{"id":1249,"date":"2018-04-17T11:44:13","date_gmt":"2018-04-17T14:44:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/?p=1249"},"modified":"2018-04-25T08:33:31","modified_gmt":"2018-04-25T11:33:31","slug":"o-que-distinguia-jesus-dos-fariseus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2018\/04\/17\/o-que-distinguia-jesus-dos-fariseus\/","title":{"rendered":"O que distinguia Jesus dos fariseus?"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Vemos, nos Evangelhos, a dist\u00e2ncia que separava Jesus dos fariseus. Estes evitavam o contato com todos os exclu\u00eddos. Aquele, no entanto, os acolhia como amigos; Jesus tocava os intoc\u00e1veis.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_1253\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1253\" class=\"wp-image-1253\" title=\"Pintura de James Tissot | Dom\u00ednio P\u00fablico\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_17-4-2018_atitude_Jesus-300x223.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_17-4-2018_atitude_Jesus-300x223.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/files\/blog_Stott_17-4-2018_atitude_Jesus.jpg 606w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-1253\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Ai de v\u00f3s, escribas e fariseus hip\u00f3critas!&#8221;.<\/p><\/div>\n<p>Por que isso? Qual era a causa desse desacordo entre eles? A resposta \u00e9 simples: a maior preocupa\u00e7\u00e3o dos fariseus era com <em>eles mesmos<\/em> e com um modo de manter sua pr\u00f3pria pureza, enquanto a prioridade de Jesus Cristo eram os outros \u2013 como \u201cbuscar e salvar o que estava perdido\u201d.<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>A fim de explicar e defender o que fez, Jesus recorreu a uma s\u00e9rie de imagens ou par\u00e1bolas marcantes.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, ele se comparou a um m\u00e9dico que se dedica ao cuidado de doentes e, portanto, assume o risco de se contagiar. Foi assim que ele respondeu \u00e0 pergunta indignada dos fariseus sobre o motivo de comer com publicanos e pecadores: \u201cN\u00e3o s\u00e3o os que t\u00eam sa\u00fade que precisam de m\u00e9dico, mas sim os doentes. Eu n\u00e3o vim para chamar justos, mas pecadores\u201d.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p><!--more-->Mais uma vez, quando os fariseus murmuraram, dizendo: \u201cEste homem recebe pecadores e come com eles\u201d,<sup>3<\/sup> Cristo respondeu comparando-se com um pastor que havia perdido uma de suas cem ovelhas. Ele n\u00e3o abandonaria a ovelha perdida, nem aguardaria com esperan\u00e7a ouvir seu balido no caminho de casa. Ele preferiria abandonar as 99 que estavam seguras para sair \u00e0 procura da que estava perdida e em perigo. Ele continuaria a busca at\u00e9 encontr\u00e1-la. Esse encontro levaria a uma alegria que ele gostaria de compartilhar com seus amigos e vizinhos.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>O que distinguia Jesus dos fariseus era, em uma palavra, a <em>gra\u00e7a<\/em>, a iniciativa divina que primeiro busca e depois salva o pecador perdido. Como explicou o estudioso judeu C. G. Montefiore, \u201cos rabinos haviam dito que se o pecador voltar para Deus, este ir\u00e1 receb\u00ea-lo; eles n\u00e3o disseram que o amor de Deus sai \u00e0 procura do pecador onde ele est\u00e1. Todavia, \u00e9 isso que dizem os Evangelhos\u201d.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Passemos de um pastor que perdeu uma de suas cem ovelhas para uma mulher que perdeu uma de suas dez moedas. Talvez a dracma, a moeda de prata que havia se perdido, tivesse um valor sentimental al\u00e9m do monet\u00e1rio. Talvez fosse um adorno ou uma das dez moedas de prata que as mulheres palestinas usavam naquela \u00e9poca para mostrar que eram casadas, assim como a alian\u00e7a de casamento de nossos dias. Em todo o caso, ao perd\u00ea-la, ela sentiu falta da moeda. N\u00e3o lhe ocorreu apenas aceitar a perda. Em vez disso, ela acendeu uma l\u00e2mpada e varreu toda a casa, procurando atentamente at\u00e9 encontr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mais uma vez, com a moeda recuperada, como no caso da ovelha encontrada, a descoberta levou a uma alegria que, por sua vez, levou a uma celebra\u00e7\u00e3o da qual amigos e vizinhos foram convidados a participar. \u201cDa mesma forma\u201d \u2013 disse Jesus \u2013 \u201ch\u00e1 alegria [no c\u00e9u,] na presen\u00e7a dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende\u201d. Foi isso que faltou aos fariseus. Eles n\u00e3o se alegraram; eles murmuraram.