{"id":3752,"date":"2014-12-22T10:44:52","date_gmt":"2014-12-22T13:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3752"},"modified":"2014-12-22T10:44:52","modified_gmt":"2014-12-22T13:44:52","slug":"por-que-sou-cristao-protestante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/12\/22\/por-que-sou-cristao-protestante\/","title":{"rendered":"Por que sou crist\u00e3o protestante?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/UltJovem_22_12_14_Cruz.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3752\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3753 size-medium alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/UltJovem_22_12_14_Cruz-225x300.jpg\" alt=\"UltJovem_22_12_14_Cruz\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/UltJovem_22_12_14_Cruz-225x300.jpg 225w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/UltJovem_22_12_14_Cruz-112x150.jpg 112w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/12\/UltJovem_22_12_14_Cruz.jpg 756w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ser um crist\u00e3o protestante consiste, sobre todas as coisas, em identificar equ\u00edvocos inegavelmente absurdos e, dialogavelmente, fixar estacas p\u00fablicas de discord\u00e2ncias contra estas anomalias. Quando falamos em protestar, necessariamente, pressup\u00f5e-se a exist\u00eancia de uma fonte anterior que, na cosmovis\u00e3o de quem protesta, produziu incoer\u00eancias intoler\u00e1veis. Portanto, neste caso, o movimento protestante ao qual nos referimos, milita a favor de um conjunto de mudan\u00e7as na idiossincrasia teol\u00f3gica da institui\u00e7\u00e3o crist\u00e3 denominada Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Embora este movimento de inconformidade com os postulados cat\u00f3licos tenha o seu nascimento oficial no ano de 1517, ficando, a partir da\u00ed, conhecido como Reforma Protestante, j\u00e1 havia propostas semelhantes de reformula\u00e7\u00e3o que datam de per\u00edodos bem anteriores ao s\u00e9culo XVI. Exemplos? Pedro Valdo, no s\u00e9culo XII, rompeu definitivamente com a Igreja Cat\u00f3lica, e passou a ensinar que todo fiel era deposit\u00e1rio do Esp\u00edrito Santo, e que cada um podia interpretar livremente as Escrituras, sem a necessidade desta igreja. Na mesma \u00e9poca, Pedro de Bruys, que era um padre instru\u00eddo e bom orador, come\u00e7ou a ensinar contra o batismo infantil e que era preciso rebatizar os adultos; que s\u00f3 houve uma vez a transubstancia\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do vinho, isto \u00e9, na Santa Ceia; que os mortos n\u00e3o se beneficiavam de nossas ora\u00e7\u00f5es, esmolas e indulg\u00eancias, e que as igrejas, imagens e cruzes n\u00e3o tinham valor salv\u00edfico.<\/p>\n<p>Outro caso mais antigo ainda foi o do monge Ghothescalch, que, no s\u00e9culo IX, dizia que Cristo n\u00e3o havia morrido por toda a humanidade (uma esp\u00e9cie medieval de Expia\u00e7\u00e3o Limitada calvinista). Enfim, a hist\u00f3ria est\u00e1 abarrotada de exemplos de indiv\u00edduos que discordaram das ideologias do catolicismo. Em s\u00edntese, a Reforma Protestante e o protestantismo contempor\u00e2neo t\u00eam o seu sustent\u00e1culo em tr\u00eas arrimos biblicamente consistentes e historicamente eficientes. A consci\u00eancia deste trip\u00e9, de forma sistem\u00e1tica ou n\u00e3o, foi o fator que desencadeou no esp\u00edrito dos reformadores o fara\u00f4nico protesto que eles se dispuseram a pleitear. Assim sendo, estes tr\u00eas princ\u00edpios resumem os motivos que, depois de me tornar crist\u00e3o, levaram-me a optar coerentemente por ser um crist\u00e3o