{"id":606,"date":"2016-05-10T09:17:39","date_gmt":"2016-05-10T12:17:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=606"},"modified":"2020-11-25T10:48:52","modified_gmt":"2020-11-25T13:48:52","slug":"a-influencia-do-cristao-o-sal-e-a-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2016\/05\/10\/a-influencia-do-cristao-o-sal-e-a-luz\/","title":{"rendered":"A influ\u00eancia do crist\u00e3o: o sal e a luz"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>V\u00f3s sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser ins\u00edpido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta sen\u00e3o para, lan\u00e7ado fora, ser pisado pelos homens.<br \/>\nV\u00f3s sois a luz do mundo. N\u00e3o se pode esconder a cidade edificada sobre o monte; nem se acende uma candeia para coloc\u00e1-la debaixo do alqueire, mas no velados, e alumia a todos que se encontram na casa.<br \/>\nAssim brilhe tamb\u00e9m a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us.<br \/>\nMateus 5:13-16<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>As bem-aventuran\u00e7as descrevem o car\u00e1ter essencial dos disc\u00edpulos de Jesus; o sal e a luz s\u00e3o met\u00e1foras que denotam a sua influ\u00eancia para o bem no mundo.<\/p>\n<p>Ademais, a simples ideia de que os crist\u00e3os podem exercer uma influencia sadia no mundo deveria nos causar um sobressalto. Que influencia poderia, exercer as pessoas descritas nas bem-aventuran\u00e7as, neste mundo violento e agressivo? Que bem duradouro poderiam proporcionar o humilde e o manso, os que choram e os misericordiosos, ou aqueles que tentam fazer paz e n\u00e3o guerra? N\u00e3o seriam simplesmente tragados pela enchente do mal? O que poderiam realizar aqueles cuja \u00fanica paix\u00e3o \u00e9 apetite pela justi\u00e7a, e cuja \u00fanica arma \u00e9 a pureza de cora\u00e7\u00e3o? Essas pessoas n\u00e3o seriam fr\u00e1geis demais para conseguir realizar alguma coisa, especialmente se constituem uma minoria no mundo?<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que Jesus n\u00e3o participava desse ceticismo. Antes, o contr\u00e1rio. O mundo, sem d\u00favida, perseguir\u00e1 a igreja (10-12); apesar disso, a igreja \u00e9 chamada para servir a este mundo que a persegue (13-16). \u201cVossa \u00fanica vingan\u00e7a\u201d, expressou Rudolf Stier, \u201cdeve ser o amor e a verdade contra o \u00f3dio e as mentiras\u201d. Por mais incr\u00edvel que pare\u00e7a, Jesus referiu-se \u00e0quele punhado de camponeses palestinos, chamando-os de sal da terra e luz do mundo, por causa do alcance que sua influ\u00eancia teria. Tamb\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel providencia divina que, neste mais judaico dos quatro Evangelhos, haja uma tal alus\u00e3o a toda a terra, ao poder ben\u00e9fico de alcance mundial dos disc\u00edpulos de Cristo.<\/p>\n<p>A fim de definir a natureza de sua influencia, Jesus recorreu a duas met\u00e1foras dom\u00e9sticas. Todo lar, por mais pobre que seja, usava e ainda usa tanto o sal como a luz. Durante a sua pr\u00f3pria inf\u00e2ncia, Jesus devia ter observado frequentemente sua m\u00e3e usando o sal na cozinha e acendendo as luzes quando o sol se punha. Sal e luz s\u00e3o utilidades dom\u00e9sticas indispens\u00e1veis. Diversos comentaristas citam o ditado de Pl\u00ednio, de que nada \u00e9 mais \u00fatil do que\u201do sal e o sol\u201d (<em>sale et sole<\/em>). A necessidade da luz \u00e9 \u00f3bvia. O sal, por outro lado, tem uma variedade de usos. \u00c9 condimento e preservativo. Parece que j\u00e1 era conhecido desde os tempos imemoriais como componente essencial da dieta humana e um tempero ou condimento alimentar: \u201cComer-se-\u00e1 sem sal o que \u00e9 ins\u00edpido?\u201d Entretanto, particularmente nos s\u00e9culos antes do invento da refrigera\u00e7\u00e3o, ele era usado para preservar a carne do apodrecimento. E na verdade ainda o \u00e9. Qual \u00e9 o brasileiro que nunca comeu ou pelo menos n\u00e3o ouviu falar da famosa carne de sol, ou charque, jab\u00e1, carne do cear\u00e1&#8230;? Qualquer que seja o nome dado, de acordo com a regi\u00e3o, o segredo \u00e9 sempre o mesmo: o sal, que conserva e lhe d\u00e1 sabor.