{"id":5077,"date":"2016-05-31T08:32:59","date_gmt":"2016-05-31T11:32:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=5077"},"modified":"2016-05-31T08:33:33","modified_gmt":"2016-05-31T11:33:33","slug":"nao-existe-mais-cartao-postal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/05\/31\/nao-existe-mais-cartao-postal\/","title":{"rendered":"N\u00e3o existe mais cart\u00e3o postal?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por Ariane Gomes <\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_5078\" style=\"width: 307px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5078\" class=\"wp-image-5078 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_31_05_16_Cartao_Postal.jpg\" alt=\"UltJovem_31_05_16_Cartao_Postal\" width=\"297\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_31_05_16_Cartao_Postal.jpg 297w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_31_05_16_Cartao_Postal-213x300.jpg 213w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_31_05_16_Cartao_Postal-106x150.jpg 106w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><p id=\"caption-attachment-5078\" class=\"wp-caption-text\">Andrew Smith\/Freeimages.com<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 alguns dias, participando de um encontro sobre intergeracionalidade numa pequena cidade do interior de S\u00e3o Paulo, fiquei admirada com a presen\u00e7a t\u00e3o marcante do ef\u00eamero na vida da gente. Que condi\u00e7\u00e3o \u00e9 essa que t\u00e3o sorrateira se instala nos espa\u00e7os, entre as pessoas e suas rela\u00e7\u00f5es? Condi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem tempo, n\u00e3o se interessa nem se envolve, n\u00e3o para nem ouve, tampouco dialoga. Acontece e vai embora. \u00c9 passageira, n\u00e3o faz hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Dei de cara com esse desconforto quando, aproveitando um tempo livre da programa\u00e7\u00e3o, sa\u00ed \u00e0 procura de cart\u00f5es postais da cidade \u2013 a prop\u00f3sito, uma cidade muito agrad\u00e1vel, com passeios largos, ruas limpas e arborizadas, ar fresco e c\u00e9u azulzinho de inverno. Queria os cart\u00f5es para contar a alguns amigos sobre o lugar, falar do encontro, do hotel e das comidas gostosas, de pessoas e dos dias passados por l\u00e1.<\/p>\n<p>Fui ao quiosque de informa\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas, \u00e0 banca de jornal, a lojas de artesanato e nada dos cart\u00f5es. Subi e desci ruas, virei esquinas e perguntei a um e a outro at\u00e9 que, ao chegar a uma loja de <em>souvenirs,<\/em> um senhor de meia idade disse-me francamente: \u201cN\u00e3o se usa mais cart\u00e3o postal. Hoje em dia todo mundo tem c\u00e2mera no celular e envia fotos por ele\u201d. Ele foi sincero e disse a verdade \u2013 desconfort\u00e1vel verdade! Confesso que fiquei sem gra\u00e7a. Guardei os selos e o papel de rascunho onde havia anotado os endere\u00e7os dos amigos e voltei para o hotel. Fim de planos.<\/p>\n<p>O homem tinha raz\u00e3o, o servi\u00e7o de smartphones \u00e9 muito eficiente e r\u00e1pido, em menos de cinco segundos uma pessoa (amiga ou n\u00e3o) no outro lado do mundo pode saber que voc\u00ea est\u00e1 numa cidadezinha do interior e ver fotos suas porque os recursos para isso s\u00e3o fabulosos. Mas naquele momento eu n\u00e3o queria fotos instant\u00e2neas nem tinha pressa de que as not\u00edcias chegassem aos amigos. Sabia do tempo que os cart\u00f5es levariam para ir de uma cidade a outra, e isso n\u00e3o importava. Queria escrever com caneta e letra vacilante e n\u00e3o com um teclado. Queria que, ao verificar aquela papelada de propaganda que costuma abarrotar a caixa de correio da casa da gente, os amigos fossem surpreendidos por um cart\u00e3o com mensagem escrita a m\u00e3o, selado e carimbado, vindo de longe, com cheiro de outro lugar e com sauda\u00e7\u00f5es da amiga viajante.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que me beneficio todos os dias da tecnologia, mas naquela ocasi\u00e3o fiquei aborrecida com a rapidez com que ela nos serve, mas tamb\u00e9m invade a vida da gente e nos coloca contra a parede (ou a foto instant\u00e2nea ou nada&#8230;). Tive receio de que deix\u00e1ssemos de aproveitar oportunidades de contar hist\u00f3rias e de guardar lembran\u00e7as de outras maneiras que n\u00e3o apenas nos servindo de uma c\u00e2mera e um celular.<\/p>\n<p>Depois do esbarr\u00e3o com o ef\u00eamero e porque n\u00e3o queria dormir com esse assunto remoendo o pensamento, fiz uma ora\u00e7\u00e3o pedindo a Deus que nos ajude a aproveitar o antigo e o novo, a equilibrar a tradi\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o, a valorizar a sabedoria e experi\u00eancia dos velhos e o vigor e a capacidade de manusear os recursos tecnol\u00f3gicos dos jovens. Pedi que ambos tenham chance de sentir, experimentar e servir de maneira plena e profunda; que a troca entre eles seja verdadeira e alegre; que uns e outros sejam mais do que flor que brota de manh\u00e3 e murcha \u00e0 tarde sem deixar rastros de beleza e vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2022 Ariane Gomes<\/strong> \u00e9 assistente de reda\u00e7\u00e3o na Editora Ultimato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Ariane Gomes H\u00e1 alguns dias, participando de um encontro sobre intergeracionalidade numa pequena cidade do interior de S\u00e3o Paulo, fiquei admirada com a presen\u00e7a t\u00e3o marcante do ef\u00eamero na vida da gente. Que condi\u00e7\u00e3o \u00e9 essa que t\u00e3o sorrateira se instala nos espa\u00e7os, entre as pessoas e suas rela\u00e7\u00f5es? 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