{"id":3677,"date":"2014-11-04T13:59:31","date_gmt":"2014-11-04T16:59:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3677"},"modified":"2014-11-05T14:44:01","modified_gmt":"2014-11-05T17:44:01","slug":"um-turismo-pra-dentro-e-pra-fora-de-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/11\/04\/um-turismo-pra-dentro-e-pra-fora-de-mim\/","title":{"rendered":"Um turismo pra dentro e pra fora de mim"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3678\" style=\"width: 612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando2.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3677\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3678\" class=\"size-full wp-image-3678\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando2.jpg\" alt=\"Daniel em Potsdam, Alemanha. Foto: Mateus Viegas\" width=\"602\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando2.jpg 602w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando2-300x198.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando2-150x99.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3678\" class=\"wp-caption-text\">Daniel em Potsdam, Alemanha. Foto: Mateus Viegas<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por Daniel Caldeira<\/em><\/p>\n<p>Sentei na frente da Torre Eiffel e pensei como a sa\u00edda mais f\u00e1cil tinha sido vir pra Europa, largar toda responsabilidade que tinha pra tr\u00e1s, trancar a faculdade, esvaziar a poupan\u00e7a e fugir. Mas diz aquela m\u00fasica que gostei quando ouvi o Carlinhos Veiga cantar: \u201conde eu ia, eu tava\u201d. E como quem foge de si, acaba se encontrando, eu vi que esse \u201cretiro\u201d na Europa era a \u201cbarriga de uma grande baleia\u201d. Uma barriga com lugares lindos, por sinal. Quando fui dar conta, estava sentado ali fazia uma hora e meia, e j\u00e1 era mais que hora de seguir a p\u00e9 at\u00e9 a \u00d3pera de Paris.<br \/>\nSeguem nesse texto algumas dicas pra voc\u00ea que quer um dia fazer um turismo por a\u00ed.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Viaje<br \/>\n<\/strong>Acho que eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia de viajar &#8211; seja pra outro continente ou pra uma cidade vizinha &#8211; at\u00e9 chegar aqui. Renovar os ares, desacostumar o olhar \u00e9 algo que nos faz perceber o nosso pr\u00f3prio espa\u00e7o de forma diferente, reform\u00e1-lo, refor\u00e7\u00e1-lo. As coisas e pessoas s\u00e3o diferentes de onde voc\u00ea est\u00e1 e isso causa um estranhamento que \u00e9 bom. As casas da Alemanha t\u00eam aqueles telhadinhos em \u201cA\u201d, as ruas de Amsterd\u00e3 s\u00e3o uma mistura um pouco ca\u00f3tica de gente, bicicletas e bondinhos, as pessoas de Paris est\u00e3o num parque com os filhos em plena ter\u00e7a-feira \u00e0 tarde. Quando eu olho pra essas outras culturas, consigo tra\u00e7ar melhor a minha, e consigo at\u00e9 sonhar, por exemplo, com uma folga \u00e0 tarde no trabalho pra poder ter um tempo no parque.<\/p>\n<p><strong>Viaje sozinho (a p\u00e9, quando poss\u00edvel)<\/strong><br \/>\nViajar sozinho \u00e9 algo que te deixa mais sens\u00edvel ao que o espa\u00e7o em que voc\u00ea est\u00e1 significa. Te faz ter que falar menos e te obriga a olhar mais. Tive bonitos momentos de contempla\u00e7\u00e3o, conversei com Deus no sil\u00eancio de algumas igrejas e na vivacidade de alguns parques, e nessas horas passei a me olhar e me entender mais profundamente, tamb\u00e9m, dos porqu\u00eas de ter sa\u00eddo do Brasil. Al\u00e9m disso, voc\u00ea tem a oportunidade de conhecer gente de todo lugar e entrar em contato com elas: em Paris, conheci um americano, estudante de sociologia de Harvard e um taiwan\u00eas que morava em Londres, al\u00e9m de uma turma de brasileiros viajando juntos. Em Bruxelas conheci no ponto de \u00f4nibus duas alem\u00e3s que estavam voltando pra casa, dois amigos argentinos &#8211; que depois coincidentemente encontrei na Oktoberfest! &#8211; em Amsterd\u00e3, dois franceses e um japon\u00eas.