<\/p>\n<p>A verdade b\u00e1sica que jaz por tr\u00e1s destas met\u00e1foras, sendo comum \u00e0s duas, \u00e9 que a Igreja e o mundo as comunidades separadas. De um lado est\u00e1 \u201co mundo\u201d; de outro, \u201cv\u00f3s\u201d que sois a luz do mundo. \u00c9 verdade que as duas comunidades (\u201celes\u201d e \u201cv\u00f3s\u201d) est\u00e3o relacionadas uma com a outra, mas essa rela\u00e7\u00e3o depende da sua diferen\u00e7a. \u00c9 importante declar\u00e1-lo hoje em dia, quando \u00e9 teologicamente elegante tornar obscuras as fronteiras entre a Igreja e o mundo, bem como referir-se a toda a humanidade indiscriminadamente como \u201co povo de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Mais ainda, as met\u00e1foras nos dizem algo sobre as duas comunidades. O mundo \u00e9 evidentemente um lugar escuro, com pouca ou nenhuma luz pr\u00f3pria, pois precisa de uma fonte de luz externa para ilumin\u00e1-lo. \u00c9 verdade que ele \u201csempre est\u00e1 falando sobre a sua ilumina\u00e7\u00e3o, mas na realidade grande parte de sua pretensa luz n\u00e3o passa de trevas. O mundo manifesta tamb\u00e9m uma tend\u00eancia constante \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o. A ideia n\u00e3o \u00e9 que o mundo seja ins\u00edpido e que os crist\u00e3os o tornem menos ins\u00edpido (\u201ca ideia de que se possa tornar o mundo mais agrad\u00e1vel a Deus \u00e9 totalmente absurda\u201d), mas que o mundo est\u00e1 apodrecendo. Ele n\u00e3o pode impedir a sua pr\u00f3pria deteriora\u00e7\u00e3o. Apenas o sal, quando introduzido de fora, pode faz\u00ea-lo. A Igreja, por outro lado, foi colocada no mundo com duplo papel: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar, o processo da corrup\u00e7\u00e3o social; e, como luz, para desfazer as trevas.<\/p>\n<p>Quando examinamos mais detalhadamente as duas met\u00e1foras, vemos que foram deliberadamente proferidas a fim de serem comparadas uma com a outra. Nos dois casos, Jesus&nbsp; primeiro faz umas afirma\u00e7\u00e3o (\u201cV\u00f3s sois o sal da terra\u201d, \u201cV\u00f3s sois a luz do mundo\u201d). Depois, ele acrescenta um ap\u00eandice, a condi\u00e7\u00e3o da qual depende a afirma\u00e7\u00e3o (o sal deve manter sua qualidade de salgar e a luz deve brilhar). O sal para nada serve se perde a sua salinidade; a luz torna-se in\u00fatil, se for escondida.<\/p>\n<h4><strong>1 &#8211; O sal da terra (v. 13)<\/strong><\/h4>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 direta: \u201cV\u00f3s sois o sal do mundo\u201d. Isto significa que, quando cada comunidade se revela tal como \u00e9, o mundo se deteriora como peixe ou a carne estragada, enquanto que a Igreja pode retardar a sua deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que Deus estabeleceu outras influencias restringentes na comunidade. Em sua gra\u00e7a comum, ele mesmo estabeleceu certas institui\u00e7\u00f5es, que controlam as tend\u00eancias ego\u00edstas do homem e evitam que a sociedade acabe na anarquia. A principal delas \u00e9 o Estado (com a sua autoridade de estruturar executar leis) e o lar (incluindo o casamento e a vida em fam\u00edlia). Estes exercem uma influencia adia sobre a comunidade. N\u00e3o obstante, deus planejou que a mais poderosa coibi\u00e7\u00e3o de todas, dentro da sociedade pecadora, fosse o seu pr\u00f3prio povo redimido, regenerado e justificado. Como R. V. G. Tasker o explicou, os disc\u00edpulos s\u00e3o \u201cchamados a ser um purificador moral em um mundo onde os padr\u00f5es morais s\u00e3o baixos, inst\u00e1veis, ou mesmo inexistentes.\u201d<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia do sal, entretanto, \u00e9 condicional: tem de conservar a sua salinidade. Mas, em termos precisos, o sal nunca pode perder a sua salinidade. Entendo que o cloreto de s\u00f3dio \u00e9 um produto qu\u00edmico muito est\u00e1vel, resistente a quase todos os ataques. N\u00e3o obstante, pode ser contaminando por impurezas, tornando-se, ent\u00e3o, in\u00fatil e at\u00e9 mesmo perigoso. O sal que perdeu a sua propriedade de salgar n\u00e3o serve nem mesmo para adubo, isto \u00e9 fertilizante. O Dr. David Turk me explicou que, naquele tempo, chamava-se de \u201csal\u201d um p\u00f3 branco (talvez apanhado \u00e1 volta do Mar Morto), o qual, embora contivesse cloreto de s\u00f3dio, tamb\u00e9m continha muita coisa mais, pois antigamente n\u00e3o existiam refinarias. Nesse p\u00f3, o cloreto de s\u00f3dio era provavelmente o componente mais sol\u00favel e , portanto, o que mais facilmente desaparecia. O res\u00edduo de p\u00f3 branco ainda parecia ser sal, e sem d\u00favida era chamado de sal, mas n\u00e3o tinha o seu gosto nem agia como tal. N\u00e3o passava de p\u00f3 do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma forma, o crist\u00e3o. \u201cTende sal em v\u00f3s mesmos\u201d, disse Jesus em outra ocasi\u00e3o. A salinidade do crist\u00e3o \u00e9 o seu car\u00e1ter conforme descrito nas bem-aventuran\u00e7as, \u00e9 discipulado crist\u00e3o verdadeiro, vis\u00edvel em atos e palavras. Para ter efic\u00e1cia, o crist\u00e3o precisa conservar a sua semelhan\u00e7a com Cristo, assim como o sal de v\u00ea preservar a sua salinidade. Se os crist\u00e3os foram assimilados pelos n\u00e3o crist\u00e3os, deixando-se contaminar pelas impurezas do mundo, perder\u00e3o a sua capacidade de influenciar. A influ\u00eancia dos crist\u00e3o na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferen\u00e7a e n\u00e3o da identidade. O Dr. Lloyd-Jones enfatizou: \u201cA gl\u00f3ria do Evangelho \u00e9 que, quando a Igreja \u00e9 absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. \u00c9 ent\u00e3o que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem , embora talvez no princ\u00edpio a odeie\u201d. Caso contr\u00e1rio, se n\u00f3s os crist\u00e3os, formos indistingu\u00edveis dos n\u00e3o crist\u00e3os, seremos in\u00fateis. Teremos de ser igualmente jogados fora, como o sal sem sanilidade, \u201clan\u00e7ado fora\u201d e \u201cpisado pelos homens\u201d. \u201cMas que decad\u00eancia!\u201d, comenta A. B. Bruce, \u201cDe salvadores da sociedade a material de pavimenta\u00e7\u00e3o de estradas!\u201d<\/p>\n<h4><strong>2 &#8211; A luz do mundo (VS. 14-16)<\/strong><\/h4>\n<p>Jesus apresentou a sua segunda met\u00e1fora com uma afirma\u00e7\u00e3o semelhante: <em>v\u00f3s sois a luz do mundo<\/em>. \u00c9 verdade, mais tarde ele diria: \u201cEu sou a luz do mundo.\u201d Mas, por deriva\u00e7\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m o somos, pois brilhamos com a luz de Cristo no mundo, como estrelas no c\u00e9u \u00e0 noite. \u00c0s vezes, fico imaginando como seria esplendido se os n\u00e3o crist\u00e3os, curiosos por descobrir o segredo e a fonte de nossa luz, viessem a n\u00f3s e nos indagassem sobre isso.<\/p>\n<p>Jesus esclarece que essa luz s\u00e3o as nossas \u201cboas obras\u201d. Que os homens vejam <em>as vossas boas obras<\/em>, disse, e <em>glorifiquem a vosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us<\/em>, pois \u00e9 atrav\u00e9s dessas boas obras que a nossa luz tem de brilhar. Parece que \u201cboas obras\u201d \u00e9 uma express\u00e3o generalizada, que abrange tudo o que o crist\u00e3o diz e faz porque \u00e9 crist\u00e3o, toda e qualquer manifesta\u00e7\u00e3o externa e vis\u00edvel de sua f\u00e9 crist\u00e3. Considerando que a luz \u00e9 um s\u00edmbolo b\u00edblico comum da verdade, a luz do crist\u00e3o deve certamente incluir o seu testemunho verbal. Assim, a profecia do Velho Testamento de que o Servo de Deus seria uma \u201cluz para os gentios\u201d, cumpriu-se n\u00e3o s\u00f3 no pr\u00f3prio Cristo, a luz do mundo, mas tamb\u00e9m nos crist\u00e3os que d\u00e3o testemunho de Cristo. A evangeliza\u00e7\u00e3o deve ser considerada como uma das \u201cboas obras\u201d pelas quais a nossa luz brilha e o nosso Pai \u00e9 glorificado.<\/p>\n<p>Lutero tinha raz\u00e3o quando enfatizava isto, mas errou (na minha opini\u00e3o) ao fazer disto referencia exclusiva: \u201cMateus n\u00e3o tem em mente as obras comuns que as pessoas deveriam fazer umas pelas outras por causa do amor&#8230;Antes, ele estava pensando principalmente na obra que distingue o crist\u00e3o quando mostra como fortalec\u00ea-la e preserv\u00e1-la; \u00e9 assim que testemunhamos de que realmente somos crist\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Ele prossegue em seu coment\u00e1rio tra\u00e7ando um contraste entre as primeiras e as \u00faltimas t\u00e1buas do dec\u00e1logo, isto \u00e9, os dez mandamentos que expressam o nosso dever para com Deus e o nosso pr\u00f3ximo. \u201cAs obras que agora comentamos tratam dos tr\u00eas primeiros grandes mandamentos, que se referem \u00e0 honra, ao nome e \u00e0 Palavra de Deus.