{"id":1556,"date":"2018-10-30T09:34:21","date_gmt":"2018-10-30T12:34:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=1556"},"modified":"2022-07-05T11:49:38","modified_gmt":"2022-07-05T14:49:38","slug":"os-cristaos-e-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2018\/10\/30\/os-cristaos-e-a-morte\/","title":{"rendered":"Os crist\u00e3os e a morte"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Disse-lhe Jesus: &#8220;Eu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida. Aquele que cr\u00ea em mim, ainda que morra, viver\u00e1; e quem vive e cr\u00ea em mim, n\u00e3o morrer\u00e1 eternamente. Voc\u00ea cr\u00ea nisso?&#8221; (Jo\u00e3o 11:25-26)<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1558\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1534878405839-4cccb18c59f5-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1534878405839-4cccb18c59f5-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1534878405839-4cccb18c59f5-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1534878405839-4cccb18c59f5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1534878405839-4cccb18c59f5-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1534878405839-4cccb18c59f5.jpg 1051w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A morte inspira terror em muitas pessoas. O intenso conflito interno de Woody Allen com a morte \u00e9 bem conhecido. Ele a v\u00ea como uma aniquila\u00e7\u00e3o do ser e a considera \u201cabsolutamente espantadora em seu terror\u201d. \u201cN\u00e3o que eu tenha medo de morrer\u201d, graceja ele, \u201capenas n\u00e3o quero estar l\u00e1 quando acontecer\u201d.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 dado pelo americano Ronald Dworkin, o fil\u00f3sofo de direito que tem ocupado cadeiras nas universidades de Londres, Oxford e Nova York. Ele escreveu:<\/p>\n<p>O mais horr\u00edvel na morte \u00e9 o esquecimento \u2014 a terr\u00edvel e absoluta morte da luz [&#8230;]. A morte domina porque n\u00e3o \u00e9 apenas o come\u00e7o do nada, mas o fim de tudo.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>Por\u00e9m, para os crist\u00e3os, a morte n\u00e3o \u00e9 horr\u00edvel. \u00c9 verdade que o processo da morte pode ser confuso e humilhante, e a decad\u00eancia procedente n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel. Na verdade, a pr\u00f3pria B\u00edblia reconhece isso ao chamar a morte de \u201co \u00faltimo inimigo a ser destru\u00eddo\u201d (1Co 15.26). Ao mesmo tempo, afirmamos que \u201cCristo Jesus [&#8230;] destruiu a morte\u201d (2Tm 1.10). Ele a conquistou pessoalmente por sua ressurrei\u00e7\u00e3o, de tal forma que ela n\u00e3o tem mais autoridade sobre n\u00f3s. Consequentemente, podemos gritar, em desafio: \u201cOnde est\u00e1, \u00f3 morte, a tua vit\u00f3ria? Onde est\u00e1, \u00f3 morte, o teu aguilh\u00e3o?\u201d (1Co 15.55).<\/p>\n<p>A derrota da morte \u00e9 uma coisa; o dom da vida \u00e9 outra. Contudo, por causa da dificuldade em se definir a vida eterna, os escritores do Novo Testamento tendem a utilizar o recurso da figura de linguagem. O ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, por exemplo, descreve o povo de Deus tendo seus nomes inscritos no livro da vida (Ap 3.5; 21.27), gozando de acesso cont\u00ednuo \u00e0 \u00e1rvore da vida (Ap 2.7; 22.2), e bebendo livremente da \u00e1gua da vida (Ap 7.17; 21.6; 22.1, 17).<\/p>\n<p><!--more-->\u201cMas algu\u00e9m dir\u00e1: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo v\u00eam?\u201d (1Co 15.35). A mesma pergunta (uma pergunta tola, de acordo com Paulo) \u00e9 frequentemente feita hoje. N\u00f3s a respondemos prestando aten\u00e7\u00e3o no relacionamento entre uma semente e sua flor. