{"id":2250,"date":"2012-11-12T08:03:23","date_gmt":"2012-11-12T11:03:23","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=2250"},"modified":"2012-11-12T09:47:32","modified_gmt":"2012-11-12T12:47:32","slug":"sobre-meninas-pocos-e-vidas-transformadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2012\/11\/12\/sobre-meninas-pocos-e-vidas-transformadas\/","title":{"rendered":"Sobre meninas, po\u00e7os e vidas transformadas"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Doroth de Assis<\/em><\/p>\n<p><em><\/em><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2012\/11\/23564_kp_02.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-2250\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" data-lightview-title=\"23564_kp_02\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2255\" title=\"23564_kp_02\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2012\/11\/23564_kp_02.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2012\/11\/23564_kp_02.jpg 224w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/files\/2012\/11\/23564_kp_02-112x150.jpg 112w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a>Uma menina. Por pouco tempo. Rebeca, vestida em suas melhores roupas, desmontava o melhor camelo de seu pai, ap\u00f3s uma longa viagem seguindo a um homem que conhecera h\u00e1 apenas algumas horas. Um sorriso brinca em seus l\u00e1bios quando se lembra de tudo o que aconteceu nas \u00faltimas 24 horas. Era um dia comum. Ela tirava \u00e1gua do po\u00e7o, como sempre fazia. Um homem estranho, talvez estrangeiro, pediu que lhe desse de beber.<\/p>\n<p>Rebeca serviu-o prontamente. Imaginou se seus animais tamb\u00e9m n\u00e3o estariam sedentos, e serviu-os tamb\u00e9m. Os olhos do homem brilharam. Se ela soubesse ler pensamentos, saberia que aquele brilho traduzia a ternura de algu\u00e9m que tem as suas ora\u00e7\u00f5es respondidas. Mais tarde, esse homem desconhecido que presenteara Rebeca com j\u00f3ias seria um h\u00f3spede em sua casa. Conversaria com seu pai e irm\u00e3o enquanto ela n\u00e3o estivesse por perto. E a faria saber: ela era a escolhida para ser esposa de Isaque, aquele que foi concebido gra\u00e7as \u00e0 bondade do Senhor.<\/p>\n<p>Rebeca passa a m\u00e3o pelas suas vestes. Avista um homem andando em sua dire\u00e7\u00e3o. Fica sabendo que era a ele que o cora\u00e7\u00e3o dela pertenceria, a partir de agora. Rebeca sorri enquanto sente o v\u00e9u deslizar sobre seu rosto. Ela era apenas uma menina. Mas por pouco tempo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>V\u00e1rios s\u00e9culos depois, viveria uma mulher que estava longe de ser menina. Seus olhos traziam as marcas de um passado de busca desenfreada por prazer e de encontros recorrentes com dor e amargura. Sua reputa\u00e7\u00e3o era a pior poss\u00edvel, mas ela sabia que tinha feito por merecer. Seu nome nunca foi citado, talvez porque n\u00e3o a achassem importante o suficiente para isso. Era apenas conhecida pelo lugar de onde vinha, que no caso, era bastante autoexplicativo: a mulher samaritana. Libertina. Depravada. Imoral. A mulher samaritana estava em outro dia comum, realizando suas tarefas cotidianas. Como Rebeca, pegava \u00e1gua do po\u00e7o. Por\u00e9m, o fazia ao meio dia, com o sol queimando sua pele. N\u00e3o queria ser vista. Mal sabia ela que conheceria naquele dia Aquele que a observava atentamente todos os dias, da funda\u00e7\u00e3o do mundo at\u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos&#8230;<\/p>\n<p>Ele pediu \u00e1gua. Ela estranhou sua atitude: um homem judeu conversando com uma samaritana. E ainda, com ela. Ele disse que daria a ela \u00e1gua que nunca mais daria sede. Ela gosta da ideia: nunca mais ter que se expor aos olhares maldosos daqueles que conheciam seu passado. Ele pede para conhecer seu marido. Oh, n\u00e3o! Ele tamb\u00e9m sabe que ela j\u00e1 teve cinco maridos e est\u00e1 em uma rela\u00e7\u00e3o ad\u00faltera. Seu rosto queima de vergonha, enquanto ela tenta desviar o assunto. Ferida desde a mais tenra inf\u00e2ncia, guardava suas emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e dores em um lugar t\u00e3o profundo que nem ela mesma conseguia chegar at\u00e9 eles. Mas aquele homem&#8230; Ah, ele era t\u00e3o diferente! Ela confessa a ele o seu mais profundo anseio: que o Messias chegasse e explicasse tudo a todos. E ele diz que era o que ela esperava.