{"id":1462,"date":"2012-02-03T16:38:20","date_gmt":"2012-02-03T19:38:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/?p=1462"},"modified":"2012-02-03T16:38:20","modified_gmt":"2012-02-03T19:38:20","slug":"tudo-novo-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/2012\/02\/03\/tudo-novo-de-novo\/","title":{"rendered":"Tudo novo de novo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">&#8211;<img src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/jovem\/wp-content\/plugins\/lightview-plus\/img\/novideo.png\" width=\"300\" height=\"168\" alt=\"Video not available\" \/><br \/>&#8211;<\/p>\n<p>Lembrar e ver que o caminho \u00e9 um s\u00f3. Lembrar, verbo ativo, claro e presente quase o tempo todo. Ver, verbo autom\u00e1tico, busca j\u00e1 sem querer, apanhado de coisas para lembrar-se depois. O caminho, no fundo, \u00e9 sempre um s\u00f3: aquele que se escolhe, que fica bem parado ali na frente, olhando e esperando o primeiro passo. Mesmo que este passo j\u00e1 tenha sido dado em outras \u00e9pocas, agora \u00e9 outra hora, \u00e9 um novo raiar do sol na janela. Assim s\u00e3o os come\u00e7os e recome\u00e7os, sempre avisando que um fim ficou para tr\u00e1s. \u00c9 a\u00ed que se sente um turbilh\u00e3o de coisas, liquidificador de pensamentos<!--more-->.<\/p>\n<p>Um belo dia, ap\u00f3s uma boa noite de sono, com alguns breves epis\u00f3dios de ins\u00f4nia, abre-se a janela depois do sol bater. E por fra\u00e7\u00f5es de segundo lembra-se que h\u00e1 s\u00f3 um caminho, ent\u00e3o coloco meus \u00f3culos de realidade e vejo que n\u00e3o h\u00e1 porque esperar, o tempo \u00e9 o agora mesmo. E o sol est\u00e1 a\u00ed, nascendo para todos. Cada um se abre e se fecha como acha mais interessante. A\u00ed, neste misto de anima\u00e7\u00e3o e medo de primeiro dia de aula, sente-se uma dor. Uma dor caracter\u00edstica dos novatos, que a sentem por ter deixado algo e ter que come\u00e7ar outra coisa. Dor estranha. Que faz a gente chorar pelo que j\u00e1 se foi, e pelo h\u00e1 de vir. Dor de crian\u00e7a que chora e ri ao mesmo tempo depois de se machucar. Olhando o caminho com ansiedade e receio, mesmo sabendo que aquele \u00e9 o seu caminho.<\/p>\n<p>Por um minuto n\u00e3o h\u00e1 nada para dizer, \u00e9 somente voc\u00ea e o seu caminho, sua imagina\u00e7\u00e3o, sua vis\u00e3o, e aquilo que se lembra da hist\u00f3ria da vida. Aquilo que est\u00e1 na lembran\u00e7a, as chuvas, as pedras, as flores, os espinhos. A saudade, a entrega, a partida, o medo de ir. A\u00ed aparece a quest\u00e3o: \u201cQuem roubou nossa coragem?\u201d. Ontem mesmo, sentada com meus amigos, poderia mudar o mundo. \u00c9 o caminho que me faz querer parar? \u00c9 o caminho que exerce em mim atra\u00e7\u00e3o e repulsa ao mesmo tempo. Que me faz lembrar daquilo que j\u00e1 fui um dia no porta-retratos. O caminho que me lembra da dor, aquela que eu quero evitar. Mas, \u201cexcluindo-a\u201d, fa\u00e7o exatamente o contr\u00e1rio: trago-a ao meu encontro, seja hoje ou amanh\u00e3.