{"id":4274,"date":"2015-07-31T14:26:09","date_gmt":"2015-07-31T17:26:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=4274"},"modified":"2015-08-03T08:39:35","modified_gmt":"2015-08-03T11:39:35","slug":"qual-e-o-lado-bom-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2015\/07\/31\/qual-e-o-lado-bom-da-vida\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o \u201clado bom da vida\u201d?"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/07\/Ult_Jovem_31_07_15_Lado_bom_da_vida.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-4274\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-4275\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/07\/Ult_Jovem_31_07_15_Lado_bom_da_vida.jpg\" alt=\"Ult_Jovem_31_07_15_Lado_bom_da_vida\" width=\"352\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/07\/Ult_Jovem_31_07_15_Lado_bom_da_vida.jpg 352w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/07\/Ult_Jovem_31_07_15_Lado_bom_da_vida-300x231.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2015\/07\/Ult_Jovem_31_07_15_Lado_bom_da_vida-150x115.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><\/a>Por Clara Bontempo<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos aprendi que a escolha \u201co livro ou o filme?\u201d n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pertinente, porque livro e filme s\u00e3o <em>artes diferentes<\/em>.<\/p>\n<p>A palavra \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 deixa pistas de que uma hist\u00f3ria foi passada de uma plataforma para outra, portanto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que sejam id\u00eanticas. E, sinceramente, \u00e9 bom que n\u00e3o sejam. \u00c9 claro que h\u00e1 quem goste mais de um e quem goste mais do outro, e que a compara\u00e7\u00e3o entre os dois sob a \u00f3tica da hist\u00f3ria original \u2013 normalmente o livro \u2013 \u00e9 inevit\u00e1vel. Mesmo assim, o que proponho aqui \u00e9 deixar de lado os r\u00f3tulos de \u201cmelhor e pior\u201d.<\/p>\n<p>Li \u201cO Lado Bom da Vida\u201d e, depois de assistir ao filme com o mesmo t\u00edtulo, completei meu aprendizado: livro e filme n\u00e3o s\u00e3o apenas artes diferentes, eles contam <em>hist\u00f3rias diferentes<\/em>. O livro de Matthew Quick e o filme de David Russell contam duas hist\u00f3rias que tem muito em comum, mas n\u00e3o a mesma hist\u00f3ria. E ambas me encantaram.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre livro e filme. Aqui, me contento com a tentativa de provocar nos que leem este texto a vontade de devorar o livro como eu devorei e propor algo diferente sobre o falso dilema livro <em>versus<\/em> filme.<!--more--><\/p>\n<p>O romance de Matthew Quick, publicado no Brasil em 2013, pela editora Intr\u00ednseca, conta uma hist\u00f3ria de amor e loucura. Pat Peoples \u00e9 o personagem principal e narra sua biografia. Ele \u00e9 um homem de 34 anos que acaba de sair de um hospital psiqui\u00e1trico e n\u00e3o se lembra dos acontecimentos anteriores \u00e0 sua interna\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o sabe que quatro anos se passaram desde que foi levado para o \u201clugar ruim\u201d e ainda tem esperan\u00e7a de reatar com sua ex-mulher. Assim, tudo o que Pat faz \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do fim do \u201ctempo separados\u201d. Enquanto tenta se acostumar \u00e0 rotina fora do \u201clugar ruim\u201d, Pat conhece Tiffany, a cunhada de seu melhor amigo, e ela passa a fazer parte de sua hist\u00f3ria. Assim como Pat, ela teve s\u00e9rios problemas emocionais e psiqui\u00e1tricos ap\u00f3s a morte tr\u00e1gica de seu marido e os dois desenvolvem uma amizade incomum.<\/p>\n<p>A maneira como Quick personifica Pat e conta a hist\u00f3ria \u00e9 incr\u00edvel! O livro inteiro \u00e9 narrado com uma sinceridade ing\u00eanua que a princ\u00edpio me deixou desconfort\u00e1vel. Uma pontinha de \u201cvergonha alheia\u201d se formava a cada p\u00e1gina e cheguei a desconfiar da capacidade do escritor. Mas entendi que Pat conta sua hist\u00f3ria <em>como ele a viveu<\/em> e n\u00e3o como ela \u201cdeveria ser contada\u201d. Pat explica que \u201cagora est\u00e1 vivendo seu pr\u00f3prio filme\u201d e por isso n\u00e3o gosta de ir ao cinema. Ele n\u00e3o deixa de lado as situa\u00e7\u00f5es constrangedoras e n\u00e3o se esfor\u00e7a na m\u00e9trica, o que importa \u00e9 que sua hist\u00f3ria seja real. Cheguei a questionar o tempo que gasto para escrever uma cr\u00f4nica ou colocar as sensa\u00e7\u00f5es no papel e sobre quantas vezes desisti de fazer isso porque o texto n\u00e3o estava bom. A hist\u00f3ria que Pat narra \u00e9 imediata, \u00e9 como contamos um caso ou pensamos na vida e ainda assim, \u00e9 pura poesia.<\/p>\n<p>Pat e Tiffany se entendem. Eles conhecem um ao outro como conhecem a si mesmos. E entendem as \u201cpessoas normais\u201d de um jeito profundo e inocente, que s\u00f3 a sensibilidade dos dois \u201cproblem\u00e1ticos\u201d permite. Os di\u00e1logos entre eles s\u00e3o muito ricos e me colocaram contra a parede: \u201cqual foi a \u00faltima vez que me permiti conversar assim com algu\u00e9m?\u201d. O relacionamento entre os dois personagens principais envolve mentiras, mas ainda sim \u00e9 como se eles estivessem nus, como se n\u00e3o se envergonhassem de quem s\u00e3o \u2013 <em>e tudo o que isso implica<\/em>.<\/p>\n<p>O lado bom da vida, no final das contas \u00e9 a rotina. Pat espera por uma reviravolta dram\u00e1tica no filme de sua vida, mas percebe que a vida real n\u00e3o \u00e9 um filme e essa \u00e9 a gra\u00e7a de viv\u00ea-la! No livro, as hist\u00f3rias de Pat Peoples e Tiffany Maxwell n\u00e3o s\u00e3o contadas, s\u00e3o vividas.<\/p>\n<p>Dica: a narrativa de Pat me fez lembrar outros dois romances: \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d e \u201cO Menino do Pijama Listrado\u201d. Ambas as hist\u00f3rias s\u00e3o narradas sob perspectivas muito espec\u00edficas e inusitadas, assim como \u201cO Lado Bom da Vida\u201d.<\/p>\n<p>Nota: Texto publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/www.blogsempauta.com\/\">blogsempauta<\/a>, blog da Cria UFMG.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Clara Lenz C\u00e9sar Bontempo<\/strong> \u00e9 estudante de Publicidade e Propaganda na UFMG e conhece Ultimato desde criancinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Clara Bontempo H\u00e1 dois anos aprendi que a escolha \u201co livro ou o filme?\u201d n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pertinente, porque livro e filme s\u00e3o artes diferentes. A palavra \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 deixa pistas de que uma hist\u00f3ria foi passada de uma plataforma para outra, portanto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que sejam id\u00eanticas. 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