{"id":5164,"date":"2016-07-11T11:12:17","date_gmt":"2016-07-11T14:12:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=5164"},"modified":"2016-07-11T13:47:41","modified_gmt":"2016-07-11T16:47:41","slug":"o-sonho-de-marilyn-monroe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/07\/11\/o-sonho-de-marilyn-monroe\/","title":{"rendered":"O Sonho de Marilyn Monroe"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5165\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/07\/UltJovem_11_07_16_Marilyn-Peq.jpg\" alt=\"UltJovem_11_07_16_Marilyn-Peq\" width=\"650\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/07\/UltJovem_11_07_16_Marilyn-Peq.jpg 650w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/07\/UltJovem_11_07_16_Marilyn-Peq-300x150.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/07\/UltJovem_11_07_16_Marilyn-Peq-150x75.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><em>Por Ren\u00e9 Breuel<\/em><\/span><\/p>\n<p>A Marilyn Monroe acordou de um sonho inquietante em 1955. Em um di\u00e1rio descoberto recentemente, ela narra em frases cortadas como o seu psicanalista e o seu professor de teatro estavam ao seu redor em uma sala de opera\u00e7\u00e3o, e come\u00e7aram a abri-la como cirurgi\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p><em>Eles me abrem \u2026 e n\u00e3o tem absolutamente nada ali \u2013 Strasberg \u00e9 profundamente desapontado mas ainda mais \u2013 surpreso academicamente de ter feito um erro do tipo. Ele pensava que encontraria tanto \u2013 mais do que ele jamais sonhou poss\u00edvel em quase todo mundo, mas em vez disso n\u00e3o tinha nada \u2013 priva de toda coisa de sentimento humano vivo \u2013 a \u00fanica coisa que saiu foi uma serragem t\u00e3o fina \u2013 como a de uma boneca de pano. <\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Para a Marilyn, a conclus\u00e3o a que chegou o seu psicanalista era \u00f3bvia: \u201cA paciente (pupila \u2013 ou estudante \u2013 comecei a escrever) consiste de vazio completo.\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Podemos s\u00f3 estimar quantos gestos de aprecia\u00e7\u00e3o temos que ouvir antes que acreditemos em nosso pr\u00f3prio valor. Cem? Mil? Tr\u00eas ou quatro por dia? Ningu\u00e9m sabe. Mas n\u00e3o importa o quanto as pessoas nos afirmem \u2013 Marilyn Monroe com certeza tinha tantos f\u00e3s quando qualquer outra celebridade \u2013, permanece sempre a d\u00favida de que as pessoas ainda n\u00e3o nos conheceram, de verdade. Se elas pudessem ver todos os meus aspectos, pensamos, a admira\u00e7\u00e3o iria desmoronar como areia. Se as pessoas pudessem ver al\u00e9m dos sorrisos, risadas, al\u00e9m do balan\u00e7ar da saia e do cabelo, e pudessem ver <em>dentro<\/em> dela, temia Marilyn, descobririam somente uma boneca de pano. Apesar de todas as apar\u00eancias positivas, a fonte de informa\u00e7\u00e3o de quem somos n\u00f3s, a verdade s\u00f3lida sobre o nosso valor, o veredito de aprecia\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que viu todos os nossos mist\u00e9rios e profundezas, deve ser encontrado em outro lugar. Apreciamos os elogios gentis que chegam, mas ansiamos pela voz do juiz verdadeiro.<!--more--><\/p>\n<p>A nossa fome contempor\u00e2nea de verdade nos consome. Apesar de toda a discuss\u00e3o sobre a p\u00f3s-modernidade e a sua nega\u00e7\u00e3o da verdade, eu sinto que ansiamos pela verdade mais do jamais fizemos. Desejamos hist\u00f3rias que sejam, acima de tudo, verdadeiras: hist\u00f3rias que mostrem o mundo como ele \u00e9, que n\u00e3o tenham medo da complexidade, que apresentem personagens divididos e sutis, que revelem os nossos motivos interiores, que acabem de modo consistente \u00e0 trama e ao mundo, mesmo que n\u00e3o seja um final feliz. Em um mundo de imagens fabricadas, de <em>updates<\/em>\u00a0 do Facebook e do Twitter sempre pra cima, queremos ir al\u00e9m das camadas de artificialidade e contemplar a verdade nua e crua sobre quem somos e sobre o mundo.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que \u201cvale um milh\u00e3o de d\u00f3lares\u201d, ent\u00e3o, \u00e9 essa: <strong>onde encontramos essa verdade?<\/strong> Quem \u00e9 que pode dizer \u2013 definitivamente, com a nossa concord\u00e2ncia completa, com aquela atmosfera definitiva de autoridade \u2013 quem somos n\u00f3s? Alguns dizem que encontramos a verdade dentro n\u00f3s mesmos, depois de muita reflex\u00e3o, e provavelmente com a ajuda de um psicanalista. Outros dizem que depois de longas viagens, depois de anos em pa\u00edses diferentes, depois de visitas a muitos gurus e <em>bestsellers<\/em>. Ainda outros defendem que essa verdade absoluta n\u00e3o pode ser encontrada \u2013 contra a fome profunda das nossas almas \u2013 e \u00e9, na verdade, s\u00f3 uma constru\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A minha convic\u00e7\u00e3o, entretanto, \u00e9 que, apesar de encontrarmos boas verdades ao viajar para dentro e para fora, a verdade que buscamos chega s\u00f3 com um encontro espec\u00edfico: s\u00f3 quando encontramos o nosso Criador. Como um bom cl\u00edmax sutil, n\u00f3s desejamos <strong>e<\/strong> tememos esse encontro. Mas s\u00f3 quando nos despimos diante de Deus, s\u00f3 depois que o passo existencial \u00e9 dado, \u00e9 que seremos lavados pela verdade e clareza e confian\u00e7a e gra\u00e7a. S\u00f3 quando encontramos o nosso Criador, o universo vai fazer sentido, e descobriremos qual o nosso lugar nele. Ou, como colocou Jesus, \u201cVoc\u00eas conhecer\u00e3o a verdade, e a verdade os far\u00e1 livres.\u201d (Jo 8.32)<\/p>\n<p><strong>\u2022 Ren\u00e9 Breuel<\/strong> \u00e9 brasileiro, autor de <a href=\"http:\/\/www.hagnos.com.br\/produtos.asp?codigo=483\">O Paradoxo da Felicidade<\/a> (ed. Hagnos), mission\u00e1rio e pastor da Chiesa Evangelica San Lorenzo, em Roma, It\u00e1lia, e editor do f\u00f3rum <a href=\"http:\/\/www.wonderingfair.com\">wonderingfair.com<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Nota:<br \/>\n<\/strong>1. Marilyn Monroe,\u00a0<em>Fragments: Poesie, Appunti, Lettere<\/em>\u00a0[Fragmentos: Poemas, Anota\u00e7\u00f5es, Cartas], ed. Stanley Buchtal and Bernard Comment, trad. Grazia Gatti (Mil\u00e3o: Feltrinelli, 2010), 97.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Ren\u00e9 Breuel A Marilyn Monroe acordou de um sonho inquietante em 1955. Em um di\u00e1rio descoberto recentemente, ela narra em frases cortadas como o seu psicanalista e o seu professor de teatro estavam ao seu redor em uma sala de opera\u00e7\u00e3o, e come\u00e7aram a abri-la como cirurgi\u00f5es. 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