{"id":4815,"date":"2016-03-28T11:00:20","date_gmt":"2016-03-28T14:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=4815"},"modified":"2016-03-28T11:00:20","modified_gmt":"2016-03-28T14:00:20","slug":"beleza-media-a-suspensao-entre-o-sublime-e-o-grotesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/03\/28\/beleza-media-a-suspensao-entre-o-sublime-e-o-grotesco\/","title":{"rendered":"Beleza m\u00e9dia: a suspens\u00e3o entre o sublime e o grotesco"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-4816\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/03\/UltJovem_28_03_16_belezamedia.jpg\" alt=\"UltJovem_28_03_16_belezamedia\" width=\"250\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/03\/UltJovem_28_03_16_belezamedia.jpg 250w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/03\/UltJovem_28_03_16_belezamedia-206x300.jpg 206w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/03\/UltJovem_28_03_16_belezamedia-103x150.jpg 103w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/>Por Levi Agreste<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada mais bonito que a beleza m\u00e9dia. Em primeiro lugar, porque poucos falam dela. N\u00e3o \u00e9 surpresa para ningu\u00e9m que as est\u00e9ticas mais populares beiram os dois polos &#8211; o do sublime e do grotesco. O primeiro representa a ilus\u00e3o do desejo humano e o segundo a abnega\u00e7\u00e3o &#8211; mas nenhum dos dois supre as vontades mais profundas do ser humano, coisa que s\u00f3 a beleza m\u00e9dia pode fazer. A beleza sublime \u00e9 a fantasia da busca pelo inalcan\u00e7\u00e1vel. \u00c9 o pensamento equivocado de que, quanto mais pr\u00f3ximo da simetria tirana, mais profunda ser\u00e1 a satisfa\u00e7\u00e3o do ego. \u00c9 o ideal de que precisamos de cada vez mais &#8211; inflando e inflando o ser, deixando-o inchado e obeso. A arte, a natureza e a sabedoria j\u00e1 nos mostraram que o exagero n\u00e3o \u00e9 equivalente \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o. Um campo extenso e repleto das flores mais belas \u00e9 impressionante. Mas \u00e9 ainda mais impressionante perceber uma flor qualquer em meio a um campo cinza. Como j\u00e1 dizia Drummond:<\/p>\n<blockquote><p>Uma flor nasceu na rua!<br \/>\nPassem de longe, bondes, \u00f4nibus, rio de a\u00e7o do tr\u00e1fego.<br \/>\nUma flor ainda desbotada<br \/>\nilude a pol\u00edcia, rompe o asfalto.<br \/>\nFa\u00e7am completo sil\u00eancio, paralisem os neg\u00f3cios,<br \/>\ngaranto que uma flor nasceu.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Tamb\u00e9m o grotesco, a abnega\u00e7\u00e3o completa, n\u00e3o \u00e9 a resposta para as necessidades humanas. Nascido da frustra\u00e7\u00e3o de um mundo que venera a beleza sublime, o grotesco surge como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 impossibilidade de alcan\u00e7\u00e1-lo &#8211; por\u00e9m sem nenhuma modera\u00e7\u00e3o. \u00c9 a tentativa de humilhar a humanidade, destruir as bases de suas edifica\u00e7\u00f5es, queimar os campos repletos de flores &#8211; para que ent\u00e3o possa surgir nova vida. Contudo, o grotesco n\u00e3o foi bem-sucedido nem em seu projeto de\u00a0destrui\u00e7\u00e3o completa, nem na utopia de se reconstruir a vida. Como poderia a viol\u00eancia gerar vida? Como poderia a feiura renovar a beleza? O grotesco \u00e9 apenas a alma se afogando em sua obscuridade, \u00e9 a besta que irrompe de dentro do pobre humano. Como j\u00e1 dizia Augusto dos Anjos:<\/p>\n<blockquote><p>Era como se, na alma da cidade,<br \/>\nProfundamente l\u00fabrica e revolta,<br \/>\nMostrando as carnes, uma besta solta<br \/>\nSoltasse o berro da animalidade.