<\/p>\n<p>Ela, a imoral, depravada, encontrou-se com aquele que era o que ela precisava. Ela podia parar de procurar. Ele prometia que os que choram seriam consolados. Que enxugaria toda l\u00e1grima. Que um dia n\u00e3o haveria mais morte, nem dor: porque as coisas velhas j\u00e1 haviam sido passadas. Ele fazia novas todas as coisas. Ela n\u00e3o tinha mais m\u00e1cula. N\u00e3o era mais impura. Era bela e desej\u00e1vel. Era agraciada com um presente que custaria a vida de Deus. Seus olhos passaram a traduzir a alegria de viver sob a plenitude do prop\u00f3sito de sua cria\u00e7\u00e3o. Seu cora\u00e7\u00e3o transbordava essa alegria. Sentia-se t\u00e3o plena que contou a todos da cidade acerca daquele homem que sabia de tudo o que ela tinha feito, mas ainda assim conversava com ela. E mais que isso: Ele a amava! Deixou de tentar adaptar-se ao que o mundo cruel e perverso queria dela e passou a ser o que Ele a criou para ser. Bela. Limpa. Amada.<\/p>\n<p>E dois mil\u00eanios depois, (mais precisamente em 12 de novembro de 2006), esse mesmo Messias conquista outra menina. Ela tinha apenas doze anos, mas encontrou aquele tesouro que leva voc\u00ea a vender tudo o que tem para t\u00ea-lo perto de si. Descobriu que Aquele que a criou a amava, e contava com ela. E ali estavam eles, \u00e0 beira de outro po\u00e7o, s\u00f3 que dessa vezem Monte Mor, uma cidadezinha no interior de S\u00e3o Paulo. Ela, de dentes tortos e rabo de cavalo, vestia uma camiseta preta que dizia algo sobre em nada ter a pr\u00f3pria vida como preciosa. Lembrou-se daqueles que eram seus irm\u00e3os e eram perseguidos por sua f\u00e9 e orou por eles silenciosamente. At\u00e9 hoje, ela \u00e9 grata a cada um deles, mesmo sem conhec\u00ea-los: foi seu testemunho que a despertou para a consci\u00eancia de um Cristo que morrera por ela e pelo qual nenhum sacrif\u00edcio poderia ser grande demais. H\u00e1 muitas pessoas em volta, mas ela sente como se estivessem s\u00f3 os dois ali. Ouve ao fundo uma m\u00fasica muito bonita, que diz que no sangue do Cordeiro fomos lavados e quando estamos junto a Ele, tudo parece voar. Ela se d\u00e1 conta de que estava mexendo com algo perigoso&#8230; E de fato, estava. O Senhor est\u00e1 no controle, e n\u00e3o ela. Naquele po\u00e7o, ela mergulharia em um amor inconveniente, org\u00e2nico e muito perigoso. Coisas loucas poderiam acontecer, e aconteceram. E hoje, passados seis anos, ela sabe que entregar a sua vida nas m\u00e3os que seguram o universo \u00e9 a aventura mais emocionante, bela e de tirar o f\u00f4lego que ela poderia imaginar.<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>Doroth Nogueira de Assis tem 18 anos, \u00e9 de\u00a0Jundia\u00ed (SP), cursa Servi\u00e7o Social na UNIFESP e escreve no blog \u201c<a href=\"http:\/\/crisalidarumoaprincesadorei.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Di\u00e1rio de uma Cris\u00e1lida<\/a>\u201c.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Doroth de Assis Uma menina. Por pouco tempo. Rebeca, vestida em suas melhores roupas, desmontava o melhor camelo de seu pai, ap\u00f3s uma longa viagem seguindo a um homem que conhecera h\u00e1 apenas algumas horas. Um sorriso brinca em seus l\u00e1bios quando se lembra de tudo o que aconteceu nas \u00faltimas 24 horas. 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