{"id":1357,"date":"2018-06-20T11:02:43","date_gmt":"2018-06-20T14:02:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=1357"},"modified":"2021-12-07T10:42:35","modified_gmt":"2021-12-07T13:42:35","slug":"jesus-e-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2018\/06\/20\/jesus-e-senhor\/","title":{"rendered":"Jesus \u00e9 Senhor"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>(&#8230;)\u00a0<em>Kyrios Iesous<\/em> (&#8220;Senhor Jesus&#8221;) foi o primeiro de todos os credos crist\u00e3os. Ele \u00e9 seguramente um testemunho da encarna\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o da identidade do Jesus humano e do Senhor divino.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1365\" title=\"Foto: unsplash.com\/@huguesdb\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_19_06_18_jesus_senhor-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"330\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_19_06_18_jesus_senhor-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_19_06_18_jesus_senhor.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/>A palavra <em>kyrios<\/em> era usada com uma grande variedade de significados. Por um lado, podia ser usada simplesmente como um t\u00edtulo de cortesia (&#8220;senhor&#8221;) ou para designar o dono de algum tipo de propriedade. Por outro lado, usava-se durante todo o per\u00edodo cl\u00e1ssico grego com refer\u00eancia aos deuses, que eram assim reconhecidos como tendo autoridade sobre a natureza e a hist\u00f3ria. Depois veio a ser aplicada a governantes humanos, especialmente o imperador (<em>Kyrios Kaisar<\/em>), e era a par\u00e1frase comumente usada para Jav\u00e9 pelos estudiosos ao traduzirem a B\u00edblia do hebraico para o grego. Da\u00ed passou a ser usada no Novo Testamento com rela\u00e7\u00e3o ao Cristo ressurreto,<sup>1<\/sup> com a implica\u00e7\u00e3o de que seus seguidores eram seus escravos, comprometidos a ador\u00e1-lo e obedec\u00ea-lo, numa clara indica\u00e7\u00e3o de que eles reconheciam sua divindade. O mais impressionante \u00e9 o fato de que os seus primeiros disc\u00edpulos tenham usado este ep\u00edteto, pois eles eram monote\u00edstas t\u00e3o fan\u00e1ticos quanto qualquer mu\u00e7ulmano hoje. Eles recitavam o <em>Shema<\/em> todo dia, confessando que &#8220;o Senhor nosso Deus, o Senhor, \u00e9 um s\u00f3&#8221;.<sup>2<\/sup> Mas, apesar disso, eles chamavam abertamente Jesus de Senhor e o adoravam como Deus.<\/p>\n<p><!--more-->N\u00e3o existe nada igual em qualquer outra religi\u00e3o. Os judeus, \u00e9 \u00f3bvio, continuam rejeitando a divindade de Jesus. E os mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m. Compreendendo erroneamente a encarna\u00e7\u00e3o em termos literalmente f\u00edsicos, Maom\u00e9 escreveu no Alcor\u00e3o: &#8220;Al\u00e1 pro\u00edbe a si mesmo de gerar um filho.&#8221;<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>O <span style=\"color: #333333;\"><a style=\"color: #333333;\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/budismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Budismo<\/a><\/span>, tanto em sua forma primitiva como na cl\u00e1ssica, n\u00e3o tinha deus nem culto. O status e a honra divinos s\u00f3 foram atribu\u00eddos a Buda uns quinhentos anos depois de sua morte. Portanto, n\u00e3o podemos aceitar o paralelo que o professor Hick faz ao escrever: &#8220;A Budologia e a Cristologia desenvolveram-se por caminhos compar\u00e1veis&#8221;.<sup>4<\/sup> Ou seja, cada um &#8220;veio a ser imaginado&#8221; como uma encarna\u00e7\u00e3o, como um resultado da devo\u00e7\u00e3o religiosa de seus seguidores. A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 inepta, por\u00e9m, pois os pr\u00f3prios contempor\u00e2neos de Jesus o chamavam de &#8220;Senhor&#8221;, ao passo que um mil\u00e9nio se passou antes que Buda fosse adorado como Deus.<\/p>\n<p>O Hindu\u00edsmo, \u00e9 verdade, reivindica uma por\u00e7\u00e3o de <em>avatares<\/em> ou &#8220;descendentes&#8221; divinos, nos quais se diz que o deus Vishnu teria aparecido em Rama, em Krishna e em outros. No <em>Baghavad Gita<\/em> Krishna diz a Arjuna que ele frequentemente assume forma humana: &#8220;Eu j\u00e1 nasci muitas vezes, Arjuna&#8230; Embora eu n\u00e3o seja nascido, e seja eterno, e seja o Senhor de tudo, eu venho ao meu estado natural e atrav\u00e9s do meu maravilhoso poder eu sou nascido.&#8221;<sup>5<\/sup> Talvez mais impressionante ainda seja a declara\u00e7\u00e3o de Ramakrishna, o reformador hindu do s\u00e9culo XIX, que disse acerca de si mesmo ser &#8220;a mesma alma que havia nascido antes como Rama, como Krishna, como Jesus, ou como Buda, nascido novamente como Ramakrishna&#8221;.