protestante. Vejamos um por um:<\/p>\n<p><strong>A igreja n\u00e3o pode monopolizar o sagrado<br \/>\n<\/strong>A Igreja, enquanto conjunto n\u00e3o geogr\u00e1fico e atemporal de todos os crentes em Jesus Cristo como formula\u00e7\u00e3o de um corpo do qual Ele \u00e9 o cabe\u00e7a, pela necessidade do encontro e da comunh\u00e3o perene, necessita se dividir em grupos geogr\u00e1fica e transitoriamente reconhec\u00edveis. Chamamos estes grupos tamb\u00e9m de igreja. O grupo ou, melhor, a igreja, seja ela qual for ou qual nome tenha, em hip\u00f3tese alguma, pode asseverar que o sagrado, isto \u00e9, a rela\u00e7\u00e3o com Deus e o seu Reino, \u00e9 de exclusivo e privado pertencimento do seu patrim\u00f4nio. Isto \u00e9 sectarismo, ou seja, \u00e9 comportamento e opini\u00e3o de seitas restauracionistas. A Igreja Cat\u00f3lica, no Conc\u00edlio Vaticano II, ratificou um axioma religioso que esteve presente em sua hist\u00f3ria desde sua concep\u00e7\u00e3o nas entranhas do imperador Constantino: <em>&#8220;extra Ecclesiam nulla salus&#8221;<\/em>, que significa \u201cfora da Igreja [Cat\u00f3lica] n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o\u201d. Isto tudo me faz lembrar um coment\u00e1rio atribu\u00eddo a Cipriano: &#8220;Ningu\u00e9m pode ter a Deus por pai, se n\u00e3o tem a Igreja [Cat\u00f3lica] por m\u00e3e&#8221;. A hist\u00f3ria, entretanto, demonstra claramente que, de fato, Deus tem muitos a quem nenhuma igreja tem, assim como as igrejas t\u00eam muitos a quem Deus n\u00e3o tem.<\/p>\n<p><strong>A igreja n\u00e3o pode desconsiderar a diverg\u00eancia<\/strong><br \/>\n\u00c9 um macro<strong>&#8211;<\/strong>princ\u00edpio da democracia uma afirma\u00e7\u00e3o popularmente atribu\u00edda a Voltaire, embora n\u00e3o seja localizada em nenhum de seus escritos: \u201cEu posso n\u00e3o concordar com nada do que voc\u00ea diz, mas lutarei at\u00e9 a morte a fim de que voc\u00ea tenha o direito de dizer\u201d. As igrejas crist\u00e3s devem se ancorar no mesmo fundamento, ou seja, a liberdade de express\u00e3o \u00e9 o direito fio condutor que rege qualquer progresso de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade. Como as doutrinas, liturgias e pr\u00e1ticas teol\u00f3gicas que as igrejas assumem como corretas s\u00e3o produtos da interpreta\u00e7\u00e3o imperfeita da B\u00edblia por parte do homem, ent\u00e3o, deve-se considerar qualquer leitura discrepante do texto b\u00edblico como plaus\u00edvel de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que a Igreja Cat\u00f3lica fez durante toda a sua exist\u00eancia, foi oficializar os seus posicionamentos eclesi\u00e1sticos e teol\u00f3gicos como inerrantes e inexor\u00e1veis, desconsiderando, censurando e, n\u00e3o poucas vezes, punindo opini\u00f5es divergentes. Veja o que te\u00f3logo cat\u00f3lico Prof. Felipe Aquino escreveu em seu livro \u201cPara Entender a Inquisi\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p>\u201cNunca um papa revogou uma verdade de f\u00e9 ensinada por um anterior, e nunca um dos 21 Conc\u00edlios universais que a Igreja realizou, cancelou um ensinamento doutrin\u00e1rio de outro realizado antes. O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o se contradiz, e n\u00e3o deixa a Igreja errar no essencial da f\u00e9. A hist\u00f3ria confirma isso.\u201d (pag. 16).