{"id":2821,"date":"2013-07-03T15:54:31","date_gmt":"2013-07-03T18:54:31","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=2821"},"modified":"2013-07-03T15:59:11","modified_gmt":"2013-07-03T18:59:11","slug":"assassinando-a-garota-de-ipanema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2013\/07\/03\/assassinando-a-garota-de-ipanema\/","title":{"rendered":"Assassinando a \u201cgarota de Ipanema\u201d!"},"content":{"rendered":"<p><em>[Por Frederico Rocha]<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_2822\" style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/garota-de-ipanema-romero-britto.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-2821\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2822\" class=\"size-full wp-image-2822\" alt=\"&quot;Garota de Ipanema&quot;, de Romero Britto.\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/garota-de-ipanema-romero-britto.jpg\" width=\"428\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/garota-de-ipanema-romero-britto.jpg 428w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/garota-de-ipanema-romero-britto-300x192.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2013\/07\/garota-de-ipanema-romero-britto-150x96.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2822\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Garota de Ipanema&#8221;, de Romero Britto.<\/p><\/div>\n<p>Esses dias eu estava conversando com um amigo. Muitos o chamam de S\u00f8ren Kierkegaard, mas ele prefere n\u00e3o se exp\u00f4r, tem avers\u00e3o a esse neg\u00f3cio de ser pop. At\u00e9 mesmo recomenda tal sentimento, assim como um m\u00e9dico prescreve um rem\u00e9dio. Na verdade ele j\u00e1 morreu! Mas al\u00e9m de acreditar que ele est\u00e1 vivo, experimentei o quanto foi real dar ouvidos \u00e0s suas palavras.<\/p>\n<p>O espetacular nessa hist\u00f3ria \u00e9 que nessa onda de experimentar, percebi que quem vive \u00e9 a \u201cgarota de Ipanema\u201d &#8212; e vive aqui dentro de mim (caramba!). Fiquei pensando em sexo, na incr\u00edvel motiva\u00e7\u00e3o que ele pode despertar em mim, e \u00e9 isso que acontece quando experimento aquelas sensa\u00e7\u00f5es. No \u00f4nibus, na pra\u00e7a, em casa, na rua, na sala de aula, ufa! Em todo o lugar l\u00e1 est\u00e1 a \u201cgarota de Ipanema\u201d, num doce balan\u00e7o a caminho do mar. Mas o que aborrece \u00e9 que ela vem e passa. No instante que eu a sinto ela desaparece. At\u00e9 no fim do dia, quando estou esgotado, ela surge como uma imagem viva e subjuga o meu corpo, superando a necessidade fisiol\u00f3gica do sono. Exige aten\u00e7\u00e3o, e ao estender-lhe a m\u00e3o ela se vai, fica um vazio.<!--more--><\/p>\n<p>Como o eu gostaria de escrever como poeta, mas al\u00e9m das minhas limita\u00e7\u00f5es, o meu amigo advertiu: \u201cN\u00e3o se iluda, o poeta \u00e9 extraordin\u00e1rio, sensacional, mas enquanto poeta \u00e9 cego em rela\u00e7\u00e3o ao bombocado da realidade!\u201d. Cheio de gra\u00e7a. Afinal desde quando a realidade \u00e9 doce ou gostosa?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o tomei uma decis\u00e3o! Vou mat\u00e1-la. \u201cMatar quem?\u201d. A \u201cgarota de Ipanema\u201d, uai! \u201cOpa, pera\u00ed! Mas e a Bossa Nova?\u201d. N\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de cometer etnoc\u00eddio. Nem sou anor\u00e9xico cultural, mas n\u00e3o d\u00e1 para ingerir veneno junto com a salada. D\u00e1 indigest\u00e3o, em alguns casos leva at\u00e9 \u00e0 morte. E voc\u00ea ouviu aquela m\u00fasica maravilhosa? Tom Jobim e Vin\u00edcius de Moraes, e com Jo\u00e3o Gilberto e Caetano Veloso? Esse pessoal descreve v\u00e1rios dramas da vida, com eleg\u00e2ncia e celebra\u00e7\u00e3o. Embora n\u00f3s identificamos isso como Bossa Nova, n\u00e3o pode-se dizer que \u00e9 obra de uma pessoa \u201cextraordin\u00e1ria\u201d ou de um grupo de pessoas de vidas ef\u00eameras, como todos n\u00f3s, simples mortais. Isso \u00e9 cultura brasileira! N\u00e3o d\u00e1 pra fazer sem um pa\u00eds tropical, com flora, fauna, terra, mar e c\u00e9u! Isso \u00e9 d\u00e1diva, gra\u00e7a!<\/p>\n<p>O verdadeiro problema \u00e9 que quando estava decidido a assassinar a garota de Ipanema percebi que o \u201ceu\u201d tamb\u00e9m morreria. A\u00ed o amor de si mesmo declarou guerra! Somente ap\u00f3s a euforia da autoconfian\u00e7a confessei que n\u00e3o havia vida suficiente em mim para matar meu ego poeta enigm\u00e1tico, que me confudia sublimando-se na garota de Ipanema.<\/p>\n<p>Completamente desiludido, ca\u00ed na real. Foi ent\u00e3o que pude deixar Deus me ajudar. Oh! Como \u00e9 bom! Poder assumir sua humanidade, fragilidade, depend\u00eancia. Habitar harmonicamente a terra, com todas as possibilidades de trag\u00e9dia que isso implica, sem tornar-se um ser desesperado.