{"id":5612,"date":"2017-01-11T20:45:10","date_gmt":"2017-01-11T23:45:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=5612"},"modified":"2017-01-11T21:44:27","modified_gmt":"2017-01-12T00:44:27","slug":"cinema-passageiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2017\/01\/11\/cinema-passageiros\/","title":{"rendered":"Cinema: Passageiros"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5613\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_jovem_11_01_17_passageiros_poster-204x300.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_jovem_11_01_17_passageiros_poster-204x300.jpg 204w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_jovem_11_01_17_passageiros_poster-768x1128.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_jovem_11_01_17_passageiros_poster-697x1024.jpg 697w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_jovem_11_01_17_passageiros_poster-102x150.jpg 102w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_jovem_11_01_17_passageiros_poster.jpg 817w\" sizes=\"auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>Por Amanda Almeida<\/em><\/p>\n<p>Sabe quando tem um tant\u00e3o de sobremesas na ceia de Natal e voc\u00ea sabe que uma delas \u00e9 a melhor, ent\u00e3o deixa essa a\u00ed para o final? Talvez, desavisado, voc\u00ea acabe comendo a melhor primeiro, mas a\u00ed as outras que v\u00eam em seguida n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o boas, e voc\u00ea fica com vontade de repetir a primeira para que a ceia acabe num ponto alto, mas n\u00e3o tem mais jeito, seu primo acabou de pegar o \u00faltimo peda\u00e7o daquela torta maravilhosa, e o \u00faltimo sabor da sua ceia acabou sendo um mousse doce demais mesmo.<\/p>\n<p>Compara\u00e7\u00f5es aliment\u00edcias \u00e0 parte, \u00e9 basicamente desse mal que sofre <em>Passageiros<\/em> (2016). O filme, estrelado por Chris Pratt e Jennifer Lawrence, \u00e9 vendido assim: \u201cuma espa\u00e7onave transportando milhares de pessoas que viajam para um planeta col\u00f4nia distante tem um mau funcionamento em suas c\u00e2maras de hiberna\u00e7\u00e3o. Como resultado, dois passageiros s\u00e3o despertados 90 anos mais cedo\u201d. Um baita filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, n\u00e9? S\u00f3 que n\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>O primeiro ato do filme \u00e9 mesmo voltado para o drama de acordar antes do planejado em uma nave que vai demorar 90 anos para chegar em seu destino final. O que deu errado? Ser\u00e1 que tem como voltar ao estado de hiberna\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que tem como reprogramar a rota para voltar para a Terra? Ser\u00e1 que tem jeito de uma miss\u00e3o de resgate buscar os tripulantes que acordaram? Ser\u00e1 que d\u00e1 mesmo para confiar na intelig\u00eancia artificial? O que pode acontecer com a mente de uma pessoa frente \u00e0 realidade de 90 anos no espa\u00e7o?<\/p>\n<p>E, entre todas as in\u00fameras poss\u00edveis perguntas, a que mais tinha potencial para me intrigar \u00e9: o que faz algu\u00e9m largar tudo na Terra para \u201cressurgir\u201d 120 anos depois em um novo planeta? N\u00e3o s\u00f3 \u201calgu\u00e9m\u201d, mas 5000 pessoas s\u00f3 naquela nave, e mais in\u00fameras outras que deram bilh\u00f5es de trilh\u00f5es de d\u00f3lares para a empresa respons\u00e1vel pelas col\u00f4nias. (Isso me faz pensar em quem diz\u00a0que \u201ctacar uma bomba em Bras\u00edlia\u201d \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para acabar com a corrup\u00e7\u00e3o, por exemplo. N\u00f3s podemos \u201ccome\u00e7ar tudo de novo\u201d em outro planeta \u2013 ou em outro congresso -, mas ainda seremos n\u00f3s).<\/p>\n<p>Esse primeiro ato do filme faz um trabalho digno em desenrolar algumas dessas quest\u00f5es. Mas ent\u00e3o tudo muda. Do suspense, da aventura, do drama psicol\u00f3gico, do sci-fi-perdidos-no-espa\u00e7o prometido, passamos para o romance entre os protagonistas Jim (Pratt) e Aurora (Lawrence). E nada contra um bom romance, mas \u00e9 que a gente comeu uma torta bem gostosa na primeira parte do filme, e depois veio um mousse com a\u00e7\u00facar demais da conta. E quando tentaram voltar pra torta, j\u00e1 n\u00e3o tinha mais.<!--more--><\/p>\n<p><em>Passageiros<\/em> foi lan\u00e7ado bem perto de <em><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/5-filmes-para-assistir-nas-ferias\">Rogue One: Uma Hist\u00f3ria Star Wars<\/a><\/em> (2016) e <em><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/cinema-a-chegada\">A Chegada<\/a><\/em> (2016), dois filmes que fazem um belo trabalho no g\u00eanero de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. E, mesmo com o romance, <em>Passageiros<\/em> tamb\u00e9m poderia fazer, mas acaba se confundindo demais. <em>A Chegada<\/em>, por exemplo, \u00e9 um filme sobre como encarar o diferente \u00e9 necess\u00e1rio. E n\u00e3o \u201cencarar\u201d num sentido de confronto, mas muito mais de encontrar em n\u00f3s mesmos a determina\u00e7\u00e3o para transpor as barreiras entre eu e o outro (seja o outro um ser extra-terrestre, ou, desafio maior ainda, humano).<\/p>\n<p><em>A Chegada<\/em> apresenta outros conflitos, mas durante toda a obra esse tema da rela\u00e7\u00e3o com o outro est\u00e1 l\u00e1, permeando tudo. E isso s\u00f3 faz com que nossa experi\u00eancia ao assistir ao filme cres\u00e7a. <em>Passageiros <\/em>deixa bastante expl\u00edcito que seu tema \u00e9 \u201cn\u00e3o se prender a onde voc\u00ea queria estar a ponto de esquecer de aproveitar onde voc\u00ea est\u00e1\u201d. Ou seja, a import\u00e2ncia da jornada. E, meu Deus, como eu amo esse tema! Mas fica tudo t\u00e3o confuso que a pr\u00f3pria jornada da dura\u00e7\u00e3o do filme n\u00e3o fica l\u00e1 t\u00e3o proveitosa.<\/p>\n<p>Se o ponto principal do filme ficasse claro desde o in\u00edcio \u2013 e n\u00e3o por personagens repetindo \u201cn\u00e3o se prenda a onde voc\u00ea queria estar&#8230;\u201d, mas por um roteiro que sabe a que veio \u2013, <em>Passageiros <\/em>teria tudo para ser um bom romance no espa\u00e7o. Por que a jornada importa mesmo. Como crist\u00e3os, n\u00f3s mesmos somos <a href=\"https:\/\/sobrado518.com.br\/2016\/12\/20\/entre-a-fantasia-e-a-realidade\/\">exilados em uma terra desconhecida esperando o dia em que voltaremos para nosso lar<\/a>.\u00a0E at\u00e9 chegarmos l\u00e1, temos que viver aqui construindo o reino do nosso Senhor. Aproveitando essa nossa jornada do melhor jeito poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Amanda Almeida\u00a0<\/strong>tem 23 anos e \u00e9 formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela UFMG. Sua monografia tratou de jornalismo cultural, arte e cristianismo. Amanda escreve para o blog Ultimato Jovem sobre cinema.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Almeida Sabe quando tem um tant\u00e3o de sobremesas na ceia de Natal e voc\u00ea sabe que uma delas \u00e9 a melhor, ent\u00e3o deixa essa a\u00ed para o final? 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