{"id":368,"date":"2014-07-11T11:10:39","date_gmt":"2014-07-11T14:10:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=368"},"modified":"2014-07-11T11:10:39","modified_gmt":"2014-07-11T14:10:39","slug":"dogmatismo-a-diferenca-entre-a-essencia-de-uma-doutrina-e-a-forma-de-explica-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2014\/07\/11\/dogmatismo-a-diferenca-entre-a-essencia-de-uma-doutrina-e-a-forma-de-explica-la\/","title":{"rendered":"Dogmatismo: A diferen\u00e7a entre a ess\u00eancia de uma doutrina e a forma de explic\u00e1-la"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2014\/07\/imag_prat_11_07_14_Stott_home.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-368\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-369\" alt=\"imag_prat_11_07_14_Stott_home\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2014\/07\/imag_prat_11_07_14_Stott_home.jpg\" width=\"348\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2014\/07\/imag_prat_11_07_14_Stott_home.jpg 348w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2014\/07\/imag_prat_11_07_14_Stott_home-300x215.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2014\/07\/imag_prat_11_07_14_Stott_home-150x107.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/a>O esp\u00edrito de nossa era \u00e9 hostil \u00e0s pessoas que expressam suas opini\u00f5es com clareza e se apegam firmemente a elas. \u00c9 prov\u00e1vel que uma pessoa de convic\u00e7\u00e3o, por mais inteligente, sincera e humilde que possa ser, seja vista como fan\u00e1tica. Em nossos dias, considera-se realmente brilhante a mente que \u00e9 ampla e aberta \u2013 ampla o suficiente para absorver toda ideia nova que lhe \u00e9 apresentada e aberta o suficiente para continuar a fazer isso para sempre.<\/span><\/p>\n<p>Em resposta a isso, \u00e9 preciso dizer que a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9, em ess\u00eancia, dogm\u00e1tica, porque declara ser uma f\u00e9 \u201crevelada\u201d. Se o cristianismo fosse apenas uma colet\u00e2nea de ideias humanas, ent\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica n\u00e3o teria prop\u00f3sito. Contudo, se (como alegam os crist\u00e3os) Deus falou \u2013 tanto h\u00e1 muito tempo por meio dos profetas como nestes \u00faltimos dias por meio de seu Filho<sup>1<\/sup> \u2013, qual \u00e9 o problema de crer no que ele disse e de insistir para que outras pessoas creiam tamb\u00e9m? Se h\u00e1 uma Palavra de Deus que pode ser lida e recebida hoje, sem d\u00favida, seria tolice e um erro ignor\u00e1-la.<\/p>\n<p>Naturalmente, o fato de Deus ter falado e de sua Palavra estar registrada em um livro n\u00e3o significa que os crist\u00e3os sabem tudo. Podemos, \u00e0s vezes, dar a impress\u00e3o de que pensamos isso \u2013 nesse caso, precisamos ser perdoados por nossa arrog\u00e2ncia. Como deixa claro o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o em sua primeira carta, por exemplo, \u201cainda n\u00e3o se manifestou o que havemos de ser\u201d<sup>2<\/sup>. No Antigo Testamento, Mois\u00e9s foi um homem a quem Deus se revelou de forma extraordin\u00e1ria. Contudo, ele tinha plena certeza de que Deus s\u00f3 havia <i>come\u00e7ado <\/i>a \u201cmostrar ao teu servo a tua grandeza&#8230;\u201d<sup>3<\/sup>. Neste mesmo sentido, o ap\u00f3stolo Paulo comparou nosso presente conhecimento parcial ao balbucio incoerente de uma crian\u00e7a.<sup>4<\/sup> Se Mois\u00e9s, no Antigo Testamento, Jo\u00e3o e Paulo, no Novo, admitem humildemente sua ignor\u00e2ncia sobre tantos aspectos da verdade, quem somos n\u00f3s para dizer que sabemos tudo? Precisamos ouvir novamente as duras palavras de Jesus: \u201cN\u00e3o lhes compete saber&#8230;\u201d<sup>5<\/sup> Ele estava se referindo aos tempos e datas \u201cque o Pai estabeleceu pela sua pr\u00f3pria autoridade\u201d. Mas o mesmo princ\u00edpio se aplica em outros aspectos da verdade. Os limites de nosso conhecimento n\u00e3o s\u00e3o determinados pelo que decidimos que queremos saber, mas pelo que Deus decidiu nos revelar.<\/p>\n<p>Talvez a afirma\u00e7\u00e3o mais equilibrada neste sentido esteja no final do livro de Deuteron\u00f4mio, no Antigo Testamento: \u201cAs coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a n\u00f3s e aos nossos filhos para sempre&#8230;\u201d<sup>6<\/sup> Aqui a verdade como um todo est\u00e1 dividida em duas partes: \u201cas coisas encobertas\u201d e \u201cas reveladas\u201d. A B\u00edblia diz que as coisas encobertas pertencem a Deus. E, uma vez que pertencem a ele, e ele n\u00e3o quis transmiti-las a n\u00f3s, n\u00e3o devemos tentar arranc\u00e1-las dele \u00e0 for\u00e7a, mas nos contentar em deix\u00e1-las com ele. As coisas reveladas, por outro lado, \u201cpertencem a n\u00f3s e aos nossos filhos para sempre\u201d. Ou seja, uma vez que Deus as deu para n\u00f3s, e elas s\u00e3o nossas, ele deseja que n\u00f3s mesmos as tenhamos e as passemos para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. O prop\u00f3sito de Deus, portanto, \u00e9 que desfrutemos do que \u00e9 nosso (porque ele o revelou) e que n\u00e3o nos preocupemos com o que \u00e9 s\u00f3 dele (porque ele n\u00e3o o revelou).