{"id":1375,"date":"2018-07-05T00:00:33","date_gmt":"2018-07-05T03:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=1375"},"modified":"2018-07-09T12:48:58","modified_gmt":"2018-07-09T15:48:58","slug":"john-stott-estadista-do-reino-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2018\/07\/05\/john-stott-estadista-do-reino-de-deus\/","title":{"rendered":"John Stott \u2013 estadista do reino de Deus"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>No m\u00eas em que se completam 7 anos da <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/ultimato-lamenta-john-stott-morre-em-londres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">morte de John Stott<\/a>, Ultimato seleciona conte\u00fado sobre a vida, minist\u00e9rio e produ\u00e7\u00e3o escrita de Stott que vale a pena lembrar. Come\u00e7amos com o artigo a seguir, escrito pelo pastor <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/robinsoncavalcanti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Robinson Cavalcanti<\/a>\u00a0em 2001, a prop\u00f3sito do anivers\u00e1rio de 80 anos de Stott. Boa leitura!<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1379 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_03_07_18_estadista_reino-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_03_07_18_estadista_reino-214x300.jpg 214w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_03_07_18_estadista_reino.jpg 260w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/>O mundo crist\u00e3o comemorou, com grande alegria, no dia 27 de abril deste ano, os 80 anos do nascimento de um dos mais importantes te\u00f3logos do \u00faltimo s\u00e9culo, o Rev. John Stott, ministro anglicano e autor de, entre outros, Cristianismo B\u00e1sico, um cl\u00e1ssico traduzido para 50 l\u00ednguas, com mais de 2 milh\u00f5es e meio de c\u00f3pias vendidas. H\u00e1 dez anos, estive presente ao seu 70\u00ba anivers\u00e1rio, em Oxford.<\/p>\n<p>Stott nasceu em 1921 no seio de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia alta de Londres. Seu pai, um humanista, era um renomado cardiologista. Sua m\u00e3e, uma crist\u00e3 tradicional, ensinou ao pequeno John e a suas tr\u00eas irm\u00e3s a lerem a B\u00edblia, a orarem e a freq\u00fcentarem a igreja. Sua convers\u00e3o se deu na adolesc\u00eancia, quando aluno da prestigiosa Escola Secund\u00e1ria Rugby, pelo minist\u00e9rio de um professor que organizava grupos de estudo b\u00edblico e acampamentos de f\u00e9rias, visando ganhar para Cristo os filhos da elite inglesa.<\/p>\n<p><!--more-->Formou-se em letras (l\u00ednguas modernas \u2014 franc\u00eas e alem\u00e3o) pela Universidade de Cambridge, onde se tornou um ativo l\u00edder do grupo local da Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria (IUF, sigla em ingl\u00eas), sendo laureado. Obteve o seu t\u00edtulo em teologia pelo Ridley Hall. Em 1945, foi ordenado ministro da Igreja da Inglaterra e designado coadjutor (pastor auxiliar) da Par\u00f3quia de All Souls, Langham Place, no centro de Londres. Em 1950, foi eleito reitor (pastor titular) da mesma par\u00f3quia, assim permanecendo por 25 anos. Em 1975, aposentou-se e recebeu o t\u00edtulo de reitor em\u00e9rito, e membro volunt\u00e1rio da equipe pastoral. Desde 1959, tinha sido designado para ser um dos capel\u00e3es de S.M. a rainha Elizabeth II.<\/p>\n<p>Durante todos esses anos viajou intensamente, a convite de v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es, falando, principalmente, em cruzadas estudantis e cursos de lideran\u00e7a promovidos por movimentos ligados \u00e0 Fraternidade Internacional de Estudantes Evang\u00e9licos (IFES).