{"id":5030,"date":"2016-05-09T11:50:05","date_gmt":"2016-05-09T14:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=5030"},"modified":"2016-05-09T11:50:05","modified_gmt":"2016-05-09T14:50:05","slug":"deus-nao-esta-morto-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/05\/09\/deus-nao-esta-morto-2\/","title":{"rendered":"Deus n\u00e3o est\u00e1 morto 2"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5031 alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_09_05_16_Deus-nao-est\u00e1-morto-2.jpg\" alt=\"UltJovem_09_05_16_Deus nao est\u00e1 morto 2\" width=\"353\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_09_05_16_Deus-nao-est\u00e1-morto-2.jpg 353w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_09_05_16_Deus-nao-est\u00e1-morto-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/05\/UltJovem_09_05_16_Deus-nao-est\u00e1-morto-2-150x85.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/>Por Amanda Almeida<\/em><\/p>\n<p>No segundo semestre de 2014 as redes sociais ficaram cheias da hashtag #GodIsNotDead. Eram espectadores atendendo \u00e0 chamada do final do filme hom\u00f4nimo para espalhar essa mensagem por a\u00ed. Depois do sucesso do primeiro filme (com or\u00e7amento de 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares e mais de 60 milh\u00f5es de lucro s\u00f3 nos EUA), chega aos cinemas \u201cDeus n\u00e3o est\u00e1 morto 2\u201d (2016). Dessa vez com um or\u00e7amento maior, mas com bem menos hashtags.<br \/>\nCom o int\u00e9rprete de H\u00e9rcules na s\u00e9rie de TV, Kevin Sorbo, como estrela principal (e tamb\u00e9m apari\u00e7\u00f5es de Dean Cain, ex-Superman em \u201cLois &amp; Clark\u201d), \u201cDeus N\u00e3o Est\u00e1 Morto\u201d (2014) retratou um estudante universit\u00e1rio defendendo sua f\u00e9 no meio acad\u00eamico. A sequ\u00eancia conta com Melissa Joan Hart, de \u201cSabrina, aprendiz de feiticeira\u201d, na pele de uma professora que, depois de responder \u00e0 pergunta de uma estudante envolvendo Jesus, se v\u00ea em meio a um processo envolvendo liberdade religiosa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das estrelas de seriados dos anos 90, os dois filmes t\u00eam em comum a problematiza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 na esfera p\u00fablica. Mesmo que o segundo discuta a quest\u00e3o com um roteiro mais elaborado e com bem menos estere\u00f3tipos simplistas que o primeiro, o que j\u00e1 s\u00e3o grandes avan\u00e7os, alguns problemas permanecem.<\/p>\n<p>Com um caso jur\u00eddico como pano de fundo, foi poss\u00edvel trazer figuras como Lee Strobel, Gary Habermas e James Wallace \u00e0 tela para darem seus depoimentos e pareceres sobre a figura hist\u00f3rica de Jesus enquanto apologetas, com fundamentos s\u00f3lidos para a defesa da f\u00e9 crist\u00e3. E na no\u00e7\u00e3o de dois lados opostos na Corte, enquanto o grupo de acusa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre muito bem arrumado e vestindo cores s\u00f3brias, Grace aparece em cena cheia de cores alegres, e seu advogado com uma postura despojada, numa ideia da opress\u00e3o contra a inoc\u00eancia.<!--more--><\/p>\n<p>Quanto aos problemas, o maior deles est\u00e1 nas afirma\u00e7\u00f5es do filme. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem o que a narrativa afirma, mas como afirma. Em certo momento, Grace diz que prefere \u201cficar do lado de Deus e ser julgada pelo mundo, que ficar do lado do mundo e ser julgada por Deus\u201d. A complica\u00e7\u00e3o a\u00ed \u00e9 que a aprova\u00e7\u00e3o e o agir divino na hist\u00f3ria ficam ligados \u00e0 vit\u00f3ria judicial.<\/p>\n<p>Em termos de elenco, vale ainda destacar a presen\u00e7a de Ray Wise como o advogado de acusa\u00e7\u00e3o contra Grace. O ator j\u00e1 interpretou um homem possu\u00eddo em \u201cTwin Peaks\u201d, o pr\u00f3prio diabo em \u201cReaped\u201d, e agora a personifica\u00e7\u00e3o do advogado do diabo em \u201cDeus N\u00e3o Est\u00e1 Morto 2\u201d, afirmando que, ao ganhar o caso, provaria de uma vez por todas que Deus estaria morto.