{"id":5098,"date":"2016-06-09T15:17:36","date_gmt":"2016-06-09T18:17:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=5098"},"modified":"2016-07-14T09:49:49","modified_gmt":"2016-07-14T12:49:49","slug":"festa-na-rua-festa-da-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/06\/09\/festa-na-rua-festa-da-graca\/","title":{"rendered":"Festa na rua. Festa da Gra\u00e7a!"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #993300;\">ENTREVISTA COMPLETA* COM ALFONSO TSCHANG CHANG SOBRE O PROJETO &#8220;FESTA NA RUA&#8221; CONTRA A EXPLORA\u00c7\u00c3O SEXUAL<\/span><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-5176\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/06\/ult_361_altos_papos_2-e1468500406638.jpg\" alt=\"ult_361_altos_papos_2\" width=\"350\" height=\"364\" \/>Alfonso Tschang\u00a0 Chang tem 29 anos e faz parte do projeto Festa na Rua, que acontece em S\u00e3o Paulo, SP. O movimento surgiu no M\u00e9xico e \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o que interrompe a explora\u00e7\u00e3o sexual durante algumas horas nas \u00e1reas de prostitui\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 compartilhar o amor incondicional de Cristo a todos os envolvidos (garotas e garotos de programa, clientes e cafet\u00f5es) e apresent\u00e1-los ao Pai que ainda n\u00e3o conhecem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quantas pessoas fazem parte da equipe do Festa na Rua? <\/strong><\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, temos 25 pessoas envolvidas. Sempre recebemos pessoas novas. N\u00e3o temos um n\u00famero fixo de pessoas, mas temos uma equipe de cinco a dez pessoas que organiza e lidera o movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a equipe se prepara para esse impacto? <\/strong><\/p>\n<p>Temos uma reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o toda primeira ter\u00e7a-feira do m\u00eas e no dia do Festa na Rua \u2013 todo segundo s\u00e1bado do m\u00eas \u2013, reunimo-nos para orar e passar algumas instru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00eas abordam as pessoas ligadas \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Temos alguns cuidados: N\u00e3o fazer certos tipos de perguntas, olhar sempre nos olhos das mulheres, estarmos num grupo de duas ou tr\u00eas pessoas, conversar e criar relacionamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que tipo de estrutura voc\u00eas usam? De onde v\u00eam os recursos para isso? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o temos muita estrutura. Tudo vem da boa vontade dos volunt\u00e1rios. Alguns trazem comida, outros entregam uma oferta para os custos das festas, al\u00e9m daqueles que fazem presentinhos para serem dados \u00e0s mulheres. As igrejas nos cedem o lugar de reuni\u00e3o, devocionais para entregarmos nas ruas e, \u00e0s vezes, o lanche.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5177\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/06\/ult_361_altos_papos_1-e1468500537816.jpg\" alt=\"ult_361_altos_papos_1\" width=\"400\" height=\"480\" \/>A rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico ao evento \u00e9 sempre positiva? <\/strong><\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 positiva. Existem b\u00eabados, drogados, cafet\u00f5es e clientes que tentam atrapalhar, mas Deus nos tem dado pessoas com sabedoria para lidar com isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Interromper a explora\u00e7\u00e3o por algumas horas \u00e9 o suficiente? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 suficiente. Precisamos do apoio da igreja local e de organiza\u00e7\u00f5es que possam dar continuidade ao trabalho prestando ajuda m\u00e9dica, psicol\u00f3gica, espiritual e ajudando a encontrar trabalho para os envolvidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como evitar que o esfor\u00e7o de voc\u00eas n\u00e3o termine logo ap\u00f3s a festa? <\/strong><\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais importante de tudo, pois acreditamos que apenas Deus pode acabar com a explora\u00e7\u00e3o sexual. Al\u00e9m disso, existem volunt\u00e1rios que discipulam e acompanham algumas meninas que querem sair da prostitui\u00e7\u00e3o. Buscamos fazer parcerias com miss\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que trabalham com o tema, E procuramos trazer essa realidade para as igrejas para serem resposta a esse problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como t\u00eam sido os feedbacks de quem participa? <\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Festa