{"id":4693,"date":"2016-02-02T10:18:55","date_gmt":"2016-02-02T13:18:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=4693"},"modified":"2016-03-23T15:21:41","modified_gmt":"2016-03-23T18:21:41","slug":"transformada-pelo-teatro-entrevista-completa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2016\/02\/02\/transformada-pelo-teatro-entrevista-completa\/","title":{"rendered":"Transformada pelo teatro (entrevista completa)"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Pelo Conselho Editorial Jovem<br \/>\n<\/em>[publicado originalmente em &#8220;Altos Papos&#8221; da revista Ultimato 359]<em><br \/>\n<\/em><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-4798\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_4.jpg\" alt=\"ult_359_altos_papos_4\" width=\"292\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_4.jpg 409w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_4-292x300.jpg 292w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_4-146x150.jpg 146w\" sizes=\"auto, (max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/>Maria Eduarda, tamb\u00e9m conhecida como Duda, \u00e9 pernambucana, tem 27 anos e ama teatro. Come\u00e7ou a fazer teatro na igreja e, depois, se profissionalizou na \u00e1rea. \u00c9 atriz, jornalista e cr\u00edtica teatral. Dirige com a amiga L\u00edvia Lins a &#8220;Dispersos Companhia de Teatro&#8221;, em Recife, que estreou em 2015 o seu primeiro trabalho, um musical chamado <em>Abra\u00e7o \u2013 Nunca estaremos s\u00f3s<\/em>. Para ela, \u201co teatro \u00e9 uma arma. Uma arma poderosa. Transforma o meio em que est\u00e1. J\u00e1 me transformou in\u00fameras vezes\u201d. Duda tamb\u00e9m escreve a se\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/categoria\/arte-de-proposito\/\" target=\"_blank\">Arte de Prop\u00f3sito<\/a> para o blog Ultimato Jovem.<\/p>\n<p><strong>Como surgiu o seu interesse pelo teatro? A igreja a influenciou de alguma forma?<\/strong><\/p>\n<p>A igreja teve total participa\u00e7\u00e3o. Eu gostava de frequentar o teatro como espectadora, mas em 2005 entrei no Evanarte, minist\u00e9rio de teatro da Igreja Presbiteriana das Gra\u00e7as, em PE, que tem 30 anos de hist\u00f3ria, e me orgulho muito de ter participado dele. A partir da\u00ed deu-se o meu encontro com o teatro, quando resolvi que queria me profissionalizar.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o papel da igreja e seu relacionamento com as artes?<\/strong><\/p>\n<p>O teatro e as artes visuais, diferente do que acontece com a m\u00fasica, s\u00e3o alvos de pouca ou nenhuma discuss\u00e3o dentro das igrejas. Antes estivessem inseridos nas discuss\u00f5es e envolvidos nas pol\u00eamicas entre os crist\u00e3os. N\u00e3o nas conversas rasas, do pode ou n\u00e3o pode, mas nas estrat\u00e9gias de como melhor utiliz\u00e1-los dentro e, especialmente, fora da igreja, abordando quest\u00f5es urgentes e relevantes, como aborto, pol\u00edtica ou sexualidade. J\u00e1 imaginou uma pe\u00e7a sobre esses temas \u00e0 luz da Palavra?<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-4799\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_2.jpg\" alt=\"ult_359_altos_papos_2\" width=\"409\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_2.jpg 409w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_2-300x199.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_2-150x99.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/>Voc\u00ea acha que a profissionaliza\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 valorizada pela igreja?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Muita gente, inclusive os l\u00edderes das igrejas, acreditam que o que \u00e9 feito no minist\u00e9rio de artes j\u00e1 est\u00e1 de bom tamanho. Na minha opini\u00e3o, a \u00fanica coisa pior do que n\u00e3o ter teatro \u00e9 ter teatro ruim. N\u00e3o d\u00e1 para faz\u00ea-lo sem estudo e tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para faz\u00ea-lo sem talento. Voc\u00ea colocaria no louvor algu\u00e9m que n\u00e3o sabe cantar? Ent\u00e3o por que tanta gente que n\u00e3o sabe atuar integra os minist\u00e9rios de teatro nas igrejas? E por que n\u00e3o investir na capacita\u00e7\u00e3o dessas pessoas?<\/p>\n<p><strong>Existe diferen\u00e7a entre teatro crist\u00e3o e teatro n\u00e3o crist\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Existe diferen\u00e7a entre profissionais crist\u00e3os e profissionais n\u00e3o crist\u00e3os. Da mesma forma que n\u00e3o existe medicina crist\u00e3, engenharia crist\u00e3, jornalismo crist\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o crist\u00e3. O que faz a diferen\u00e7a na sociedade \u00e9 a pessoa que exerce o of\u00edcio, seja ele qual for.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como uma pe\u00e7a de teatro pode ser instrumento para o reino de Deus?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Eu sempre me pergunto se a pe\u00e7a que estou fazendo, seja atuando ou dirigindo, \u00e9 bela aos olhos de Deus. Se ela \u00e9 bela esteticamente (isso \u00e9 importante), mas principalmente se \u00e9 bela em seu conte\u00fado, mesmo ele sendo contundente, como, por exemplo, se eu quiser falar sobre pedofilia. Sempre procuro pensar sobre o conte\u00fado do espet\u00e1culo \u00e0 luz da Palavra, mesmo que seja um\u00a0Shakespeare. Se chegarmos \u00e0 conclus\u00e3o que sim, ela ser\u00e1 instrumento.