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entre as duas (por exemplo, as sementes da mostarda produzem apenas uma planta de mostarda). Mas a descontinuidade \u00e9 muito mais impressionante. A semente \u00e9 simples e feia, mas sua flor \u00e9 colorida e bela. Assim ser\u00e1 com nosso corpo ressurreto. Ele preservar\u00e1 certa semelhan\u00e7a com nosso corpo atual, mas ter\u00e1 poderes novos e nunca sonhados (1Co 15.35-44).<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, de certa forma, o que \u00e9 verdadeiro a respeito do corpo ressurreto se aplica ao novo c\u00e9u e \u00e0 nova terra. Jesus chamou isso de \u201cregenera\u00e7\u00e3o\u201d (<em>palingenesia<\/em>, Mt 19.28). Pois se o corpo deve ser ressuscitado, o mundo deve ser regenerado. E como deve haver uma mistura de liga\u00e7\u00e3o e descontinuidade entre os dois corpos, tamb\u00e9m haver\u00e1 entre os dois mundos. Toda a cria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 liberta da escravid\u00e3o da decad\u00eancia (Rm 8.18-25). Essas expectativas s\u00e3o parte da vida eterna que a morte nos trar\u00e1. E isso \u00e9 proclamado em muitos cemit\u00e9rios e l\u00e1pides: <em>Mors janua vitae <\/em>\u2014 a morte \u00e9 o port\u00e3o para a vida.<\/p>\n<p>Ao refletir sobre a morte e buscar me preparar para ela, tenho retornado constantemente ao que pode-se chamar filosofia de Paulo sobre vida e morte:<\/p>\n<p><em>Porquanto, para mim, o viver \u00e9 Cristo, e o morrer \u00e9 lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, j\u00e1 n\u00e3o sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que \u00e9 incomparavelmente melhor.<\/em> (Filipenses 1.21-23)<\/p>\n<p>Numa s\u00f3 palavra, vida, para Paulo, significava Cristo. Era imposs\u00edvel imaginar a vida sem ele. Assim, era realmente l\u00f3gico que ele quisesse morrer, porque a morte traria lucro, ou seja, mais de Cristo. No entanto, ele sabia que permaneceria um pouco mais, pois havia mais trabalho para ele fazer na terra.<\/p>\n<p>Geralmente \u00e9 perigoso levantar argumentos a partir de uma analogia. Por\u00e9m, Paulo parece nos dar permiss\u00e3o para fazer isso. O princ\u00edpio \u00e9 claro. Se para n\u00f3s a vida significa Cristo, ent\u00e3o a morte trar\u00e1 ganho. De fato, a vida futura ser\u00e1 muito melhor do que a vida na terra.<\/p>\n<p>Assim:<\/p>\n<p>&#8211; Se adorar com o povo de Deus na terra j\u00e1 \u00e9 profundamente satisfat\u00f3rio (o que \u00e9 verdade), ent\u00e3o a adora\u00e7\u00e3o com todos no c\u00e9u ser\u00e1 ainda mais emocionante.<\/p>\n<p>&#8211; Se nosso cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 queima sempre que as Escrituras s\u00e3o reveladas a n\u00f3s, a revela\u00e7\u00e3o de toda a verdade ser\u00e1 ainda mais comovente.<\/p>\n<p>&#8211; Se a gl\u00f3ria de um p\u00f4r-do-sol j\u00e1 nos impressiona, como ser\u00e1 quando estivermos diante da beleza do novo c\u00e9u e nova terra?<\/p>\n<p>&#8211; Se a comunh\u00e3o transcultural j\u00e1 nos toca, ficaremos jubilosos quando finalmente nos juntarmos \u00e0s multid\u00f5es de todas as na\u00e7\u00f5es, tribos e l\u00ednguas.<\/p>\n<p>&#8211; Se algumas vezes j\u00e1 experimentamos o que \u00e9 \u201cnos alegrar com um gozo indiz\u00edvel, e cheio de gl\u00f3ria\u201d, podemos ter a certeza de que isso acontecer\u00e1 com mais frequ\u00eancia, no lugar onde n\u00e3o haver\u00e1 tristeza nem l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o apenas exemplos da experi\u00eancia humana. Em cada caso \u00e9 adequado usar um comparativo, ou seja, \u201cmuito melhor\u201d. Na verdade, quando refletimos sobre a vida futura, o comparativo \u00e9 realmente inadequado; o mais apropriado \u00e9 usarmos o superlativo. \u00c9 por isso que, sempre