{"id":3486,"date":"2014-07-30T13:59:49","date_gmt":"2014-07-30T16:59:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3486"},"modified":"2014-07-30T13:59:49","modified_gmt":"2014-07-30T16:59:49","slug":"ariano-suassuna-e-sua-flauta-magica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/07\/30\/ariano-suassuna-e-sua-flauta-magica\/","title":{"rendered":"Ariano Suassuna e sua flauta m\u00e1gica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3487\" style=\"width: 688px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/CP0_9362.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3486\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3487\" class=\"size-full wp-image-3487\" alt=\"Duda Martins com Ariano Suassuna em 2010.\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/CP0_9362.jpg\" width=\"678\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/CP0_9362.jpg 678w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/CP0_9362-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/CP0_9362-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3487\" class=\"wp-caption-text\">Duda Martins com Ariano Suassuna em 2010.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Por Duda Martins<\/i><\/p>\n<p>&#8220;Eu estudei piano. Sabia tocar uma balada ou outra, mas as minhas m\u00e3os n\u00e3o eram apropriadas, s\u00e3o muito pequenas&#8221;. Minha primeira entrevista com Ariano aconteceu de forma inusitada no dia 2 de junho de 2010. Na \u00e9poca, recebemos um release sobre sua nova aula-espet\u00e1culo que tinha pianistas pernambucanos como mote. A minha editora Diana Moura me chamou num canto e disse: &#8220;Sei que vai ser muito dif\u00edcil, mas tente, pelo menos por telefone, uma fala dele sobre essa aula-espet\u00e1culo. Ariano era o secret\u00e1rio de Cultura de Pernambuco e eu: estagi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Perto de fechar o caderno consegui falar com Samarone (o assessor) que me perguntou, despretenciosamente, se eu n\u00e3o queria bater um papo com Ariano na casa dele! (!!!) Passei algumas das horas mais incr\u00edveis da minha vida na presen\u00e7a daquele homem que tanto me inspirou e me inspira at\u00e9 hoje. Falamos de piano e teatro (o que mais eu poderia querer?), rimos bastante. &#8220;Viajo pelo interior. Voc\u00ea imagina ter que levar um piano pra cada lugar que eu for. Ia ficar complicado&#8221;.<\/p>\n<p>Ele era t\u00e3o simples que me deu seus livros para folhear e me mostrou seus v\u00eddeos. A anima\u00e7\u00e3o era como se estivesse recebendo uma nobre visita em casa. Imagina s\u00f3? Nem sabia o meu nome. Mas o dele eu sabia: generosidade. Dona Z\u00e9lia (esposa) me ofereceu bolo e caf\u00e9. Eu aceitei. N\u00e3o ousaria recusar nada que viesse daquele momento m\u00e1gico.<\/p>\n<p>Dramaturgo, romancista, poeta, professor e, portanto, ator. Segundo ele mesmo, todo professor tem um pouco de ator. \u00a0Entre tantos predicados o que me entusiasmava mesmo em Ariano era o seu car\u00e1ter e sua postura enquanto figura p\u00fablica. A coer\u00eancia\/coragem dos seus discursos sempre me impressionou. Em uma de suas aulas-espet\u00e1culos contava sobre um programa que enaltecia Cazuza e sua c\u00e9lebre frase: \u201cmeus her\u00f3is morreram de overdose\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu tenho a maior compaix\u00e3o por Cazuza, coitado, morreu dilacerado daquela idade, jovem. Mas sobre essa frase dele, essas coisas est\u00e3o passando a\u00ed, e ningu\u00e9m protesta. A\u00ed eu resolvi protestar! Porque o meu her\u00f3i morreu crucificado entre dois ladr\u00f5es\u201d. P\u00c1! (Isso foi um tapa na minha cara.) E n\u00e3o satisfeito, ainda completou: \u201c\u00c9 preciso que a gente reafirme esses valores sem ter medo de ser considerado arcaico\u201d.<\/p>\n<p>Como artista, sempre imprimiu elementos da sua f\u00e9 nas suas obras. \u201cO Auto da Compadecida\u201d \u00e9 o mais famoso, mas \u201cA Pedra do Reino\u201d; \u201cO santo e a porca\u201d; \u201cA pena e a lei\u201d; \u201cFarsa da boa pregui\u00e7a\u201d; todas elas professavam de alguma forma a sua cren\u00e7a. Ariano era cat\u00f3lico, filho de pai cat\u00f3lico e m\u00e3e protestante. Mas acima de tudo era um crist\u00e3o corajoso. N\u00e3o tinha medo de se posicionar. N\u00e3o tinha medo de utilizar a sua arte como express\u00e3o da sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Naquela casa localizada no Po\u00e7o da Panela, um pequeno bairro do Recife, o que vi foi um grande sujeito, de voz rouca e fraca, mas firmes convic\u00e7\u00f5es. Um cabra da peste que reciclou a arte popular brasileira e tocou uma flauta m\u00e1gica, ressuscitando as minhas esperan\u00e7as em um mundo mais Armorial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Duda Martins<\/strong>, 26 anos, \u00e9 jornalista em Recife (PE).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Duda Martins &#8220;Eu estudei piano. Sabia tocar uma balada ou outra, mas as minhas m\u00e3os n\u00e3o eram apropriadas, s\u00e3o muito pequenas&#8221;. Minha primeira entrevista com Ariano aconteceu de forma inusitada no dia 2 de junho de 2010. Na \u00e9poca, recebemos um release sobre sua nova aula-espet\u00e1culo que tinha pianistas pernambucanos como mote. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5151],"tags":[22206,51,22207],"class_list":["post-3486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros-papos","tag-ariano-suassuna","tag-cultura","tag-folclore"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3486"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3488,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3486\/revisions\/3488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}