{"id":462,"date":"2015-07-08T11:01:01","date_gmt":"2015-07-08T14:01:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=462"},"modified":"2021-01-27T10:59:32","modified_gmt":"2021-01-27T13:59:32","slug":"como-estabelecer-um-dialogo-respeitoso-com-os-muculmanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2015\/07\/08\/como-estabelecer-um-dialogo-respeitoso-com-os-muculmanos\/","title":{"rendered":"Como estabelecer um di\u00e1logo respeitoso com mu\u00e7ulmanos"},"content":{"rendered":"<p>Tem havido uma consider\u00e1vel sucess\u00e3o de mission\u00e1rios crist\u00e3os dedicados e bem instru\u00eddos entre os mu\u00e7ulmanos. S\u00f3 de mencionar os nomes de Henry Martyn, Samuel Zwemer e Temple Gairdner j\u00e1 notaremos os admir\u00e1veis homens de Deus que deram sua mente e vida \u00e0 tarefa de comunicar Cristo aos seguidores de Maom\u00e9. Em minha gera\u00e7\u00e3o, um dos mais conhecidos nomes nesse meio \u00e9 o bispo Kenneth Cragg, cuja abordagem dial\u00f3gica aos mu\u00e7ulmanos tem sido a principal inspira\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de livros intitulada <em>Christian Presence<\/em>, editada por Canon Max Warren. A declara\u00e7\u00e3o completa do bispo Cragg aparece em seu livro <em>The Call of the Minaret<\/em>. Ele interpreta o convite do muezim n\u00e3o apenas como uma convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o dirigida aos mu\u00e7ulmanos, mas tamb\u00e9m, implicitamente, como um chamado para que os crist\u00e3os respondam ao desafio do mundo mu\u00e7ulmano. Assim, o livro \u00e9 dividido em duas partes principais: a primeira, intitulada \u201cMinarete e mu\u00e7ulmanos\u201d, na qual ele explica os princ\u00edpios b\u00e1sicos da cren\u00e7a mu\u00e7ulmana, e a segunda, \u201cMinarete e crist\u00e3os\u201d, na qual ele apresenta os cinco aspectos de seu chamado \u2014 um chamado \u00e0 compreens\u00e3o, ao servi\u00e7o, \u00e0 repara\u00e7\u00e3o (a tentativa de reparar a situa\u00e7\u00e3o na qual os mu\u00e7ulmanos s\u00e3o t\u00e3o profundamente desconfiados dos crist\u00e3os), \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o e \u00e0 paci\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao ler o livro, duas \u00eanfases em particular me causaram impacto. A primeira \u00e9 a import\u00e2ncia que o bispo Cragg d\u00e1 ao que ele chama \u201ca ambi\u00e7\u00e3o pelo entendimento\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Se quisermos ser entendidos, primeiramente devemos, n\u00f3s mesmos, lutar para entender. E o tipo de entendimento que ele almeja n\u00e3o \u00e9 meramente o conhecimento acad\u00eamico que pode ser obtido ao estudar o islamismo, mas uma conscientiza\u00e7\u00e3o muito mais \u00edntima, que surge do encontro pleno com mu\u00e7ulmanos. Chegaremos \u00e0 compreens\u00e3o por meio de pessoas, e n\u00e3o apenas de livros. O crist\u00e3o \u201cdeve esfor\u00e7ar-se por entrar no viver di\u00e1rio dos mu\u00e7ulmanos, como crist\u00e3os, adeptos e homens\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, o crist\u00e3o deve entender o que o islamismo significa para o mu\u00e7ulmano. Devemos \u201cprocurar conhecer, tan\u00adto quanto poss\u00edvel, o interior. Desejamos ouvir do minarete a sauda\u00e7\u00e3o de cada manh\u00e3 e o cumprimento de cada entardecer de milh\u00f5es de homens contempor\u00e2neos, e assim entrar com eles pelo portal da mesquita at\u00e9 seu mundo de significados\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Por\u00e9m, em seguida, o crist\u00e3o deve tamb\u00e9m entender o que o cristianismo \u00e9 para o mu\u00e7ulmano. O crist\u00e3o deve sentir vergonha das Cruzadas e da amarga pol\u00eamica medieval contra o islamismo, e deve procurar entender a repulsa que os mu\u00e7ulmanos sentem pelo imperialis\u00admo e pelo secularismo ocidental e sua incompreens\u00e3o declarada do apoio injusto que o ocidente d\u00e1 a Israel em detrimento aos \u00e1rabes. O crist\u00e3o tamb\u00e9m deve se esfor\u00e7ar por entender o que o bispo Cragg chama de \u201cequ\u00edvocos maci\u00e7os\u201d dos mu\u00e7ulmanos<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> sobre a teologia crist\u00e3 \u2014 sobre as doutrinas crist\u00e3s de Deus e da Trindade, sobre Cristo e a cruz, e sobre salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, o chamado do minarete ao crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente \u00e0 compreens\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m \u00e0 a\u00e7\u00e3o, tanto no aspecto positivo quanto no negativo. O bispo Cragg utiliza a palavra <em>reparo <\/em>para indicar a obra de restitui\u00e7\u00e3o que n\u00f3s, crist\u00e3os, precisamos fazer. \u201cEntre os fatores que contribu\u00edram para o avan\u00e7o do islamismo\u201d, escreve ele, \u201cest\u00e1 