<\/p>\n<p>E a dor do arrepender-se por n\u00e3o ter feito algo \u00e9 t\u00e3o subjetiva quanto f\u00edsica. A dor dos que retrocedem \u00e9 angustia prevista, a qual eu n\u00e3o quero carregar, e por isso, ainda parada na janela com o sol me esquentando e dando luz, eu decido caminhar pelo novo caminho. Encarando o que vem pela frente, mas agora vivendo um dia ap\u00f3s o outro e tentando evitar coisas demais, bagagens demais, pensamentos demais. A experi\u00eancia tem que servir para alguma coisa.<\/p>\n<p>E nesta \u201clinha de trem\u201d eu vou. Carregando uma foto dos que amo, um bocado de sonhos e papel e caneta para me lembrar do gosto bom daquilo que tenho nas m\u00e3os. Para que quando eu me esque\u00e7a de quem eu sou e para onde eu vou, eu possa parar na beirada e desenhar com as palavras aquilo que tenho. Poucas coisas, mas preciosas. Preparando-me para os doces desastres e as inconsol\u00e1veis alegrias. Falando comigo mesma em alto e bom som, quando os pensamentos n\u00e3o assumirem esta fun\u00e7\u00e3o, dizendo para mim mesma que vai dar tudo certo.<\/p>\n<p>Porque ainda que tudo pare\u00e7a loucura, nem haja aparentemente sentido em tudo que eu esteja fazendo; mesmo sem haver reconhecimento, dinheiro ou beleza; ainda que o produto da minha f\u00e9 venha a se desfalecer pelo caminho, e pare\u00e7a que est\u00e1 tudo perdido e seco; eu me alegro no Senhor, o Deus que me amou desde o princ\u00edpio, me deu salva\u00e7\u00e3o e tem me livrado de toda condena\u00e7\u00e3o. O Senhor Deus \u00e9 minha fortaleza, e faz meus olhos procurarem os Seus. Por isso ando mais alto ao Teu encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sigo por uma rodovia, que aos olhos de muitos \u00e9 mais bonita, mais confort\u00e1vel, mais uniforme, mais precisa e por onde seguem aqueles que est\u00e3o certos do seu destino, com as coisas \u201csob controle\u201d, guiados por uma sinaliza\u00e7\u00e3o clara.<\/p>\n<p>Na minha vida hoje h\u00e1 uma trilha de terra batida, aquela que est\u00e1 ali, logo \u00e0 frente da janela. O seu \u201ccome\u00e7ar\u201d \u00e9 bem diferente: \u00e9 preciso levantar mais cedo e renunciar a algumas coisas. O meio de transporte s\u00e3o seus p\u00e9s, logo a trajet\u00f3ria poder\u00e1 ser lenta. O caminho \u00e9 desigual. Possui altos e baixos, buracos e ainda alguns atalhos. Nela, voc\u00ea s\u00f3 reconhece o come\u00e7o, n\u00e3o sabe se h\u00e1 placas, mas pode reconhecer as esta\u00e7\u00f5es do ano. Ela n\u00e3o \u00e9 bonita aos olhos humanos e requer preparo f\u00edsico, paci\u00eancia, e perseveran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio ter f\u00e9 e esperan\u00e7a, tanto no hoje quanto no amanh\u00e3. Caminhando com uma expectativa no cora\u00e7\u00e3o, um motor, uma curiosidade angustiante de saber e crer. Esta estrada de terra de percurso trabalhoso gera um surpreendente entusiasmo no cora\u00e7\u00e3o, dando a sensa\u00e7\u00e3o de supera\u00e7\u00e3o e acolhimento. Por isso eu vou nesse caminho, porque fui escolhida para Ele e por Ele.<\/p>\n<p>________<\/p>\n<p><strong>Priscila Souza<\/strong> \u00e9 psic\u00f3loga e mission\u00e1ria em tempo integral da Jocum-TO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211;&#8211; Lembrar e ver que o caminho \u00e9 um s\u00f3. Lembrar, verbo ativo, claro e presente quase o tempo todo. Ver, verbo autom\u00e1tico, busca j\u00e1 sem querer, apanhado de coisas para lembrar-se depois. 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