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>Mas &#8220;encarna\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o adequada ou acurada da palavra s\u00e2nscrita <em>avatar<\/em>; ela tende a dissimular as duas diferen\u00e7as fundamentais entre as declara\u00e7\u00f5es do Cristianismo e do Hindu\u00edsmo. Primeiro, a quest\u00e3o da <em>historicidade<\/em>. Os <em>avatares<\/em> de Vishnu pertencem \u00e0 mitologia hindu. O Hindu\u00edsmo \u00e9 uma religi\u00e3o filos\u00f3fica, m\u00edstica e \u00e9tica, e para os hindus n\u00e3o tem import\u00e2ncia alguma se os <em>avatares<\/em> realmente existiram ou n\u00e3o. O Cristianismo, por\u00e9m, \u00e9 essencialmente uma religi\u00e3o hist\u00f3rica, baseada na afirma\u00e7\u00e3o de que a encarna\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo foi um evento hist\u00f3rico, que aconteceu na Palestina quando Augusto era imperador de Roma. Caso se pudesse descomprovar a sua historicidade, o Cristianismo seria destru\u00eddo.<\/p>\n<p>A segunda diferen\u00e7a jaz na <em>pluralidade<\/em> dos <em>avatares<\/em>. Krishna falou de seus m\u00faltiplos e at\u00e9 &#8220;frequentes&#8221; &#8220;renascimentos&#8221;. Mas &#8220;encarna\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;reencarna\u00e7\u00e3o&#8221; s\u00e3o dois conceitos fundamentalmente diferentes. Os <em>avatares<\/em> foram manifesta\u00e7\u00f5es ou incorpora\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias de Vishnu em seres humanos. Mas nenhum deles implicou em que a divindade tenha assumido de fato a natureza humana, nem \u00e9, de forma alguma, fundamental para o Hindu\u00edsmo. A afirma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 que em Jesus de Nazar\u00e9 Deus assumiu forma humana de uma vez por todas e para todo o sempre; que sua encarna\u00e7\u00e3o em Jesus foi decisiva, permanente e irrepet\u00edvel, o ponto decisivo da hist\u00f3ria humana e o come\u00e7o de uma nova era; e que hoje, reinando \u00e0 direita de Deus, est\u00e1 precisamente &#8220;o homem Cristo Jesus&#8221;, ainda humano tanto quanto \u00e9 divino, se bem que agora sua humanidade tenha sido glorificada. Tendo assumido a nossa natureza, ele nunca a descartou e jamais o far\u00e1.<\/p>\n<p>Assim, o primeiro aspecto da unicidade de Jesus \u00e9 que ele \u00e9 Senhor. Ele \u00e9 o &#8220;Filho&#8221; e a &#8220;Palavra&#8221; eterna e pessoal de Deus, que se tornou ser humano. Consequentemente, &#8220;nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade&#8221;.<sup>7<\/sup> Ele \u00e9 o soberano senhor do universo e da igreja. \u00c9 verdade que ele exerce esse dom\u00ednio atrav\u00e9s de amor humilde, pois o Senhor tornou-se servo e lavou os p\u00e9s de seus disc\u00edpulos. Ainda assim, o nosso lugar \u00e9 prostrados com o rosto em terra<em>, aos seus p\u00e9s<\/em>.<\/p>\n<h6><strong>Notas:<br \/>\n<\/strong>1 \u2013 2 Pe 3.18.<br \/>\n2 \u2013 P. ex., At 2.36; Rm 10.9; cf. Mt 28.18.<br \/>\n3 \u2013 Cap\u00edtulo sobre Maria, no <em>Alcor\u00e3o.<br \/>\n<\/em>4 \u2013 John Hick (ed.), <em>The Myth of God Incarnate<\/em> (SCM, 1977), p. 169.<br \/>\n5 \u2013 Do <em>Bhagavad Gita.<br \/>\n<\/em>6 \u2013 Citado por W. A. Visser&#8217;t Hooft, <em>No Other Name<\/em> (SCM, 1963), pp. 36-37.<br \/>\n7 \u2013 Cl 2.9.<\/h6>\n<pre>Trecho extra\u00eddo do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/ouca-o-espirito-ouca-o-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Ou\u00e7a o Esp\u00edrito, Ou\u00e7a o Mundo<\/em><\/a>. ABU Editora.<\/pre>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\">&gt;&gt;\u00a0<a style=\"color: #333333;\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/cristo-e-o-senhor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cristo \u00e9 o Senhor<\/a><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\">&gt;&gt;\u00a0<a style=\"color: #333333;\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/budismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Budismo \u2013 Uma Abordagem Crist\u00e3 sobre o Pensamento Budista<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;)\u00a0Kyrios Iesous (&#8220;Senhor Jesus&#8221;) foi o primeiro de todos os credos crist\u00e3os. Ele \u00e9 seguramente um testemunho da encarna\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o da identidade do Jesus humano e do Senhor divino. A palavra kyrios era usada com uma grande variedade de significados. 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