e vimos o que ningu\u00e9m mais viu. Somos ref\u00e9ns do paradoxo m\u00e1ximo da exist\u00eancia, que segundo Chesterton, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristianismo, o mito que se fez fato.<\/p>\n<p>Um dia nossos contos de fadas n\u00e3o far\u00e3o mais sentido, pois n\u00e3o precisaremos mais do reflexo para entender o todo. N\u00e3o veremos mais como por um espelho. Um dia estaremos diante do Criador de todas as fantasias e de toda a realidade. Mas enquanto este dia n\u00e3o chega, continuaremos a contar hist\u00f3rias e subvertendo a realidade com a fantasia.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Maur\u00edcio Avoletta Junior<\/strong>, 22 anos. \u00c9 membro da Igreja Presbiteriana do Tucuruvi (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta pr\u00f3pria); apaixonado por livros, cinema e m\u00fasica; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro &#8220;seja o que Deus quiser&#8221;.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maur\u00edcio Avoletta Junior O diretor de cinema Terrence Malick inicia seu (espetacular) A \u00c1rvore da Vida (2011) com a ideia de que existem dois caminhos na vida: o da natureza e o da gra\u00e7a. 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