{"id":3709,"date":"2014-11-21T13:20:30","date_gmt":"2014-11-21T16:20:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3709"},"modified":"2015-02-27T10:17:59","modified_gmt":"2015-02-27T13:17:59","slug":"nao-relogio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/11\/21\/nao-relogio\/","title":{"rendered":"N\u00e3o me d\u00ea um rel\u00f3gio de presente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_27_02_15_Relogio.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3709\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-3830\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_27_02_15_Relogio.jpg\" alt=\"UltJovem_27_02_15_Relogio\" width=\"432\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_27_02_15_Relogio.jpg 432w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_27_02_15_Relogio-300x240.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_27_02_15_Relogio-150x120.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a>Um dia depois de outro dia \u00e9 um dia assim como qualquer outro. O primeiro dia do ano ainda tem a caracter\u00edstica de ser um dia, e, portanto, a propriedade de escapar de n\u00f3s, assim como qualquer outro. Talvez a solu\u00e7\u00e3o seja mesmo deix\u00e1-lo escapar, porque ningu\u00e9m consegue ser feliz contando as horas, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Eu, no caso, cansei de catalogar as partes do dia e decidi me rebelar contra essa coisa toda de controlar o tempo, e at\u00e9 jogaria o meu rel\u00f3gio fora, se eu tivesse um. Cansei, por demais, de ficar aflito a respeito das horas \u201cdesperdi\u00e7adas\u201d e da sua ditadura program\u00e1tica do \u201cme aproveite ou vou-me embora\u201d, que nos ilude pra, de pouquinho em pouquinho, se esgueirar pelo canto da sala at\u00e9 ir embora de qualquer jeito. \u201cMas, voc\u00ea n\u00e3o tem resolu\u00e7\u00e3o de ano novo?\u201d \u00e9 o que sempre me perguntam e eu nunca consegui bolar uma resposta criativa. Acabo sempre ficando entre o irrespons\u00e1vel que n\u00e3o consegue enxergar um palmo (leia-se, semestre) \u00e0 sua frente, e o c\u00e9tico que n\u00e3o consegue acreditar em si mesmo o suficiente pra esperar alguma coisa do pr\u00f3prio futuro. E eu acabo me deixando passar assim mesmo, porque, ironicamente, seria um desperd\u00edcio de tempo tentar convencer qualquer um de que o tempo n\u00e3o cabe na nossa m\u00e3o, e eu n\u00e3o consigo trabalhar muito bem com as coisas que eu n\u00e3o prevejo. Mas eu estou aprendendo. E o que eu e voc\u00ea estamos tendo \u00e9 uma conversa, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Das mais ociosas e \u201cprotelantes\u201d poss\u00edveis, possivelmente sentados numa rede, e eu n\u00e3o estou tentando te convencer de nada.<\/p>\n<p>Uma vez, quando crian\u00e7a, eu era fascinado com rel\u00f3gios. Nada t\u00e3o intelectual ou culto do n\u00edvel Hugo Cabrett, eu s\u00f3 adorava a ideia de ter uma m\u00e1quina no meu pulso. Me lembro de pegar rel\u00f3gios quebrados do meu pai e ficar correndo pela casa enfrentando vil\u00f5es imagin\u00e1rios e inclusive, j\u00e1 desmaiei de ansiedade quando me foi prometido de anivers\u00e1rio um daqueles rel\u00f3gios modernos, que acendiam a luzinha, s\u00f3 pra espatif\u00e1-lo no ch\u00e3o numa brincadeira de pique-pega. Talvez a\u00ed tenha come\u00e7ado a minha rebeli\u00e3o contra os rel\u00f3gios, e contra essa hist\u00f3ria toda de se desesperar por conta de uma coisa que vai passar, quer voc\u00ea queira, quer n\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje em dia, eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o mais pac\u00edfica com rel\u00f3gios, e at\u00e9 consegui deixar pra tr\u00e1s uma boa parte do preconceito que eu tinha durante a adolesc\u00eancia com quem os usava, ostentando uma maquininha no pulso para controlar o tempo que vai passar de um jeito ou de outro. Mas essa coisa toda de \u201caonde voc\u00ea se v\u00ea daqui a seis meses\u201d que a gente ouve nas ceias de virada de ano daquele tio chato que sempre pergunta das namoradinhas s\u00f3 fazem \u00e9 deixar aflito quem, assim como eu, at\u00e9 tem boas inten\u00e7\u00f5es e direcionamentos pro ano seguinte, mas acabam n\u00e3o conseguindo passar do pontap\u00e9 inicial (como mudar de apartamento ou trocar de carro).<\/p>\n<p>Portanto, se voc\u00ea me perguntar quais s\u00e3o as minhas expectativas pra 2015, eu vou dar com os ombros, te dar um sorriso, e te convidar pra ir l\u00e1 em casa sexta-feira, porque v\u00e3o uns amigos pra l\u00e1 pra tocar viol\u00e3o e jogar conversa fora, pra gente deixar essa hist\u00f3ria de controlar o tempo de lado, e fingir que aquele tempo ali nunca vai passar. Que a\u00ed talvez, ele nunca passe mesmo.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/scardinimusica\" target=\"_blank\"> \u2022 Guilherme Scardini<\/a>,<\/strong> 21 anos, \u00e9 estudante de arquitetura na UFV (Universidade Federal de Vi\u00e7osa) e m\u00fasico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia depois de outro dia \u00e9 um dia assim como qualquer outro. O primeiro dia do ano ainda tem a caracter\u00edstica de ser um dia, e, portanto, a propriedade de escapar de n\u00f3s, assim como qualquer outro. 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