<\/p>\n<p>Ser\u00e1 mesmo que a hist\u00f3ria confirma este suposto fato ou demonstra o inverso dele? O Papa Eug\u00eanio IV condenou Joana d\u2019Arc a ser queimada como uma bruxa, e depois o Papa Benedito XV decretou que essa mesma mulher fosse canonizada (1920). No mesmo livro supracitado, h\u00e1 o relato de que \u201cquando em 1231, o Papa Greg\u00f3rio IX oficializou o tribunal do Santo Of\u00edcio, proibiu o uso da tortura, como era tradi\u00e7\u00e3o na Igreja. Mas, 20 a 30 anos mais tarde, o Papa Inoc\u00eancio IV julgou leg\u00edtima a sua aplica\u00e7\u00e3o\u201d. (pag. 147). Onde est\u00e1 a infalibilidade papal nestas decis\u00f5es? Se nem a pr\u00f3pria Igreja que se considera inerrante e absoluta, desconsiderando, para tanto, pensamentos diferentes de suas cren\u00e7as, consegue entrar em consenso dentro de si mesma, qual ser\u00e1 a sua credibilidade opinativa?<\/p>\n<p><strong>A igreja n\u00e3o pode legislar sobre si mesma<\/strong><br \/>\n\u00c9 fato que a igreja, enquanto manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da Igreja-Corpo, necessita, inevitavelmente, da condu\u00e7\u00e3o Daquele que se autoproclama como seu <strong>cabe\u00e7a<\/strong>, seu \u00f3rg\u00e3o pensante e decis\u00f3rio, ou seja, o Senhor Jesus Cristo. Esta condu\u00e7\u00e3o, embora possa se apresentar historicamente por meio de avivamentos, reformas, expans\u00f5es, dentre outros eventos visivelmente espirituais, n\u00e3o pode ser dirigida atrav\u00e9s de invencionices da imagina\u00e7\u00e3o humana, que destoem do padr\u00e3o b\u00edblico de doutrinas, organiza\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, liturgia do culto, pr\u00e1ticas de proselitismo etc. N\u00e3o cabe \u00e0 igreja a liberdade criativa sobre sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, prop\u00f3sito e comportamento. Todo o direcionamento j\u00e1 est\u00e1 posto e estabelecido nas Sagradas Escrituras.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio, no entanto, que h\u00e1 certas caracter\u00edsticas in\u00e9ditas que poder\u00e3o surgir no espa\u00e7o-tempo de alguma gera\u00e7\u00e3o, que, sem nenhuma obje\u00e7\u00e3o b\u00edblica, poder\u00e3o ser introjetados na rotina da igreja a t\u00edtulo de instrumenta\u00e7\u00e3o e funcionalidade contextual, como novas tecnologias, arquiteturas diferenciadas, demandas iminentes de outros profissionais, t\u00e9cnicas inovadoras de evangeliza\u00e7\u00e3o e discipulado, sensatez para com hor\u00e1rios, lugares e formatos de reuni\u00f5es, dentre uma pluralidade de outras adapta\u00e7\u00f5es. Tudo isto, por\u00e9m, consiste em formas razoavelmente comuns de qualquer institui\u00e7\u00e3o se posicionar em determinadas microssociedades ou na\u00e7\u00f5es inteiras. Contudo, o que o catolicismo romano sempre fez foi adicionar ao escopo eclesi\u00e1stico, s\u00edmbolos de f\u00e9, pr\u00e1ticas lit\u00fargicas e dogmas integralmente n\u00e3o b\u00edblicos. Podemos mencionar o ter\u00e7o, o sinal da cruz, a confiss\u00e3o com o padre, a adora\u00e7\u00e3o [ou venera\u00e7\u00e3o] aos santos, a beatifica\u00e7\u00e3o, a canoniza\u00e7\u00e3o, a intermedia\u00e7\u00e3o mariana, a intercess\u00e3o dos santos, a exist\u00eancia de um representante de Jesus na Terra (o Papa), a diferen\u00e7a entre pecados mortais e veniais, as rezas por repeti\u00e7\u00f5es, as prociss\u00f5es, a infalibilidade papal, as promessas, as penit\u00eancias e uma s\u00e9rie inumer\u00e1vel de outras inven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2013 Marlon Teixeira<\/strong>, 21 anos, \u00e9 de Ipatinga, MG.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser um crist\u00e3o protestante consiste, sobre todas as coisas, em identificar equ\u00edvocos inegavelmente absurdos e, dialogavelmente, fixar estacas p\u00fablicas de discord\u00e2ncias contra estas anomalias. 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