{"id":5574,"date":"2017-01-04T15:40:31","date_gmt":"2017-01-04T18:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=5574"},"modified":"2017-01-04T15:40:31","modified_gmt":"2017-01-04T18:40:31","slug":"qual-a-boa-de-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2017\/01\/04\/qual-a-boa-de-2017\/","title":{"rendered":"Qual a boa de 2017?"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-5577 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_Jovem_04_01_17_Thales-2-300x226.jpg\" width=\"300\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_Jovem_04_01_17_Thales-2-300x226.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_Jovem_04_01_17_Thales-2-768x577.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_Jovem_04_01_17_Thales-2-1024x770.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_Jovem_04_01_17_Thales-2-150x113.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2017\/01\/Ult_Jovem_04_01_17_Thales-2.jpg 1639w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por Thales Rios<\/em><\/p>\n<p>Vai ano, vem ano e eu continuo com uma d\u00favida que me persegue desde a minha inf\u00e2ncia: que raios Claudinho e Buchecha queriam dizer quando cantavam \u201ccontrolo o calend\u00e1rio sem utilizar as m\u00e3os\u201d? Sempre imaginei eles mexendo com o p\u00e9\u00a0naquele calend\u00e1rio de parede horroroso que a gente ganha no a\u00e7ougue, ou talvez tivessem poderes de telecinese, ou talvez simplesmente conseguiram decorar qual m\u00eas tem 30 dias e qual tem 31 sem ter que contar nos ossinhos e v\u00e3os dos dedos. Vai saber! Quem sabe eles apenas escreveram isso em meio a um \u201cdel\u00edrio de jogar futebol\u201d.<\/p>\n<p>Mas outra coisa que me incomoda h\u00e1 um tempo \u00e9 que chega essa \u00e9poca e eu come\u00e7o a ver pelas ruas os carros com um adesivo de uma igreja escrito \u201c2017 ser\u00e1 o melhor ano da sua vida\u201d. Todo ano \u00e9 o mesmo adesivo, mudando apenas a data. Mas poxa, ser\u00e1 que quem colocou o adesivo nesse \u00faltimo ano realmente acredita nisso? 2016 n\u00e3o foi dos anos mais f\u00e1ceis n\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2016 tivemos tanta coisa ruim acontecendo ao mesmo tempo que sinto muita pena dos jornalistas que trabalharam na retrospectiva. Eles ir\u00e3o precisar de uns 10 anos de terapia depois de relembrar toda a maluquice de crise financeira, brigas pol\u00edticas, desastres, guerras e tudo mais que \u00a0nos tirou o sono e a paz nessa \u00faltima volta ao redor do Sol. E n\u00e3o bastando os 365 dias de desgra\u00e7a, o ano ainda foi bissexto!<\/p>\n<p>O tempo todo fomos bombardeados por m\u00e1s not\u00edcias: toda manh\u00e3 eu ligava a TV no jornal e n\u00e3o sa\u00eda pro trabalho antes de completar meu bingo mental com as palavras \u201cCrise\u201d, \u201cPetrobras\u201d, \u201cCunha\u201d, \u201cLula\u201d, \u201cLava-Jato\u201d, \u201cImpeachment\u201d e \u201cDesemprego\u201d; chegava na empresa e o assunto era o estupro coletivo da menina no Rio, avi\u00e3o da Chapecoense caindo na Col\u00f4mbia e mais um ataque terrorista na Europa; voltava pra casa cansado de tanta not\u00edcia ruim e descobria que os grupos no\u00a0Whatsapp haviam se tornado\u00a0os obitu\u00e1rios oficiais de gente famosa: todo dia era a not\u00edcia de mais um artista que partia dessa vida.<\/p>\n<p>Quando foi mesmo que o mundo virou um grande especial do Cidade Alerta?<\/p>\n<p>Sempre concordei com a frase que diz que \u201ctodo otimista \u00e9 um pessimista mal informado\u201d, mas acho que em algum momento de nossa busca por uma vida sem aliena\u00e7\u00e3o acabamos por nos embrenhar no outro extremo da informa\u00e7\u00e3o: nos alienamos do bem.<\/p>\n<p>Desde que Ad\u00e3o e Eva fizeram o favor de contaminar tudo com a maldade o mundo est\u00e1 ca\u00eddo e descendo ladeira abaixo, e n\u00e3o \u00e9 surpresa nenhuma que tanta coisa ruim tem acontecido por aqui: assistimos indignados a absurda guerra na S\u00edria, mas vivemos brigando uns com os outros por motivos extremamente banais; lamentamos a separa\u00e7\u00e3o de casais famosos, mas tra\u00edmos e incentivamos todo tipo de safadeza em prol de uma liberdade que apenas escraviza; acusamos nossos pol\u00edticos de corrup\u00e7\u00e3o, mas a honestidade n\u00e3o tem dado muito as caras por aqui ultimamente; denunciamos a hipocrisia nos p\u00falpitos, mas causamos divis\u00e3o at\u00e9 mesmo dentro de casa por n\u00e3o sabermos lidar com nosso orgulho.