\u201d \u00c9 bom lembrar-se de que crer, confessar e ensinar a verdade tamb\u00e9m fazem parte das \u201cboas obra\u201d que evidenciam a nossa regenera\u00e7\u00e3o pelo Esp\u00edrito Santos. Contudo, n\u00e3o devemos nos limitar a isto. \u201cBoas obras\u201d s\u00e3o obras tamb\u00e9m do amor, al\u00e9m da f\u00e9. Elas expressam n\u00e3o s\u00f3 a nossa lealdade a Deus, mas tamb\u00e9m o nosso interesse pelos nossos semelhantes. Na verdade, o significado prim\u00e1rio de \u201cobras\u201d tem de ser atos pr\u00e1ticos e vis\u00edveis gerados pela compaix\u00e3o. Quando os homens veem tais obras, disse Jesus, glorificam a Deus, pois elas encarnam as boas novas do seu amor que n\u00f3s proclamamos. Sem elas, o nosso evangelho perde a sua credibilidade; e Deus, a sua honra.<\/p>\n<p>Assim como acontece com o sal, tamb\u00e9m a afirma\u00e7\u00e3o referente \u00e0 luz foi seguida de uma condi\u00e7\u00e3o: <em>Assim brilhe tamb\u00e9m a vossa luz diante dos homens<\/em>. Se o sal pode perder sua salinidade, a luz em n\u00f3s pode transformar-se em trevas. Mas n\u00f3s temos de permitir que a luz de Cristo de n\u00f3s brilhe para fora, a fim de que as pessoas a vejam. N\u00e3o devemos ser como uma cidade ou vila aninhada em um vale, cujas luzes ficam ocultas, mas sim como uma <em>cidade edificada sobre um monte<\/em>, que <em>n\u00e3o se pode esconder<\/em> e cujas luzes s\u00e3o claramente vis\u00edveis a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. E mais, devemos ser como uma l\u00e2mpada acesa, como Jo\u00e3o Batista, \u201cque ardia e alumiava\u201d, colocada no velador, numa posi\u00e7\u00e3o de destaque na cassa a fim de iluminar <em>a todos que se encontram em casa<\/em>, e n\u00e3o ficando \u201cdebaixo da gamela\u201d ou \u201cdebaixo do balde\u201d, onde n\u00e3o produz bem algum.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, na qualidade de disc\u00edpulos de Jesus, n\u00e3o devemos esconder a verdade que conhecemos ou a verdade do que somos. N\u00e3o devemos fingir que somos diferentes, mas devemos desejar que o nosso Cristianismo seja vis\u00edvel a todos. \u201cRefugiar-se no invis\u00edvel \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o do chamado. Uma comunidade de Jesus que procura esconder-se deixou de segui-lo\u201d. Antes, n\u00f3s devemos ser crist\u00e3os aut\u00eanticos, vivendo abertamente a vida descrita nas bem-aventuran\u00e7as, sem nos envergonhar de Cristo. Ent\u00e3o as pessoas ver\u00e3o, e ver\u00e3o as nossa boas obras e, assim glorificar\u00e3o a Deus, pois reconhecer\u00e3o inevitavelmente que \u00e9 pela gra\u00e7a de Deus que somos assim, que a <em>nossa<\/em> luz \u00e9 a luz <em>dele<\/em>, e que as nossas obras s\u00e3o obras dele feitas em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s. Desse modo, louvar\u00e3o a luz, e n\u00e3o a l\u00e2mpada que a transmite, glorificar\u00e3o a nosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, e n\u00e3o aos filhos que ele gerou e que t\u00eam tra\u00e7os da sua fam\u00edlia. At\u00e9 mesmo aquele que nos injuriam n\u00e3o poder\u00e3o deixar de glorificar a Deus por causa da pr\u00f3pria justi\u00e7a pela qual eles nos perseguem (VS. 10-12).<\/p>\n<h4><strong>3 &#8211; Li\u00e7\u00f5es a aprender<\/strong><\/h4>\n<p>As met\u00e1foras usadas por Jesus, referentes ao sal e \u00e0 luz t\u00eam muito a nos ensinar sobre nossas responsabilidades crist\u00e3s no mundo Tr\u00eas li\u00e7\u00f5es se destacam.<\/p>\n<p><em>\u2022 H\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental entre os crist\u00e3os e os n\u00e3o crist\u00e3os, entre a igreja e o mundo<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que alguns n\u00e3o crist\u00e3os adotam uma falsa apar\u00eancia de cultura crist\u00e3. Por outro lado, alguns crist\u00e3os professos parecem indiscern\u00edveis dos n\u00e3o crist\u00e3os e, assim, negam o nome de crist\u00e3o atrav\u00e9s do seu comportamento n\u00e3o crist\u00e3o. Mas a diferen\u00e7a essencial permanece. Podemos dizer que s\u00e3o t\u00e3o diferentes quanto o alho do bugalho. Jesus disse que s\u00e3o t\u00e3o diferentes como a luz e as trevas, t\u00e3o diferentes como o sal e a deteriora\u00e7\u00e3o ou a doen\u00e7a. Quando tentamos obliterar, ou at\u00e9 mesmo reduzir o m\u00ednimo esta diferen\u00e7a, n\u00e3o servimos a Deus, nem a n\u00f3s mesmos, nem ao mundo.