<\/p>\n<p>Ganhou notoriedade mundial ao ser um dos oradores do Congresso Internacional de Evangelismo (Berlim, 1966), auspiciado pela revista Christianity Today. Em 1974, apresentou, no Congresso para a Evangeliza\u00e7\u00e3o Mundial (Lausanne), a not\u00e1vel palestra Bases b\u00edblicas para o evangelismo, e foi o principal redator do Pacto de Lausanne, o mais importante documento confessional do s\u00e9culo 20. No fecundo per\u00edodo de 1974 a 1983, participou dos congressos e semin\u00e1rios patrocinados pela Comiss\u00e3o de Lausanne (LCWE) e pela Alian\u00e7a Evang\u00e9lica Mundial (WEF), que resultaram em relevantes textos, tendo sido o moderador do encontro sobre Evangelho e Cultura (Bermudas).<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 70, travou uma pol\u00eamica com o l\u00edder congregacional Martim Lloyd-Jones, defendendo a perman\u00eancia dos evangelicais nas igrejas hist\u00f3ricas, em vez de deix\u00e1-las, optando por igrejas livres. Participou ativamente do Conselho Evang\u00e9lico Ingl\u00eas (interdenominacional) e da Associa\u00e7\u00e3o dos Evang\u00e9licos na Igreja da Inglaterra. Fundou e dirigiu, por muitos anos, a Fraternidade dos Evang\u00e9licos na Comunh\u00e3o Anglicana (EFAC).<\/p>\n<p>Por sua estatura e sabedoria, os evangelicais tornaram-se a principal corrente do anglicanismo.<\/p>\n<p>Evang\u00e9lico e ortodoxo, Stott sempre defendeu com veem\u00eancia a presen\u00e7a e a participa\u00e7\u00e3o dos evangelicais no movimento ecum\u00eanico, pois este fora iniciado em meados do s\u00e9culo 19 por evangelicais, em obedi\u00eancia \u00e0 Ora\u00e7\u00e3o Sacerdotal de Jesus e visando o melhor cumprimento da Grande Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Aposentado, criou o Instituto por um Cristianismo Contempor\u00e2neo (Londres), centro de educa\u00e7\u00e3o continuada, com uma diversidade de cursos e semin\u00e1rios, visando relacionar a f\u00e9 crist\u00e3 com a realidade. Fundou tamb\u00e9m o Langham Trust, para o patroc\u00ednio de publica\u00e7\u00f5es e bolsas de estudo, que administra os direitos autorais dos seus 35 livros, como A Cruz de Cristo, O Sil\u00eancio Culposo, T\u00f3picos que Desafiam os Crist\u00e3os Hoje, Ou\u00e7a o Esp\u00edrito, Ou\u00e7a o Mundo e tantos outros, lidos pela lideran\u00e7a de praticamente todas as denomina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Seus serm\u00f5es expositivos e coment\u00e1rios de livros da B\u00edblia foram importantes contribui\u00e7\u00f5es. Sempre enfatizou a autoridade das Sagradas Escrituras, a expia\u00e7\u00e3o na cruz e a santidade de vida com compromisso social.<\/p>\n<p>S\u00e3o deles as palavras: \u201cEu n\u00e3o poderia crer em Deus se n\u00e3o fosse pela cruz\u201d. E ainda: \u201cNosso ser (self) \u00e9 uma mistura complexa de bem e de mal, de gl\u00f3ria e de vergonha. O ser que devemos negar, destronar e crucificar \u00e9 o nosso ser ca\u00eddo; o ser que devemos afirmar e valorizar \u00e9 o ser criado, tudo o que em n\u00f3s \u00e9 compat\u00edvel com Jesus \u2014 lembrando o seu ensino de que quando perdemos a n\u00f3s mesmos (auto-nega\u00e7\u00e3o) \u00e9 que nos encontramos.\u201d<\/p>\n<p>Na velhice, tem lamentado o divisionismo evang\u00e9lico: \u201ca despeito da influ\u00eancia dos evang\u00e9licos, pela gra\u00e7a de Deus, n\u00e3o temos sido capazes de uma influ\u00eancia maior, que seria poss\u00edvel caso f\u00f4ssemos unidos\u201d.