{"id":1485,"date":"2018-08-21T00:00:30","date_gmt":"2018-08-21T03:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=1485"},"modified":"2022-05-31T07:26:46","modified_gmt":"2022-05-31T10:26:46","slug":"a-grande-comissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2018\/08\/21\/a-grande-comissao\/","title":{"rendered":"A Grande Comiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Parece que \u00e9 em nossa fun\u00e7\u00e3o como servos que encontramos a s\u00edntese correta entre evangelismo e a\u00e7\u00e3o social. Pois ambos deveriam ser para n\u00f3s, como indubitavelmente foram para Cristo, express\u00f5es aut\u00eanticas do amor que serve.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1488\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1521295121783-8a321d551ad2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1521295121783-8a321d551ad2-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1521295121783-8a321d551ad2-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1521295121783-8a321d551ad2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1521295121783-8a321d551ad2-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/photo-1521295121783-8a321d551ad2.jpg 1050w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Isso nos leva a uma considera\u00e7\u00e3o dos termos da Grande Comiss\u00e3o. Qual foi a comiss\u00e3o que o Senhor Jesus deu ao seu povo? N\u00e3o pode haver d\u00favida de que a maioria de suas vers\u00f5es (pois parece que ele repetiu a comiss\u00e3o de v\u00e1rias formas e em v\u00e1rias ocasi\u00f5es) d\u00e1 \u00eanfase ao evangelismo. \u201cIde por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura\u201d \u00e9 o mandamento familiar da \u201clonga conclus\u00e3o\u201d do Evangelho de Marcos que parece ter sido adicionada mais tarde por outra pessoa, ap\u00f3s a conclus\u00e3o original ter sido perdida (Mc 16.15). \u201cIde [&#8230;] fazei disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es, batizando-os [&#8230;], ensinando-os\u201d \u00e9 a forma que Mateus escolheu (Mt 28.19-20), enquanto Lucas registra, no final de seu evangelho, as palavras de Cristo de que \u201cem seu nome se pregasse arrependimento para remiss\u00e3o de pecados a todas as na\u00e7\u00f5es\u201d e no in\u00edcio de Atos, de que seu povo receberia poder para se tornar testemunha at\u00e9 os confins da terra (Lc 24.47; At 1.8). A \u00eanfase cumulativa parece clara. Ela \u00e9 colocada na prega\u00e7\u00e3o, testemunho e discipulado, e muitos deduzem disso que a miss\u00e3o da igreja, de acordo com as especifica\u00e7\u00f5es do Senhor ressurreto, seja exclusivamente uma miss\u00e3o de prega\u00e7\u00e3o, convers\u00e3o e ensino. Realmente, confesso que defendi essa posi\u00e7\u00e3o no Congresso Mundial de Evangeliza\u00e7\u00e3o em Berlim, em 1966, quando tentava expor as tr\u00eas vers\u00f5es principais da Grande Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, hoje me expressaria de forma diferente. N\u00e3o significa apenas que a Comiss\u00e3o inclui a tarefa de ensinar aos convertidos tudo o que Jesus havia ordenado previamente (Mt 28.20), e que a responsabilidade social est\u00e1 entre as coisas que Jesus ordenou. Agora vejo mais claramente que, n\u00e3o apenas as consequ\u00eancias da Comiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria Comiss\u00e3o inclui em si a responsabilidade social assim como a evangel\u00edstica, a menos que queiramos ser acusados de distorcer as palavras de Jesus.<\/p>\n<p><!--more-->A forma crucial como a Grande Comiss\u00e3o foi entregue a n\u00f3s (apesar de ser a mais negligenciada, por ser a mais custosa), \u00e9 a joanina. Jesus havia antecipado isso em sua ora\u00e7\u00e3o no cen\u00e1culo quando disse ao Pai: \u201cAssim como tu me enviaste ao mundo, tamb\u00e9m eu os enviei ao mundo\u201d (Jo 17.18). Agora, provavelmente no mesmo cen\u00e1culo, mas depois de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, ele transforma sua ora\u00e7\u00e3o-declara\u00e7\u00e3o em uma ordem e diz: \u201cAssim como o Pai me enviou, eu tamb\u00e9m vos envio\u201d (Jo 20.21). Nessas duas senten\u00e7as, Jesus fez mais do que tra\u00e7ar um paralelo vago entre sua miss\u00e3o e a nossa. Precisa e deliberadamente, ele fez de sua miss\u00e3o um <em>modelo<\/em> para a nossa, dizendo: \u201c<em>assim como<\/em> o Pai me enviou, eu tamb\u00e9m vos envio\u201d. Portanto, nossa compreens\u00e3o da miss\u00e3o da igreja deve ser deduzida da nossa compreens\u00e3o da miss\u00e3o do Filho. Por que e como o Pai enviou o Filho?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o prop\u00f3sito principal da vinda do Filho ao mundo foi singular. Talvez seja parcialmente por essa raz\u00e3o que os crist\u00e3os hesitam em pensar a respeito de sua miss\u00e3o como compar\u00e1vel \u00e0 dele em qualquer sentido. Pois o Pai enviou o Filho para ser o Salvador do mundo, e, com esse prop\u00f3sito, fazer expia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados e nos dar a vida eterna (1Jo 4.9-10, 14). Na verdade, ele mesmo disse que havia vindo para \u201cbuscar e salvar o perdido\u201d (Lc 19.10). N\u00e3o podemos copi\u00e1-lo nessas coisas. N\u00e3o somos salvadores. Todavia, tudo isso ainda \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o inadequada para explicar por que ele veio.