{"id":4705,"date":"2016-02-10T10:31:30","date_gmt":"2016-02-10T13:31:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=4705"},"modified":"2016-02-10T10:33:22","modified_gmt":"2016-02-10T13:33:22","slug":"sobre-a-incrivel-arte-de-ser-futil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/02\/10\/sobre-a-incrivel-arte-de-ser-futil-2\/","title":{"rendered":"Sobre a incr\u00edvel arte de ser f\u00fatil"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Bruno Tardin<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Em vindo a soberba, vir\u00e1 tamb\u00e9m a afronta; mas com os humildes est\u00e1 a sabedoria.<br \/>\n(Prov\u00e9rbios 11.2)<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_4706\" style=\"width: 323px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4706\" class=\"size-full wp-image-4706\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/UltJovem_10_02_16_Espelho.jpg\" alt=\"Marcelo Gerpe\/ Freeimages.com\" width=\"313\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/UltJovem_10_02_16_Espelho.jpg 313w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/UltJovem_10_02_16_Espelho-199x300.jpg 199w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/UltJovem_10_02_16_Espelho-100x150.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><p id=\"caption-attachment-4706\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo Gerpe\/ Freeimages.com<\/p><\/div>\n<p>Santo Agostinho certa vez definiu o orgulho como \u201co amor pela excel\u00eancia de si pr\u00f3prio\u201d. J\u00e1 para um controverso s\u00e1bio indiano, o orgulho seria \u201co sentimento espec\u00edfico pelo qual o ego\u00edsmo se manifesta\u201d. A palavra possui uma raiz latina, que nos deixou como legado os voc\u00e1bulos \u201cvaloroso\u201d, \u201c\u00fatil\u201d. Contudo, o orgulho est\u00e1 intimamente ligado, em nossa viv\u00eancia cotidiana, a concep\u00e7\u00f5es negativas de soberba, presun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A causa desta singular multiplicidade de sentidos \u00e9 uma quest\u00e3o de perspectiva: a modera\u00e7\u00e3o e a humildade ao se sentir orgulho (curioso paradoxo!) produzem frutos saud\u00e1veis e oportunos, mas a aus\u00eancia destas virtudes pode transformar o orgulho no mais tirano dos v\u00edcios. O aspecto mais tenebroso do orgulho \u00e9 a \u201cvaidade\u201d.<\/p>\n<p>A vaidade &#8212; cujas ra\u00edzes podem ser seguramente apontadas na rebelde figura que desafia o pr\u00f3prio Deus e corrompe toda a cria\u00e7\u00e3o por meio do \u201cpecado original\u201d &#8212; \u00e9 o umbral que d\u00e1 passagem a todas as outras pervers\u00f5es as quais o g\u00eanero humano vem refinando desde seus primeiros passos na terra. Em v\u00e1rios epis\u00f3dios hist\u00f3ricos, inclusive nos retratados no Livro Sagrado, o homem demonstra o impulso de se igualar \u00e0quele que o criou, vaidoso que \u00e9 de suas pr\u00f3prias capacidades e cego frente ao poderio e \u00e0 majestade reais daquele de onde tudo prov\u00e9m.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto a satisfa\u00e7\u00e3o obtida pela consuma\u00e7\u00e3o de nossos pr\u00f3prios atos, mas sim a quem devemos essa satisfa\u00e7\u00e3o. Na maioria das vezes, julgamos ser n\u00f3s mesmos a causa do prazer alcan\u00e7ado. O pai da psican\u00e1lise moderna, Sigmund Freud, confirma o texto b\u00edblico ao demonstrar, em nossa constitui\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, as for\u00e7as que impulsionam nossas a\u00e7\u00f5es em busca do prazer pr\u00f3prio, ego\u00edsta, em detrimento do outro (\u00e0s vezes em detrimento de n\u00f3s mesmos, em longo prazo). Tais impulsos possuem uma verve t\u00e3o imperiosa que somente um forte senso de comedimento e humildade perante nosso Pai celeste e diante dos nossos irm\u00e3os pode mant\u00ea-los sob r\u00e9deas curtas.<\/p>\n<p>Uma vez satisfeitos os impulsos ego\u00edstas que nos regem, perdemos a maior raz\u00e3o que explica nossa exist\u00eancia nesta terra, dissertada nas singelas, por\u00e9m profundas palavras do grande mandamento: amar a Deus acima de tudo e ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Se a falha em observar tal mandamento, que alimenta em n\u00f3s a vaidade, abre portas para uma s\u00e9rie de v\u00edcios e libertinagens, a sua observ\u00e2ncia produz um profundo senso de dom\u00ednio pr\u00f3prio e gratid\u00e3o perene, a partir dos quais as demais virtudes, certamente, ir\u00e3o aflorar. Devemos, portanto, lutar contra a semente que est\u00e1 em n\u00f3s envenenando o esp\u00edrito e que coopera para a satisfa\u00e7\u00e3o da carne, e fugir da tenta\u00e7\u00e3o de nos tornarmos f\u00fateis diante dos olhos do Pai.<\/p>\n<p>\u201cLaus Deo\u201d!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Bruno Tardin,<\/strong> 26 anos, \u00e9 mestre em Letras.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nota<\/strong>: artigo <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/artigos\/334\/sobre-a-incrivel-arte-de-ser-futil\">publicado originalmente<\/a> na se\u00e7\u00e3o \u201cAltos Papos\u201d, da revista <strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/334\">Ultimato 334<\/a><\/strong>, de janeiro-fevereiro de 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Por Bruno Tardin &nbsp; Em vindo a soberba, vir\u00e1 tamb\u00e9m a afronta; mas com os humildes est\u00e1 a sabedoria. 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