{"id":922,"date":"2017-08-08T07:01:45","date_gmt":"2017-08-08T10:01:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=922"},"modified":"2023-03-29T08:07:27","modified_gmt":"2023-03-29T11:07:27","slug":"sete-marcas-de-uma-igreja-ideal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2017\/08\/08\/sete-marcas-de-uma-igreja-ideal\/","title":{"rendered":"Sete marcas de uma igreja ideal"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Parece leg\u00edtimo considerar que, juntas, as sete igrejas da prov\u00edncia da \u00c1sia (Apocalipse 2 e 3) representam a igreja universal. E j\u00e1 que um aspecto espec\u00edfico \u00e9 destacado em cada igreja, talvez possamos entender essas sete caracter\u00edsticas como as marcas de uma igreja ideal.<\/p><\/blockquote>\n<h4><em><strong>Amor<\/strong><\/em><\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2017\/08\/blog_stott-sete_marcas_igreja_1.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-922\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" data-lightview-title=\"Pixabay\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-928 size-full\" title=\"Pixabay\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2017\/08\/blog_stott-sete_marcas_igreja_1.jpg\" alt=\"\" width=\"188\" height=\"251\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira marca de uma igreja ideal. A igreja em \u00c9feso possu\u00eda muitas qualidades. Cristo conhecia seu trabalho \u00e1rduo e perseveran\u00e7a, sua intoler\u00e2ncia ao mal e seu discernimento teol\u00f3gico. Alguns anos mais tarde, no in\u00edcio do segundo s\u00e9culo, o Bispo In\u00e1cio de Antioquia, a caminho de Roma para ser executado como crist\u00e3o, escreveu aos ef\u00e9sios em termos muito elogiosos: \u201cV\u00f3s todos viveis de acordo com a verdade e nenhuma heresia tem abrigo entre v\u00f3s; ali\u00e1s n\u00e3o vos prestais a ouvir ningu\u00e9m que fale outra coisa sen\u00e3o acerca de Jesus Cristo e sua verdade\u201d.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Ainda assim, Jesus tinha algo contra a igreja ef\u00e9sia: \u201cvoc\u00ea abandonou o seu primeiro amor\u201d (2.4). Todas as virtudes dos ef\u00e9sios n\u00e3o compensavam aquela falha. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que na \u00e9poca da convers\u00e3o o amor deles por Cristo havia sido ardente e vivo, mas agora as chamas haviam definha\u00addo. Lembramos da reclama\u00e7\u00e3o de Jav\u00e9 a Jeremias acerca de Jerusal\u00e9m: \u201cEu me lembro de sua fidelidade quando voc\u00ea era jovem: como noiva, voc\u00ea me amava&#8230;\u201d (Jr 2.2). Como em Jerusal\u00e9m, assim tamb\u00e9m com \u00c9feso: o noivo celestial procurava cortejar a noiva para que ela voltasse ao primeiro \u00eaxtase de seu amor: \u201cLembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princ\u00edpio\u201d (2.5). Sem amor, tudo \u00e9 nada.<\/p>\n<h4><em><strong>Sofrimento<\/strong><\/em><\/h4>\n<p>Se a primeira marca de uma igreja viva \u00e9 o amor, a segunda \u00e9 o sofrimento. A disposi\u00e7\u00e3o de sofrer por Cristo prova a genuinidade de nosso amor por ele.<\/p>\n<p>Cristo conhecia as afli\u00e7\u00f5es, a pobreza e inj\u00faria que a igreja de Esmirna estava tendo de enfrentar. Talvez esses sofrimentos estivessem associados com o culto local ao imperador, pois Esmirna orgulhava-se de seu templo em homenagem ao Imperador Tib\u00e9rio. De tempos em tempos, os cidad\u00e3os eram convocados para jogar incenso no fogo que queimava diante do busto do Imperador e confessar que C\u00e9sar era o senhor. Mas como os crist\u00e3os poderiam negar o senhorio de Jesus Cristo? Em 156 d.C., o vener\u00e1vel Policarpo era Bispo de Esmirna. Ele enfrentou esse mesmo di\u00adlema. No anfiteatro lotado, o proc\u00f4nsul instou-o a reverenciar o g\u00eanio de C\u00e9sar e insultar Cristo, mas Policarpo recusou-se, dizendo: \u201cPor oitenta e seis anos o tenho servido, e ele nenhum dano me causou; como ent\u00e3o poderia eu blasfemar meu rei que me salvou?\u201d Ele preferiu ser queimado numa estaca a negar a Cristo.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Mais de um s\u00e9culo antes daquilo, Cristo j\u00e1 havia alertado a igreja de Esmirna de que prova\u00e7\u00f5es severas estavam chegando, inclusive pris\u00e3o e talvez morte. \u201cSeja fiel at\u00e9 a morte\u201d, disse-lhes Jesus, \u201ce eu lhe darei a coroa da vida\u201d (2.10).