o fracasso crist\u00e3o da Igreja. O fracasso no amor, na pureza e no fervor, o fracasso de esp\u00edrito [&#8230;]. O islamismo se desenvolveu em um ambiente de cristianismo imperfeito<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, at\u00e9 mesmo de um \u201ccristianismo delinquente\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Assim, o crist\u00e3o<\/p>\n<blockquote><p>aspira desfazer a aliena\u00e7\u00e3o e corrigir o passado por meio de uma restitui\u00e7\u00e3o t\u00e3o completa quanto consiga do Cristo que \u00e9 estranho para o mundo mu\u00e7ulmano. O objetivo n\u00e3o \u00e9, como acreditavam os expedicion\u00e1rios, a recupera\u00e7\u00e3o do que a cristandade perdeu, mas a restitui\u00e7\u00e3o, aos mu\u00e7ulmanos, do Cristo que eles perderam [&#8230;]. Que fique claro que a restau\u00adra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 territorial [&#8230;]. A restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 espiritual. O alvo n\u00e3o \u00e9 ter um mapa mais crist\u00e3o, mas Cristo mais vastamente conhecido [&#8230;]. A restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa colocar catedrais no lugar das mesquitas, mas devolver o Cristo [&#8230;]. Restituir Cristo transcende tudo mais<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>O conceito de \u201crestaura\u00e7\u00e3o\u201d do bispo Cragg j\u00e1 tem se tornado positivo. Esse conceito conduz naturalmente ao segundo chamado, que \u00e9 \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>Se Cristo for o que Cristo \u00e9, ele deve ser propagado. Se o islamismo for o que o islamismo \u00e9, isso \u201cdeve\u201d ser irresist\u00edvel. Onde houver d\u00favida, o testemunho deve penetrar; onde estiver encoberta a beleza da cruz, ela deve ser desvendada: onde os homens tiverem perdido Deus em Cristo, ele deve ser devolvido a eles [&#8230;]. N\u00f3s apresentamos Cristo pela \u00fanica e suficiente raz\u00e3o pela qual ele merece ser apresentado<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, o bispo Cragg se entrega ao trabalho da interpreta\u00e7\u00e3o, e, fazendo isso, percorre cinco \u00e1reas teol\u00f3gicas centrais \u2014 as Escrituras, a pessoa de Jesus, a cruz, a doutrina de Deus e a igreja. Ele clama o tempo todo por paci\u00eancia, por \u201cpaci\u00eancia com os equ\u00edvocos monumentais que devem, de alguma forma, ser removidos\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, na verdade, por \u201caquela labuta em paci\u00eancia que \u00e9 a miss\u00e3o crist\u00e3<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>De modo semelhante, o bispo Stephen Neill escreve palavras tocantes no cap\u00edtulo sobre o islamismo em seu livro <em>Christian Faith and Other Faiths<\/em>:<\/p>\n<blockquote><p>Os crist\u00e3os devem persistir no convite sincero ao di\u00e1logo verdadeiro; eles devem exercitar a paci\u00eancia ilimitada e recusar se sentirem desanimados. E a ess\u00eancia de todo o seu convite deve ser \u201cconsidere Jesus\u201d [&#8230;]. N\u00e3o temos outra mensagem [&#8230;]. N\u00e3o \u00e9 que os mu\u00e7ulmanos viram Jesus de Nazar\u00e9 e o rejeitaram; eles nunca o viram, e o v\u00e9u da distor\u00e7\u00e3o e do preconceito ainda est\u00e1 sobre suas faces<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<pre>Trecho do livro <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/controversias-jesus\/\">As controv\u00e9rsias de Jesus<\/a>, de John Stott, p. 93.<\/pre>\n<p>Notas:<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> The Call of the Minaret, Lutterworth, 1956, p. viii.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Idem, p. 189.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Idem, p. 34.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Idem, p. 319.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Idem, p. 245.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Idem, p. 262.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Idem, p. 245-246, 256-257.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Idem, p. 334-335.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Idem, p. 334-335.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Idem, p. 347.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Christian Faith and Other Faiths. Oxford University Press, 1961, p. 65-66, 69.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem havido uma consider\u00e1vel sucess\u00e3o de mission\u00e1rios crist\u00e3os dedicados e bem instru\u00eddos entre os mu\u00e7ulmanos. S\u00f3 de mencionar os nomes de Henry Martyn, Samuel Zwemer e Temple Gairdner j\u00e1 notaremos os admir\u00e1veis homens de Deus que deram sua mente e vida \u00e0 tarefa de comunicar Cristo aos seguidores de Maom\u00e9. 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