<\/p>\n<p>Devemos entender o que foi claramente revelado e admitir nossa ignor\u00e2ncia com rela\u00e7\u00e3o ao que n\u00e3o foi revelado; e \u00e9 esta combina\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de dogmatismo e agnosticismo que, para n\u00f3s, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil entender. Os problemas surgem quando permitimos que nosso dogmatismo invada o terreno das \u201ccoisas encobertas\u201d ou que nosso agnosticismo ofusque \u201cas reveladas\u201d. Precisamos ter a capacidade de dizer a diferen\u00e7a entre estas duas \u00e1reas da verdade, a encoberta e a revelada. \u00c9 sinal de maturidade dizer \u201cn\u00e3o sei\u201d sobre uma coisa, assim como tamb\u00e9m dizer \u201ceu sei\u201d sobre outra \u2013 desde que nossa admiss\u00e3o de ignor\u00e2ncia esteja relacionada a algo encoberto, e nossa afirma\u00e7\u00e3o de conhecimento, a algo revelado.<\/p>\n<p>Portanto, o dogmatismo crist\u00e3o \u00e9 (ou deveria ser) limitado. Est\u00e1 muito longe de ser uma afirma\u00e7\u00e3o de se saber tudo. Mas, em se tratando daquilo que est\u00e1 claramente revelado na B\u00edblia, os crist\u00e3os n\u00e3o devem duvidar nem dar desculpas para justific\u00e1-lo. O Novo Testamento est\u00e1 repleto de afirma\u00e7\u00f5es claras que come\u00e7am com \u201csabemos\u201d, \u201cestamos certos\u201d, \u201cestamos convictos\u201d. Basta ler a primeira carta de Jo\u00e3o, na qual verbos com o sentido de \u201csaber\u201d aparecem cerca de quarenta vezes. Eles expressam a ideia de uma alegre convic\u00e7\u00e3o que, infelizmente, est\u00e1 faltando em muitas \u00e1reas da igreja hoje e que precisa ser resgatada. \u201c\u00c9 um grande erro pensar que a humildade exclui a convic\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu o professor James Stewart. \u201cG. K. Chesterton, uma vez, escreveu algumas palavras s\u00e1bias sobre o que chamou de \u2018deslocamento da humildade\u2019&#8230; \u2018O mal que sofremos hoje \u00e9 de uma humildade no lugar errado\u2019.\u201d<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>O que ele quer dizer \u00e9 que devemos admitir nossas limita\u00e7\u00f5es em se tratando de compreender a verdade, mas n\u00e3o duvidar da realidade da pr\u00f3pria verdade. O problema \u00e9 que isso tem sido invertido. Como diz Chesterton, \u201cestamos caminhando para produzir uma ra\u00e7a de pessoas com uma mente muito modesta para crer na mesa da multiplica\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cDevemos ser sempre humildes e abdicados\u201d, continua o professor Stewart, \u201cmas nunca desconfiar e justificar o evangelho.\u201d O dicion\u00e1rio que define dogma como uma \u201cdeclara\u00e7\u00e3o arrogante de opini\u00e3o\u201d est\u00e1 equivocado. Ser dogm\u00e1tico n\u00e3o necessariamente significa ser orgulhoso ou teimoso.<\/p>\n<p>Em outras palavras, uma mente ampla e aberta, t\u00e3o valorizada em nossos dias, n\u00e3o \u00e9 necessariamente algo bom. Sem d\u00favida, devemos manter a mente <i>aberta<\/i> em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es sobre as quais a B\u00edblia parece n\u00e3o ser clara, e a mente <i>receptiva<\/i> para que nossa compreens\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o de Deus possa continuar a se aprofundar. Devemos tamb\u00e9m fazer a distin\u00e7\u00e3o entre a ess\u00eancia de uma doutrina e nossas formas imperfeitas de compreend\u00ea-la e explic\u00e1-la. Mas, quando o ensino da B\u00edblia \u00e9 simples, ent\u00e3o continuar a manter a mente aberta n\u00e3o \u00e9 sinal de maturidade, mas sim de imaturidade. Paulo chama de \u201ccrian\u00e7as\u201d aqueles que n\u00e3o conseguem decidir em que acreditar, que s\u00e3o \u201cjogados para c\u00e1 e para l\u00e1 por todo vento de doutrina\u201d<sup>8<\/sup>. E ter pessoas que est\u00e3o \u201csempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade\u201d<sup>9<\/sup> \u00e9 uma caracter\u00edstica dos \u201ctempos terr\u00edveis\u201d em que estamos vivendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Retirado de <i>But I say to you \u2013 Christ the controversialist<\/i>, John Stott (No prelo).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esp\u00edrito de nossa era \u00e9 hostil \u00e0s pessoas que expressam suas opini\u00f5es com clareza e se apegam firmemente a elas. \u00c9 prov\u00e1vel que uma pessoa de convic\u00e7\u00e3o, por mais inteligente, sincera e humilde que possa ser, seja vista como fan\u00e1tica. Em nossos dias, considera-se realmente brilhante a mente que \u00e9 ampla e aberta \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[114],"tags":[],"class_list":["post-368","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":371,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions\/371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}