<\/p>\n<p><strong>Quais foram as principais dificuldades que voc\u00ea enfrentou ao trabalhar com o teatro?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um meio dif\u00edcil. Os artistas s\u00e3o invariavelmente libert\u00e1rios, mas eu sou livre em Cristo; ent\u00e3o, fa\u00e7o minha arte com o que entendo sobre liberdade. Para fazer teatro tem de orar e vigiar sempre.<\/p>\n<p><strong>A capta\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9 um problema para as companhias de teatro?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Muitas vezes somos ref\u00e9ns de editais, porque s\u00e3o os editais que custeiam de fato um projeto que quer al\u00e7ar voos altos, manter-se em temporada, circular. Poucas empresas no Brasil entendem a capacidade de difus\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o do teatro, por isso ainda n\u00e3o pensam na cultura como uma excelente estrat\u00e9gia de investimento. O <em>Abra\u00e7o<\/em> foi montado sem incentivo p\u00fablico ou privado. O dinheiro saiu do nosso bolso, mas n\u00e3o poder\u00edamos deixar de fazer, e deu t\u00e3o certo que algumas empresas t\u00eam nos procurado para oferecer patroc\u00ednio.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4800 alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2016\/02\/ult_359_altos_papos_1-e1458757011318.jpg\" alt=\"ult_359_altos_papos_1\" width=\"400\" height=\"267\" \/>A \u201cDispersos Companhia de Teatro\u201d, dirigida por voc\u00ea, produziu em 2015 o musical <em>Abra\u00e7o<\/em>. De onde surgiu a ideia para o musical? Como foi a receptividade do p\u00fablico? Qual era o objetivo do espet\u00e1culo?<\/strong><\/p>\n<p>A Dispersos \u00e9 dirigida por mim e minha s\u00f3cia e amiga L\u00edvia Lins, a quem eu conheci no Evanarte. N\u00f3s ainda n\u00e3o hav\u00edamos lan\u00e7ado a companhia e tivemos a ideia de o espet\u00e1culo de estreia ser um musical. Descobrimos que \u00e9 nessa linguagem que queremos apostar por sermos apaixonadas pela mistura de teatro e m\u00fasica. Ent\u00e3o, conversando um dia sobre a nossa amizade (a minha com L\u00edvia), pensamos que poder\u00edamos fazer uma pe\u00e7a que celebrasse a amizade, de uma forma geral. Encomendamos o texto a um amigo e convidamos um time de oito \u00a0atores, incluindo n\u00f3s duas, mais quatro m\u00fasicos. Victor Bertonny e Leila Chaves foram os compositores da trilha, que \u00e9 toda autoral, com exce\u00e7\u00e3o de duas m\u00fasicas de Milton Nascimento e duas de Liz Valente. O espet\u00e1culo tem uma pegada anos 90 e conta a hist\u00f3ria de oito amigos, apaixonados por m\u00fasica, que resolvem montar um musical. Metalinguagem. E a\u00ed nasceu o <em>Abra\u00e7o &#8211; Nunca estaremos s\u00f3s<\/em>. O nosso objetivo era fazer teatro. Rookmaaker j\u00e1 dizia que a arte n\u00e3o precisa de justificativa. E a aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico foi maravilhosa. Fizemos duas temporadas de casa cheia, al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es no interior de Pernambuco onde tamb\u00e9m tivemos o teatro cheio de gente querida.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os desafios de conciliar a m\u00fasica e o teatro?<\/strong><\/p>\n<p>Todos. Porque tudo tem que soar muito harm\u00f4nico: interpreta\u00e7\u00e3o, voz, arranjos, coreografias. N\u00e3o podem parecer coisas separadas. E lapidar cada item exige muito esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o. Quando a mistura d\u00e1 certo \u00e9 maravilhoso, emociona, alcan\u00e7a. Mas tamb\u00e9m quando d\u00e1 errado&#8230;<\/p>\n<p><strong>O espet\u00e1culo foi selecionado para participa\u00e7\u00e3o em um festival internacional. Conte-nos sobre essa experi\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma alegria receber a not\u00edcia de que estar\u00edamos na grade do festival Janeiro de Grandes Espet\u00e1culos em 2016. \u00c9 um festival que acontece em Recife e adjac\u00eancias, mas recebe espet\u00e1culos de todo o Brasil e alguns do exterior e est\u00e1 na 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Resultado da gra\u00e7a de Deus nas nossas vidas, somado ao nosso esfor\u00e7o e amor que colocamos nesse projeto. Ser uma representante crist\u00e3 nesse contexto \u00e9 uma felicidade sem tamanho e saber que Deus tem olhado e aben\u00e7oado esse projeto ainda mais. O reconhecimento que temos recebido do p\u00fablico \u00e9 s\u00f3 uma palhinha do que Deus preparou pra n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>V\u00cdDEO<br \/>\n<\/strong>Confira a seguir o <em>making off<\/em> do musical \u201cAbra\u00e7o &#8212; Nunca estaremos s\u00f3s\u201d:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G7xWOyvSL4A\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Pelo Conselho Editorial Jovem [publicado originalmente em &#8220;Altos Papos&#8221; da revista Ultimato 359] Maria Eduarda, tamb\u00e9m conhecida como Duda, \u00e9 pernambucana, tem 27 anos e ama teatro. Come\u00e7ou a fazer teatro na igreja e, depois, se profissionalizou na \u00e1rea. \u00c9 atriz, jornalista e cr\u00edtica teatral. 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