{"id":3459,"date":"2014-07-21T00:20:04","date_gmt":"2014-07-21T03:20:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3459"},"modified":"2014-07-22T08:51:55","modified_gmt":"2014-07-22T11:51:55","slug":"ja-no-quenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2014\/07\/21\/ja-no-quenia\/","title":{"rendered":"J\u00e1 no Qu\u00eania"},"content":{"rendered":"<p>(parte 2)<\/p>\n<p><em>Por B\u00e1rbara Almeida<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_3460\" style=\"width: 428px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/UltJovem_18_07_14_Lama.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3459\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3460\" class=\"size-full wp-image-3460\" alt=\"Amassando lama para produ\u00e7\u00e3o de tijolos.\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/UltJovem_18_07_14_Lama.jpg\" width=\"418\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/UltJovem_18_07_14_Lama.jpg 418w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/UltJovem_18_07_14_Lama-300x224.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2014\/07\/UltJovem_18_07_14_Lama-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3460\" class=\"wp-caption-text\">Amassando lama para produ\u00e7\u00e3o de tijolos.<\/p><\/div>\n<p>&#8230;Mas eu fui&#8230; Gra\u00e7as a Deus eu fui&#8230;<\/p>\n<p>Embarquei para o Qu\u00eania em junho de 2013.<\/p>\n<p>Levava comigo v\u00e1rias vontades: ser \u00fatil, ver sorrisos, aproximar-me de Deus, aperfei\u00e7oar meu ingl\u00eas, conhecer outra cultura&#8230;<\/p>\n<p>Mas, chegando l\u00e1, nos meus primeiros dias a vontade era: voltar pra casa. Uma sequ\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es me assustou e me fez pensar &#8220;O que estou fazendo?&#8221;. Fui recebida por uma volunt\u00e1ria inglesa doente, a janta servida era um macarr\u00e3o sem gosto, a resid\u00eancia estava sem eletricidade, eu n\u00e3o teria cama&#8230; Espantei-me quando perguntei por &#8220;bathroom&#8221;&#8230; E continuei espantada quando corrigi a pergunta por &#8220;toilet&#8221;. Essa sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;n\u00e3o perten\u00e7o, mas vou tentar&#8221; continuou por duas semanas. S\u00f3 naqueles 15 primeiros dias, 4 volunt\u00e1rios internacionais ficaram doentes, inclusive eu. (Peguei mal\u00e1ria no meu sexto dia de \u00c1frica.).<\/p>\n<p>Alguns desses volunt\u00e1rios foram embora logo depois. E para compensar chegaram onze franceses. Eu estava infeliz com a ideia de passar a morar com 20 e tantas pessoas, onde antes \u00e9ramos 5. Mas logo percebi que eu j\u00e1 tinha aprendido algumas coisas e poderia dar dicas para esses novos volunt\u00e1rios. E tamb\u00e9m percebi que deveria aprender muito mais. Nas tr\u00eas semanas seguintes, morando com v\u00e1rias pessoas e fazendo trabalho bra\u00e7al, aprendi a carregar \u00e1gua, fazer tijolo, limpar a casa, lavar o banheiro, ajudar na cozinha e lavar a lou\u00e7a. (Mesmo as coisas mais simples geralmente s\u00e3o executadas de modo diferente). Durante a estadia dos franceses, conclu\u00edmos dois mil tijolos. Um n\u00famero praticamente nulo perto de profissionais, mas muito significativo pra n\u00f3s. E eu me senti bem com isso. Come\u00e7ava a me sentir \u00fatil.<!--more--><\/p>\n<p>Em agosto<span style=\"font-size: 21px; letter-spacing: -0.02em; line-height: 22.8799991607666px;\">\u00a0<\/span>passamos o m\u00eas inteiro sem \u00e1gua corrente. Al\u00e9m de ter que aperfei\u00e7oar minhas habilidades de carregar \u00e1gua, tive que aprender a confiar em Deus. <em>\u00c0s <\/em>vezes n\u00e3o era a gente que ia at\u00e9 a \u00e1gua, mas a \u00e1gua que ia at\u00e9 a gente (\u00d4 chuva boa!).