{"id":3490,"date":"2014-08-01T12:05:38","date_gmt":"2014-08-01T15:05:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3490"},"modified":"2014-08-12T08:56:15","modified_gmt":"2014-08-12T11:56:15","slug":"por-que-nao-assisto-mais-tv-aberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/08\/01\/por-que-nao-assisto-mais-tv-aberta\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o assisto mais TV aberta?"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/08\/UltJovem_01_08_14_TV.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3490\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3491\" alt=\"UltJovem_01_08_14_TV\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/08\/UltJovem_01_08_14_TV.jpg\" width=\"525\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/08\/UltJovem_01_08_14_TV.jpg 525w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/08\/UltJovem_01_08_14_TV-300x188.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/08\/UltJovem_01_08_14_TV-150x94.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Por Marlon Teixeira<\/em><\/p>\n<p><em><\/em>A princ\u00edpio, julgo ser amplamente necess\u00e1rio divulgar explicitamente o fio condutor de minha opini\u00e3o: n\u00e3o sou contra a televis\u00e3o aberta, popular, gr\u00e1tis por assim dizer. Ali\u00e1s, como eu poderia me posicionar contra, diante do uso louv\u00e1vel &#8211; mesmo que raro &#8211; que se faz dela? Seria o mesmo que discordar do ato de uma dona de casa se utilizar da faca para partir seus legumes, levando em conta o fato de que h\u00e1 assassinos que se apoderam do mesmo instrumento para matar. Portanto, meu problema n\u00e3o \u00e9 com o objeto, mas \u00e9 com sua manipula\u00e7\u00e3o. Minha inquieta\u00e7\u00e3o se manifesta na medida em que o manejo deste meio, a televis\u00e3o aberta, torna-se uma verdadeira incubadora de desintelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o assisto mais \u00e0 tev\u00ea aberta? Bem, eu posso n\u00e3o apenas lhe responder, mas posso [e prefiro] lhe mostrar. Para fazer isto, precisarei de sua colabora\u00e7\u00e3o. Caso voc\u00ea deseje aceitar, comece sintonizando sua televis\u00e3o em um canal popular da TV aberta &#8212; seja num s\u00e1bado qualquer ou numa tarde de domingo. O ideal \u00e9 que voc\u00ea fa\u00e7a isto quando estiver no ar algum programa de audit\u00f3rio, com um apresentador simp\u00e1tico, din\u00e2mico e engra\u00e7ado. Posso lembrar de alguns: Programa do Faust\u00e3o, Caldeir\u00e3o do Hulk, Legend\u00e1rios, P\u00e2nico na TV, Programa S\u00edlvio Santos, Programa Eliana, Domingo Legal, O Melhor do Brasil, dentre outros.<\/p>\n<p>Agora, procure elementos comuns entres todos estes programas e voc\u00ea se surpreender\u00e1 com o resultado: eles disp\u00f5em dos mesmos artif\u00edcios para fidelizar sua aten\u00e7\u00e3o e a de sua fam\u00edlia, sem que voc\u00eas percebam que est\u00e3o se divertindo com entretenimento barato num cativeiro de op\u00e7\u00f5es id\u00eanticas. Talvez voc\u00ea ainda n\u00e3o tenha observado, mas este fen\u00f4meno \u00e9 exatamente o descrito pelo rapper Gabriel O Pensador em sua m\u00fasica \u201cAt\u00e9 Quando?\u201d: \u201cA programa\u00e7\u00e3o existe pra manter voc\u00ea na frente, na frente da TV, que \u00e9 pra te entreter, que \u00e9 pra voc\u00ea n\u00e3o ver que o programado \u00e9 voc\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>Mulheres seminuas ou semivestidas [como voc\u00ea preferir], que banalizam a sensualidade feminina, ou seja, que a extrai da intimidade matrimonial e a negocia com o p\u00fablico, e em p\u00fablico; jogos \u201cquiz\u201d de perguntas e respostas que desafiam os participantes com acertos que valem dinheiro e erros que levam uma torta \u00e0 &#8220;cara&#8221;; reportagens com reforma de carros velhos, acabamento de im\u00f3veis, encontros de familiares distantes e viagens de volta \u00e0s terras de pessoas humildes [leia-se: nordestinas], como se a responsabilidade socioecon\u00f4mica assumida por estas emissoras milion\u00e1rias fosse satisfeita somente com got\u00edculas de assist\u00eancia social.