<\/p>\n<p>\u00c9 muito \u00f3dio, \u00e9 muita safadeza, \u00e9 muita irresponsabilidade, \u00e9 muita gan\u00e2ncia, \u00e9 muito ci\u00fames, e o pior de tudo: \u00e9 muito natural.<!--more--><\/p>\n<p>Nada disso deve nos surpreender porque sabemos bem que essa \u00e9 a natureza humana, ca\u00edda, perdida e devastada por ela mesma. Tudo que vemos, ouvimos e conversamos nos afeta e nos leva a desesperar ainda mais. Mas n\u00e3o precisa ser assim: saibamos enxergar os sinais do que nos traz esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo ano comemoramos quando cientistas e inventores permitiram que dalt\u00f4nicos enxergassem toda a beleza de flores pela primeira vez e, al\u00e9m de v\u00e1rios outros avan\u00e7os contra o c\u00e2ncer, diabetes e doen\u00e7a de Alzheimer, vimos pessoas que sofrem com doen\u00e7a de Parkinson conseguindo comer sozinhas usando fant\u00e1sticas colheres adaptadas que n\u00e3o tremem. Vimos policiais abandonarem seus postos para socorrer cachorro que estava passando mal e ajudar idoso a atravessar a rua. Vibramos com nossos atletas superando toda dificuldade e ceticismo e trazendo medalhas, recordes e orgulho para nosso pa\u00eds t\u00e3o sofrido. Nos emocionamos\u00a0com m\u00e9dicos permitindo um cachorro visitar um paciente terminal, nos inspiramos com igrejas construindo casas para os membros mais pobres, nos alegramos com brasileiros concorrendo a Nobel, Oscar e at\u00e9 pr\u00eamio de melhor jogador de video game do mundo.<\/p>\n<p>E tem muito mais que n\u00e3o aparece nos jornais: teve gente fazendo as pazes depois de anos sem se falar; teve gente alimentando quem n\u00e3o tinha o que comer. Teve cachorro rolando na grama. Teve festa de anivers\u00e1rio surpresa. Teve mensagem de madrugada falando que vai ficar tudo bem. Teve crian\u00e7a nascendo. Teve risada. Teve m\u00fasica boa. Teve comida boa. Teve piada ruim. Teve amor onde nunca se imaginou.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo em meio \u00e0 desgra\u00e7a e \u00e0 dor, se soubermos procurar, enxergaremos coisas boas. Neste ano tivemos a tr\u00e1gica queda do avi\u00e3o vitimando a equipe da Chapecoense, al\u00e9m de jornalistas e tripula\u00e7\u00e3o, e em meio \u00e0 lamenta\u00e7\u00e3o pelas falhas humanas e pelos sonhos despeda\u00e7ados, encontramos um povo que n\u00e3o tinha a m\u00ednima obriga\u00e7\u00e3o de se comover conosco, mas resolveu nos dar um abra\u00e7o maior que a trag\u00e9dia que nos acometeu.<\/p>\n<p>N\u00f3s focamos tanto no que h\u00e1 de mau no mundo e perguntamos onde Deus est\u00e1 quando a realidade nos bate com os dois p\u00e9s no peito, mas \u00e9 porque somos orgulhosos demais para assumir que a culpa, enquanto humanidade, \u00e9 sempre nossa. Basta descer um pouco desse nosso pedestal para que possamos reconhecer que Deus est\u00e1, desde sempre, trabalhando ativamente pra nos trazer esperan\u00e7a apesar das consequ\u00eancias que nossas m\u00e1s escolhas produzem. Basta abrir os olhos para enxergar o quanto h\u00e1 de bom no mundo apesar de nossa natureza ca\u00edda. E melhor que isso: qu\u00e3o doce \u00e9 a esperan\u00e7a ao saber que estes s\u00e3o apenas pequenos sinais da paz eterna que nos foi prometida.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se 2017 ser\u00e1 o melhor ano da sua vida e duvido que usar um adesivo no carro dizendo isto v\u00e1 facilitar alguma coisa, mas tor\u00e7o para que nos pr\u00f3ximos 365 dias saibamos ser gratos: que a gratid\u00e3o nos encha de esperan\u00e7a ao crescermos um pouco mais nas piores dificuldades, e que a mesma gratid\u00e3o nos inunde pela gra\u00e7a de receber o que \u00e9 bom sem que mere\u00e7amos.<\/p>\n<p>Que a esperan\u00e7a de um ano melhor n\u00e3o se baseie nesta nossa humanidade ca\u00edda, mas nos sinais de que h\u00e1 algu\u00e9m trabalhando para redimir o que parecia n\u00e3o ter mais conserto.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong><strong>Thales Rios<\/strong> tem 28\u00a0anos, \u00e9 designer gr\u00e1fico, professor de EBD e tenta ser engra\u00e7ado escrevendo para o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/thalesdemuleta.wordpress.com\/\">Thales de Muleta<\/a>.<\/p>\n<p>Foto: <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/SD2FxgKDAGk\">Brigitte Tohm\/ Unsplash<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thales Rios Vai ano, vem ano e eu continuo com uma d\u00favida que me persegue desde a minha inf\u00e2ncia: que raios Claudinho e Buchecha queriam dizer quando cantavam \u201ccontrolo o calend\u00e1rio sem utilizar as m\u00e3os\u201d? 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