<\/p>\n<p>Cristo afirma que, como crist\u00e3os, sofrer\u00edamos persegui\u00e7\u00f5es. Ele diz tamb\u00e9m que \u201ctodos odiar\u00e3o voc\u00eas por minha causa, mas aquele que perseverar at\u00e9 o fim ser\u00e1 salvo\u201d (Mt 10:22). A promessa \u00e9 de salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de vit\u00f3ria perante quem nos persegue. Se Grace perder no tribunal, essa seria a constata\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da morte de Deus? Segundo a l\u00f3gica do filme, sim. \u00c9 problem\u00e1tico assim.<\/p>\n<p>Nos anos 60, o cr\u00edtico Paulo Em\u00edlio Salles Gomes chegou a afirmar que \u201cqualquer filme brasileiro \u00e9 mais importante que a melhor obra-prima do cinema internacional. Era um \u00f3bvio atentado ideol\u00f3gico \u00e0 intelig\u00eancia&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Esse mesmo atentado \u00e9 cometido se pensamos que qualquer obra que tenha a f\u00e9 crist\u00e3 como base j\u00e1 \u00e9 boa ou mais v\u00e1lida pelo fato por ser uma obra com posicionamento crist\u00e3o, ou que defende Deus.<\/p>\n<p>Para um consumo saud\u00e1vel das artes, \u00e9 preciso sim levar em conta a cosmovis\u00e3o transmitida, mas tamb\u00e9m outros fatores. Em \u201cA arte e a B\u00edblia\u201d, Francis Schaeffer sugere alguns <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2012\/09\/12\/como-avaliar-obra-arte\/\">padr\u00f5es de julgamento<\/a>, que incluem, al\u00e9m do conte\u00fado, a excel\u00eancia t\u00e9cnica, validade e integra\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de assistir a \u201cDeus N\u00e3o Est\u00e1 Morto\u201d e outros filmes do g\u00eanero com uma postura passiva, focando apenas na mensagem pregada, por que n\u00e3o apreciar cobrando mais do que faria com qualquer outro?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mais que ver esta franquia como um caso isolado, \u00e9 importante ver o cen\u00e1rio das produ\u00e7\u00f5es\u00a0de filmes do g\u00eanero como um todo. \u00c9 ineg\u00e1vel que, mesmo com os problemas, a qualidade est\u00e1 subindo. Algo que \u201cBelieve Me\u201d (2014), uma s\u00e1tira dos filmes crist\u00e3os, faz muito bem \u00e9 utilizar na narrativa elementos da nossa cultura em comunh\u00e3o. E o ponto alto de \u201cDeus N\u00e3o Est\u00e1 Morto 2\u201d \u00e9 quando, em um momento de d\u00favida, os alunos d\u00e3o suporte \u00e0 Grace com um louvor. \u00c9 lindo e tocante, e talvez explorar mais esse nosso repert\u00f3rio comum seja um caminho para contar melhor as hist\u00f3rias contempor\u00e2neas de f\u00e9.<\/p>\n<p>Trazendo uma lista de casos jur\u00eddicos ligados \u00e0 liberdade religiosa e chamando o espectador a espalhar hashtags para iniciar conversas sobre a f\u00e9, a mensagem que fica ao final do filme \u00e9: \u00c9 PRECISO AGIR. Ser luz do mundo, sal da terra. Mas al\u00e9m de ter as afirma\u00e7\u00f5es certas, \u00e9 preciso lembrar de agir da maneira certa sobre elas, sabendo sempre que Deus continua reinando soberano, mesmo se Grace perder no tribunal.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Amanda Almeida<\/strong> tem 22 anos e \u00e9 rec\u00e9m-formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela UFMG. Sua monografia tratou de jornalismo cultural, arte e cristianismo. Amanda escreve para o blog Ultimato Jovem sobre cinema.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> PIZA, Daniel. \u201cJornalismo cultural\u201d. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2003<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Almeida No segundo semestre de 2014 as redes sociais ficaram cheias da hashtag #GodIsNotDead. Eram espectadores atendendo \u00e0 chamada do final do filme hom\u00f4nimo para espalhar essa mensagem por a\u00ed. 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