<\/p>\n<p>Isto tudo, sem falar no sensacionalismo vulgar com as not\u00edcias de celebridades, os aplausos ao cantor convidado que teceu a \u201ccomplexa e erudita trilha sonora do momento e os quadros f\u00fateis de paqueras superficiais que nada deveriam gerar, al\u00e9m da seguinte autoindaga\u00e7\u00e3o: por que eu estou consumindo isto? Exatamente! Voc\u00ea e quem quer que seja, quando se assenta no sof\u00e1 e aperta o bot\u00e3o\u00a0<i>ligar\/desligar<\/i>\u00a0do seu aparelho televisor para se distrair com a programa\u00e7\u00e3o da TV, est\u00e1 abrindo, concomitantemente, as janelas do consumo. N\u00e3o digo &#8220;consumo&#8221; no sentido de comprar, mas com o significado de &#8220;se alimentar&#8221;, de &#8220;se nutrir&#8221;. E do que voc\u00ea pode estar se alimentando na TV aberta brasileira? Ora, de dejetos e refugo!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 humor, h\u00e1 bizarrices; n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 sele\u00e7\u00e3o de not\u00edcias que produzir\u00e3o audi\u00eancia; n\u00e3o h\u00e1 dramaturgia que explore cultura ou que gere reflex\u00f5es sociais, h\u00e1 enredos miser\u00e1veis que s\u00f3 desbravam a sexualidade (h\u00e9tero ou homossexual), a trai\u00e7\u00e3o (familiar ou profissional) e uma certa dose alt\u00edssima de gan\u00e2ncia por poder e dinheiro, que, com uma vista grossa adequada, qualquer pai pode deixar sua filha assistir a este tipo de novela; n\u00e3o h\u00e1 esportes, h\u00e1 monopoliza\u00e7\u00e3o do futebol. Percebe agora como o conte\u00fado \u00e9 selecionado para manter voc\u00ea ludibriado o bastante para n\u00e3o enxergar que n\u00e3o h\u00e1 conte\u00fado algum? Voc\u00ea compreende que as aparentes escolhas que o controle remoto supostamente lhe proporciona, funcionam como aquele velho ditado sobre o homem: &#8220;s\u00f3 mudam de endere\u00e7o&#8221;?<\/p>\n<p>Mas qual seria a solu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o? Assinar uma TV a cabo? Deixar de assistir \u00e0 televis\u00e3o se isto n\u00e3o for poss\u00edvel? Bem, a melhor alternativa \u00e9 assinar sim uma TV paga, que, com um acervo vasto de verdadeiras op\u00e7\u00f5es, o problema poder\u00e1 ser minimamente resolvido. Todavia, se este luxo n\u00e3o estiver ao alcance de quem o almeja, existe ainda a possibilidade de redigir uma sele\u00e7\u00e3o &#8211; mesmo que curta &#8211; n\u00e3o de canais, mas de programas razoavelmente assist\u00edveis da TV aberta para o lazer residencial, o que necessitar\u00e1, obviamente, de um crivo maduro, l\u00facido e ideol\u00f3gico para que haja \u00eaxito nesta tarefa. Menciono alguns programas: CQC, A Liga, Conex\u00e3o Rep\u00f3rter, Profiss\u00e3o Rep\u00f3rter, The Noite, Agora \u00e9 Tarde, Fant\u00e1stico, De frente com Gabi etc.<\/p>\n<p>Visto isso, creio ser preciso lembrar que a programa\u00e7\u00e3o do final de semana da TV brasileira s\u00f3 foi um estere\u00f3tipo do qual me apropriei, a fim de demonstrar a miserabilidade de um conjunto que se manifesta durante toda a semana. Contudo, n\u00e3o d\u00e1 pra citar todos os canais que gostaria, muito menos seus itiner\u00e1rios de entretenimento. Este artigo \u00e9 s\u00f3 um breve esbo\u00e7o de minha indigna\u00e7\u00e3o.\u00a0Est\u00e1 na hora de sair do sof\u00e1, mudar de canal ou lutar por uma legisla\u00e7\u00e3o a respeito. De fato, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ut\u00f3pico dar fim\u00a0ao problema,\u00a0ao passo que\u00a0somos n\u00f3s\u00a0que\u00a0possu\u00edmos, literalmente, o controle nas m\u00e3os para faz\u00ea-lo, pois se existe uma coisa na produ\u00e7\u00e3o televisiva que \u00e9 bastante clara, \u00e9 que, quando um programa de TV n\u00e3o d\u00e1 ibope, ele desaparece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2022 Marlon Teixeira<\/strong>, 21 anos, \u00e9 de Ipatinga, MG.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Nota:<br \/>\n<\/b>Artigo publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/casabereia.blogspot.com.br\/2014\/07\/por-que-nao-assisto-mais-tv-aberta.html\" target=\"_blank\">blog<\/a> do autor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marlon Teixeira A princ\u00edpio, julgo ser amplamente necess\u00e1rio divulgar explicitamente o fio condutor de minha opini\u00e3o: n\u00e3o sou contra a televis\u00e3o aberta, popular, gr\u00e1tis por assim dizer. 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