na Rua, nos reunimos e temos um tempo para compartilhar como foi a noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea acha que muda ap\u00f3s o Festa na Rua? <\/strong><\/p>\n<p>A vis\u00e3o sobre a prostitui\u00e7\u00e3o. Faz-nos perceber que as meninas n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 porque querem e que n\u00e3o \u00e9 uma vida f\u00e1cil. Gera em n\u00f3s um grande desconforto como igreja e faz pensar: O que estamos fazendo? Estamos preparados para receb\u00ea-las em nossos templos, principalmente, as travestis? A resposta \u00e9, infelizmente, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a maior dificuldade na abordagem com as pessoas que est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>As pessoas em prostitui\u00e7\u00e3o possuem feridas profundas, traumas, hist\u00f3rico de abusos, de depend\u00eancia qu\u00edmica, uma vis\u00e3o deturpada de quem elas s\u00e3o. \u00c9 essencial criar um relacionamento com essas meninas, ganhar sua confian\u00e7a e conhecer sua vida. E muitas vezes, a igreja n\u00e3o est\u00e1 disposta a pagar esse pre\u00e7o. Queremos um evangelismo <em>express<\/em> e de n\u00famero. Acompanhar essas meninas, no entanto, exige paci\u00eancia, dinheiro, sacrif\u00edcio e tempo, meses e anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00eas apoiam quem quer abandonar a prostitui\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Se a pessoa quer abandonar a prostitui\u00e7\u00e3o, os pr\u00f3prios volunt\u00e1rios fazem o primeiro acompanhamento. Levam-na para a igreja, marcam conversas, visitam sua casa. N\u00e3o h\u00e1 um processo delineado, pois cada vida tem sua hist\u00f3ria. \u00c9 necess\u00e1rio ouvir primeiro para depois agir. Estamos tecendo uma rede de organiza\u00e7\u00f5es e pessoas para que haja uma casa de acolhimento, discipulado e ajuda para encontrar emprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A partir da apresenta\u00e7\u00e3o do projeto que voc\u00ea fez no Vocare, a visibilidade gerou mais engajamento de poss\u00edveis volunt\u00e1rios querendo conhecer e participar do projeto? <\/strong><\/p>\n<p>Depois do Vocare, tivemos mais de cem volunt\u00e1rios no Festa na Rua, mas temos que esperar para ver quantos continuar\u00e3o vindo. Pois um dos problemas \u00e9 a rotatividade dos volunt\u00e1rios, uma vez que o objetivo \u00e9 construir relacionamento com as meninas. Um dia, por exemplo, uma delas reclamou que todo m\u00eas falava a sua hist\u00f3ria para uma pessoa diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Compartilhe alguma hist\u00f3ria ou testemunho marcante que tenha acontecido durante a realiza\u00e7\u00e3o do Festa na Rua. <\/strong><\/p>\n<p>Conhecemos uma mulher que participou de v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es do Festa na Rua e conseguimos desenvolver um relacionamento. No dia do seu anivers\u00e1rio, demos a ela uma B\u00edblia de presente. Quando recebeu, ela fez o compromisso de n\u00e3o mais se prostituir. Agora est\u00e1 um ano sem se prostituir. Deus foi provendo as coisas na vida dela, independentemente da gente. Estamos acompanhando a mo\u00e7a, que h\u00e1 pouco tempo come\u00e7ou a vender gelinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as expectativas quanto ao projeto? Como voc\u00ea o v\u00ea daqui a cinco, dez anos? <\/strong><\/p>\n<p>Daqui a cinco anos, espero que n\u00e3o aconte\u00e7a mais o Festa na Rua, pois, se n\u00e3o tem o Festa na Rua, quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 mais explora\u00e7\u00e3o sexual naquela regi\u00e3o. As expectativas s\u00e3o: que outros pontos do Brasil possam ter o Festa na Rua \u2013 j\u00e1 temos no Amap\u00e1 e em Campinas, SP; que as igrejas voltem os olhos para essas mulheres e homens em explora\u00e7\u00e3o sexual; que a igreja seja UMA, com uma rede de pessoas que possam ajudar em todo o processo de recupera\u00e7\u00e3o (f\u00edsica, espiritual, social, com trabalho); que a igreja seja resposta para essa injusti\u00e7a.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><em>* A vers\u00e3o resumida desta entrevista foi publicada na se\u00e7\u00e3o Altos Papos, da revista Ultimato 361 (julho-agosto\/2016).<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENTREVISTA COMPLETA* COM ALFONSO TSCHANG CHANG SOBRE O PROJETO &#8220;FESTA NA RUA&#8221; CONTRA A EXPLORA\u00c7\u00c3O SEXUAL Alfonso Tschang\u00a0 Chang tem 29 anos e faz parte do projeto Festa na Rua, que acontece em S\u00e3o Paulo, SP. 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