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A beleza m\u00e9dia n\u00e3o disp\u00f5e da popularidade da sublime ou da grotesca. Mas \u00e9 bom que assim seja. Se fosse louvada em cada esquina, a gan\u00e2ncia do homem j\u00e1 a teria transformado em produto. Discreta, ela n\u00e3o carece da publicidade de ningu\u00e9m. Ela desliza por entre a gente despercebida, inspirando no anonimato.<\/p>\n<p>A beleza m\u00e9dia \u00e9 a suspens\u00e3o entre o sublime e o grotesco. N\u00e3o \u00e9 pomposa como aquela, nem radical como esta. Sua principal virtude \u00e9 ser <em>real<\/em>.<\/p>\n<p>A mulher em sua juventude traz consigo o frescor da vida. \u00c9 bela por tudo aquilo que tem ainda pela frente, por tudo que ainda n\u00e3o experimentou &#8211; denunciada pela pele lisa. Quando se depara com o tempo e envelhece, as rugas aparecem, mas a beleza \u00e9 a mesma. A beleza m\u00e9dia se manifesta no seu justo cansa\u00e7o, nas marcas que a vida lhe deixou &#8211; e que foram superadas.<\/p>\n<p>A beleza m\u00e9dia repousa no esp\u00edrito perseverante da experi\u00eancia, na modera\u00e7\u00e3o da sabedoria, no simples e no real &#8211; acima de tudo no real. O mais belo da mulher \u00e9 o fato de ser real. Quando se percebe a realidade da textura do ser vivo, o despimos; passamos a perceber a simplicidade de sua natureza. E, a\u00ed sim, estamos prontos para am\u00e1-lo. A beleza m\u00e9dia satisfaz o ser humano porque o d\u00e1 a permiss\u00e3o de amar.<\/p>\n<p>A beleza m\u00e9dia n\u00e3o busca absorver mais e mais do mundo. Ela tampouco quer destru\u00ed-lo. Ela nos liberta da vaidade do exagero e do desespero da destrui\u00e7\u00e3o, a ponto de perceber a vida como ela \u00e9, experimentar de sua realidade. Passamos, enfim, a reconhecer o valor real do que nos envolve. Conhecemos a vida e todos os seus nuances. Apreciamos sua riqueza sem nunca desej\u00e1-la. Vemos, inclusive, a beleza na morte &#8211; e todas as possiblidades que ela oferece. Como j\u00e1 disse o ap\u00f3stolo:<\/p>\n<p>&#8220;Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nele (&#8230;) Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurrei\u00e7\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcan\u00e7ar a ressurrei\u00e7\u00e3o dentre os mortos.&#8221;<\/p>\n<p>A beleza m\u00e9dia revoluciona o mundo atrav\u00e9s da simplicidade. Prova maior disso \u00e9 a pr\u00f3pria Beleza ter se transformado em homem m\u00e9dio, carpinteiro, de m\u00e3os rudes e face med\u00edocre. A Beleza despiu-se de si mesma e vestiu a pele de um homem comum. Em suas vestes toscas, ensinou-nos a perceber a vida e todas as suas possibilidades. Em sua simplicidade, descarregou-nos do peso tirano do sublime. Em sua <em>realidade<\/em>, tocou, sentiu, amou e sangrou. Eis a\u00ed a supremacia da beleza m\u00e9dia:<\/p>\n<p>&#8220;Seja a atitude de voc\u00eas a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, n\u00e3o considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz!&#8221;<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Levi Agreste<\/strong>, 24 anos,\u00a0graduado em Letras pela Unicamp, leciona em tr\u00eas escolas da regi\u00e3o metropolitana de Campinas, faz parte da coordena\u00e7\u00e3o da ONG Soprar e escreve no blog <a href=\"http:\/\/umanovaviagem.blogspot.com.br\/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-02:00&amp;updated-max=2013-01-01T00:00:00-02:00&amp;max-results=8\">umanovaviagem<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Levi Agreste N\u00e3o h\u00e1 nada mais bonito que a beleza m\u00e9dia. Em primeiro lugar, porque poucos falam dela. 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