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor come\u00e7ar com algo mais geral e dizer que ele veio para servir. Seus contempor\u00e2neos estavam familiarizados com a vis\u00e3o apocal\u00edptica de Daniel sobre o Filho do Homem recebendo dom\u00ednio e sendo servido por todos os povos (Dn 7.14). Por\u00e9m, Jesus sabia que ele tinha de servir antes de ser servido e enfrentar o sofrimento antes de receber o dom\u00ednio. Assim, ele fundiu duas imagens do Antigo Testamento aparentemente incompat\u00edveis \u2014 a do Filho do Homem em Daniel, e a do Servo Sofredor em Isa\u00edas \u2014 e disse: \u201cPois o pr\u00f3prio Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos\u201d (Mc 10.45). A oferta redentora pelo pecado era um sacrif\u00edcio que somente ele poderia oferecer; isso seria o cl\u00edmax de uma vida de servi\u00e7o e por isso n\u00f3s tamb\u00e9m devemos servir. \u201cNo meio de v\u00f3s\u201d, ele disse em outra ocasi\u00e3o, \u201ceu sou como quem serve\u201d (Lc 22.27). Assim, ele entregou-se a si mesmo em um servi\u00e7o abnegado pelos outros e seu servi\u00e7o teve uma ampla variedade de formas segundo as necessidades dos homens. Certamente ele pregou, proclamando as boas novas do reino de Deus e ensinando sobre a vinda e a natureza do reino, como entrar nele e como este reino seria espalhado. Por\u00e9m, ele serviu por meio de obras, assim como por palavras, e seria imposs\u00edvel, no minist\u00e9rio de Jesus, separar suas obras de suas palavras. Ele alimentou bocas famintas, lavou p\u00e9s sujos, curou os enfermos, confortou os abatidos e at\u00e9 ressuscitou os mortos.<\/p>\n<p>Agora ele diz que nos envia como o Pai o enviou. Logo, nossa miss\u00e3o, como a dele, deve ser de servi\u00e7o. Ele se esvaziou do status e assumiu a forma de servo; e seu esp\u00edrito humilde deve estar em n\u00f3s (Fp 2.5-8). Ele nos fornece o modelo perfeito de servi\u00e7o e envia sua igreja ao mundo para ser uma igreja serva. N\u00e3o \u00e9 essencial descobrirmos sua \u00eanfase b\u00edblica? Em muitas de nossas atitudes e empreendimentos crist\u00e3os, temos a tend\u00eancia (especialmente aqueles dentre n\u00f3s que vivem na Europa e na Am\u00e9rica do Norte) de sermos patr\u00f5es em vez de servos. Contudo, parece que \u00e9 em nossa fun\u00e7\u00e3o como servos que encontramos a s\u00edntese correta entre evangelismo e a\u00e7\u00e3o social. Pois ambos deveriam ser para n\u00f3s, como indubitavelmente foram para Cristo, express\u00f5es aut\u00eanticas do amor que serve.<\/p>\n<p>Dessa forma, h\u00e1 outro aspecto da miss\u00e3o do Filho que deve ser comparado com a miss\u00e3o da igreja: ele foi enviado <em>ao mundo<\/em> a fim de servir. Ele n\u00e3o desceu como visitante de outro planeta nem chegou como estrangeiro trazendo consigo sua pr\u00f3pria cultura. Ele tomou sobre si nossa humanidade, nossa carne e sangue, nossa cultura. Na verdade, ele se tornou um de n\u00f3s e experimentou nossa fragilidade, nosso sofrimento e nossas tenta\u00e7\u00f5es. Ele at\u00e9 assumiu nosso pecado e morreu nossa morte. Agora ele nos envia \u201cao mundo\u201d para nos identificarmos com os outros assim como ele se identificou conosco (ainda que sem perder nossa identidade crist\u00e3), para nos tornarmos vulner\u00e1veis assim como ele se tornou. Certamente, essa \u00e9 uma das falhas mais caracter\u00edsticas que temos como crist\u00e3os, especialmente os que se chamam crist\u00e3os evang\u00e9licos \u2014 raramente parecemos levar a s\u00e9rio esse princ\u00edpio da encarna\u00e7\u00e3o. \u201cAssim como nosso Senhor assumiu nossa carne\u201d, discorre o relat\u00f3rio da Cidade do M\u00e9xico em 1963, \u201cele tamb\u00e9m chama sua Igreja para se envolver com o mundo secular. Isso \u00e9 ao mesmo tempo f\u00e1cil de dizer e sacrificial de se fazer\u201d.<sup>1<\/sup> Para n\u00f3s, \u00e9 mais natural gritarmos o evangelho \u00e0s pessoas a certa dist\u00e2ncia do que nos envolvermos com elas de forma profunda, pensarmos dentro de sua cultura e de seus problemas e sentirmos suas dores com elas. Entretanto, essa implica\u00e7\u00e3o do exemplo do nosso Senhor \u00e9 inescap\u00e1vel. Como o Pacto de Lausanne declara: \u201cN\u00f3s afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo como o Pai o enviou e isto conclama para um envolvimento profundo e dispendioso no mundo\u201d (par\u00e1grafo 6).<\/p>\n<h6>Nota<br \/>\n<em>1. Witness in Six Continents<\/em>, p. 151.<\/h6>\n<pre>Trecho originalmente publicado no livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/a-missao-crista-no-mundo-moderno\"><em>A Miss\u00e3o Crist\u00e3 no Mundo Moderno<\/em>.<\/a><\/pre>\n<p><strong>Leia mais:<br \/>\n<\/strong>\u00bb <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2014\/09\/15\/deus-centrifugo-missao-centrifuga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deus centr\u00edfugo, miss\u00e3o centr\u00edfuga&nbsp;<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece que \u00e9 em nossa fun\u00e7\u00e3o como servos que encontramos a s\u00edntese correta entre evangelismo e a\u00e7\u00e3o social. 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