<\/p>\n<p>Este tema \u00e9 b\u00e1sico no Serm\u00e3o do Monte. O Serm\u00e3o foi elaborado na pressuposi\u00e7\u00e3o de que os crist\u00e3os <em>s\u00e3o<\/em> por natureza diferentes, e convoca-nos a <em>sermos<\/em> diferentes na pr\u00e1tica. Provavelmente, a maior de todas as trag\u00e9dias da Igreja atrav\u00e9s de sua longa hist\u00f3ria, cheia de altos e baixos, tem sido a sua const\u00e2ncia de conformar-se \u00e0 cultura prevalecente, em lugar de desenvolver uma contracultura crist\u00e3.<\/p>\n<p><em>\u2022 Temos de aceitar a responsabilidade que esta diferen\u00e7a coloca sobre n\u00f3s<\/em><\/p>\n<p>Quando em cada met\u00e1fora reunimos a afirma\u00e7\u00e3o e a condi\u00e7\u00e3o, a nossa responsabilidade se destaca. Cada afirma\u00e7\u00e3o come\u00e7a, em grego, com o enf\u00e1tico pronome \u201cvoc\u00eas\u201d, que seria o mesmo que dizer \u201cvoc\u00eas simplesmente n\u00e3o podem falhar para o mundo ao qual foram chamados a servir. Voc\u00eas t\u00eam de ser o que s\u00e3o. Voc\u00eas s\u00e3o o sal e, por isso, t\u00eam de conservar a sua salinidade e n\u00e3o podem perder o seu sabor crist\u00e3o. Voc\u00eas s\u00e3o a luz e, por isso, devem deixar que a sua luz brilhe e n\u00e3o devem escond\u00ea-la de modo algum, quer seja atrav\u00e9s do pecado ou da transig\u00eancia, pela pregui\u00e7a ou pelo medo.<\/p>\n<p>Esta voca\u00e7\u00e3o para assumir a nossa responsabilidade crist\u00e3, por causa do que Deus fez por n\u00f3s e por causa de onde ele nos colocou, \u00e9 particularmente relevante aos jovens que se sentem frustrados no mundo moderno. Os problemas da comunidade humana s\u00e3o t\u00e3o grandes e eles se sentem t\u00e3o pequenos, t\u00e3o fr\u00e1geis, t\u00e3o ineficientes! \u201cAliena\u00e7\u00e3o\u201d, um termo popularizado por Marx, \u00e9 a palavra comumente usada hoje para descrever estes sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que mensagem temos, ent\u00e3o, para essas pessoas que se sentem estranguladas pelo \u201csistema\u201d, esmagadas pela m\u00e1quina da moderna tecnologia, dominadas pelas for\u00e7as pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas que as controlam e sobre as quais elas n\u00e3o t\u00eam controle? Sentem-se v\u00edtimas de uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam poder de mudar. O que podemos fazer? E no solo desta frustra\u00e7\u00e3o que os revolucion\u00e1rios s\u00e3o produzidos, dedicados \u00e1 violenta subvers\u00e3o do sistema. \u00c9 exatamente deste mesmo solo que podem brotar os revolucion\u00e1rios de Jesus, igualmente ativistas dedicados, e at\u00e9 mais; mas antes, comprometidos a propagar a sua revolu\u00e7\u00e3o do amor, alegria e da paz. E esta revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica \u00e9 mais radical do que qualquer programa de viol\u00eancia, por causa dos seus padr\u00f5es incorrupt\u00edveis e porque modifica as pessoas e as estruturas. Perdemos a nossa confian\u00e7a no poder do evangelho de Cristo? Ent\u00e3o, ou\u00e7am Lutero: \u201cCom a simples palavra de Cristo eu posso ser mais desafiador e mais jactancioso do que eles com todo o seu poder, suas espadas e sua armas.\u201d<\/p>\n<p>Portanto, apesar de tudo, n\u00e3o somos indefesos e impotentes! Temos Jesus Cristo, o seu evangelho, suas ideias e o seu poder. E Jesus Cristo \u00e9 todo o sal e toda a luz de que este mundo tenebroso e arruinado precisa. Mas precisamos ter o sal em n\u00f3s mesmos, e devemos deixar que a nossa luz brilhe.<\/p>\n<p><em>\u2022 Temos de considerar a nossa responsabilidade crist\u00e3 como sendo dupla<\/em><\/p>\n<p>\u201cO sal e a luz t\u00eam uma coisa em comum: eles se d\u00e3o e se gastam, e isto \u00e9 o op\u00e7\u00e3o do que acontece com qualquer tipo de religiosidade egocentralizada.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, o tipo de servi\u00e7o que cada um presta \u00e9 diferente. Na verdade, seus defeitos s\u00e3o complementares. A fun\u00e7\u00e3o do sal \u00e9 principalmente negativa: evitar a deteriora\u00e7\u00e3o. A fun\u00e7\u00e3o da luz \u00e9 positiva: iluminar as trevas.<\/p>\n<p>Assim, Jesus chama os seus disc\u00edpulos para exerceram uma influ\u00eancia dupla na comunidade secular: uma influencia negativa, de impedir a sua deteriora\u00e7\u00e3o, e uma influ\u00eancia positiva de produzir a luz nas trevas. Pois impedir a propaga\u00e7\u00e3o do mal \u00e9 uma coisa; e promover a propaga\u00e7\u00e3o da verdade, da beleza e da bondade \u00e9 outra.