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong><em>Verdade<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>A igreja de P\u00e9rgamo era dedicada \u00e0 verdade. Assim, Jesus se apresenta como aquele que tem uma espada afiada de dois gumes saindo da boca, simbolizando sua palavra. Ele descreve a igreja de P\u00e9rgamo vivendo \u201conde est\u00e1 o trono de Satan\u00e1s\u201d, pois P\u00e9rgamo era um centro de culto pag\u00e3o. Mas \u201cprecisamos concluir\u201d, escreveu Colin Hemer, \u201cque a express\u00e3o \u2018trono de Satan\u00e1s\u2019 refere-se basicamente ao culto ao imperador conforme imposto por P\u00e9rgamo numa \u00e9poca de confronto para a igreja\u201d.<sup>3<\/sup> Ainda assim, apesar da oposi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 do mart\u00edrio de Antipas, a igreja permanecera leal ao nome de Cristo e n\u00e3o havia renunciado \u00e0 f\u00e9 nele, embora alguns membros da igreja tivessem sucumbido a falsos ensinos que toleravam a idolatria.<\/p>\n<h4><strong><em>Santidade<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Jesus escreve a seguir \u00e0 igreja de Tiatira, destacando que a santidade \u00e9 outra marca de uma igreja viva. Ele come\u00e7a em termos de elogios calorosos, pois conhece o amor e a f\u00e9, o servi\u00e7o e a perseveran\u00e7a deles. Essas s\u00e3o quatro virtudes superiores e incluem a tr\u00edade de f\u00e9, esperan\u00e7a e amor.<\/p>\n<p>Mas, infelizmente, esse n\u00e3o era o quadro completo pois, junto com as elevadas qualidades crist\u00e3s, a igreja era culpada de transgress\u00e3o moral. A igreja tolerava uma pretensa profetisa maligna, simbolicamente chamada Jezabel por causa da esposa perversa de Acabe, que estava desviando servos de Cristo, levando-os \u00e0 imoralidade sexual bem como \u00e0 idolatria. Cristo lhe havia dado tempo para se arrepender, mas ela n\u00e3o se dispunha a tanto, de modo que o julgamento recairia sobre ela.<\/p>\n<p>A santidade do autocontrole e da semelhan\u00e7a a Cristo \u00e9 outra caracter\u00edstica essencial de uma igreja viva. A toler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 uma virtude se o que se tolera \u00e9 o mal. Deus ainda diz a seu povo: \u201cSejam santos porque eu sou santo\u201d.<\/p>\n<h4><strong><em>Sinceridade<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>A carta de Cristo a Sardes \u00e9 a \u00fanica que n\u00e3o cont\u00e9m nenhum elogio de nenhuma esp\u00e9cie. Antes, ele reclama: \u201cvoc\u00ea tem fama de estar vivo, mas est\u00e1 morto\u201d. Essa igreja n\u00e3o parece ter tolerado o erro ou o mal, nem ter sido deficiente em amor, f\u00e9 ou santidade. Ela apresentava todo sinal de vida e vigor. Mas sua reputa\u00e7\u00e3o era falsa.<\/p>\n<p>As Escrituras t\u00eam muito a dizer sobre a diferen\u00e7a entre reputa\u00e7\u00e3o e realidade, entre aquilo que os seres humanos veem e o que Deus v\u00ea. \u201cO SENHOR n\u00e3o v\u00ea como o homem: o homem v\u00ea a apar\u00eancia, mas o SENHOR v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o\u201d (1Sm 16.7). Ser obcecado pela apar\u00eancia e reputa\u00e7\u00e3o leva naturalmente \u00e0 hipocrisia (que Jesus odiava) e nos ensina que a sinceridade caracteriza uma igreja viva e verdadeira.<\/p>\n<h4><strong><em>Miss\u00e3o<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Ao escrever para Filad\u00e9lfia, Jesus descreve-se como algu\u00e9m que det\u00e9m a chave de Davi com que era capaz de abrir portas fechadas e fechar portas abertas. Assim, ele podia dizer \u00e0 igreja de Filad\u00e9lfia: \u201cEis que coloquei diante de voc\u00ea uma porta aberta que ningu\u00e9m pode fechar\u201d (3.8). O significado mais prov\u00e1vel \u00e9 que se trata da porta da oportunidade, como quando Paulo escreveu que em \u00c9feso \u201cse abriu para mim uma porta ampla e promissora\u201d (1Co 16.9). Isso significa que a miss\u00e3o \u00e9 outra marca de uma igreja verdadeira. Citando G. K. Beale, todas as cartas \u00e0s igrejas \u201ctratam de maneira geral da quest\u00e3o do testemunho em favor de Cristo em meio a uma cultura pag\u00e3\u201d.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Talvez isso seja destacado na carta \u00e0 Filad\u00e9lfia por causa de sua localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. A Filad\u00e9lfia estava situada num vale amplo e f\u00e9rtil que dominava rotas mercantis em todas as dire\u00e7\u00f5es. Sir William Ramsay escreveu que a inten\u00e7\u00e3o do fundador da cidade fora torn\u00e1-la centro de dissemina\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e da civiliza\u00e7\u00e3o grega. Filad\u00e9lfia \u201cera uma cidade mission\u00e1ria desde o in\u00edcio\u201d. Assim, pode ser que Cristo quisesse que Filad\u00e9lfia fosse agora para a dissemina\u00e7\u00e3o do evangelho o que fora para a cultura grega. A porta estava escancarada. Ainda que a igreja fosse comparativamente fraca, preci\u00adsava atravessar a porta com ousadia, levando as boas novas.