que refletimos sobre o futuro que nos aguarda, podemos dizer: \u201cO melhor ainda est\u00e1 por vir\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>A morte \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0s leis da natureza e \u00e9 desagrad\u00e1vel. De certa forma, ela nos apresenta uma finalidade terr\u00edvel. Morte \u00e9 o fim. Mesmo assim, em todas as situa\u00e7\u00f5es, a morte \u00e9 o caminho para a vida. Assim, se queremos viver, devemos morrer. E estaremos dispostos a morrer somente quando virmos as gl\u00f3rias da vida \u00e0 qual a morte leva. Essa \u00e9 a perspectiva crist\u00e3 radical e paradoxal. Pessoas verdadeiramente crist\u00e3s s\u00e3o descritas com exatid\u00e3o como \u201caqueles que est\u00e3o vivos de entre os mortos\u201d.<\/p>\n<pre>Texto originalmente publicado no livro <strong><a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-discipulo-radical\"><em>O Disc\u00edpulo Radical<\/em><\/a><\/strong>.<\/pre>\n<blockquote><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2222 alignleft\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/02\/capa_EB_discipulo_radical-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/02\/capa_EB_discipulo_radical-200x300.jpg 200w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/2016\/02\/capa_EB_discipulo_radical.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Disc%C3%ADpulo-Radical-B%C3%ADblicos-b%C3%ADblicos-Ultimato-ebook\/dp\/B0B44BW6XS\/ref=sr_1_2\">O Disc\u00edpulo Radical \u2013 Estudos B\u00edblicos<\/a>&#8221; apresenta 8 estudos b\u00edblicos desenvolvidos a partir de cada um dos 8 cap\u00edtulos do livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-discipulo-radical\">O Disc\u00edpulo Radical<\/a>&#8220;, de John Stott, adequados para uso individual ou em grupo, para estudos dentro ou fora da igreja, bem como para o desenvolvimento pessoal, discipulado e o testemunho do Corpo de Cristo (Ef 4.11-32).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><i>Dispon\u00edvel nas plataformas: <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Disc%C3%ADpulo-Radical-B%C3%ADblicos-b%C3%ADblicos-Ultimato-ebook\/dp\/B0B44BW6XS\/ref=sr_1_1?crid=2IFQZ8AED0QOL&amp;keywords=estudos+biblicos+ultimato&amp;qid=1656351253&amp;s=digital-text&amp;sprefix=%2Cdigital-text%2C164&amp;sr=1-1\">Amazon<\/a>, <a href=\"https:\/\/books.apple.com\/br\/book\/id6442987189\">Apple Books<\/a>, <a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=_BZ1EAAAQBAJ&amp;newbks=0&amp;printsec=frontcover&amp;pg=PT3&amp;dq=o+discipulo+radical+estudos+biblicos&amp;hl=pt-BR&amp;source=newbks_fb&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q=o%20discipulo%20radical%20estudos%20biblicos&amp;f=false\">Google Livros<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.kobo.com\/br\/pt\/ebook\/o-discipulo-radical-estudos-biblicos\">Kobo<\/a><\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Notas<\/strong><\/h6>\n<ol>\n<li>\n<h6><strong>De um artigo em <em>Esquire<\/em>, 1977. E em MCCANN, Graham. <em>Woody Allen, new yorker<\/em>. Polity Press, 1990. p. 43 e 83.<\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6><strong>DWORKIN, Ronald. <em>Life\u2019s dominion<\/em>. HarperCollins, 1993. p. 199.<\/strong><\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disse-lhe Jesus: &#8220;Eu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida. Aquele que cr\u00ea em mim, ainda que morra, viver\u00e1; e quem vive e cr\u00ea em mim, n\u00e3o morrer\u00e1 eternamente. Voc\u00ea cr\u00ea nisso?&#8221; (Jo\u00e3o 11:25-26) A morte inspira terror em muitas pessoas. O intenso conflito interno de Woody Allen com a morte \u00e9 bem conhecido. 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