{"id":2850,"date":"2013-07-19T08:00:34","date_gmt":"2013-07-19T11:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=2850"},"modified":"2013-07-15T10:56:19","modified_gmt":"2013-07-15T13:56:19","slug":"a-sabedoria-esta-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2013\/07\/19\/a-sabedoria-esta-nas-ruas\/","title":{"rendered":"A sabedoria est\u00e1 nas ruas"},"content":{"rendered":"<p>A revista <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/\" target=\"_blank\"><strong>Ultimato<\/strong> 343<\/a> (julho-agosto\/2013) j\u00e1 est\u00e1 no portal, mas liberada apenas para assinantes. Ao mesmo tempo, a edi\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/342\" target=\"_blank\">342<\/a>, antes restrita, agora j\u00e1 pode ser lida por todos. Por isso, aproveitamos o embalo para publicar aqui o artigo da se\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/artigos\/342\/a-sabedoria-esta-nas-ruas\" target=\"_blank\">Altos Papos<\/a> da revista <strong>Ultimato<\/strong> 342. Leia a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>A sabedoria est\u00e1 nas ruas<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA sabedoria clama l\u00e1 fora; pelas ruas levanta a sua voz. Nas esquinas movimentadas ela brada; nas entradas das portas e nas cidades profere as suas palavras: At\u00e9 quando, \u00f3 simples, amareis a simplicidade? E v\u00f3s escarnecedores, desejareis o esc\u00e1rnio? E v\u00f3s insensatos, odiareis o conhecimento?\u201d (Pv 1.20-22).<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/UltJovem_19_07_13_Altos_papos_ruas.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-2850\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2851\" alt=\"UltJovem_19_07_13_Altos_papos_ruas\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/UltJovem_19_07_13_Altos_papos_ruas.jpg\" width=\"624\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/UltJovem_19_07_13_Altos_papos_ruas.jpg 624w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/UltJovem_19_07_13_Altos_papos_ruas-300x112.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/UltJovem_19_07_13_Altos_papos_ruas-150x56.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a>Caminho por cima de rios, camadas de concreto e arames dobrados. Passo por uma senhora que aguarda no ponto de \u00f4nibus; ent\u00e3o, cabeleireiros, farm\u00e1cias e bares. Ora sinto medo, ora sinto liberdade, mas este \u00faltimo \u00e9 mais raro. Na maior parte do tempo procuro olhar para o horizonte. Mas aqui existem muros que me for\u00e7am a olhar apenas para o \u00f3bvio, para a rua de pedras fincadas. Pedras. Fincadas. Meu Deus, o que estamos fazendo? Em vez de campo estancado, vemos muros. Muros, muros, muros. Muros que afirmam a todo tempo \u201cisso \u00e9 meu\u201d. Temos medo. Sim, medo da viol\u00eancia e da agress\u00e3o. Mais do que isso, temos medo de sermos descobertos, de que nos vejam em nossa naturalidade.<\/p>\n<p>Fecho os olhos para sentir a brisa no rosto sem d\u00f3. \u00c0s vezes me sinto amea\u00e7ada, \u00e0s vezes sinto que sou a amea\u00e7a. Esta cidade cresce se autodestruindo. Desmorona a vida para que novas vidas cres\u00e7am em deleite. E n\u00e3o temos mais tempo nem para conhecer at\u00e9 onde levam as ruas. Levam a algum lugar, \u201cs\u00f3 que agora n\u00e3o tenho tempo\u201d. Eu, que me programo para ficar \u00e0 toa, vou l\u00e1 para ver, e sei que ela continua um pouco mais. Sigo o trilho, depois o ch\u00e3o batido, trechos em paralelep\u00edpedo e novamente pedra fincada. Pedras fincadas, de onde tiramos essa ideia?<\/p>\n<p>As irregularidades s\u00e3o tantas. \u00c9 s\u00e1bado, tudo est\u00e1 quieto, exceto ali. Seguindo aquele trecho, h\u00e1 um som alto e pessoas aglomeradas. Mas n\u00e3o vou. Continuo, vejo o menino soltando uma pipa branca de rabiola e tudo. Agora outro jogando futebol com seus iguais, meninos do mesmo ch\u00e3o. Meu Deus, esse lugar \u00e9 de todo mundo, a rua \u00e9 nossa! Nela o mo\u00e7o anda de bicicleta, e aqueles ali p\u00f5em mesas e cadeiras para conversar. Mas n\u00e3o \u00e9. Nela deixamos claras a nossa sujeira e falta de autocontrole. O mo\u00e7o deita porque bebeu demais. O lixo \u00e9 nosso, as pilhas de lixo s\u00e3o nossas. O lixo escorrendo no rio \u00e9 daquela casa, e daquela outra, e daquelas l\u00e1 na frente. O lixo empilhado no muro veio do pr\u00e9dio ao lado. O menino jogou um peda\u00e7o de papel e nem sequer olhou para ver. A rua, Deus, a rua n\u00e3o \u00e9 mais de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Fico pensando por que me importar com tudo isso. Vejo uma escola e atr\u00e1s dela um pasto queimado. Uma trilha subindo o pasto \u00e9 o rastro das pessoas que passam por ali. A\u00ed queimam o capim para timbrar tudo conforme o cinza do asfalto. Passam ali porque s\u00e3o apressadas, queimam porque d\u00e1 na mesma. Que coisa, pedras fincadas e pastos queimados. Chego ao topo. Vista? N\u00e3o, uma antena e mais uma casa murada. Dos dois lados, cercas e muros.<\/p>\n<p>Sigo em frente porque acho que me levar\u00e1 a um lugar seguro. Vejo mais casas e mais sinais de capim queimado. Vejo pessoas conversando na cal\u00e7ada, e elas me veem. A rua \u00e9 um lugar para ver e ser vista. Quero me esmorecer desse cinza, lembrar-me dos lugares sem pedras fincadas, sem lixo, sem muros. Meu Deus, de minha peregrina\u00e7\u00e3o brota a velha certeza: quero chegar \u00e0 minha morada.<\/p>\n<p>_________<br \/>\n<a href=\"http:\/\/paisageminterna.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\"><strong>Liz Valente<\/strong><\/a>, 28 anos, casada com Pedro Paulo, \u00e9 arquiteta e gosta de passear por v\u00e1rios campos da arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Ultimato 343 (julho-agosto\/2013) j\u00e1 est\u00e1 no portal, mas liberada apenas para assinantes. Ao mesmo tempo, a edi\u00e7\u00e3o 342, antes restrita, agora j\u00e1 pode ser lida por todos. Por isso, aproveitamos o embalo para publicar aqui o artigo da se\u00e7\u00e3o Altos Papos da revista Ultimato 342. 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