{"id":4397,"date":"2015-09-14T10:35:49","date_gmt":"2015-09-14T13:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=4397"},"modified":"2015-09-14T10:35:49","modified_gmt":"2015-09-14T13:35:49","slug":"homens-super-herois-e-semideuses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2015\/09\/14\/homens-super-herois-e-semideuses\/","title":{"rendered":"Homens, super-her\u00f3is e semideuses"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/09\/topo_ap346.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-4397\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4398 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/09\/topo_ap346.jpg\" alt=\"topo_ap346\" width=\"780\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/09\/topo_ap346.jpg 780w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/09\/topo_ap346-300x122.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/09\/topo_ap346-150x61.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><\/a>Por Ren\u00e9 Breuel<\/em><\/p>\n<p>Hoje escrevo para a rapaziada. Recentemente fiz algo que n\u00e3o fazia h\u00e1 muito tempo: ir ao cinema com um grupo de amigos assistir a um filme de super-her\u00f3i. \u201cIron Man 3\u201d (Homem de Ferro 3) \u00e9 uma obra cinematogr\u00e1fica intensa, m\u00e1scula e cheia de testosterona. O vil\u00e3o \u00e9 realmente mau, o mocinho \u00e9 engra\u00e7ado e os dois s\u00e3o assustadoramente poderosos. A for\u00e7a que eles exercem por meio da bioengenharia e roupas-rob\u00f4s destr\u00f3i tudo ao redor deles. Na volta para casa, dirigi com uma tenta\u00e7\u00e3o de acelerar o carro e estra\u00e7alhar algumas coisas pelo caminho.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o pude deixar de pensar sobre a audi\u00eancia do filme. Uma gera\u00e7\u00e3o de jovens est\u00e1 se nutrindo de filmes como esse. Adicione \u00e0 lista: filmes de persegui\u00e7\u00e3o de carros, de morte de terroristas, de terror; videogames que ensinam a atirar em zumbis, roubar carros, atropelar velhinhas; clips carregados de sensualidade na MTV; pornografia envolvendo domina\u00e7\u00e3o de garotas. Um poder visual impressionante. Uma gera\u00e7\u00e3o de homens fascinada com o poder, a domina\u00e7\u00e3o, a superioridade. \u201cEgomania e erotomania\u201d, nas palavras assustadoras de Malcolm Muggeridge, \u201cos dois maus do nosso tempo &#8212; o punho erguido e o falo erguido\u201d. Como a realiza\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica da vis\u00e3o de Friedrich Nietzsche do \u00dcbermensch<sup>1<\/sup>, que deixou fraqueza e limita\u00e7\u00f5es ao passado, \u00e9 um mundo de her\u00f3is, guerreiros e semideuses.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o de sermos uma gera\u00e7\u00e3o muito fr\u00e1gil e delicada. Pergunto-me se fantasiamos ser poderosos porque, na verdade, nos sentimos fracos e impotentes. Somos homens que viram as certezas modernas desmoronarem e que vivem em um horizonte privado de significado e hero\u00edsmo; que se sentem impotentes diante do desafio de amadurecer e que se perguntam se n\u00e3o podem permanecer adolescentes por toda a vida; que t\u00eam dificuldade em se expressar, muitas vezes em empregos que n\u00e3o os desafiam; que s\u00e3o incapazes de se conectar de verdade com uma garota, quem sabe ainda morando com a m\u00e3e e o pai. E, assim, sonhamos com poderes de super-her\u00f3i, tentando reprimir o nosso sentimento de fragilidade e impot\u00eancia.<\/p>\n<p>Como seria bom se come\u00e7\u00e1ssemos a reimaginar a masculinidade de forma mais humana e realista,\u00a0a exaltar modelos de homens que cuidam uns dos outros, que abra\u00e7am a responsabilidade, que s\u00e3o presentes naquilo que importa, que s\u00e3o t\u00e3o fortes e seguros que podem revelar as suas fraquezas. Homens que n\u00e3o desejam subjugar mulheres, mas encontrar uma que possam amar, elevar, sacrificar-se para o bem dela, envelhecer ao lado dela. Homens que ajudam os outros a amadurecer, que prestam aten\u00e7\u00e3o ao fraco, que buscam ser mais amorosos e generosos.<\/p>\n<p>\u00c9 desafio da nossa gera\u00e7\u00e3o reimaginar a masculinidade (e a feminilidade) no s\u00e9culo 21. Como podemos ser \u201chomens\u201d depois do fim da sociedade patriarcal? Que modelos de maturidade adotamos, em vez do guerreiro, super-her\u00f3i e semideus? Qual \u00e9 o modelo para homens que querem promover a valoriza\u00e7\u00e3o e a equidade das mulheres no lar, no mercado de trabalho e na sociedade?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho respostas definitivas, mas acho que tenho um bom ponto de partida: o modelo de um homem forte, por\u00e9m humilde; um homem sereno, compassivo, audaz, amoroso. Um homem que usa os seus poderes &#8212; e ele tem superpoderes! &#8212; n\u00e3o para supremacia pessoal, mas para abrir olhos e curar corpos. Um homem que entregou a pr\u00f3pria vida por n\u00f3s e nos mostrou um esplendor muito al\u00e9m daquele de um semideus: o esplendor de um Rei majestoso, de um Salvador misericordioso, de um Deus encarnado.<\/p>\n<p>*Texto publicado originalmente na se\u00e7\u00e3o Altos Papos da revista Ultimato, <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/346\">edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 346<\/a>.<\/p>\n<p>Nota<br \/>\n1 &#8211; Conceito central da obra de Friedrich Nietzsche, usualmente traduzido como super-homem.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Ren\u00e9 Breuel<\/strong> \u00e9 pastor de uma igreja em Roma, It\u00e1lia, editor do f\u00f3rum wonderingfair.com e autor de \u201cO Paradoxo da Felicidade\u201d (Hagnos).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ren\u00e9 Breuel Hoje escrevo para a rapaziada. 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