Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus (Mateus 5.9).

Todo cristão, de acordo com esta bem-aventurança, é chamado a ser um pacificador tanto na comunidade quanto na igreja. Jesus deixou claro que nunca devemos buscar conflito ou ser responsáveis por ele. Pelo contrário, somos chamados à paz; devemos efetivamente buscar a paz; e, na medida em que depender de nós, devemos viver em paz com todos aqueles que nos cercam.

A pacificação é uma obra divina. Paz significa reconciliação, e Deus é o autor da paz e da reconciliação. A mesma palavra usada nesta bem-aventurança para se referir a nós é aplicada pelo apóstolo Paulo ao que Deus fez mediante Jesus Cristo. Mediante Cristo aprouve a Deus “[reconciliar] consigo todas as coisas […] estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Cl 1.20). Não é nem um pouco surpreendente, então, que a bênção particular associada aos pacificadores seja a de que “serão chamados filhos de Deus”. Eles buscam fazer o que seu Pai fez, amando as pessoas a quem ele ama. Deus ama a reconciliação e está agora fazendo por meio de seus filhos o mesmo que fez por meio de seu Filho: reconciliando-nos com ele.

É importante lembrar, no entanto, que a paz de Deus não é calmaria; não é paz a qualquer preço. Ele nos reconciliou consigo a um altíssimo preço, ao preço do sangue que custou a vida de seu único Filho. Para nós também – embora à nossa maneira em menor grau –, a pacificação será uma tarefa custosa. Esforçar-se por reconciliar dois indivíduos ou dois grupos que estão em desacordo uns com os outros pode ser um desafio. O tempo e a energia para ouvir bem ambos os lados custam caro, tal como livrar-nos de preconceitos, de brigas para entender pontos de vista opostos e do risco de enganos, ingratidão ou falhas.

Quando estivermos pessoalmente envolvidos em uma discussão ou controvérsia, haverá a dor de pedirmos desculpas à pessoa a quem ofendemos ou a dor de perdoarmos gratuitamente a pessoa que nos ofendeu. Sem dúvida, a paz barata pode ser comprada pelo perdão barato. Mas a verdadeira paz e o verdadeiro perdão são tesouros caros.

Texto originalmente publicado no livro Lendo o Sermão do Monte com John Stott.

Imagem: Unsplash.

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