<\/p>\n<p>Reunindo as duas met\u00e1foras, parece-nos leg\u00edtimo discernir nelas a rela\u00e7\u00e3o correta entre evangeliza\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o social, na totalidade da miss\u00e3o de Cristo no mundo, uma rela\u00e7\u00e3o que deixa as duas coisas, sal e luz, na comunidade secular.<\/p>\n<p>Examinemos, primeiro, a nossas voca\u00e7\u00e3o para sermos sal. O ap\u00f3stolo Paulo pinta um quadro sinistro no final do primeiro cap\u00edtulo da sua carta aos Romanos, falando do que acontece quando a sociedade abafa (por causa do amor ao mal) a verdade que conhece por natureza. Ela deteriora. Seus valores e padr\u00f5es declinam rapidamente, at\u00e9 ficar totalmente corrompida. Quando os homens rejeitam o que sabem de Deus, ele os abandona \u00e0s suas pr\u00f3prias no\u00e7\u00f5es distorcidas e paix\u00f5es perversas, at\u00e9 que a sociedade cheire mal \u00e0s narinas de Deus e de todas as pessoas honesta.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os foram colocados por Deus numa sociedade secular para retardar este processo. Deus pretende que penetremos no mundo. O sal crist\u00e3o n\u00e3o tem nada de ficar aconchegado em elegantes e pequenas dispensas eclesi\u00e1sticas; nosso papel \u00e9 o de sermos \u201cesfregados\u201d na comunidade secular, como o sal \u00e9 esfregado na carne, para impedir que apodre\u00e7a. E quando a sociedade apodrece, n\u00f3s, os crist\u00e3os, temos a tend\u00eancia de levantar as m\u00e3os para o c\u00e9u, piedosamente horrorizados, reprovando o mundo n\u00e3o crist\u00e3o; mas n\u00e3o dever\u00edamos, antes, reprovar-nos a n\u00f3s mesmos? Ningu\u00e9m pode acusar a carne fresca de deteriorar-se. Ela n\u00e3o ode fazer nada. O ponto importante \u00e9: onde est\u00e1 o sal?<\/p>\n<p>Jesus ensinava em algum ponto perto do mar da Galileia. Menos de 160 quil\u00f4metros ao sul, o Rio Jord\u00e3o corre para outro mar, que, por ser t\u00e3o salgado, \u00e9 chamado de Mar Morto. E, do lado ocidental, vivia naquele tempo uma Comunidade do Mar Morto, cuja biblioteca de pergaminhos causou verdadeira sensa\u00e7\u00e3o ao ser acidentalmente descoberta h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s. Era uma comunidade mon\u00e1stica de ess\u00eanios que tinham se afastado do mundo in\u00edquo. Eles se intitulavam \u201cfilhos da luz\u201d, mas n\u00e3o tomavam providencia alguma para que a sua luz brilhasse. Assim, no seu gueto, seu sal era t\u00e3o in\u00fatil como os dep\u00f3sitos de sal sobre as praias do mar ali perto. Ser\u00e1 que Jesus estava pensando neles? W. D. Davies pensa que Jesus de \u201cuma olhadela de lado\u201d na dire\u00e7\u00e3o deles. \u00c9 uma conjectura atraente.<\/p>\n<p>O que significa, na pr\u00e1tica, ser o sal da terra? Em primeiro lugar, n\u00f3s, o povo crist\u00e3o dever\u00edamos ser mais corajosos, mais francos na condena\u00e7\u00e3o do mal. A condena\u00e7\u00e3o \u00e9 negativa, \u00e9 verdade, mas a a\u00e7\u00e3o do sal \u00e9 negativa. \u00c0s vezes, os padr\u00f5es de uma comunidade afrouxam-se por falta de um explicito protesto crist\u00e3o. Lutero deu grande import\u00e2ncia a isto, enfatizando que a den\u00fancia e a proclama\u00e7\u00e3o andam de m\u00e3os dadas, quando o evangelho \u00e9 verdadeiramente pregado: \u201co sal arde. Embora eles nos critiquem como sendo desagrad\u00e1veis, sabemos que \u00e9 assim que tem que ser e que Cristo ordenou que o sal fosse forte e continuasse c\u00e1ustico&#8230; Se voc\u00ea quiser pregar o Evangelho e ajudar as pessoas, ter\u00e1 de ser rude e esfregar sal nas feridas, mostrando o outro lado e denunciando o que n\u00e3o est\u00e1 certo&#8230; O verdadeiro sal \u00e9 a verdadeira exposi\u00e7\u00e3o das Escrituras, que denuncia todo o mundo e n\u00e3o deixa nada de p\u00e9 a n\u00e3o ser a simples f\u00e9 em Cristo.\u201d<\/p>\n<p>Helmut Thielicke aborda este mesmo tema da necess\u00e1ria qualidade incisiva ou \u201cardia\u201d do verdadeiro testemunho crist\u00e3o. Ao olharmos para alguns crist\u00e3os, diz ele, \u201cpoder\u00edamos pensar que a sua ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 ser a cumbuca de mel do mundo. Eles ado\u00e7am e a\u00e7ucaram a amargura da vida com um conceito demasiadamente complacente de um Deus amoroso. Mas Jesus, evidentemente, n\u00e3o disse: \u2018Voc\u00eas s\u00e3o o mel do mundo.