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a \u00e1gua que armazen\u00e1vamos n\u00e3o era muita. E minha roupa suja come\u00e7ou a acumular. Minhas amigas quenianas notaram, e um dia descemos at\u00e9 a bica e passamos 1 hora lavando as <b>minhas<\/b> roupas. Essa foi uma das muitas vezes que minhas novas amigas me ajudavam em tarefas do dia a dia.<\/p>\n<p>O banheiro j\u00e1 era o de menos, pois eu estava ganhando muito mais. Meu tempo foi ocupado com tarefas como tirar foto, elaborar relat\u00f3rio, fazer pesquisa com os volunt\u00e1rios quenianos e elaborar uma apostila com temas de palestras. \u00c0<em>s<\/em> vezes surgiam algumas tarefas inusitadas. Acompanhei a equipe da creche da organiza\u00e7\u00e3o que levou cerca de 40 crian\u00e7as para o primeiro passeio na cidade grande, onde andaram pela primeira vez de barco e brincaram pela primeira vez no parquinho. Elas pareciam assustadas, animadas, e depois exaustas. Outro dia acompanhei novamente estas crian\u00e7as quando foram tomar rem\u00e9dio contra vermes. E eu tamb\u00e9m tive que entrar na <em>dan\u00e7a<\/em> e fiquei com aquela &#8220;balinha&#8221; na boca at\u00e9 cansar. (Era s\u00f3 mais um rem\u00e9dio dentre as dez p\u00edlulas di\u00e1rias que eu estava tomando para curar febre tifoide e mal\u00e1ria.).<\/p>\n<p>Enquanto isso, fiz amizades com pessoas de todos os continentes e ganhei amigos quenianos. Pessoas que eu n\u00e3o conhecia passaram a saber meu nome, e eu era recebida com pessoas cantando &#8220;barabaraberebere&#8221; ou chamando &#8220;barab<em>\u00e1<\/em>ra&#8221; (que em kiswahili significa &#8220;estrada&#8221;). Descobri que os quenianos adoravam levar uma mzungu (pessoa branca) para suas casas e apresent\u00e1-la \u00e0s suas fam\u00edlias. Com essas visitas conheci novos lugares, novas pessoas e novos &#8220;parentes&#8221; que insistiam que eu prometesse voltar algum dia.<\/p>\n<p>O meu trabalho para a comunidade n\u00e3o era muita coisa. (Acho que todos volunt\u00e1rios internacionais correm risco de penderem entre &#8220;sou muito bom&#8221; e &#8220;sou bom coisa nenhuma&#8221;.). Eu me sentia \u00fatil na casa onde mor\u00e1vamos, mas n\u00e3o me via como pessoa necess\u00e1ria na organiza\u00e7\u00e3o. Quis iniciar um grupo de empoderamento com jovens, mas n\u00e3o vingou mais que um encontro. Pensei em iniciar aula de express\u00e3o corporal, mas n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>E assim, entre <em>realiza\u00e7\u00f5es e decep\u00e7\u00f5es<\/em><em>,<\/em> fui ficando. O que seriam tr\u00eas meses se estenderam para cinco meses e meio.<\/p>\n<p>Deixei o Qu\u00eania em novembro de 2013&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u2022 B\u00e1rbara Craveiro de Almeida<\/b> tem 24 anos e \u00e9 formada em servi\u00e7o social. Mora em Vinhedo, SP, e trabalha na \u00e1rea social, mas eventualmente se aventura na \u00e1rea art\u00edstica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m<br \/>\n<\/b><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3456\" target=\"_blank\">Quase no Qu\u00eania<b> <\/b>(parte 1)<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=3462\" target=\"_blank\">De volta do Qu\u00eania (parte 3)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>V\u00eddeo<br \/>\n<\/b>Convido <em>voc\u00eas<\/em> a partilharem um pouco desta <em>experi\u00eancia<\/em> comigo neste videoclipe: \u201cTake your time \u2013 Sly Shy\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/Z4mafeV-2ck\" height=\"315\" width=\"560\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(parte 2) Por B\u00e1rbara Almeida &nbsp; &#8230;Mas eu fui&#8230; Gra\u00e7as a Deus eu fui&#8230; Embarquei para o Qu\u00eania em junho de 2013. 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