{"id":3787,"date":"2014-12-31T09:43:40","date_gmt":"2014-12-31T12:43:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3787"},"modified":"2014-12-31T13:52:22","modified_gmt":"2014-12-31T16:52:22","slug":"o-dilema-da-geracao-y","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/12\/31\/o-dilema-da-geracao-y\/","title":{"rendered":"O dilema da \u201cGera\u00e7\u00e3o Y\u201d"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/Ult_Jovem_31_12_14_Caminho.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3787\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-3788\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/Ult_Jovem_31_12_14_Caminho.jpg\" alt=\"Foto: http:\/\/www.freeimages.com\/photo\/1435240\" width=\"400\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/Ult_Jovem_31_12_14_Caminho.jpg 549w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/Ult_Jovem_31_12_14_Caminho-300x210.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/Ult_Jovem_31_12_14_Caminho-150x105.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Por Thales Lima<\/p>\n<p>Nesse ano de 2014 me deparei, inesperadamente, com um volume muito grande de decis\u00f5es a tomar. Com o passar do ano, percebi que n\u00e3o conseguia apenas com minhas pr\u00f3prias reflex\u00f5es e experi\u00eancias me guiar sozinho pelo caminho que deveria abrir pela frente. Comecei ent\u00e3o, com algum receio de que eu n\u00e3o possu\u00eda toda a seguran\u00e7a e independ\u00eancia intelectual que julgava ter, a pesquisar sobre o assunto.<\/p>\n<p>A surpresa foi bem grande quando descobri que a minha gera\u00e7\u00e3o sofre massivamente com esse dilema: tomar decis\u00f5es e construir caminhos. Chamada por alguns especialistas de \u201cGera\u00e7\u00e3o Y\u201d, pela m\u00eddia mundial de \u201cGera\u00e7\u00e3o Eu\u201d e pelo New York Post de \u201cA pior gera\u00e7\u00e3o\u201d, somos um grupo de jovens nascidos entre a d\u00e9cada de 80 e 90 durante um per\u00edodo em que a m\u00eddia (mundial, nacional e local) promovia os excessos do lema \u201csiga sua paix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSiga sua paix\u00e3o\u201d \u00e9 um lema extremamente complicado. No senso comum, paix\u00e3o \u00e9 algo que nos atrai instantaneamente e sem medidas, de um certo modo passageiro e extremamente impactante. Por\u00e9m, ao pesquisar mais profundamente, em especial no c\u00edrculo de palestras TED, comecei a notar que esse chav\u00e3o, al\u00e9m de ser mal interpretado, nunca foi uma verdade universal como os programas de televis\u00e3o, os filmes hollywoodianos, meus professores da escola e da universidade e diversos outros modelos me diziam que eram.<\/p>\n<p>O primeiro dos v\u00eddeos que me causou um grande impacto foi <a href=\"http:\/\/tedxtalks.ted.com\/video\/Dont-Just-Follow-Your-Passion-A\">Don&#8217;t Just Follow Your Passion: A Talk for Generation Y<\/a> em que Eunice Hii, uma jovem empreendedora formada pela UBC Sauder School of Business, fala sobre os desafios desse mote de vida e esclarece sobre as quest\u00f5es de que paix\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas com o tempo. A paix\u00e3o pelo seu emprego, a paix\u00e3o pela sua \u00e1rea de pesquisa, a paix\u00e3o por uma pessoa, por um esporte, por um hobby, a paix\u00e3o por Deus \u00e9 desenvolvida pelo tempo gasto com essas coisas. Para nossa gera\u00e7\u00e3o, gastar tempo com algo espec\u00edfico \u00e9 muito dif\u00edcil, concentrar-se em uma \u00fanica tarefa por vez \u00e9 um \u201cmodus operandi\u201d que n\u00e3o nos atrai. Por\u00e9m, \u00e9 uma tarefa de casa que devemos aprender. Devemos vencer nossa inseguran\u00e7a de nos concentrarmos totalmente em algo, sem ter planos B, C ou D. Ter um plano B, C ou D \u00e9 ter a expectativa de que seu plano A ir\u00e1 falhar.