<\/p>\n<p>Um cavalheiro de educa\u00e7\u00e3o refinada, t\u00edmido, mente brilhante, celibat\u00e1rio, tendo como hobby a contempla\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros. Sabe prender a aten\u00e7\u00e3o do seu audit\u00f3rio e sabe fazer e manter amizades. Ningu\u00e9m, no s\u00e9culo 20, fez mais para dar articula\u00e7\u00e3o, visibilidade, relev\u00e2ncia e unidade ao evangelicalismo, tanto no conjunto do cristianismo, quanto no interior da Comunh\u00e3o Anglicana. Um verdadeiro estadista do reino de Deus, cujas propostas de miss\u00e3o integral, evangelicalismo l\u00facido e anglicanismo com \u00eanfase reformada constituem-se em alternativas das mais v\u00e1lidas diante do confuso e imaturo quadro religioso do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Stott veio ao Brasil duas vezes: em 1980, para o Congresso Nacional da Alian\u00e7a B\u00edblica Universit\u00e1ria, no Recife, e em 1989, para o Congresso Vinde para Pastores e L\u00edderes. Nesta \u00faltima, confessou-se incomodado com a deseleg\u00e2ncia de alguns dos nossos fundamentalistas que insistiam em questionar as suas simpatias para com a escatologia aniquilacionista (\u201csegunda morte\u201d \u2014 destrui\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s, dos anjos ca\u00eddos e dos perdidos).<\/p>\n<p>Conheci John Stott em dezembro de 1967 na Confer\u00eancia Mission\u00e1ria de Urbana (ABU dos Estados Unidos), expondo a Segunda Carta a Tim\u00f3teo, e na Assembl\u00e9ia Mundial da IFES (Mittersill, \u00c1ustria, 1975), expondo a Carta aos Ef\u00e9sios. Pude trabalhar com ele (1974-1983) na Comiss\u00e3o de Lausanne e na Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica da Alian\u00e7a Evang\u00e9lica Mundial e, at\u00e9 1991, na Comiss\u00e3o Executiva da Fraternidade dos Evang\u00e9licos na Comunh\u00e3o Anglicana (da qual sou hoje vice-presidente) e em in\u00fameros congressos e semin\u00e1rios ao longo de 33 anos. Tenho-o como l\u00edder e amigo, recebendo-o em minha casa e sendo recebido na sua. Eu n\u00e3o seria hoje um bispo anglicano n\u00e3o fosse a sua influ\u00eancia (ao lado da vida e obra de Dietrich Bonhoeffer e Martin Luther King Jr.), embora uma vez tivesse me aconselhado a permanecer como leigo (\u201cnossos gurus crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o infal\u00edveis\u2026\u201d, ironizou o bispo David Evans).<\/p>\n<p>Como todo bom disc\u00edpulo, tamb\u00e9m tive minhas sinceras e respeitosas diverg\u00eancias com o mestre. Afinal, somos de diferentes gera\u00e7\u00f5es (1921 versus 1944), forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica (letras versus ci\u00eancias sociais) e culturas (Londres versus interior do Nordeste brasileiro); ele, celibat\u00e1rio e eu, jamais\u2026<\/p>\n<p>Feliz anivers\u00e1rio e longa vida, Rev. John Stott!<\/p>\n<pre>Texto de autoria de <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/robinsoncavalcanti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Robinson Cavalcanti<\/a>. Publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/270\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">270<\/a> de <strong>Ultimato<\/strong>.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas em que se completam 7 anos da morte de John Stott, Ultimato seleciona conte\u00fado sobre a vida, minist\u00e9rio e produ\u00e7\u00e3o escrita de Stott que vale a pena lembrar. Come\u00e7amos com o artigo a seguir, escrito pelo pastor Robinson Cavalcanti\u00a0em 2001, a prop\u00f3sito do anivers\u00e1rio de 80 anos de Stott. Boa leitura! 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