{"id":468,"date":"2015-07-15T08:49:40","date_gmt":"2015-07-15T11:49:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=468"},"modified":"2021-01-27T10:59:19","modified_gmt":"2021-01-27T13:59:19","slug":"obrigatoria-escritura-tradicao-opcional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2015\/07\/15\/obrigatoria-escritura-tradicao-opcional\/","title":{"rendered":"Obrigat\u00f3ria Escritura, tradi\u00e7\u00e3o opcional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_15_07_15_Escritura_tradi\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-470\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_15_07_15_Escritura_tradi\u00e7\u00e3o-300x225.jpg\" alt=\"JS_15_07_15_Escritura_tradi\u00e7\u00e3o\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_15_07_15_Escritura_tradi\u00e7\u00e3o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_15_07_15_Escritura_tradi\u00e7\u00e3o-150x113.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_15_07_15_Escritura_tradi\u00e7\u00e3o.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em nossa tentativa de seguir a Cristo na distin\u00e7\u00e3o clara entre Escritura e tradi\u00e7\u00e3o, devemos ter cuidado para n\u00e3o exagerarmos. Jesus n\u00e3o rejeitou todas as tradi\u00e7\u00f5es humanas de repente, proibindo seus disc\u00edpulos de apreciarem ou seguirem qualquer uma delas. O que ele fez foi coloc\u00e1-las em seu devido lugar, um lugar secund\u00e1rio, e, em seguida, desde que n\u00e3o fossem contr\u00e1rias \u00e0 Escritura, torn\u00e1-las opcionais.<\/p>\n<p>Era isso que os fariseus estavam deixando de fazer. De acordo com a segunda parte da cita\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas, \u201cseus ensinamentos n\u00e3o [passavam] de regras ensinadas por homens\u201d. A palavra usada para \u201censinamentos\u201d aqui \u00e9 <em>didaskalia<\/em>, que significa \u201cuma parte ou dire\u00e7\u00e3o definida de uma instru\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Em outras palavras, os fariseus estavam usando regras humanas que haviam herdado e apresentando-as como se fossem ensinamentos aut\u00eanticos. Eles tentavam levar outros para al\u00e9m do que Deus havia ordenado. Ao fazerem isso, elevavam sua tradi\u00e7\u00e3o a uma posi\u00e7\u00e3o de autoridade equivalente aos mandamentos revelados por Deus, o que era praticamente o mesmo que dizer que cumprir suas tradi\u00e7\u00f5es era necess\u00e1rio para a salva\u00e7\u00e3o. Contudo, as coisas n\u00e3o eram assim.<\/p>\n<p>Consideremos os rituais de purifica\u00e7\u00e3o dos fariseus. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em lavar as vasilhas nas quais o alimento deve ser servido ou em lavar as m\u00e3os antes de comer. Em quest\u00e3o de higiene, trata-se de algo muito sensato. Cerimonialmente, por\u00e9m, \u00e9 uma pr\u00e1tica muito inofensiva. Sem d\u00favida, n\u00e3o contraria a Escritura. Em contrapartida, ela n\u00e3o \u00e9 ordenada por Deus em sua Palavra, e, por isso, os fariseus n\u00e3o tinham o direito de elev\u00e1-la \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de uma exig\u00eancia divina e torn\u00e1-la obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Os regulamentos dos fariseus com rela\u00e7\u00e3o a \u201cCorb\u00e3\u201d eram similares. Di\u00adziam respeito ao cumprimento de votos, os quais a lei claramente ordenava que fossem cumpridos. Entretanto, os fariseus foram al\u00e9m da Escritura e estabeleceram regras detalhadas de modo que, em certas situa\u00e7\u00f5es, Jesus teve de dizer-lhes: \u201cVoc\u00eas o desobrigam de qualquer dever\u201d (v. 12). Essa \u00e9 uma express\u00e3o muito reveladora, pois indica que os fariseus estavam se constituindo ju\u00edzes morais ao ordenarem certas pr\u00e1ticas e proibirem outras. Eles concediam e negavam permiss\u00e3o em assuntos nos quais Deus n\u00e3o lhes tinha dado direito algum de interferir.<\/p>\n<p>Assim, Jesus insistiu em que essas tradi\u00e7\u00f5es inofensivas, que n\u00e3o s\u00e3o exi\u00adgidas nem proibidas pela Escritura, devem ser consideradas opcionais. Uma vez que s\u00e3o apenas \u201cregras ensinadas por homens\u201d, \u00e9 poss\u00edvel que nunca se tornem obrigat\u00f3rias. As pessoas s\u00e3o livres com rela\u00e7\u00e3o a elas. O fato de Jesus n\u00e3o ter justificado nem repreendido seus disc\u00edpulos por violarem as tradi\u00e7\u00f5es rituais dos fariseus mostra que ele estava muito tranquilo quanto a elas. Ele resistia e condenava qualquer tentativa de impor tradi\u00e7\u00f5es como se elas fossem essenciais.