<\/p>\n<p>Acredito que o instinto humano de se envolver em experi\u00eancias de sexo com paix\u00e3o \u00e9 fundamentalmente saud\u00e1vel. Mas o fato \u00e9 que quando o amor ideal rom\u00e2ntico torna-se real, ele acaba! Uma pessoa te desperta uma sensa\u00e7\u00e3o linda ou um tes\u00e3o extraordin\u00e1rio, tal promessa de felicidade te faz cego de amor. Mas no exato instante que voc\u00ea a enxerga ela morre. N\u00e3o \u00e9 uma pessoa ideal, perfeita; ela existe, \u00e9 real. Em termos mais xulos, depois que voc\u00ea goza acaba, em alguns casos surge at\u00e9 nojo e repulsa. Esse estado de paix\u00e3o pode durar mais tempo. Mas no fim est\u00e1 fadado ao fracasso, o tempo o corr\u00f3i sem culpa, a n\u00e3o ser que se torne algo maior do que ele mesmo. E isso s\u00f3 Deus pode fazer! Nem adianta tentar controlar, pois mesmo quando experimentar aquelas sensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o ser\u00e1 mais do que um ser desesperado reprimindo suas ang\u00fastias. Como aquela pessoa moderna que se apropria sei l\u00e1 como do Kama Sutra, pratica umas aulas de yoga para ent\u00e3o estuprar a si mesma.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou negando a necessidade real, biol\u00f3gica, bela e verdadeira de voc\u00ea expressar corporalmente sua maculinidade ou feminilidade. \u00c9 preciso afirmar a sexualidade em termos de genit\u00e1lia manuseada com ternura e sem vergonha. Mas o ponto crucial \u00e9 que s\u00f3 Deus pode satisfazer plenamente os desejos humanos! Se voc\u00ea tentar satisfazer seus pr\u00f3prios desejos por conta pr\u00f3pria ser\u00e1 eternamente frustrado. Enquanto voc\u00ea n\u00e3o se comprometer com o dever de amar a Deus acima de todas as coisas e o dever de amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo n\u00e3o ser\u00e1 livre para se comprometer a amar ningu\u00e9m, pois \u00e9 escravo do amor de si mesmo, do ego\u00edsmo, das sensa\u00e7\u00f5es passageiras e et\u00e9reas que vem e passam a cada instante. Como a pessoa que no voto de casamento prometeu amar o amado na tristeza e na alegria sem o enxergar de verdade. Fez a promessa para o seu ideal rom\u00e2ntico. Com o passar do tempo cai na real, mas continua enamorada com o seu ego poeta, at\u00e9 pod\u00ea-lo projetar em outra pessoa que em algum momento aparenta se encaixar nesse ideal. Ela n\u00e3o ama ningu\u00e9m, ama a si mesma desesperamente!<\/p>\n<p>A eterna diferen\u00e7a que Deus faz \u00e9 que o sexo, por mais humano, terreno, passageiro e ef\u00eamero que continue sendo, quando feito coerentemente com o mandamento de Deus n\u00e3o somente revelar\u00e1 o anseio do homem por Deus como ir\u00e1 tamb\u00e9m repercutir na eternidade. Pois n\u00e3o \u00e9 mais o fim da uni\u00e3o de duas pessoas, mas \u00e9 um meio para que voc\u00ea se una em verdade com a outra pessoa. Enxergando, tocando, sentindo, amando, comprometendo-se realmente com a outra pessoa, realizando-se sexualmente no casamento como ser humano, \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>________________<br \/>\n<strong>Frederico<\/strong>: etimologicamente vem do alem\u00e3o. Significa aquele que promove a paz. Tenho 29 anos. Sou crist\u00e3o, brasileir\u00edssimo e belorizontino, gra\u00e7as a Deus!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nota:<\/strong><br \/>\nEste artigo foi publicado originalmente, em 2010, na revista\u00a0<a href=\"issuu.com\/anaclaudia.nunes\/docs\/livre_2_sexualidade?e=0\/3877425\" target=\"_blank\"><strong>Livre #2<\/strong><\/a>. A revista (que voc\u00ea pode &#8220;folhear&#8221; abaixo) foi elaborada pela publicit\u00e1ria Ana Cl\u00e1udia Nunes, na \u00e9poca, estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A &#8220;Livre&#8221; foi um projeto experimental de conclus\u00e3o do curso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/e.issuu.com\/embed.html#0\/3877425\" height=\"525\" width=\"525\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dica!\u00a0<\/strong>Conhe\u00e7a tamb\u00e9m a nova edi\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/macho-femea-os-criou\/\" target=\"_blank\">Macho e F\u00eamea os Criou &#8211; celebrando a sexualidade<\/a>, do psic\u00f3logo Carlos &#8220;Catito&#8221;\u00a0Grzybowski.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Por Frederico Rocha] Esses dias eu estava conversando com um amigo. Muitos o chamam de S\u00f8ren Kierkegaard, mas ele prefere n\u00e3o se exp\u00f4r, tem avers\u00e3o a esse neg\u00f3cio de ser pop. At\u00e9 mesmo recomenda tal sentimento, assim como um m\u00e9dico prescreve um rem\u00e9dio. Na verdade ele j\u00e1 morreu! 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