\u2019 Ele disse: \u2018Voc\u00eas s\u00e3o o sal da terra\u2019. O sal arde, e a mensagem n\u00e3o adulterada do ju\u00edzo e da gra\u00e7a de Deus sempre tem sido uma coisa que machuca\u201d.<\/p>\n<p>E ao lado desta condena\u00e7\u00e3o do que \u00e9 falso e mau, dever\u00edamos com ousadia apoiar o que \u00e9 verdadeiro, bom descente, em nossa vizinhan\u00e7a, em nosso col\u00e9gio ou neg\u00f3cio, ou na esfera mais ampla da vida nacional, incluindo os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p>O sal crist\u00e3o faz efeito atrav\u00e9s de atos e tamb\u00e9m de palavras. J\u00e1 vimos que Deus criou a ambos, o Estado e a fam\u00edlia, como estruturas sociais para reprimir o mal e incentivar o bem. E os crist\u00e3os t\u00eam a responsabilidade de verificar se essas estruturas est\u00e3o sendo preservadas, e tamb\u00e9m se est\u00e3o operando com justi\u00e7a. Com demasiada frequ\u00eancia, os crist\u00e3os evang\u00e9licos t\u00eam interpretado a sua responsabilidade social em termos de apenas ajudar \u00e0s v\u00edtimas de uma sociedade doente, nada fazendo para mudar as estruturas que provocam os acidentes. Exatamente como os m\u00e9dicos n\u00e3o se preocupam apenas o tratamento dos pacientes, mas tamb\u00e9m com a medicina preventiva e a sa\u00fade p\u00fablica, n\u00f3s dever\u00edamos nos preocupar com o que poder\u00edamos chamar de \u201cmedicina social preventiva\u201d e padr\u00f5es mais elevados de higiene moral. Por menor que seja a nossa contribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos optar pela dispensa da busca da cria\u00e7\u00e3o de melhores estruturas sociais, que garantem a justi\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o e o cumprimento das leis, a liberdade e a dignidade do indiv\u00edduo, os direitos civis para minorias e a aboli\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o social e racial. N\u00e3o devemos nem desprezar essas coisas nem fugir de nossa responsabilidade para com elas. Isso faz parte do prop\u00f3sito de Deus para o seu povo. Sempre que os crist\u00e3os s\u00e3o cidad\u00e3os conscientes, agem como sal numa comunidade. Como Sir Frederick Catherwood exp\u00f4s em sua contribui\u00e7\u00e3o ao simp\u00f3sio <em>Is Revolution Change?<\/em> (A Revolu\u00e7\u00e3o Muda Alguma Coisa?): \u201cTentar melhorar a sociedade n\u00e3o \u00e9 mundanismo, mas amor. Lavar as m\u00e3os diante da sociedade n\u00e3o \u00e9 amor, mas mundanismo.\u201d<\/p>\n<p>Mas os seres humanos deca\u00eddos precisam de mais do que barricadas que os impe\u00e7am de se tornarem t\u00e3o maus quanto poss\u00edvel. Precisam de regenera\u00e7\u00e3o, vida nova atrav\u00e9s do Evangelho. Por isso, nossa segunda voca\u00e7\u00e3o \u00e9 para sermos \u201ca luz do mundo\u201d, pois a verdade do Evangelho \u00e9 a luz, contida, \u00e9 verdade, em fr\u00e1geis l\u00e2mpadas de barro, mas brilhando atrav\u00e9s de nossa mortalidade com amais consp\u00edcua das claridades. Fomos chamados a propagar o Evangelho e estruturar nosso modo de viver de um jeito que seja digno do Evangelho.<\/p>\n<p>Portanto, nunca dever\u00edamos colocar nossas duas voca\u00e7\u00f5es (sal e luz) e nossas responsabilidades crist\u00e3s (social e evangel\u00edstica) em posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas, como se tiv\u00e9ssemos de escolher entre as duas. N\u00e3o podemos exagerar uma delas, nem desacreditar uma \u00e0s expensas da outra. Uma n\u00e3o pode substituir a outra. O mundo precisa de ambas. Ele est\u00e1 em decomposi\u00e7\u00e3o e precisa de sal; ele \u00e9 trevas e precisa de luz. Nossa voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 para sermos ambas. Jesus Cristo o declarou, e isso basta.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos da Am\u00e9rica do Norte, um dos minist\u00e9rios que se diz ter sido formado sob ausp\u00edcios do chamado \u201cJesus Movement\u201d \u00e9 chamado de \u201cCasa da Luz e For\u00e7a de Jesus Cristo\u201d. \u00c9 uma comunidade crist\u00e3 em Westwood, administrada por Hal Lindsey e Bill Counts, que ministra ensino b\u00edblico aos seus residentes. \u201cLuz e For\u00e7a\u201d \u00e9 uma \u00f3tima combina\u00e7\u00e3o, e ambas se encontra, em Jesus Cristo. Mas quando algu\u00e9m organizar\u00e1 na Am\u00e9rica uma \u201cSociedade do Sal e Luz de Jesus Cristo\u201d?