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a doutrina da sufici\u00eancia da Escritura que os reformadores do s\u00e9culo 16 entendiam muito bem. A Igreja Anglicana expressa claramente a quest\u00e3o em seus 39 Artigos da Religi\u00e3o. O artigo 6\u00ba diz: \u201cA Sagrada Escritura cont\u00e9m todas as coisas necess\u00e1rias para a salva\u00e7\u00e3o; de modo que tudo o que nela n\u00e3o se l\u00ea, nem por ela se pode provar, n\u00e3o deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como um artigo de F\u00e9 ou julgado como exigido ou necess\u00e1rio para a salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que a Igreja n\u00e3o tenha autoridade. As tradi\u00e7\u00f5es ino\u00adfensivas que n\u00e3o sejam contr\u00e1rias \u00e0 Escritura s\u00e3o permiss\u00edveis, mas n\u00e3o podem ser obrigat\u00f3rias. O artigo 20\u00ba diz: \u201cA Igreja tem poder de decretar Ritos ou Cerim\u00f4nias [&#8230;]; todavia, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito \u00e0 Igreja ordenar coisa alguma contr\u00e1ria \u00e0 Palavra de Deus escrita [&#8230;] Portanto, mesmo que a Igreja seja testemunha e guarda das Escrituras Sagradas, todavia [&#8230;] tamb\u00e9m n\u00e3o deve obrigar que seja acreditada coisa alguma que nelas n\u00e3o se encontra como sendo necess\u00e1ria para a salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 clara. A Igreja nunca tem autoridade para decretar qualquer coisa \u201ccontr\u00e1ria\u201d \u00e0 Escritura. Al\u00e9m (\u00e0 parte) da Escritura, ela pode criar regras, desde que n\u00e3o as torne uma condi\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deixe-me ilustrar o princ\u00edpio com pr\u00e1ticas da Igreja Anglicana. Os candidatos ao batismo nessa igreja s\u00e3o tradicionalmente marcados com o sinal da cruz na testa como uma indica\u00e7\u00e3o de que \u201cn\u00e3o t\u00eam vergonha de confessar a f\u00e9 do Cristo crucificado\u201d. Temos, ainda, as pr\u00e1ticas de a noiva (e, muitas vezes, o noivo tamb\u00e9m) receber um anel durante a cerim\u00f4nia de casamento, de o caix\u00e3o ser levado \u00e0 igreja durante a cerim\u00f4nia f\u00fanebre e de os ministros usarem certas vestes durante o culto p\u00fablico. A Escritura n\u00e3o ordena nenhum desses costumes. Ao mesmo tempo, eles n\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rios a ela. Portanto, s\u00e3o permiss\u00edveis, desde que n\u00e3o sejam investidos de autoridade divina nem impostos \u00e0s pessoas como essenciais para a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que se aplica \u00e0s igrejas \u00e9 igualmente v\u00e1lido para os crist\u00e3os como indiv\u00edduos. Podemos valorizar certas tradi\u00e7\u00f5es, seja no que cremos ou no que fazemos. Por exemplo, podemos adotar formas espec\u00edficas de lidarmos com a ora\u00e7\u00e3o, a leitura da B\u00edblia, a celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor, o jejum ou as ofertas crist\u00e3s. Desde que nossas escolhas nessas \u00e1reas n\u00e3o sejam contr\u00e1rias ao ensino da B\u00edblia, somos livres para pratic\u00e1-las. N\u00e3o temos, entretanto, o direito de tentar imp\u00f4-las aos outros. Fazer isso \u00e9 elevar regras meramente humanas a uma categoria que elas n\u00e3o merecem. Outras pessoas devem ter liberdade para rejeit\u00e1-las.<\/p>\n<pre><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_06_05_15_Nossa_ignor\u00e2cia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-469\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_06_05_15_Nossa_ignor\u00e2cia-201x300.jpg\" alt=\"JS_06_05_15_Nossa_ignor\u00e2cia\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_06_05_15_Nossa_ignor\u00e2cia-201x300.jpg 201w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_06_05_15_Nossa_ignor\u00e2cia-100x150.jpg 100w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2015\/07\/JS_06_05_15_Nossa_ignor\u00e2cia.jpg 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>\u2013 Trecho do livro <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/controversias-jesus\/\">As controv\u00e9rsias de Jesus<\/a>, de John Stott, p. 62.<\/pre>\n<p>Nota:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> SWETE, H. B. The Gospel According to St. Mark. Macmillan, 1898. Coment\u00e1rio sobre Marcos 7.7.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nossa tentativa de seguir a Cristo na distin\u00e7\u00e3o clara entre Escritura e tradi\u00e7\u00e3o, devemos ter cuidado para n\u00e3o exagerarmos. Jesus n\u00e3o rejeitou todas as tradi\u00e7\u00f5es humanas de repente, proibindo seus disc\u00edpulos de apreciarem ou seguirem qualquer uma delas. 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