<\/p>\n<p>Esse v\u00eddeo me direcionou para uma mat\u00e9ria da Harvard Business Review chamada <a href=\"https:\/\/hbr.org\/2012\/09\/solving-gen-ys-passion-problem\">Solving Gen Y\u2019s Passion Problem<\/a>. Nele, Carl Newport, um professor assistente de ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o pela Georgetown University, fala sobre como \u201cseguir a sua paix\u00e3o\u201d trouxe diversos problemas para nossa gera\u00e7\u00e3o, desde com respeito \u00e0 nossa educa\u00e7\u00e3o dentro de casa at\u00e9 \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de empregos quando adultos, mostrando que a taxa de evas\u00e3o de empregos nos primeiros seis meses de trabalho nos Estados Unidos entre jovens dessa \u201cgera\u00e7\u00e3o Y\u201d \u00e9 alt\u00edssima. Esta realidade n\u00e3o \u00e9 muito diferente no Brasil, a julgar por tantos casos que conhe\u00e7o e o meu pr\u00f3prio. Por exemplo, h\u00e1 sete anos larguei um curso superior com apenas quatro meses de estudo \u201cporque n\u00e3o era a minha paix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Depois disso, comecei a pensar que, se paix\u00f5es precisam ser desenvolvidas ao longo do tempo e n\u00e3o s\u00e3o simplesmente inerentes a mim, como eu acho minhas paix\u00f5es? Depois de alugar ouvidos alheios por um bom tempo e muitas horas de andan\u00e7as virtuais, encontrei a palestra de Eugene Hennie, chamada <a href=\"http:\/\/tedxtalks.ted.com\/video\/How-to-Find-Your-Passion-and-In\">How to Find Your Passion and Inner Awesomeness<\/a>. Hennie conta sua experi\u00eancia da inf\u00e2ncia. Ele era uma crian\u00e7a que fazia desenhos \u201cirados\u201d e possu\u00eda talentos que achava serem acima da m\u00e9dia. Ele lembrou tamb\u00e9m do seu tempo na universidade e quando eles fizeram apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a com temas \u201cnerds\u201d, numa \u00e9poca que isso ainda n\u00e3o era moda. Qu\u00e3o confiante e feliz consigo mesmo ele era nessas \u00e9pocas! Hennie redescobriu sua \u201cinner awesomeness\u201d ou sua capacidade interior de ser incr\u00edvel. Ser incr\u00edvel \u00e9 uma quest\u00e3o de acreditar em si mesmo e nos dons dados a voc\u00ea. Lembrei-me de como em minha inf\u00e2ncia queria ser um lixeiro-detetive-arque\u00f3logo e como cada uma dessas coisas representava um dom espec\u00edfico que eu viria a desenvolver mais tarde.<\/p>\n<p>Deus nos deu dons incr\u00edveis que foram exercitados por nossa vida inteira, com mais criatividade provavelmente na inf\u00e2ncia e com menos ou mais for\u00e7a, conforme os est\u00edmulos externos. No meu caso, lixeiro-detetive-arque\u00f3logo, veio a se tornar uma grande busca por organiza\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e pesquisa que eu sequer reparei que estavam l\u00e1 por um bom tempo e que foram a base para a maioria de minhas decis\u00f5es de 2014.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante n\u00e3o nos esquecermos de que devemos, sim, desenvolver nossas paix\u00f5es, tanto na \u00e1rea profissional quanto pessoal ao longo do tempo. Devemos gastar nossa vida com qualidade, escolhendo assuntos relevantes e convivendo com pessoas interessantes. Sim, \u00e9 muito bacana ter uma hist\u00f3ria bonita ou um belo caminho a seguir, mas voc\u00ea n\u00e3o precisa ficar de olho no caminho alheio o tempo todo. Ven\u00e7a suas pr\u00f3prias metas! \u00c9 necess\u00e1rio, sim, buscar coisas novas, sempre, mas se voc\u00ea n\u00e3o crescer em coisas conhecidas, voc\u00ea n\u00e3o estar\u00e1 criando um caminho, apenas um emaranhado de ruas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212; Thales Lima tem 25 anos, \u00e9 mestrando em Teoria Liter\u00e1ria pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa e di\u00e1cono da Igreja Presbiteriana de Vi\u00e7osa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thales Lima Nesse ano de 2014 me deparei, inesperadamente, com um volume muito grande de decis\u00f5es a tomar. Com o passar do ano, percebi que n\u00e3o conseguia apenas com minhas pr\u00f3prias reflex\u00f5es e experi\u00eancias me guiar sozinho pelo caminho que deveria abrir pela frente. 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