<\/p>\n<p>Na Inglaterra surgiu nestes \u00faltimos anos um movimento quase espont\u00e2neo conhecido como o \u201cFestival da Luz\u201d. Agrade\u00e7o a Deus pelo testemunho corajoso e exuberante dos seus componentes, na sua maioria jovens. Procuram combinar um protesto contra a pornografia, e uma campanha pela lei moral de Deus na vida p\u00fablica, ao lado de um testemunho claro de Jesus Cristo. Talvez pudesse transformar-se em um \u201cFestival de Sal e Luz\u201d mais autoconscientes.<\/p>\n<p>De qualquer modo, n\u00e3o devemos nos envergonhar de nossa voca\u00e7\u00e3o de sermos sal e tamb\u00e9m luz, ou seremos culpados de separar o que Jesus uniu.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter do crist\u00e3o, conforme descrito nas bem-aventuran\u00e7as, e a influ\u00eancia do crist\u00e3o, conforme definida nas met\u00e1foras do sal e da luz, est\u00e3o organicamente relacionados um com o outro. Nossa influencia depende de nosso car\u00e1ter. Mas as bem-aventuran\u00e7as apresentam um padr\u00e3o extremamente elevado e exigente. Seria \u00fatil, portanto, como conclus\u00e3o deste cap\u00edtulo, examinar novamente os dois par\u00e1grafos e observar os incentivos que Jesus deu \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/a-mensagem-do-sermao-do-monte\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-607 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/05\/a-mensagem-do-serm\u00e3o-do-monte-198x300.jpg\" alt=\"a-mensagem-do-serm\u00e3o-do-monte\" width=\"198\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/05\/a-mensagem-do-serm\u00e3o-do-monte-198x300.jpg 198w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/05\/a-mensagem-do-serm\u00e3o-do-monte-99x150.jpg 99w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/05\/a-mensagem-do-serm\u00e3o-do-monte.jpg 259w\" sizes=\"auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 assim que n\u00f3s mesmos seremos aben\u00e7oados. As bem-aventuran\u00e7as identificam aqueles a quem Deus declara \u201cbem-aventurados\u201d, aqueles que lhe agradam e que se realizam. A verdadeira bem-aventuran\u00e7a se encontra na bondade, e em nenhum outro lugar.<\/p>\n<p>Segundo, \u00e9 assem que o mundo ser\u00e1 melhor servido. Jesus oferece aos seus seguidores o imenso privil\u00e9gio de serem o sal e luz do mundo, contanto que vivam pelas bem-aventuran\u00e7as.<\/p>\n<p>Terceiro, \u00e9 assim que Deus ser\u00e1 glorificado. Aqui, no come\u00e7o do seu minist\u00e9rio, Jesus diz aos seus disc\u00edpulos que se deixarem a sua luz brilhar de modo que as sua obras sejam vistas, seu Pai no c\u00e9u ser\u00e1 glorificado. No fim do seu minist\u00e9rio, no cen\u00e1culo, ele expressou a mesma verdade com palavras semelhantes: \u201cNisto \u00e9 glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus disc\u00edpulos.\u201d<\/p>\n<p>Esta, ent\u00e3o, \u00e9 a grande vantagem da vida honesta e semelhante \u00e0 de Cristo, e tamb\u00e9m da contracultura crist\u00e3. Produz b\u00ean\u00e7\u00e3os para n\u00f3s mesmos, salva\u00e7\u00e3o para os outros e, finalmente gl\u00f3ria para Deus.<\/p>\n<pre>Nota: Cap\u00edtulo do livro <strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/a-mensagem-do-sermao-do-monte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Mensagem do Serm\u00e3o do Monte<\/a><\/strong>, de John Stott (ABU Editora).<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00f3s sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser ins\u00edpido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta sen\u00e3o para, lan\u00e7ado fora, ser pisado pelos homens. V\u00f3s sois a luz do mundo. N\u00e3o se pode esconder a cidade edificada sobre o monte; nem se acende uma candeia para coloc\u00e1-la debaixo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[14852],"tags":[30637,30638],"class_list":["post-606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-leia-um-trecho","tag-a-mensagem-do-sermao-do-monte","tag-sal-e-luz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=606"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1956,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/606\/revisions\/1956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}