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p>A mais longa das tr\u00eas par\u00e1bolas sobre perda ilustra a mesma verdade b\u00e1sica sobre a compaix\u00e3o divina, por\u00e9m vai mais fundo e acrescenta o tema do irm\u00e3o mais velho. A gra\u00e7a de Deus no minist\u00e9rio de Cristo, j\u00e1 exibida no m\u00e9dico, no pastor e na mulher, agora \u00e9 vista no pai. E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver os paralelos entre, primeiro, os publicanos e o filho pr\u00f3digo e, segundo, os fariseus e o irm\u00e3o mais velho.<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>N\u00e3o devemos minimizar a rebeldia do filho mais novo. Quando confessou mais tarde: \u201cPequei\u201d, ele estava dizendo a verdade. Ele havia perdido sua fortuna por causa da insensatez e sua honra por causa do pecado. Dificilmente poderia estar pior. Ele n\u00e3o s\u00f3 havia perdido tudo o que possu\u00eda, como tamb\u00e9m ele pr\u00f3prio estava perdido.<\/p>\n<p>Durante todo o tempo, seu pai ficou na expectativa de encontr\u00e1-lo e nunca perdeu a esperan\u00e7a. Sua paci\u00eancia n\u00e3o vacilou. Seu amor n\u00e3o desapareceu. Ele perseverou. E quando, finalmente, avistou o filho, ainda longe, voltando para casa, imediatamente, \u201ccheio de compaix\u00e3o, correu para seu filho, e o abra\u00e7ou e beijou\u201d.<sup>8<\/sup><\/p>\n<p>Mais uma vez, a \u00eanfase est\u00e1 na iniciativa da gra\u00e7a. O pai n\u00e3o esperou que o filho chegasse em casa; correu para se encontrar com ele e acolh\u00ea-lo. N\u00e3o esperou que ele se reconciliasse. N\u00e3o o rebaixou \u00e0 vida de servo que sabia que ele merecia. N\u00e3o, ele o restaurou imediatamente como filho na fam\u00edlia e honrou-o com um anel, com sand\u00e1lias e com a melhor vestimenta. Ele nem mesmo esperou que o rapaz terminasse seu pedido de desculpas; interrompeu-o para ordenar que preparassem uma festa.<\/p>\n<p>Entretanto, quando todos come\u00e7aram a comemorar, a atitude pessimista do irm\u00e3o mais velho de n\u00e3o querer participar da festa lan\u00e7ou uma sombra sobre ela. Ao descobrir o motivo da m\u00fasica e da dan\u00e7a, ele ficou com raiva e recusou-se a entrar, a despeito dos apelos que o pai lhe fez. Ficou ressentido com a recep\u00e7\u00e3o dada ao seu irm\u00e3o, especialmente uma vez que sua pr\u00f3pria lealdade ao pai n\u00e3o lhe parecia ter sido adequadamente reconhecida.<\/p>\n<p>Este filho representa aqueles que consideram que a religi\u00e3o tem a ver com o m\u00e9rito das pessoas, para quem a ideia de gra\u00e7a \u00e9 injusta e at\u00e9 mesmo imoral. Ele nada sabia sobre a culpa que nenhum ato humano pode remover, sobre a oferta divina de perd\u00e3o imerecido, sobre a alegria celestial por pecadores que se arrependem. Foi \u00e1spero, amargo, hip\u00f3crita e insens\u00edvel. Enquanto outros comemoravam, ele permaneceu \u00e0 dist\u00e2ncia, aborrecido. Em suma, ele era um fariseu.<\/p>\n<p>Para os fariseus, o fato de Cristo aceitar os exclu\u00eddos era um comprometimento imperdo\u00e1vel com o pecado; eles n\u00e3o o viam pelo que realmente era: uma express\u00e3o da compaix\u00e3o divina pelos pecadores.<\/p>\n<h6><strong>NOTAS<\/strong><br \/>\n1 \u2013 Lucas 19.10.<br \/>\n2 \u2013 Marcos 2.17.<br \/>\n3 \u2013 Lucas 15.2.<br \/>\n4 \u2013 Lucas 15.1-7.<br \/>\n5 \u2013 MONTEFIORE, C. G. <em>The Synoptic Gospels<\/em>. Londres, 1927, v. 1, p. cxviii e v. 2, p. 520. Citado por S. C. Neill em <em>Christian Faith Today<\/em>. Pelican, 1955. p. 165.<br \/>\n6 \u2013 Lucas 15.8-10.<br \/>\n7 \u2013 Lucas 15.11-32.<br \/>\n8 \u2013 Lucas 15.20.<\/h6>\n<pre>Trecho extra\u00eddo do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/as-controversias-de-jesus\"><em>As Controv\u00e9rsias de Jesus<\/em><\/a>, de John Stott. Editora Ultimato.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vemos, nos Evangelhos, a dist\u00e2ncia que separava Jesus dos fariseus. Estes evitavam o contato com todos os exclu\u00eddos. Aquele, no entanto, os acolhia como amigos; Jesus tocava os intoc\u00e1veis. Por que isso? Qual era a causa desse desacordo entre eles? 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