<\/p>\n<p>Vou ser sincero: Essa coisa de viajar a p\u00e9 n\u00e3o foi volunt\u00e1ria, no in\u00edcio. Isso come\u00e7ou em Paris quando eu percebi que eu n\u00e3o tinha muita grana pra ficar andando de metr\u00f4, muito menos pra tomar um milh\u00e3o de caf\u00e9s como no meu ideal de viagem. Hostel barato, almo\u00e7o e janta comprados no mercado, tudo isso pra ter dinheiro pra entrar no Louvre. No primeiro dia de caminhada fui do meu hostel, do lado da Gare de Lyon at\u00e9 o Louvre (um Google Maps te dar\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o melhor), mais ou menos 4 km. Eu achei muito mais bonito! Repeti a dose em Bruxelas e Brugge. Voc\u00ea conhece as ruas, os lugares diferentes, percebe melhor as nuances de uma cidade que n\u00e3o \u00e9 feita s\u00f3 de pontos tur\u00edsticos. Voc\u00ea descobre lojas de bugigangas, roupas usadas, discos de vinil, feirinhas, paredes grafitadas &#8211; Bruxelas tem isso aos montes! &#8211; coisas que d\u00e3o um gosto a mais do que \u00e9 estar naquela cidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_3679\" style=\"width: 457px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3677\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3679\" class=\"wp-image-3679 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando.jpg\" alt=\"Daniel com os amigos Mateus Viegas, Nailza Bizerra e Paulo Accioly, em Monique, Alemanha.\" width=\"447\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando.jpg 447w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/11\/UltJovem_04_11_14_daniel_viajando-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3679\" class=\"wp-caption-text\">Daniel (\u00e0 direita) com os amigos Mateus Viegas, Nailza Bizerra e Paulo Accioly, em Munique, Alemanha.<\/p><\/div>\n<p><strong>Viaje sozinho, mas com seus amigos tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\nO compartilhar toma o lugar da contempla\u00e7\u00e3o quando voc\u00ea viaja com seus amigos. Tenho como \u201cporto\u201d para as minhas viagens as casas de alguns amigos que est\u00e3o estudando na Alemanha, e combinamos de ir juntos para alguns lugares. \u00c0s vezes, o que joga a moral de uma viagem pra cima \u00e9 algu\u00e9m pra jogar conversa fora e te empurrar em dire\u00e7\u00e3o a algumas coisas loucas que voc\u00ea n\u00e3o faria em casa nem sozinho, como dar uma volta \u00e0 noite em Berlim vestido de dinossauro ou cantar cl\u00e1ssicos da TV no bondinho. Viajar com os amigos \u00e9 ter hist\u00f3ria engra\u00e7ada pra contar l\u00e1 na frente e a certeza de estreitar os la\u00e7os. (Clayton, Paulo e Viegas, sou grato pela hospedagem e pela companhia!)<\/p>\n<p>Nesses dois meses e meio, sozinho, junto, a p\u00e9, de metr\u00f4, fui a v\u00e1rios lugares: Col\u00f4nia, Kassel, M\u00fcnster, Padeborn, Munique, Berlim, Potsdam, Salzburg, Hallstatt, Amsterd\u00e3, Bruxelas, Brugge, Paris, Roma e Barcelona. Vi algumas coisas que n\u00e3o tem como descrever, como por exemplo, a K\u00f6lner Dom, em Col\u00f4nia e as Bodas de Can\u00e1 de Veronesi no Louvre. Claro, bate sempre a saudade do Brasil. Saudade que eu aprendi a ter aqui, das praias, da gente, dos amigos. Mas ser estrangeiro no mundo, sentir saudades de onde vim n\u00e3o me impede de apreciar tudo de bonito que existe e que revela a gra\u00e7a e o amor de um Deus bonito. A baleia me cospe na praia de Itacoatiara, l\u00e1 pertinho de casa em Niter\u00f3i, e eu volto na certeza de que Deus me levou pra Europa pra me ensinar a fazer um turismo &#8211; pra dentro e pra fora de mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Daniel Caldeira <\/strong>\u00e9 estudante de publicidade e propaganda na Universidade Federal Fluminense (UFF). Nas horas vagas (e nas n\u00e3o vagas), tenta olhar o mundo e transform\u00e1-lo em m\u00fasica e texto. Em 2013, ele gravou o EP \u201cAzul Laranja\u201d. Baixe as can\u00e7\u00f5es <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Azularanja\" target=\"_blank\">gratuitamente aqui<\/a>. Congrega na Igreja Presbiteriana Bet\u00e2nia, em Niter\u00f3i (RJ).<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Daniel Caldeira Sentei na frente da Torre Eiffel e pensei como a sa\u00edda mais f\u00e1cil tinha sido vir pra Europa, largar toda responsabilidade que tinha pra tr\u00e1s, trancar a faculdade, esvaziar a poupan\u00e7a e fugir. Mas diz aquela m\u00fasica que gostei quando ouvi o Carlinhos Veiga cantar: \u201conde eu ia, eu tava\u201d. 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