<\/p>\n<h4><strong><em>Integridade<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o pode haver d\u00favidas acerca da mensagem de Cristo \u00e0 igreja de Laodiceia: ele quer que sua igreja seja caracterizada pela integridade. Ele \u00e9 muito franco. Cristo prefere que seus disc\u00edpulos sejam ou quentes em sua devo\u00e7\u00e3o a ele ou gelados em sua hostilidade, e n\u00e3o mornos em sua indiferen\u00e7a. Ele considera a mornid\u00e3o nauseante.<\/p>\n<p>Do lado diretamente oposto de Laodiceia, do outro lado do Rio Lico, ficava Hier\u00e1polis, cujas fontes quentes enviavam \u00e1guas t\u00e9pidas por sobre os penhascos de Laodiceia, deixando dep\u00f3sitos de calc\u00e1rio que podem ser vistos ainda hoje. Assim, o adjetivo \u201claodiceno\u201d entrou no vocabul\u00e1rio ingl\u00eas para denotar pessoas mornas quanto \u00e0 religi\u00e3o, pol\u00edtica ou qualquer outro assunto. Laodiceia parece representar uma igreja que por fora \u00e9 respeit\u00e1vel, mas superficial por dentro, uma das igrejas puramente nominais com que estamos familiarizados.<\/p>\n<p>Quando a met\u00e1fora muda para mendigos nus e cegos, come\u00e7amos a perguntar se os membros da igreja de Laodiceia eram de algum modo crist\u00e3os genu\u00ednos. Ent\u00e3o ela muda de novo para a de uma casa vazia. Cristo coloca-se \u00e0 porta, bate, fala e espera. Se abrirmos a porta, ele entra, n\u00e3o s\u00f3 para comer conosco, mas para tomar posse. Essa \u00e9 a ess\u00eancia da integridade a que Cristo nos chama.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-876 alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2017\/07\/selo_igrejaviva.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"88\" \/><\/p>\n<p>Assim, o Senhor ressuscitado revela-se como o pastor principal de seu rebanho. Vigiando, inspecionando e supervisionando suas igrejas, ele possui um conhecimento \u00edntimo delas e \u00e9 capaz de apontar as sete marcas que gostaria de ver manifestas em todas as igrejas: amor a ele e a disposi\u00e7\u00e3o de sofrer por ele, verdade doutrin\u00e1ria e santidade de vida e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o, junto com sinceridade e integridade em tudo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m observamos a igreja afligida internamente pelo pecado, erro e letargia e, externamente, por tribula\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o, especialmente pela tenta\u00e7\u00e3o de trair Cristo por C\u00e9sar e pelos riscos reais de mart\u00edrio.<\/p>\n<p>Assim, com Apocalipse 4 nos voltamos abruptamente da igreja sobre a terra para a igreja no c\u00e9u, de Cristo entre candelabros cintilantes para Cristo bem no centro do trono imut\u00e1vel de Deus. \u00c9 o mesmo Cristo, mas de uma perspectiva inteiramente diferente.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Notas<\/strong><\/h6>\n<h6>1 &#8211; A Ep\u00edstola de In\u00e1cio aos Ef\u00e9sios, cap. 6.<\/h6>\n<h6>2 &#8211; O Mart\u00edrio de Policarpo, cap. 9-16 em B. J. Kidd (ed.), <em>Documents Illustrative of the History of the Church<\/em> (SPCK, 1938), vol. 1, p. 68-71.<\/h6>\n<h6>3 &#8211; C. J. Hermer, <em>The Letters to the Seven Churches of Asia in their local setting<\/em> (JSOT Press, 1986), p. 87, cf. p. 104.<\/h6>\n<h6>4 &#8211; Beale, Revelation, p. 226. 11 W. M. Ramsay, <em>The Letters to the Seven Churches of Asia<\/em> (Hodder &amp; Stoughton, 1904), p. 391-392<em>.<\/em><\/h6>\n<pre>Texto originalmente publicado em <strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-incomparavel-cristo\">O Incompar\u00e1vel Cristo<\/a><\/strong>, da ABU Editora.<\/pre>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n\u00bb <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2017\/07\/26\/o-chamado-a-unidade-evangelica\/#more-895\">O chamado \u00e0 unidade evang\u00e9lica<\/a><br \/>\n\u00bb <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2017\/07\/17\/a-vida-em-comunhao\/\">A vida em comunh\u00e3o<\/a><br \/>\n\u00bb <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/08\/02\/reflexoes-para-quem-pensa-em-desistir-da-igreja\/\">Reflex\u00f5es para quem pensa em desistir da igreja<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece leg\u00edtimo considerar que, juntas, as sete igrejas da prov\u00edncia da \u00c1sia (Apocalipse 2 e 3) representam a igreja universal. 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